I wanna be yours
4 Bendita torta
Pov Annabeth
Luke tinha razão... Eu sou muito burra. Como é que eu havia me deixado levar de novo, estou começando a achar que ele é sereio mesmo, e que está me levando para a armadilha, mas não é seu canto que me deixa hipnotizada, e sim seus olhos. Malditos olhos verdes.
Eu tinha que me controlar. Ainda estava em choque encarando ele. Percy mantinha um sorriso travesso e desafiador. Mas não deixei barato, retribui dando com um olhar maldoso e uma joelhada exatamente onde você está pensando. Ele se encolheu e por pouco não caiu.
—Pensa duas vezes na próximo vez antes de me tirar como idiota! — eu disse.
Ele tentou ficar reto, mas parecia quase impossível, mesmo assim estufou o peito e disse com todas as palavras como se fosse o cheque-mate.
—O que importa é que você retribuiu o beijo – ele falou e já ia embora quando se lembrou de algo – ah, e pode parar de fingir namorar aquele loiro babaca, eu sei que é mentira, você acabou de provar isso.
—Ah, vá a merda Perseu! — ele riu e eu fui embora.
Cheguei em casa e pensei bem se ligaria para o Luke para contar o que aconteceu. Sabia exatamente o que ele ia falar. Que eu sou burra e que não deveria ter feito isso, mas o que mais eu poderia fazer. Precisava do meu melhor amigo, e de seus conselhos. Por mais que eu não fosse segui-los.
Respirei fundo e liguei. E como eu suspeitava ele brigou comigo, tive até que segurar o celular um pouco mais longe da orelha. Nem sei por quanto tempo ele ficou lá berrando comigo, só sei que ele devia ter descarregado coisa até de quando éramos pequenos.
—Já acabou Jéssica? — perguntei e escutei uma leve risada no outro lado da linha., suavizando o clima.
—Você é muito burra! — ele disse de novo, e eu já estava me preparando para xingar, mas ele me cortou – era óbvio que ele ia tentar, passou a semana inteira te secando, estava planejando, só procurando a oportunidade perfeita. E apesar da joelhada bem dada, essa não foi a carta na manga dele. Tenho certeza que ele vai tentar mais coisa!
—Tipo o que? Aquele merdinha vai ficar no canto dele por um tempo.
—Não seria tão confiante com isso! Ele pode aparecer na sua porta a qualquer minuto! — ele disse me zoando.
—Cala boca! Não invoca a praga que ele aparece!
Pensando comigo mesma, até que não seria tão ruim assim! Quem sabe podíamos ficar abraçadinhos no sofá assistindo Supernatural comendo pipoca e brigadeiro... Não vou nem compartilhar isso com o Luke. Serão mais trinta minutos de gritaria via telefone, não estava a fim.
—Acho que isso quer dizer que nosso namoro de mentira acabou, não é mesmo? — ele me perguntou, fingindo uma voz de choro. Entrei na onda.
—Não fica assim! Não é você, sou eu.
—Eu sei, sou muito perfeito pra você, mas mesmo assim.
Continuamos nisso por quase uma hora, até que minha mãe me chamou para jantar. Troquei de roupa e coloquei um super moletom, não tinha nada planejado, então seria minha chance de assistir tantos filmes que meu sono permitisse. Seria um ótimo final de semana.
Chegando na sala de jantar, vi que a mamãe tinha posto lugar para três. Não entendi foi nada. Éramos só nós duas desde sempre. Que estranho.
—Mãe, por que tem três lugares? — perguntei indo em direção a cozinha e quase esmurrei a parede quando vi – Luke, falei para não invocar a praga, que merda – sussurrei para mim mesma.
—E aí, Sabidinha? Decidi fazer uma visita — ele disse todo radiante e eu devia estar com a cara do grumpy cat.
—Mãe, o que esse porra está fazendo aqui? — falei sempre muito educada.
—Annabeth, você sabe que eu não gosto quando fala desse jeito! — ela disse e eu só pude revirar os olhos — além disso, achei muito legal ele vir te visitar! Até trouxe a sobremesa, torta de morango, sua favorita, filha.
Golpe baixo Jackson, golpe baixo. Ele sabia meus pontos fracos. Aquele merdinha, ele não ia me comprar com aquele doce dos deuses, cheio de creme e morangos frescos mergulhados em calda, não ia mesmo! Preferiria a morte a me envolver com ele de novo. Não perde por esperar, ia comer aquela torta inteira, sem dar nem uma lasquinha pra ele.
—Filha para de resmungar e coloca a torta na geladeira para nós comermos mais tarde — saí do meu devaneio e fiz o que ela pediu.
Nos sentamos a mesa e o Percy foi o perfeito cavalheiro. Fazendo perguntas convenientes a minha mãe, pedindo por favor e obrigado. Queria vomitar na cara dele. Era questão de tempo até ele voltar ao assunto do nosso relacionamento. Estava só esperando.
—Então me diz Percy, você está namorando? — mamãe perguntou, e eu quase engasguei com o suco, clássica cena. E ele parecia tão surpreso quanto eu.
—Bem, ainda não, mas quem sabe... — ele ousou dar uma piscadinha, que pode ter derretido um pouco meu coração, mas ele não precisava saber, não é mesmo. Então mantive minha cara de bunda até a torta de morango aparecer na minha frente.
Ao dar a primeira garfada quase tive um orgasmo. Só podia ser brincadeira, era a melhor torta que eu comia há anos. Só podia ter sido feita pela mãe dele, ela sempre fora uma confeiteira maravilhosa. Era uma das coisas que eu mais sentia falta do nosso relacionamento. Nunca faltava sobremesa em nossos jantares. Devia ser por isso que eu tinha engordado uns quilinhos.
—Golpe baixo, Jackson – eu disse devorando aquele pedaço em menos de dois segundos. Ele riu orgulhoso de si.
—Ah, e minha mãe mandou um abraço para as duas. E disse que sente sua falta Annie.
—Manda outro, e pode dizer que eu também sinto. Falta DELA!
Ele não ia me comprar com o amor e doce da mãe dele. Apesar de ser uma torta maravilhosa, eu não ia ser facilmente comprada.
—Você podia fazer uma visita, ela ia ficar muito feliz.
—Boa ideia Percy, tenho certeza que a Sally adoraria te ver! — minha mãe só piorava as coisas.
Depois de comermos, e lavarmos toda aquela louça, ele veio com uma com um dvd misterioso para a sala.
—Pensei que podíamos assistir um filminho antes de eu ir embora – ele disse e quis matá-lo. Mas minha mãe ficou radiante com a ideia. Só faltou dar pulinhos pela sala. E eu só pedindo para que não fosse...
—De volta para o futuro, pelo que eu me lembre é um dos seus filmes favoritos – ele disse. Boa jogada, eu devia admitir.
—Não é uma gracinha, Annie? Ele lembra! — minha mãe sempre gostou dele. E sempre me culpou por termos terminado. Eu só ignorava isso. E agora, ela estava indo para o time dele. Obrigada mamis.
Assistimos cerca de cinco minutos, antes da minha progenitora fingir um bocejo e pedir licença, porque ela iria dormir. Deu um beijo de boa noite e um abraço em Percy.
—Juízo crianças — eu devia ter ficado mais vermelha que a bandeira da China. Mas ele não veria já que ela desligou a luz também. Não poderia ter sido mais discreta.
—Enfim sós.
—Nem pense que você está com a bandeira! Eu ainda estou sambando na tua cara, meu anjo!
—Não quero a merda da bandeira, Sabidinha, só você — se você me perguntar se gelei, vou negar até a morte, mas sim fiquei paralisada.
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