I wanna be yours
5 Aquele cochilo no sofá
Ele me quer... Ele já teve, mas foi burro! Além disso eu não era nenhum objeto para possuir! Aff, inclusive, vou falar isso para ele!
—Eu não sou um objeto, Perseu! — eu disse brava, mas meu estomago estava com mil mini borboletas voando.
Ele revirou os olhos e passou a mão gentilmente pela minha bochecha.
—Eu sei que você não é, não falei nessa intenção. Você sabe – ele se levantou do sofá e foi até sua mala, tirou uma manta branca e macia. Aquela mochila parecia não ter fim. Ele era a Mary Poppins e eu nem sabia – assistir filme com cobertor é sempre melhor, não é mesmo?
—Percy... — disse em tom de aviso. Ele riu de leve e nos cobriu com a manta. Aquele jogo estava ficando tenso. Quando eu não afastei o cobertor ele colocou o braço atrás de mim sobre o encosto do sofá. No decorrer do filme ele foi chegando cada vez mais perto, mas eu estava tão entretida, que só percebi quando estávamos quase deitados juntos.
Acabei deixando rolar, mas aquilo foi me dando um sono que acabei dormindo abraçada com ele. Acordei umas duas horas depois, ele também tinha dormido, e o filme nem nos créditos estava mais, já tinha voltado para o menu principal. Olhei para aquela cena e tive vontade de me dar um soco na cara.
Tentei levantar, mas ele me puxou mais para si.
—Annie – ele sussurrou enquanto dormia, e aquilo aqueceu meu coração de uma forma que nem consigo descrever. Consegui me virar e ficar de frente para ele. Estava parecendo um anjinho. Não ficávamos próximos assim desde que terminamos.
Apertei o famigerado botão do 'foda-se' e me aconcheguei ali mesmo voltando a dormir. Acordei de novo algumas horas depois com uma pressão na boca.
—Você me acordou com um beijo? – podia estar escuro, mas ele devia estar da cor de um pimentão — tá achando que eu sou a bela adormecida? — falei mais rindo do que brava.
—Não queria te acordar, mas você estava dormindo com cara de emburrada, achei que te relaxaria.
Revirei os olhos e dei um leve empurrão no ombro dele, mas não disse nada. Ficamos ali deitados um olhando para o outro no escuro mesmo. Ele se aproximou e me beijou. Eu não o afastei. Começou lento e suave, até que foi aumentando o ritmo. Ele me segurava pela cintura e eu acariciava sua nuca. Nenhum de nós estava com pressa, e estávamos tão conectados que eu nem pensava em xingá-lo, ou em como mantê-lo longe de mim. Só existia a gente.
Mas como tudo o que é bom dura pouco. Ouvimos minha mãe entrando no banheiro, no andar de cima, e paramos. Já devia passar da uma da manhã, e apesar de tudo, não sei como ela reagiria se o encontrasse aqui quando fossemos tomar o café da manhã.
—Acho melhor eu ir para casa – ele disse e nos levantamos.
—Apesar da minha mãe ser sua fã número um, não acho que ela vai ficar muito feliz de nos encontrar no sofá de madrugada.
Ele me olhou com uma cara maliciosa e eu mostrei o dedo do meio.
—Ah, vá a merda – eu disse e ele riu.
Levei-o até a porta e paramos um instante, antes de eu fechar na cara dele.
—E então? — ele perguntou.
—E então, o que? — respondi.
Ele abriu e fechou a boca, pensando no que dizer. Eu já suspeitava, mas deixei ele falar.
—E então... a gente voltou? — ele disse finalmente. É eu pensei certo, sobre o que ele iria falar.
Cheguei bem pertinho e dei dois tapinhas em seu ombro.
—Não vai ser fácil assim não — respondi e fechei a porta.
—Não vou ganhar nem um beijinho de boa noite? — ele perguntou do lado de fora.
—Talvez na próxima vez – respondi e subi para meu quarto.
Ao subir as escadas, eu esbanjava um sorriso bobo que nem se eu quisesse tiraria do rosto. Estava ridícula, mas feliz. O que eu queria que fosse surpresa, mas não foi. Por mais que eu negasse, ainda gostava dele, mas sou só um pouquinho rancorosa, e há coisas difíceis de esquecer quando alguém que você gostava muito te magoa e some do mapa.
Minha mãe estava me esperando no alto da escada, ela também exibia um sorriso de orelha a orelha.
—Vocês estavam tão bonitinhos dormindo no sofá...
—Mãe!
—... eu sempre gostei dele...
—Mãe.
—...estou tão feliz que vocês estão voltando a ficar juntos...
—Mãe, eu não sei se vamos mesmo voltar – falei, finalmente.
—Filha, você não me engana, eu vi como vocês caíram no sono. Parecia que haviam voltado no tempo.
—Às vezes parece que você não sabe que foi ele que terminou comigo. Ele que me fez chorar litros. E depois reaparece do nada querendo que tudo volte a ser como antes. Mas eu preciso do meu tempo.
Ela respirou fundo, e me olhou carinhosamente, até achei que fosse me abraçar, mas ela preferiu continuar falando.
—Se você não fosse tão estressada talvez ele não tivesse pedido arrego.
—Ah Athena, me poupe! Dá licença — eu disse ficando puta, e indo para meu quarto.
—Talvez faça parte do seu charme, querida – ela disse rindo.
—Boa noite – respondi fechando a porta. Todos gostavam de me ver brava, não entendia qual era a graça.
Eu podia ser um pouco estressada, mas fazia parte de mim. É assim que eu sou. Não ia mudar por macho, na verdade, estou bem mais calma do que eu era. Depois de alguns anos de terapia para controlar a raiva, as coisas mudavam mesmo. Abre seus olhos para a vida. Além disso, eu já era assim quando nos conhecemos. Foi um dia incrível na segunda série.
Estava brincando no parquinho com a Thalia e o Luke, quando ele chegou. Tinha acabado de entrar na escola. Aqueles olhos cor do mar pareciam me chamar. Estava sentado na caixa de areia derrubando água da sua garrafinha e colocando folhas na cabeça dizendo que eram algas.
E como se não fosse óbvio eu fui lá dizer que eram folhas, não algas. Ele riu e disse.
—Eu sei, Sabidinha, mas estou fingindo que é, até meu pai voltar e me levar na praia – ele disse radiante.
—Então tá... Cabeça de alga.
E então começou uma amizade linda e cheia de briga. Na verdade, cinco minutos depois que demos nossos apelidos um para o outro, estávamos nos matando por causa do baldinho e da pá de praia do colégio. E é claro fui parar na diretoria por usar palavras feias. Mas nossa relação era assim. Depois disso, não nos desgrudamos mais.
Luke e Thalia também tinham se aproximado nessa época, tenho certeza que eles têm crush um pelo outro, mas morreriam antes de confessar.
Uma mensagem me trouxe de volta para o presente.
"Boa noite, Sabidinha. Adorei assistir o filme com você, mesmo que tenhamos dormido no meio"
O que eu vou fazer com ele?
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