I wanna be the one to light up the dark in you.

1 I wanna be the one to light up the dark in you.


Notas iniciais
Hey, guys! Eu tô morrendo pra fazer algo Black Assassin há um tempão, mas só agora consegui inspiração. Honestamente? Essa fic é meio Nyssa-centric, mas no POV da Laurel. Mas você pode perceber uma coisinha ou outra há mais rolando entre essas duas em algumas partes, no mínimo um clima ;) Boa leitura!

Laurel Lance estava exausta.

Sua mente estava sobrecarregada de problemas originados de todos os lados. Seus músculos reclamavam em desconforto, doloridos e cansados. Seus olhos pesavam e começavam a arder. Debaixo do braço, uma pasta recheada de documentos e papeladas burocráticas da promotoria. Tinha uma grande bolsa pendurada em um ombro, com seu traje de Canário Negro e os bastões que usava em combate. Eram suas duas faces, suas duas vidas, suas duas partes.

Advogada de dia e vigilante à noite.

Era extremamente exaustivo – mas Laurel nunca se sentira tão completa em toda sua vida.

Quando entrou em seu apartamento, fez uma trilha de roupas porta à dentro. Tudo o que queria era tomar um banho quente e dormir por, pelo menos, dez horas ininterruptas – sem traficantes de drogas vagando pelas ruas de Star City, sem algum maluco fantasiado ameaçando inocentes por causa de um trauma mal resolvido de infância, sem meta-humanos fugidos de Central City, sem o infinito drama de Oliver Queen que insistia em suga-la para dentro de sua maldita bagunça. Tudo o que precisava era de algumas horas de sono e estaria pronta para outra.

Ao chegar na porta de seu quarto, Laurel vestia apenas uma camiseta simples de algodão e calcinha. Seu corpo, finalmente, capaz de respirar.

Quando entrou, congelou em seu lugar, chocada.

Nyssa al Ghul dormia em sua cama.

Nyssa al Ghul dormia profundamente em sua cama.

Nyssa al Ghul dormia profundamente em sua cama, seminua, vestindo apenas um conjunto de lingerie básica e preta.

Como Nyssa poderia estar ali? Ela não era prisioneira de Malcolm Merlyn? Por que ela estava na cidade? Por que estava em sua casa, mesmo depois do brusco rompimento da relação que construíram? Por que, meu Deus, ela estava praticamente nua em sua cama?

Eram muitas perguntas, e Laurel não tinha ideia das respostas.

Aproximou-se cautelosamente, com passos silenciosos. Chegando mais perto, observou o semblante relaxado de Nyssa, mas o vislumbre da tensão que sempre a acompanhava, desde que Laurel a viu pela primeira vez, ainda estava ali. Os cabelos escuros estavam esparramados sobre a fronha branca, e seu peito subia e descia suavemente. Percorrendo os olhos pelo corpo dela, notou os hematomas – roxos, esverdeados, azulados, negros –, um corte perto do osso de seu quadril pronto para sarar – era claro que o ferimento não recebera qualquer tipo de cuidado, o corpo de Nyssa curando a si mesmo – e as familiares cicatrizes.

Quando ainda estava em treinamento, era inevitável que Laurel visse a exorbitante coleção de cicatrizes que Nyssa estampava em seu corpo, devido à pouca roupa que usava. Teve tempo o suficiente para apreciá-las e, vez ou outra, perguntar suas histórias. A lâmina de uma katana brandida por este antigo membro da Liga. Ele quis me desafiar, provar que era melhor. Conseguiu raspar minha costela, mas não pôde evitar sua garganta ser rasgada, ela disse uma vez, apontando para a cicatriz debaixo de seu seio esquerdo. Balas do senhor de um cartel de drogas, indicou o ombro direito. Sara precisava de um incentivo no treinamento de cimitarras¹. Deixei com que ela me atingisse. Nunca contei a ela, relatou ao dedilhar a marca relativamente longa em sua coxa.

Mas agora Laurel percebia que Nyssa parecia machucada. Com mais cicatrizes, mais manchas de golpes em sua pele. Aquilo fez com que seu coração apertasse. Tinha certeza que Malcolm estava por trás de tudo aquilo. Ela podia imaginar Nyssa em uma cela isolada, longe de tudo de Nanda Parbat. Podia ver em sua cabeça, Nyssa encurralada em sua própria casa, o lugar que era seu lar, seu santuário, sendo arrancado de seu direito de sangue por um usurpador que não merecia o ar que respirava. A Princesa da Liga dos Assassinos, era agora a refém em um buraco escuro.

Laurel odiava Merlyn com todas as forças que possuía.

E também se odiava, por tê-la deixado lá. Teve a chance de resgatar Nyssa. Talvez não conseguisse, mas deveria ao menos tentar. Sim, ela já tinha problemas demais ao ressuscitar Sara, mas não deveria ter esquecido do que Nyssa já havia feito por ela. Sentia-se ingrata e tola. Forçara com que ela tomasse atitudes tão drásticas, destruindo o Poço de Lázaro, sendo punida ainda mais severamente por Malcolm Merlyn, dizendo aquelas palavras duras para Laurel. Ela não a culpava, entendi o desespero de Nyssa.

Quase arruinara Sara, de fato.

Decidiu, por fim, deixar Nyssa dormir. Se Laurel estava cansada, não imaginava o nível de exaustão que ela sentia – física, mental e emocional.

Rumou para o banheiro, o mais silenciosamente possível, entrando debaixo de uma chuveirada quente e de uma avalanche de pensamentos.

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Uma hora depois, Laurel ainda estava acordada. Deitada na cama, do lado oposto de Nyssa. Laurel não podia evitar observá-la dormindo, tentando, como sempre, desvendar o mistério que era aquela mulher.

Nyssa era, honestamente, quase surreal. A sucessora em uma organização milenar de fundamentos sanguinários. A Herdeira do Demônio. Sem a presença de uma mãe, apenas sob as rédeas à ferro e fogo de um pai impiedoso. Matando pessoas desde os dez anos de idade, se educando em diversas áreas de combate, batalha e guerra, toxicologia, anatomia, controle mental e purificação espiritual. Vivendo uma ideologia antiquada e cruel; olho por olho, dente por dente. Passando a infância em um palácio feito de pedra e lágrimas daqueles que um dia já se foram, no meio do deserto de algum lugar do Tibet. Apaixonando-se por uma indigna – fraca e perdida no meio do mar, com seu próprio arsenal de memórias obscuras – e perdendo tudo o que tinha por amor a ela.

Ela era como a personagem de algum livro de aventuras fantásticas – daquelas que você se apaixona logo de cara.

Laurel suspirou, inquieta. Era melhor não pensar nesse tipo de coisa.

— Há quanto tempo está me olhando? – A voz de Nyssa interrompeu o silêncio.

Laurel se alarmou, mas não se assustou.

— Tempo o suficiente pra ficar de boca aberta em como você, com suas habilidades de super ninja, só percebeu agora que estou te olhando.

Nyssa abriu os olhos, suas íris castanhas brilhando.

— Eu não sou uma ninja – Ela sorriu levemente – Estou cansada. Não durmo direito há meses.

Laurel assentiu, sentindo-se culpada.

— O que faz aqui?

— Precisava de um lugar para descansar. Pelo menos por um instante. Um lugar que me fosse confortável, que me trouxesse o mínimo de tranquilidade.

— E esse lugar é aqui? Na minha casa?

— Convivemos tempo o bastante para criar certa... afeição por você. Pelo seu lar. Eu não tenho mais o meu, então isso o mais perto que posso conseguir.

Mordendo o interior de sua bochecha por um segundo, Laurel olhou em outra direção, piscando um par de vezes, voltando à Nyssa novamente.

— Como escapou de Nanda Parbat? De Malcolm?

— Vivi dentre aquelas ruínas minha vida inteira. Sei cada pedra, cada grão de areia, cada rachadura, cada passagem construída ao longo dos anos. Não foi difícil escapar – Ela pausou por um momento – Além do mais, escapar de jaulas, gaiolas, quartos fechados e correntes é uma especialidade minha. Quando achava que eu ainda não tinha idade o suficiente para receber uma punição física, meu pai me trancava e me prendia. Eu sempre escapava e ele me repreendia, mesmo dizendo que aquilo poderia ser útil.

— Se você é assim tão boa em escapar de prisões, por que não fugiu quando Oliver te trancou na Base dele?

Nyssa lançou um olhar divertido.

— Eu precisava parar um pouco para respirar e meditar. Além do mais, observar meu querido marido em sua estúpida ilusão de ser o dono da razão é algo bastante interessante.

— Eca, marido – Laurel fez uma careta.

— Sim, eu concordo.

O silêncio as rodeou novamente. Nyssa ainda estava deitada, olhando para o teto. Laurel continuava a fita-la, sem tentar disfarçar ou sem se envergonhar. Observando um pouco mais de perto, Laurel notou um pequeno hematoma sobre a maçã do rosto de Nyssa.

Ela suspirou. Nyssa nunca parecera tão frágil.

— Merlyn não virá atrás de você?

— Certamente, mas até ele colocar os pés imundos aqui, já terei partido.

— Pra onde?

— Algum lugar.

Laurel não insistiu. Sabia que Nyssa não queria lhe contar.

— Você veio por causa da Sara, não é? – Disse baixinho, quase um sussurro.

Nyssa demorou alguns segundos para responder.

— Sim, mas ela não foi meu único motivo. Disse a verdade quando falei que precisava de um lugar que me trouxesse algum conforto – Suspirou pesadamente – Descobri que as coisas não dão certo quando Sara é minha única razão. Eu perco o controle, e as coisas também.

— Nós restauramos a alma dela.

— Mesmo? – Sua voz parecia surpresa, mas ela não desviou os olhos do teto.

— Sim. Oliver conhece um cara que mexe com magia e sei lá mais o que. Conseguimos trazê-la de volta.

— Ah, magia, claro que sim. Não há nada mais poderoso que magia, e nada mais perigoso.

— É, foi bizarro.

— Imagino. Fico feliz que tenha conseguido, e que tenha provado que eu estava errada – Desta vez ela olhou para Laurel, seu rosto sincero – Perdoe-me pelas coisas que disse. Medo traz a pior parte de nós.

Laurel negou.

— Não se preocupe. Eu entendo, você estava certa. Tivemos sorte de termos conseguido. Mesmo a magia poderia não ter dado certo. Me desculpe por te excluir disso, por não ter te dado ouvidos. Você, assim como eu, tinha o direito de estar envolvida. É a Sara, afinal de contas.

Ela desviou o olhar outra vez.

— Sim, é a Sara... Onde ela está?

— Não tenho certeza. Ela saiu da cidade, precisava se encontrar depois... você sabe, depois de tudo o que aconteceu – Laurel mordeu o lábio, hesitante – Ela ainda vai te procurar. Ela só precisa encaixar as peças de novo. Leva tempo.

— É bom que ela não me procure e que eu não a procure.

— Por quê? – Indagou, confusa.

— Tivemos nossa história, mas agora vejo que acabou a partir do momento que ela decidiu ir embora sem dizer uma palavra. Talvez ela nunca estivesse verdadeiramente envolvida, não tanto quanto eu. Sara tinha uma vida lá fora, do outro lado do Oceano, mas ela havia se tornado minha vida. Não estávamos na mesma página, nunca estivemos.

— Sara amou você, Nyssa. Sara ama você.

— Quem sabe não nos encontramos algum dia, quando formos melhores uma para a outra.

Laurel engoliu em seco, a tristeza na voz de Nyssa e que sentia em seu peito estava começando a ser demais. Resolveu mudar o rumo do assunto.

— Você está machucada. Quer alguma coisa? Advil, um Tylenol?

— Você tem paz?

— Se existisse paz em forma de pílulas, eu teria um armário cheio – Laurel riu.

Nyssa sorriu.

— Obrigada, Laurel, mas não se preocupe. A dor faz bem pra alma. Te faz lembrar das lutas que deve enfrentar.

Laurel sabia do que ela se referia.

— Eu quero muito que Malcolm Merlyn morra. Eu quero muita que você o mate. E, eu sei, nada heroico da minha parte, Canário Negro, que faz parte da gangue de vigilantes pró-vida se Star City, desejar a morte de alguém, mas esse cara é... A coisa que eu mais detesto na face da Terra.

— Compartilhamos do mesmo sentimento, Laurel. E eu vou mata-lo, prometo que sim, mas antes preciso voltar a minha forma.

— Como assim?

— Esses últimos tempos acabaram comigo. Eu estou tão terrivelmente tomada de exaustão. Tudo o que aconteceu, cada mínimo detalhe, contribuiu para que eu deteriorasse lentamente. Sinto que perdi um pedaço de mim. Uma parte fundamental que me tornava a melhor em tudo o que eu fazia. Eu não luto mais como antes, Laurel. Meus movimentos tão deselegantes e descuidados. Estou lenta, não tenho mais tanta agilidade como antes. Eu poderia dizer que estou velha, mas não é isso. Às vezes a vida te maltrata tanto, que acaba destruindo algo dentro você. Toda a minha excelência foi corroída por dor, desespero e traição. Preciso me recuperar. Preciso estar boa outra vez, preciso honrar meu sangue e meu nome. Esta não sou eu.

— E o que pretende fazer? Se refugiar nas montanhas e treinar sem parar?

— Entre outras coisas.

— Que coisas?

— Não se apegue a isso. Apenas tenha em mente que eu cumprirei minha promessa de matar Malcolm Merlyn. Eu só preciso de tempo.

— Sei que você vai conseguir, Nys – Laurel soltou o apelido sem querer, mas tudo o que a morena fez foi esboçar um sorriso.

— Damien Darhk é quem ameaça a cidade agora, sim?

— Hm, sim – Laurel disse, surpresa para o destino da conversa – Ele está aterrorizando Star City com os Fantasmas e a maldade dele.

— Fantasmas?

— É assim que a mídia chama os soldados que o seguem.

— Damien Darhk é um homem perverso e mesquinho. Quer o poder só para ele, a glória só para ele. Seu sonho é que o mundo inteiro dobre o joelho e curve-se diante dele.

— E o desgraçado parece ser invencível.

— Ah, mas ele não é. Difícil de derrubar, mas não invencível.

— Ele controla os objetos com a mente, Nyssa. Oliver pode atirar mil flechas, ele nem vai se mexer e todas vão voltar do mesmo jeito que foram. Ele mata as pessoas apenas as tocando.

— Difícil de derrubar, mas não invencível – Ela repetiu.

— Então como a gente ganha de um cara como esse?

Nyssa sorriu como se soubesse um segredo.

— Darhk foi inimigo de meu pai. Ele queria a fonte de seu vigor, e mesmo depois de ter conseguido uma pequena prova, nunca foi capaz de vencer Ra’s al Ghul. Ele tem poder, mas há sempre alguém, ou algo, maior.

— Você vai continuar com suas charadas e não vai me contar de verdade, né?

Ela riu, olhando para Laurel levemente culpada.

— Perdoe-me, mas nada é em vão.

— Tudo bem, confio em você.

— Tem ideia do quanto isso significa?

— Provavelmente. Você confiou em mim, viu meu potencial quando todos me colocaram pra baixo. Eu sou o que sou hoje por sua causa, Nyssa, e eu sou eternamente grata.

— Você é quem é por mérito próprio. Sem sua força de vontade e maturidade, meu treinamento não seria nada.

— Mesmo assim. Muito obrigada, Nys. Você salvou a minha vida, de uma maneira.

— Você também, de uma maneira.

Laurel sorriu, tocando o braço de Nyssa, seu pulso e então seu abdômen, sentindo a barriga lisa, mas, ao mesmo tempo, os músculos rígidos e definidos sob seus dedos.

— Agora, me reponde uma coisa: Por que diabos você só tá de calcinha e sutiã?

Nyssa riu, mais alto dessa vez, seu nariz franzindo adoravelmente.

— Eu queria estar confortável.

— Você levou a sério, tá bem confortável.

— Me sinto confortável quando estou com você.

Laurel tentou controlar o sorriso, sentindo seu peito aquecer.

— Por que a gente não dorme agora, huh? Estou cansada, e você também.

— Sim, é uma boa ideia.

Laurel se arrumou na cama, procurando a posição certa. Quando estava satisfeita e seus olhos quase fechando, precisou perguntar:

— Estará aqui quando eu acordar?

— Provavelmente não.

— Você volta?

— Por você? É claro que sim.

Notas finais
¹Cimitarras: Uma espada de lâmina curva, geralmente usada no Oriente Médio. ----------------------------------------------------------------------------------------------- Como vocês podem ver, Laurel é presidente do fã-clube da Nyssa, lol. Esse mistério da Nyssa... Será que rola continuaçãozinha focada em Nysara? (¬‿¬) E eu tenho uma dúvida muito cruel desde o final da temporada passada, que até agora eu não consegui sanar, porque, na minha percepção, não faz o menor sentido: POR QUE DIABOS O OLIVER ENTREGOU O TRONO DE RA'S AL GHUL PRO MALCOLM MERLYN E NÃO PRA NYSSA? QUAL FOI A PORCARIA DO MOTIVO DELE? Se alguém souber, peço que me explique, porque eu tô até agora tentando entender. Muito obrigada por ler, por favor comente, me siga do tumblr danversalexandras e até a próxima :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!