I see the sound of both of us.
1 My little flame, my girl.
Notas iniciais
Lisa Haniel tinha dificuldades para engravidar, mas mesmoassim, nunca desistiu de seu sonho de ser mãe. Seu marido, Michael Gultierry era um homem de poucas palavras, mas essas nunca feriram ninguém. Os anos se passaram e após dez anos de casados e quatro abortos consecutivos, Lisa engravida, gravidez era de risco, mas o casal tomava todas as medidas necessárias para manter o feto, consultas semanais, remédios e muito repouso. A família era de classe média e Michael teve que arrumar mais um emprego para poder tranqüilizar a preocupada esposa.
O restante da gestação foi complicada, com muitas dores e enfim, o dia do parto chegou, mas para o pesar de todos Lisa não sobreviveu, deixando de presente ao seu amado no dia dos namorados uma linda menina, com cabelos avermelhados como o pôr do sol e de lindos olhos claros assim como o céu em um dia de primavera. Finalmente ele era pai, mas para seu sonho se tornar realidade pagou um preço muito alto, o amor da sua vida. Michael se fechou para o mundo, parou de escrever seus livros, músicas e até mesmo cantar e continuou apenas como colunista do jornal "The Big News" e mais tarde se tornou chefe da polícia local, para poder cuidar de sua filha, pois depois de uns meses descobriu que ela tinha uma deficiência física.
Dezessete anos mais tarde...
- Corre! Vai! Andarápido. — a voz era forte e estava ofegante. O rapaz corria juntamente a outro um tanto menor que ele. Os cabelos negros e arrepiados do jovem se agitavam com o vento contrário e seus lábios bem desenhados estavam semi abertos, tentando por um pouco mais de ar em seus pulmões vazios.
- Victor, vamos nos separar assim eles não nos pegam. — o outro tinha a voz fina e por estar correndo se tornava falha. Estenderam as mãos fechadas em punho e tocaram uma na outra e cada um seguiu para um lado.
O carro da polícia seguiu para o lado esquerdo, o mesmo caminho que Victor havia tomado e o outro jovem sorriu aliviado. Ao olhar pra trás e ver que estava sendo seguido o rapaz virou uma vez para a direita e acabou sendo encurralado em um beco sem saída, os guardas saíram do carro e atrás das portas sacaram suas armas.
- Parado, não se mexa! — os guardas olhavam fixamente para o rapaz que ergueu os braços atrás da cabeça. — Não tente nada, dessa vez não terá como escapar. — um dos policiais seguiu até ele e enquanto o algemava o repreendia. — Victor, Victor Hugo Chevez... — ele balançou a cabeça negativamente. — Sua mãe cheia de problemas e você ainda insiste em ser mais um? — o jovem não disse nada, apenas fechou o rosto em um bico e franziu a testa.
As algemas eram apertadas e marcavam seu punho branco. De acordo que iam voltando ao centro da cidade todos olhavam para dentro do carro e o jovem desviava o olhar. Então, ao chegar a delegacia foi escoltado até a sala do delegado onde foi deixado sozinho. De imediato foiaté a mesa e procurou um grampo para tentar se libertar, mas quando ouviu uma voz se aproximando sentou-se no pequeno banco de couro encostado na parede.
- Você vai mesmo ficar bem? — o delegado tinha uma voz rouca, triste e naquele momento, preocupada.
- Vou sim, pai. — o rapaz arregalou os olhos quando ouviu a palavra "pai" e se ajeitou para tentar ver quem era. Estava de costas para a porta e ele não pôde ver o rosto. O longo cabelo ruivo lhe causou algo nos olhos, pois os mesmo ardiam naquele momento.
- Bem, vou indo. Eu te amo! — a menina se esticou na pontas dos pés e abraçou o senhor pelo pescoço e o mesmo fechou os olhos.
- Minha pequena chama, minha garota. — foi o que ele sussurrou pra ela e a mesma respondeu cantarolando. — Te abraço e sinto coisas que eu não sei dizer, só sinto com você! — e aquela voz ecoou dentrodaquela sala como se fosse feixes de luzes refletindo em espelhos, Victor não conseguia mais abrir os olhos, aquela melodia o fez esquecer por um momento quem era, o quê era e o que sentia. Por um momento ele se esqueceu de onde estava e porque estava ali, masrapidamente recobrou a memória com a porta se fechando e a visão da jovem indo em direção a saída.
- Bom, você aqui de novo. — disse o chefe da polícia ao sentar-se na mesa.
- Sim chefe Michael, senti sua falta. — disse o rapaz colocando um sorriso cínico nos lábios.
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