I put a spell on you
8 The Reason
Notas iniciais
Tom andava inquieto pela Sala Precisa. Estava bastante intrigado e ansioso. Dois dias haviam se passado desde o ataque a Hermione e ele havia saído um pouco do eixo. A garota por mais que agora não estivesse contra ele, o preocupava, pois sempre que a garota estava por perto, ele perdia o foco. Era como se esquecesse de seu propósito em Hogwarts. Por Salazar! Como ela fazia isso?
O rapaz agora encarava o armário sumidouro na sala, esperando ansioso a visita que receberia naquela noite. Havia procurado em todos os livros possíveis quaisquer informações sobre as horcruxes mas não havia saído do primeiro estágio. Já tinha o anel e depois da conversa com Slughorn, na qual descobriu que poderia repartir sua alma mais vezes, decidiu por criar o diário e mais outras cinco horcruxes. Pesquisou ainda mais e não acreditou que a pesquisa o levaria a tal bruxo. Gellert Grindelwald. Como Grindelwald poderia saber o segredo de tais artes?
Um barulho veio do armário e Tom imediatamente o abriu. Não acreditou no que viu.
— Eu realmente não esperava que Grindelwald fosse me mandar alguém como você. — disse Tom com nojo evidente na voz.
— O mestre não pode se arriscar vindo até aqui, por isso me incumbiu essa tarefa. — disse o homem.
— Avise ao seu mestre que não concordei em negociar com um trouxa. Você não é digno de dirigir a palavra a mim. — disse Riddle.
— O mestre não pode se aproximar de Hogwarts. — disse o homem — Por hora ele tem coisas mais importantes. Por isso me enviou para que lhe entregasse isso. — O homem estendeu a mão trêmula a Riddle, entregando-lhe alguns pergaminhos. — Nesses pergaminhos contém a segunda parte dos ingredientes que terá que conseguir para a poção que vai precisar.
— E porque não recebi algo explicando todo o processo? Que tipo de joguinho é esse? — Tom disse irritado.
— Você tem que entender que é um processo complicado. O mestre não pode lhe dar tudo de uma vez, está sendo caçado pelo ministério. — disse o homem.
— Hum. E manda o vassalo trouxa me entregar isso? Esperava mais de Grindelwald, muito mais. Um bruxo associado a trouxas. Claramente você mal está se aguentando em pé. A única coisa que te mantém, é o seu medo. — Tom riu, sádico. — Mas espero que você tenha em mente, a ira de Grindelwald não é nada se comparada a minha. Um trouxa... É isso que Grindelwald manda pra me entregar isto? — ele estende os pergaminhos. — Um mero sangue-ruim? — completou. — Diga a ele que pra mim é muito fácil descobrir onde ele está e entregá-lo ao Ministério, ou melhor, a Dumbledore. Então quero o resto das informações no mais tardar até Domingo. Ou vou entegá-lo com um sorriso no rosto. Não pense que sou idiota e que não sei o que vocês estão fazendo. Grindelwald é esperto, mas não deve se meter comigo.
O homem nada disse. Estava claramente cheio de medo. Riddle realmente, perto de Grindelwald era um milhão de vezes mais ameaçador. Não pensaria duas vezes antes de matá-lo.
— Agora vá. E esteja avisado. Você tem até Domingo. — Tom abriu o armário sumidouro bruscamente e o homem sumiu dentro dele.
~~~*~~~
Naquela tarde, Dumbledore havia requisitado Hermione em sua sala. Há dias que a garota havia chegado em Hogwarts e gostaria de saber como ela estava se adaptando a 1944. Não era apenas isso, a garota havia se mostrado uma ótima aluna e Dumbledore havia se afeiçoado muito a ela, porém sua proximidade com Riddle o intrigava muito.
— Diga-me, senhorita Granger. Como está sendo sua estadia aqui conosco? — perguntou Dumbledore.
— Hogwarts é minha casa, professor. Sempre foi. Eu amo estar aqui. Não é muito diferente do meu tempo. — disse à castanha.
— Fico feliz que esteja bem conosco, senhorita. — sorriu — Aceita chá? -perguntou.
— Não, obrigada. — disse Hermione — Acho que vou indo, professor.
— Só mais uma pergunta, senhorita Granger. Eu tenho notado que a senhorita tem estado mais próxima do senhor Riddle, mas estou confuso, ele não é namorado da senhorita Bulstrode? — perguntou Dumbledore.
— Professor! Não, é, ai meu Merlin. — Hermione respirou fundo — Nós estamos fazendo um trabalho juntos, nada demais. É pra professora Merrythought. Ela quer que trabalhemos no feitiço do patrono. — à castanha estava corada até as bochechas. — Nada além disso.
— Hum... E como estão indo? — perguntou Dumbledore.
— Pra ser sincera, estamos na estaca zero. Tom tem um pouco de dificuldade em escolher uma lembrança feliz. — disse Hermione, se arrependendo logo em seguida, pois Dumbledore era muito sagaz.
— Senhorita Granger... — começou — O senhor Riddle tem uma história um pouco difícil, cresceu em um orfanato, longe de qualquer carinho familiar. Talvez isso o impeça de encontrar uma lembrança forte o suficiente. — argumentou Dumbledore — Mas eu tenho uma ideia que talvez possa ajudar a senhorita.
— Juro que sou toda ouvidos. — disse Hermione.
— Aproveite essa proximidade de vocês dois. Se aproxime mais, conheça os gostos de Tom. Você pode fazer parte de uma lembrança feliz. — sorriu Dumbledore e Hermione claramente não esperava por essa resposta do professor.
— Eu não entendo... — começou ela.
— Ora, senhorita Granger. O que há de mais puro que o amor? Não falo apenas do amor romântico, o amor fraterno também... Imagine como seria se o pensamento feliz do senhor Riddle envolvesse a senhorita? O trabalho não só seria bem executado, mas vocês se sentiriam muito conectados, o processo seria totalmente gratificiante, não? Às vezes as pessoas só precisam de alguém que lhes façam bem. Acredito que a senhorita e o senhor Riddle são bem parecidos. — Hermione não sabia ao certo o que pensar desse argumento do professor. — Pense bem no que eu disse, senhorita.
— Pensarei, professor. Prometo. — sorriu Hermione — Agora tenho mesmo que ir. O professor Slughorn detesta atrasos. — explicou.
— Ah, Horácio sempre exigente. — o professor sorriu — Até logo, senhorita Granger.
Hermione se encaminhou até a sala de Poções, era a primeira a chegar no local, nem mesmo Slughorn havia aparecido ainda. Na realidade queria fugir da conversa com Dumbledore. Mesmo sem saber sobre Tom, ele parecia desconfiar, mesmo que lá no fundo. A castanha não queria refletir sobre o assunto. Por mais que estivesse em trégua com Riddle no momento, não podia simplesmente querer uma lembrança feliz com ele. Mesmo que ele ainda não tivesse se tornado Voldemort, ele ainda se tornaria, era uma questão de tempo. E Voldemort havia matado à todos que ela amava. Disso ela jamais esqueceria. Por mais que Riddle a houvesse salvado, ela não podia esquecer de quem ele um dia se tornaria, jamais poderia deixar de odiá-lo, tampouco se tornar uma lembrança feliz do mesmo. Segundos depois o rapaz passou pela porta. Os dois se entreolharam no mesmo instante e o rapaz acenou com a cabeça. Hermione retribuiu o aceno, encarando milímetro por milímetro do rosto do rapaz, que tomou aquilo como um convite para sentar-se ao lado da mesma, já que eram os únicos na sala até o momento.
— Boa tarde, Tom. — Hermione começou.
— Boa tarde, Hermione. — respondeu. — Por que chegou tão cedo?
— Eu estava sem nada pra fazer então resolvi vir pra cá e pensar um pouco. — disse Hermione, olhando pras próprias mãos entrelaçadas na mesa.
— Lugar incomum pra se pensar na vida. — comentou Riddle.
— Você tem algum lugar favorito pra pensar na vida? — perguntou divertida.
— Se eu te contasse, teria que te matar. — o rapaz disse em tom de brincadeira, mas Hermione arregalou os olhos — Granger, se acalme. — disse — Eu tive mil chances de fazer isso e ainda não o fiz, porque faria agora? — sorriu cínico.
— Já te disseram que você é insuportável? — Hermione fechou a cara.
— Um insuportável que você quer muito beijar. Se bem me lembro...
— Não, não se atreva. Foi um momento de fragilidade. — tentou argumentar.
— Ah, claro que foi. Por que prefere dizer que foi fragilidade ao invés de assumir que é louca por mim? — disse metido.
— Você tem sérios problemas. — riu ela — Não me faça esquecer nossa trégua e te dar uns tapas aqui mesmo.
— Você não seria capaz. — disse divertido.
— Não me provoque. — riu com o mesmo humor.
— Não seria. — disse Tom e no mesmo instante Hermione foi pra cima dele, em seu colo, balançando e consequentemente fazendo com que a cadeira tombasse e os dois fossem de encontro ao chão. Ele imediatamente a segurou pelos pulsos e à castanha se debatia em cima do rapaz, ambos rindo enquanto Hermione tentava se soltar em vão. Tom inverteu às posições. — Estou chocado, senhorita Granger. Uma moça de tanta classe brigando dessa maneira.
— Há momentos em que perco totalmente minha classe, senhor Riddle. O engraçado é que em todos eles você está presente. — debochou ela.
— Então eu te desestabilizo? — perguntou ele retirando uma mecha de cabelo da castanha do rosto da mesma, lentamente.
— Você não, mas a sua cara de pau sim. — sorriu ela e Tom retribuiu o sorriso fixando seu olhar ao dela.
— Vamos entrando, crianças. — disse o professor Slughorn adentrando a sala e levando o olhar imediatamente a Hermione e Tom que se levantaram rapidamente do chão, vermelhos como um tomate. — Senhorita Granger, senhor Riddle... — ele apenas os saudou com a cabeça. — Tomem seus lugares, crianças. A aula de hoje será realmente interessante.
A aula correu em seu curso normal. O professor havia passado o tempo falando de venenos e antídotos. Hermione agora fazia algumas considerações finais sobre a aula em seu pergaminho e anotava algumas referências de livro que o professor havia sugerido. Os alunos haviam se retirado e Hermione estava pronta para fazer o mesmo quando o professor a chamou em sua mesa.
— Granger! Devo dizer que estou muito feliz com o seu desempenho desde que chegou aqui. Você e o senhor Riddle são os meus melhores, com toda a certeza. — algo se remexeu dentro de Hermione ao ouvir aquele nome. — Ambos merecem um lugar na prateleira.
— Fico feliz por isso, professor. — sorriu tímida.
— Não sei se a senhorita sabe, mas há algum tempo eu me reuno com meus alunos mais seletos uma ou duas vezes na semana pra conversar, falar de suas aspirações, celebrar. — ele sorriu — Eu gostaria muito que a senhorita se juntasse a nós esta noite. Vou oferecer um pequeno baile.
Hermione se segurou para não rir diante daquilo. Slughorn do passado e Slughorn do futuro definitivamente eram a mesma pessoa. Ela se sentiu até feliz, por ter a chance de ter um momento de descontração.
— É claro, senhor. Me sinto honrada. — aceitou à castanha.
— Fabuloso! Pode levar um acompanhante com você. — disse. Ah, é claro, o acompanhante. Mais lembranças do futuro. Só que dessa vez ela não convidaria um Córmaco McLaggen da vida.
Hermione se retirou da sala e resolveu ir até a biblioteca se distrair com algum romance trouxa. Pensava em convidar Isaac Lovegood. O garoto havia se tornado um grande amigo, assim como Luna. Seria divertido ir com ele.
~~~*~~~
Jennifer ainda não acreditava que seu plano tinha dado errado. A Granger sempre dava um jeito de se livrar de suas armadilhas. Ela definitivamente não entendia o que essa garota tinha que tanto atraía a atenção de Riddle. Não adiantava ele dizer que era apenas uma parceira de trabalho dele, Tom nunca havia se dedicado tanto a alguém como se dedicava à Granger. Nunca havia se dedicado a ela dessa forma.
A morena passou a mão pelos cabelos enquanto encarava o teto do Salão Comunal sonserino. Um enorme lustre ocupava parte do teto. Ela adorava o conforto do lugar, apesar de o lugar ser muito frio.
Abraxás estava experimentando um terno em frente a um espelho há alguns passos de Jennifer. Era muito vaidoso, chegava a ser insuportável, pensava a garota.
— Diga como estou bonito, Jenny. — disse Abraxás.
— Não posso mentir. — sorriu maliciosa e o rapaz rolou os olhos.
— Mentir eu não sei, mas com certeza esconder as coisas é sua melhor habilidade. — ouviram a voz de Riddle adentrando o salão — É claro que você precisa aperfeiçoá-la porque claramente não tem funcionado. — a morena perdeu o sorriso e nada disse — Abraxás, você levará a Pierce ao baile, certo?
— Sim. Digamos que ela ficará deslumbrante no vestido que comprei pra ela. — Abraxás sorriu largamente e Jennifer rolou os olhos.
— Você vai mesmo continuar com essa grifinória? — a Bulstrode perguntou.
— Eu não vou me casar com ela, só estou a levando ao baile. — disse — Cuidado, Jenny. Vou começar a achar que você está com ciúmes. — a morena jogou uma almofada nele rindo debochada.
— Sonhe, Malfoy. — riu ela.
— Milorde, quem o senhor levará ao baile? — perguntou o loiro enquanto devolvia a almofada da mesma forma em que a havia recebido. Jennifer ficou atenta à resposta do lorde.
— Jennifer pra todos os efeitos ainda é minha namorada. — disse com desgosto — É claro que será meu par. — olhou para a garota.
— Pensei que fosse levar a Granger. — disse emburrada.
— Não me venha com esse ciúmes idiota. Você não está em condições de reclamar. Teve sorte. — disse o rapaz — Pego você às 20:00. Esteja aqui.
Tom nem deu tempo para que a garota respondesse. Retirou-se dali rapidamente. Não tinha a mínima vontade de ir a esse baile, porém Slughorn era um forte ''aliado'' na causa de Tom. Por mais que o professor não fosse seu seguidor, seu talento com poções era grandioso e Tom admirava tal talento.
O rapaz se dirigiu até a biblioteca na intenção de se distrair um pouco. Não gastaria muito tempo para se arrumar para o tal baile, pois era dotado de uma beleza explendorosa e não necessitava de horas diante do espelho como Abraxás Malfoy. Tom procurava algum livro que despertasse seu interesse quando uma voz invadiu seus ouvidos.
— Oi. — disse Hermione, sorrindo tímida enquanto colocava o livro que estava lendo no lugar.
— Olá. — cumprimentou. — Parece que você gosta mesmo de ler. Sempre te vejo por aqui.
— Sou totalmente apaixonada pela leitura, eu já havia te dito. — sorriu.
O rapaz tinha seus olhos presos nos da castanha. A atmosfera que se instalava entre eles era incrível. Ele não conseguia desviar sua atenção dela, agia como um tolo.
— Você vai à festa do Slughorn? — perguntou fingindo indiferença.
— Irei. Confesso que preciso me distrair um pouco. Você sabe, depois de tudo. — disse procurando outro livro.
— Eu sei. — disse — Já tem um par? — perguntou sem rodeios.
— É... Sim, irei com o Isaac. — sorriu. Por que ele estava tão interessado?
— Da Corvinal? É verdade que eles são bem inteligentes, mas você merece coisa melhor. — disse debochado.
— Isaac é meu amigo e sua companhia me faz muito bem. Não vejo melhor opção do que ele para me acompanhar. — disse com toda a sinceridade do mundo.
— Se você diz. — disse Tom voltando o olhar ao livro que havia escolhido.
— A Bulstrode fez toda a questão de gritar aos quatro ventos que iria ao baile com você. — bufou à castanha — Eu acho que você também merecia coisa melhor.
— Eu gostaria de tê-la convidado. — disse sincero — A última coisa que quero é ir a esse baile com a Bulstrode. Mas pra todos os efeitos ela é minha namorada.
— E no entanto você vai com ela. — disse emburrada — Espera, me convidado? — Hermione perguntou meio confusa. Não sabia lidar com essa informação.
— Sim, garanto que Slughorn ficaria mais que feliz. Seria bom levar alguém que não passasse o tempo todo me bajulando. — disse sentando-se.
— Isso você pode ter certeza de que eu não faria. — sorriu — Mas vá, leve a Bulstrode. É bom que você controla a vontade dela de me estrangular.
— E quem disse que eu vou controlar. — desafiou ele com um sorriso largo. Coisa rara em Tom.
— É claro que a minha vontade de estrangulá-la lentamente é muito maior. Mas já sei como lidarei com ela. — disse Hermione, tendo uma ideia.
— Vai me contar como? — perguntou o rapaz.
— Não.
— Descobrirei. — disse convicto.
Passaram mais algumas horas na biblioteca até se despedirem e voltarem à suas salas comunais. O restante do tempo passou voando. O momento do baile havia chegado e Tom estava muito ansioso, mas não era apenas esse o motivo de sua ansiedade. Ele havia dado um prazo ao vassalo de Grindelwald, e o prazo valia apenas até Domingo e não parava de pensar no que aconteceria quando recebesse tal informação. Tom além de ansioso estava preocupado, ele sabia que seu futuro era grandioso e que a magia que faria tinha um preço enorme, e ele estava disposto a pagar qualquer preço pela sua imortalidade.
Só que nos últimos dias ele estava com tão pouco foco em seu propósito que se irritava com isso. Nenhum nascido-trouxa estava morto, o monstro da Câmara estava lá de enfeite. Não havia progredido em nada com o feitiço do patrono e não conseguia parar de pensar em Hermione Granger. A maldita grifinória que havia roubado sua atenção. O rapaz não entendia como havia perdido tanto o foco em tão pouco tempo.
A ideia de criar mais horcruxes mexia muito com sua cabeça. Havia devorado todos os livros e retirado o máximo de informações com Slughorn. Uma horcrux não seria o bastante para seu plano. Ele queria sete. Sete horcruxes seriam o passaporte para sua glória como Lord Voldemort. Mas ele precisava estar totalmente focado nisso. E ele daria um jeito de retomar seu propósito, recrutar mais comensais, e limpar o mundo de todos os nascidos-trouxas.
~~~*~~~
O baile estava digno de Horácio Slughorn. Um porre.
Ninguém estava dançando, a bebida era restrita aos maiores de idade e insistiam em servir as malditas bolas de dragão, que davam um bafo horrível. Hermione nunca havia sentido tanto tédio desde a festa de natal de Slughorn em 1997. E isso era muito estranho, pois ela havia voltado no tempo. A única coisa que estava salvando sua noite, era o jovem Isaac.
Ele, com o mesmo jeito de Luna, tinha uma forma única de sorrir e despejar alegria por onde passava. O rapaz não se importava com a comida, com a bebida, com a música ou com as pessoas desanimadas. O baile acontecia totalmente em sua cabeça. Ele dançava no ritmo da música animada que tocava, na tentativa de que os convidados se levantassem.
— Eu juro que não aguento mais. Não estou usando esses sapatos caríssimos atoa. — disse Alana ao lado de Hermione e Abraxás, que não estava à vontade perto dos grifinórios mas que também não se opunha. — Pelo amor de Merlin, vamos seguir o exemplo do Isaac antes que eu escorra de tédio nesse salão. — Abraxás arqueou a sobrancelha.
— Alana, eu não sei se é uma boa ideia. — Hermione riu do desespero do rapaz. Definitivamente ele não queria dançar e muito menos próximo a Isaac, a quem ele julgava ser esquisito demais. Bem, ele e a metade de Hogwarts.
— Querido, se você não for, eu vou sozinha. — ela sorriu e piscou pra ele. Indo na direção de Isaac e começando uma coreografia singela ao lado do rapaz, que se animou em sua presença e começou a dar passos mais ritmados, fazendo com que Abraxás não resistisse por muito tempo e se juntasse a eles. Ele admirava a prontidão de Alana. A garota sempre estava animada, independentemente da situação. E isso o encantava.
— Ao que parece é nos momentos ruins, como esse baile, que as pessoas se unem. — ria Minnie sentando-se ao lado de Hermione. Logo Charlus e Septimus fizeram o mesmo. — Só falta um lufano agora. — logo uma garota da Lufa-lufa se juntou a eles. — Ops, não falta mais.
Nessa animação que se criou no centro do salão, as pessoas foram se animando e aglomeraram-se em torno daquilo começando a dançar também. Hermione e seus amigos também se animaram e começaram a dançar. Inacreditavelmente o cardápio da festa começou a melhorar e agora serviam algumas porções pequenas de algo doce que Hermione não sabia identificar, mas que era muito bom.
— Então além de ávida leitora, também é dançarina. — Hermione ouviu aquela voz ao pé de seu ouvido.
— Tom! — virou-se no susto, rindo de si mesma em seguida. — Pois é, tenho vários talentos. — fingiu gabar-se.
— Isso eu percebi. — o rapaz claramente não estava à vontade na pista de dança — Eu só vim lhe desejar boa noite. Não sou muito bom dançando esse tipo de música, confesso. — sorriu de lado.
— Tom Riddle não é bom dançando uma simples música animada? Estou em choque com essa informação. Te desafio a provar o contrário a você mesmo. — disse ela.
— Infelizmente terei que desapontá-la, senhorita Granger. Eu realmente sou péssimo. — olhou em direção à alguns convidados que estavam juntos de Slughorn, contratados do Ministério da Magia. — Vou cumprimentar o professor Slughorn. Aproveite o baile, senhorita. — ele sorriu casualmente à ela e foi retribuído. Em seguida se retirou e foi em direção do professor. Era sempre bom fazer alguns contatos no Ministério, e Slughorn sempre o ajudava nessas questões graças ao seu desempenho exemplar.
~~~*~~~
Hermione dançava contente com os amigos mas ainda assim um olhar a estava incomodando. A maldita Bulstrode a encarava o tempo inteiro como se ela fosse um verme. Hermione não havia esquecido o que a garota havia lhe feito, e muito menos perdoado. Sua vingança ainda estava de pé, mas ela nunca fora muito boa em planejar esse tipo de coisa.
— O que se passa nessa cabecinha? — disse Alana pegando-a pelo braço e fazendo com que ela girasse em seus calcanhares.
— A Bulstrode não para de me encarar. Estou ficando bastante incomodada. — bufou Hermione.
— Eu não sei o que essa garota te fez, ou o que você fez a ela, mas você é minha amiga, e ninguém mexe com os meus amigos. Estou quase certa de que o motivo dessa raiva dela toda por você, tem haver com o Riddle. — Hermione corou — Acertei. — riu Alana — Eu nunca fui com a cara da Bulstrode, mas se ela vier te provocar ou te fizer algo, não hesite em me chamar. Acho que não estou no posto de primeira dama da Sonserina atoa. Devo ter alguma influência.
— Primeira dama da Sonserina? E quem foi que te nomeou? — Hermione ria descontroladamente.
— Euzinha me nomeei. Não ''namoro'' o cara mais gato daquela casa atoa. — gabou-se.
— Você é impagável. — Hermione continuava rindo. — Pode deixar, eu me viro com a Bulstrode.
— Eu acho que você deveria era dar uma lição nela. Se ela vai te encarar desse jeito, como se você fosse o lanche dela, você deveria mostrar que ela não pode brincar assim com você. — disse Alana.
— E como eu faço isso? Eu juro que estou aceitando ideias. — Hermione realmente estava aceitando ideias. É claro que a ideia de Alana jamais seria tão cruel quanto qualquer coisa que a Bulstrode houvesse feito contra à castanha, mas ainda assim ela não podia ficar de braços cruzados.
— Me aguarde, mocinha. — riu maliciosa.
Alana correu pelo salão em busca de Abraxás e cochichou algo no ouvido do mesmo, dando um selinho demorado no rapaz. Ela disse que ele ficaria de quatro por ela, e pelo visto estava funcionando, já que ele estava totalmente deslumbrado pela garota.
Hermione continuava incomodada com os olhares matadores da Bulstrode, mas nem por isso deixava de dançar. O foco da noite era se distrair dos problemas.
— Eu acho que vou aceitar o seu desafio. — Mas os problemas insistiam em bater em sua porta. Só que esse problema em específico era ridiculamente bonito. Tom estendeu a mão a Hermione.
— Eu sabia que você não resistiria à um desafio como o meu, senhor Riddle. — ela deu um ultimo gole na bebida que havia pegado e pegou a mão do rapaz.
— Sabe, fui informado nada sutilmente por Abraxás e pela sua amiga, a Pierce, que minha até então namorada está te incomodando. — maldita Alana, não conseguia segurar a língua.
— Você sabe que eu e a Bulstrode não estamos num momento feliz. — o rapaz fez com que a garota girasse em direção a seu peito e girasse de volta pra fora dele, arrancando um sorriso de Hermione. — Pra quem disse que dançava mal.
— Eu só não queria humilhar você. — disse com falsa presunção na voz. — Se você quiser, faço com que ela vá embora. — disse ele.
— Não. Pelo amor de Merlin não faça isso. Não há necessidade. E mesmo sentindo um ódio extremo dela, não é assim que pretendo me sobressair. — explicou Hermione.
— Então como pretende? Estou curioso. — confessou o rapaz. — Hermione, você não parece o tipo de pessoa que planeja maldades.
— E não sou. Mas ela despertou um lado em mim que nem eu sabia que existia. Cada vez que a vejo, quero matá-la por tudo que ela me fez passar. — disse com ódio evidente na voz. — Porém pretendo quebrar o espírito dela. Fazê-la sofrer não a dor física, quero algo pior. Quero ela tão quebrada a ponto de não saber mais o lugar dela no mundo. — os olhos de Tom se iluminaram diante daquela declaração de puro ódio da castanha.
— Senhorita Granger, você me surpreende a cada dia. — disse sincero e encantado.
A música mudou para um ritmo lento, fazendo com que os casais se juntassem no meio do salão.
— Que bom que eu divirto você. — ela girou em torno do rapaz, que a acompanhou com o olhar.
— Se me permite dizer, está deslumbrante. Seu acompanhante tem muita sorte. — disse cordialmente.
— Meu acompanhante não parou de dançar por duas horas seguidas, acho que a sortuda sou eu, de ele não ter me forçado a ter o mesmo pique. — ambos riram do comentário. — Obrigada pelo elogio. Você também está muito bonito. — corou ao dizer isso. — Talvez seja por nossa beleza explendorosa que sua namorada não para de fuzilar-nos com o olhar.
— É, talvez seja. Mas eu não estou nem aí. — ele disse colando seus corpos para que acompanhassem o ritmo lento da música. Hermione se surpreendeu, mas não protestou.
I'm not a perfect person
(Eu não sou uma pessoa perfeita)
There's many things I wish I didn't do
(Há muitas coisas que eu gostaria de não ter feito)
But I continue learning
(Mas eu continuo aprendendo)
I never meant to do those things to you
(Eu nunca quis fazer aquelas coisas com você)
And so, I have to say before I go
(E então eu tenho que dizer antes de ir)
That I just want you to know
(Que eu apenas quero que você saiba)
Os dois seguiam a batida da música com os corpos grudados. Hermione apenas se deixava levar enquanto o rapaz tinha as mãos em sua cintura, dançando lentamente. Jennifer Bultrode ainda os encarava de maneira ferina. Hermione, por cima do ombro do rapaz, avistou Alana e viu seu olhar vitorioso em sua direção. Sussurrando ao longe algo como Hermione identificou como ''Bulstrode''. Então ela entendeu o plano da amiga. Que forma melhor para atingir a Bulstrode se não usando a única coisa que mexia completamente com sua sanidade? No caso, Tom. Mas será que o rapaz sabia daquilo? Que estava de acordo?
— Sei no que está pensando, Hermione. — disse ele ao pé do ouvido da garota. — E sim, eu estou de acordo.
— Merda, Tom. — ela o encarou fuzilando-o. — Você não tem o direito de invadir a minha mente, droga. — ela se preocupou com o que mais ele poderia ter visto.
— Você se descuidou, pela primeira vez. — ele pontuou. — Eu não tento ler a sua mente 24 horas do meu dia, mas confesso que fiquei curioso. Você estava tão quieta. Então resolvi tentar. Foi a única coisa que vi, pode se acalmar. — o rapaz falava a verdade. — Eu sei porque você esconde seu passado, mexer com o tempo é mesmo perigoso. Já desisti de questionar tudo isso, pode não ser conveniente pra mim. Mas eu quero que você saiba que eu vi os olhares de Jennifer pra você durante a festa, e que sim, estou de acordo, ela merece sofrer. Eu não acho que essa seja a melhor forma de sofrimento, mas não vou discordar. — disse pensativo. — Mas confesso que quis dançar com você no instante em que pisei nesse salão. — Hermione estacou nos braços do rapaz, agora ambos olhavam nos olhos um do outro.
— Você sempre arruma uma forma de me surpreender também. Eu nunca sei o que esperar de você. — riu dando-se por vencida naquele momento. — Uma hora eu penso que nós nos odiamos, na outra, que nem tanto assim, e agora você diz que queria dançar comigo... Eu não entendo o que está acontecendo. — disse sincera.
— Eu também não. Pra ser sincero, eu não entendo o porque de eu não conseguir simplesmente me afastar de você. Eu tento, eu juro que eu tento. Mas parece que algo sempre me puxa de volta pra essa situação. Eu sinto a necessidade de estar perto de você. — ele cuspiu as palavras e deixou Hermione de boca aberta.
I'm sorry that I hurt you
(Eu sinto muito ter te magoado)
It's something I must live with everyday
(É algo com que devo conviver todos os dias)
And all the pain I put you through
(E toda a dor que eu te fiz passar)
I wish that I could take it all away
(Eu gostaria de poder retirá-la completamente)
And be the one who catches all your tears
(E ser aquele que apanha todas as suas lágrimas)
That's why I need you to hear
(É por isso que eu preciso que você escute)
— Tom eu... — Hermione olhava nos olhos do rapaz, totalmente surpresa com o que estava ouvindo. Não era algo que esperava do Lorde das Trevas. Nem mesmo o rapaz parecia acreditar no que estava dizendo. Nesse instante ele estava agindo apenas como um simples adolescente. Ela não sabia o que fazer, mas sabia que estava totalmente envolvida no momento. Lembrou-se das palavras de Dumbledore a ela mais cedo naquele mesmo dia. Ele havia dito que os dois estavam muito próximos. Mas ela ainda não havia se dado conta dessa proximidade.
— Hermione, eu juro por Salazar que eu não sei o que está acontecendo comigo, eu não sou disso. Não sinto esse tipo de... coisa. Não sei se isso é certo ou errado. — ele levou uma das mãos ao rosto da garota e aproximou seus lábios, deixando-os a centímetros um do outro. — Mas eu sinto que preciso desesperadamente te beijar agora. Mas só vou fazer isso se assim você permitir.
I've found out a reason for me
(Eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be
(Para mudar quem eu costumava ser)
A reason to start over new
(Uma razão para começar de novo)
And the reason is you
(E a razão é você)
Hermione não sabia o que dizer. Mas de repente o mundo pareceu tão pequeno. Os lábios do rapaz estavam ali, tão próximos dos seus. Tão próximos... Do jeito que ela havia desejado por alguns intantes no outro dia na Sala Precisa. Ele estava tão diferente da máscara de Lorde das Trevas que ela conhecia. Tão diferente da criatura de 1998, ou da versão adolescente presunçosa que ela havia conhecido há poucos dias. Ela desligou qualquer botão que a pudesse fazer pensar mais naquilo e atirou-se nos lábios do rapaz, que prontamente a contribuiu, colando, se é que isso era possível, ainda mais seus corpos. O beijo era totalmente diferente de qualquer outro que os dois haviam provado em toda a vida. Hermione estava envolvida pelas mãos de Tom e pelo perfume que a embriagava de tão bom, o perfume que ela tinha certeza que se impregnaria em seu vestido. Já o rapaz estava envolvido com como a garota parecia se encaixar perfeitamente em seus braços, ou em como o beijo não lhe dava a mínima vontade de separar-se dela.
A Granger por um instante lembro-se da carta de Dumbledore, a carta que a havia levado à antiga Hogwarts. Dumbledore dizia que Tom podia mudar, que a esperança dele era que Hermione pudesse influenciar o rapaz a ponto de que ele não se tornasse Lord Voldemort. Aquilo era tão estranho, mas naquele momento parecia tão possível! Durante aquele beijo Hermione sentia-se capaz de tudo. Era incrível.
— Aceita sair daqui? Eu não sei você, mas por mais que estejam disfarçando, estão todos nos encarando. — disse Tom separando o beijo aos poucos.
— Pra ser sincera, eu não sei se consigo sair do lugar. — ela tinha as mãos envolvidas do cabelo de Tom, que soltou uma risada discreta e gostosa. — Eu te levo. — sussurrou.
— Eu preciso me despedir dos meus amigos antes. Não posso sair sem dar nenhuma satisfação ao Isaac. — explicou ela, detestando quebrar a magia do momento.
— Entendo. — ele depositou um beijo na testa da mesma. Outro ato inesperado. — Vou dar boa noite ao professor Slughorn. Se dispeça deles e podemos ir. — ela sorriu sem graça ao rapaz.
Alana imediatamente correu em direção a Hermione quando ele virou às costas.
— Você arrasou! Eu não acredito que vocês se beijaram! Meu Merlin! Hermione vocês tem uma química inegável! Foi o beijo mais lindo que eu já vi. Vocês pareciam ser um só! — ela dizia toda animada. — Sem contar, na cara da Bulstrode! Nossa, ai eu to tão orgulhosa.
— Alana. Se acalme. Eu não sei como ainda estou viva, é sério. Onde ela foi parar? — perguntou Hermione.
— Ali, discutindo com o Tom. E pela cara que ele está fazendo, não tá nada favorável pra ela. — comentou a Pierce.
— Ai, eu estou morrendo de vergonha. Todos devem pensar que eu sou uma ladra de namorados. Ai, que vergonha. — disse Hermione cobrindo o rosto com as mãos.
— Todo mundo sabe que o namoro deles não ia nada bem, fica tranquila. — disse ela — Ele tá vindo pra cá. Eu aviso ao Isaac que você foi embora. Não seja boba, aproveite a noite. — ela piscou e saiu correndo.
— Vamos então? — Tom chegou e estendeu a mão até a castanha.
— O que você disse pra ela? — perguntou curiosa e preocupada.
— O que há tempos ela precisava ouvir. — disse um tanto seco. — Mas não quero falar sobre isso agora. Só quero um momento de paz com você. — disse sincero. — Vem?
Hermione aceitou a mão do rapaz e seguiu com ele pra fora do salão. A mente de ambos ainda estava bastante confusa com os últimos acontecimentos. Há alguns dias queriam se matar e agora andavam de mãos dadas pelo castelo. Tom a levou até a Sala Precisa.
— Eu pensei em te levar até a Torre de Astronomia, mas acho que estamos mais familiarizados a essa sala, não é mesmo? — disse ele colocando uma mecha de cabelo da castanha atrás da orelha da mesma. -Além do mais teremos mais garantia de privacidade aqui.
— É a sala precisa. Se quiser me levar pra ver as estrelas, já sabe o que fazer. — sorriu ela.
E a sala atendeu a vontade de Tom. Imediatamente a sala tomou a forma da Torre de Astronomia. Havia um colchonete e cobertores ao chão. Tom sentou-se e levou Hermione junto com ele.
— Eu nunca pensei que nós dois conseguiríamos ficar em paz nesse nível. — Hermione estava sentada em frente ao rapaz, que entrelaçava suas mãos.
—Eu também não. E pra ser sincero não sei o que está acontecendo aqui. Eu não costumo ser assim. — afirmou a Hermione. — Mas enquanto dançávamos eu senti uma vontade tão grande de beijar você... — explicou ele sem ao menos corar, ele estava tão certo de suas palavras.
— E essa vontade... Passou? — perguntou Hermione, sem se importar com mais nada.
— Senhorita Granger... — o rapaz aproximou seu rosto ao da garota — Deixe-me provar seus lábios mais uma vez.
Hermione fechou os olhos e esperou o beijo que não tardou a chegar. O rapaz inicialmente apenas tocou seus lábios com os dela. O beijo começou lento, o rapaz tinha as mãos firmes na cintura de Hermione, enquanto ela tinha as mãos no cabelo do rapaz.
— Você me encanta. — disse Tom parando o beijo apenas para olhar nos olhos da castanha por alguns instantes, antes de retomar o beijo ávidamente.
O beijo ficou cada vez mais urgente. Uma das mãos de Tom se esgueirou até a coxa de Hermione, onde apertava firmemente, porém sem machucar. A outra o rapaz levou até a nuca da garota, onde puxou seus cabelos levemente, fazendo com que Hermione soltasse um gemido baixo, o que fez com que Tom sorrisse entre o beijo levando os lábios até o pescoço da garota. Ele lambeu e distribuiu beijos demorados no local, Hermione estremecia em seus braços.
— Tom... — ela buscou os lábios do rapaz onde mordiscou e puxou para si o lábio inferior. O rapaz puxou Hermione até seu colo e beijou o ombro da mesma, descendo uma alça de seu vestido e explorando a área. Hermione estava totalmente envolvida nos braços de Tom. O rapaz se deitou sobre o colchonete levando Hermione consigo, inverteu as posições e ficou por cima da garota. Beijando-a com vontade enquanto acariciava suas coxas. — Tom, acho melhor pararmos... — disse com um pouco de dificuldade, estava tão envolvida que mal conseguia se separar daquele beijo.
— Me desculpe, fui um pouco...
— É. — riu ela tímidamente. O rapaz se deitou ao lado dele e abraçou-a, afundando o rosto no pescoço da mesma e inalando seu cheiro doce.
Permaneceram assim por algum tempo, trocando beijos leves e alguns carinhos de baixo dos cobertores. Hermione começou a praticar alguns encantamentos e Tom observava os pássaros que ela avia conjurado. A garota era extremamente talentosa em tudo o que fazia.
— Eu não sei porque, mas estou me sentindo inspirada hoje. — ela disse depositando um selinho no rapaz.
— Está é? — ele sorriu de canto.
— Estou. Por isso, o que você acha de treinarmos o feitiço do Patrono? — disse ela. Não sabia porquê, mas acreditava que pudesse dar certo. Sua conversa com Dubledore não saía de sua cabeça. Talvez Tom pudesse mesmo mudar. Talvez ele nunca se tornasse Voldemort se ela intervisse.
— Ora Granger, eu nunca recusaria um pedido desses. — ele se pôs de pé. — Por onde começamos?
— Pense em uma lembrança feliz, a mais feliz que tiver. É sério. Eu sei que você consegue. — pela primeira vez Hermione acreditava nisso. — Escolha sua lembrança mais forte. — Hermione foi até o baú onde estava o bicho papão. — Você consegue. — sussurrou.
— Pode abrir.
Hermione abriu o baú e logo o bicho papão tomou a forma de um dementador, preparado para avançar na direção de Riddle. O rapaz apontou a varinha na direção da criatura e pronunciou o feitiço.
— Expecto Patronum!— as palavras saíram de sua boca e impressionantemente fez-se um patrono corpóreo, que fez como que o bicho papão recuasse. Seu patrono havia tomado a forma de uma cobra. Era lindo. Tom estava abismado, Hermione encantada e não acreditava no que havia visto.
— Você conseguiu! — ela fechou o baú e correu na direção do rapaz, abraçando-lhe pelo pescoço. O rapaz, ainda assustado retribuiu o abraço.
— Como isso foi possível? — ele encarava a garota confuso.
— Ora, você escolheu a lembrança certa, Tom. Fico realmente feliz por você. — sorriu dando um beijo rápido no rapaz. — Só por curiosidade, que lembrança você escolheu?
O rapaz a encarou por alguns instantes, sem quebrar o contato visual.
— Essa aqui. — ele a tomou em seus braços e a beijou como se fosse a única coisa que faria na vida.
Eles não sabiam o que aconteceria depois daquilo, apenas queriam que o momento durasse pra sempre. Era um momento de vitória pra ambos. Tom conseguir conjurar o Patrono era a prova de que as coisas estavam mudando. Por mais que Hermione odiasse Lord Voldemort, Riddle ainda não havia chegado a esse nível de crueldade. Ele ainda poderia encontrar redenção. E ela iria ajudá-lo. O beijo até então não fazia parte dos planos, mas porque negar aos dois um desejo que ambos tinham e que era inegável? Hermione pela primeira vez em muito tempo se jogou nos braços de alguém além de Ron Weasley, e ao contrário do que pensava, beijar Tom não significava uma traição, e sim um recomeço para ambos. Tom poderia mudar seu futuro e Hermione curar a ferida que a perca de Ron havia causado. E aquela parecia uma ótima maneira de fazer isso.
Mais tarde o rapaz levou-a até a entrada de seu salão comunal, onde se despediram com um beijo caloroso antes de o rapaz partir. Quando Hermione entrou, o quarto estava vazio. E ela nas nuvens. Antes de dormir, leu por mais uma vez a carta de Dumbledore e guardou-a novamente. Ela estava certa de que conseguiria mudar o fim trágico de toda a história e que Tom Riddle não se tornaria Voldemort. Ela se apegaria a essa esperança.
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