I put a spell on you
1 Artifício Mágico
Notas iniciais
As trevas agora se espalhavam pelo castelo de Hogwarts. O exército de Voldemort comemorava sua vitória sobre Harry Potter. Hermione já não tinha mais forças para chorar. Todos os que ela amava estavam mortos. Ela nunca mais se formaria em Hogwarts, nunca mais riria do quanto Harry era atrapalhado quando se tratava de Gina, nunca mais poderia beijar Ron Weasley... Ron estava morto, à apenas alguns metros de onde ela estava. Voldemort o havia atingido com a maldição da morte quando este pulou na frente de Harry, tentando salvá-lo. Harry Potter, o menino que sobreviveu, agora estava morto. Era tarde demais até mesmo para o último adeus. Ela se via encurralada por todos os lados, com uma pilha de corpos em volta e não havia nada que ela pudesse fazer a respeito. Todos os que não se uniram a Voldemort tiveram a morte como fim, mas porque ele não a havia matado ainda? Além de ter ajudado Harry na tentativa de destruí-lo, Hermione era nascida trouxa. Coisas que Voldemort não esqueceria assim tão facilmente.
– Hermione Jean Granger... – começou o Lorde das Trevas – Apesar de sangue-ruim devo admitir que você deu-me algum trabalho enquanto ajudava o Potter. – ele se aproximava vagarosamente, pisando nas poças de sangue e corpos espalhados pelo chão. Com um aceno de varinha ele trazia consigo o corpo de Harry e Ron, despejando-os na frente de Hermione fazendo com que ela voltasse a chorar. Hermione sentia os olhos de seu séquito de Comensais sobre si. A desgraça da castanha divertia-os, seu mestre havia triunfado. – Pelo que pode ver seu amigo e seu namorado, assim como todos os outros corpos espalhados nesse chão, não tiveram sorte. E não será diferente com você. O que lhe aguarda sangue-ruim é algo pior que a morte. – Crucio!
Hermione acordou ofegante, com o corpo coberto por ferimentos. Com dores por todo o corpo ela se levantou com dificuldade. Há dias estava presa. Sentia-se como o Deus Prometeu que fora acorrentado em uma rocha para que os pássaros comessem seus órgãos todos os dias pelo resto da eternidade. Ela era Prometeu, Voldemort Zeus e seus Comensais eram as aves que acabavam com ela dia após dia, sem deixar que ela morresse. Todos os dias os Comensais vinham até ela para iniciar uma nova sessão de tortura. Ela se lembrava de seus amigos mortos, de Voldemort torturando-a. Já não havia esperanças para ela, e ela sabia disso. Sabia que se estava viva era por algum milagre. Há dias vinha tendo pesadelos com Voldemort e seus Comensais da Morte, que faziam fila para tortura-la em sonho e na realidade. Sinceramente não sabia como ainda estava viva depois de tantas sessões de tortura. Seu rosto estava coberto de sangue seco, sua mandíbula doía muito, mal conseguia ficar em pé naquele lugar frio, estava muito machucada. Por dentro e por fora.
A cela em que estava era totalmente fechada, exceto por uma minúscula janela pela qual o ar entrava, estava nas masmorras de Hogwarts e sabia disso. Não tinha maneiras de sair dali. Sua varinha havia sido destruída e agora estava totalmente indefesa naquele lugar, esperando apenas a hora em que finalmente pudesse morrer e aquilo acabasse, para que pudesse encontrar seus amigos, seja lá pra onde os mortos fossem com certeza era melhor do que ficar ali. Hermione há dias não recebia alimento algum. Estava faminta e desesperada. A cela era fechada por magia e só era aberta quando Voldemort enviava um ou três comensais para tortura-la mais. Nada do que ela tentasse funcionaria. Se por um acaso conseguisse fugir, não iria muito longe.
– Será a morte pra mim algum bem? Melhor está que mulher apaixonada? Mas em breve partirá o fôlego, e com ele a vida que vos fala. Reservo tão somente para hoje, os versos daquela que não tem nada. – sussurrou Hermione com os olhos fechados, lembrando-se de um livro de poesias que sua mãe lhe dera em seu terceiro ano em Hogwarts. Ah... A leitura. Como Hermione sentia falta de passar horas na biblioteca enquanto Harry e Ron reclamavam por ela estudar tanto. Agora já não havia biblioteca, nem Harry, nem Ron... Ah, Ron! Ele se fora tão rápido! Ela se lembrava de seu beijo com ele na Câmara Secreta, quando foram destruir a horcrux. Foi o primeiro e último beijo dos dois antes de Ron falecer. Antes de todos os que amava deixarem o mundo. – Valeu à pena cada segundo, Hermione. Você sabe que valeu. – disse a si mesma antes de ouvir um barulho ao lado de fora da pequena janela. Era algo parecido com um... Pássaro.
Fawkes. A fênix de Dumbledore estava diante de seus olhos. Hermione se permitiu sorrir por um instante ao ver a ave, se lembrando do grande bruxo que Dumbledore foi. Fawkes estava abatida. Hermione se lembrava de quando Dumbledore fora assassinado. A ave havia se desesperado pela morte do dono e sumido do castelo em seguida, nunca mais sendo vista. Hermione ainda se lembrava do canto da ave, as fênix eram muito leais a seus donos. A ave tinha um envelope em sua pata, que esticou pela pequena janela para que Hermione pegasse.
– Fawkes... – no instante em que Hermione pegou o envelope a ave chorou, curando alguns machucados da mão da castanha e levantando voo em seguida, sumindo na imensidão. – FAWKES! – gritou Hermione se arrependendo logo em seguida, se a pegassem gritando daquela forma, com certeza não seria nada bom pra ela.
A castanha abriu o envelope e se assustou com o conteúdo. O vira-tempo. O mesmo vira-tempo que Minerva havia lhe dado em seu terceiro ano em Hogwarts, o objeto que salvara Bicuço e Sirius. Junto ao objeto havia uma carta. Uma carta de Dumbledore.
‘’Olá senhorita Granger,
Não devo perguntar como a senhorita está, porque se essa carta chegou à suas mãos, o pior aconteceu. Eu tinha esperanças de que Harry pudesse vencer Voldemort e que o mundo bruxo ficasse a salvo de sua ameaça, mas sabia que também teria a possibilidade de tudo dar errado e Harry acabar sendo morto.
Escrevi essa carta e me assegurei de que Fawkes a entregaria a senhorita se tudo desse errado. Esse seria o último recurso. Eu sabia que Voldemort deixaria a senhorita por último. Seu preconceito com os nascidos trouxas vai muito além de nossa compreensão.
Sempre tive muita fé em você, senhorita Granger, e sei que você é capaz de cumprir a tarefa que vou dar a você por meio dessa carta.
O objeto que lhe envio é de seu conhecimento. O vira-tempo é um objeto um tanto perigoso para quem o subestima. Depois de muito estudo ao lado de Severo, alteramos a natureza desse objeto, na esperança de que quando tudo estivesse perdido, a senhorita pudesse salvar o mundo bruxo.
Eu disse que minha fé em você era grande.
O vira-tempo foi alterado e só poderá ser usado apenas uma vez. Ele a levará para 1944, penúltimo ano de Tom Riddle em Hogwarts. Você poderá ir para essa época sem problemas, mas a viagem será sem volta. Minha intenção é que você mude o passado para que um novo futuro seja feito, senhorita Granger. Que você salve todo o mundo bruxo de seu destino cruel. E salve o garoto que fez todas as escolhas erradas de se tornar o que se tornou.
Se sua resposta for sim, peço que me procure quando estiver em Hogwarts, não me conte nada, lembre-se de que coisas horríveis aconteceram a bruxos que mexeram com o tempo. Se sua resposta for não, o que é seu direito, espero que possamos nos encontrar em nossa pós-vida.
A escolha é sua, Hermione. Mas sei que como boa grifinória que é não desistirá até o último momento.
PS: Sinto-me obrigado a repetir uma frase que eu lhe disse em seu terceiro ano, alterando-a apenas em algumas palavras.
‘’Se tudo der certo, várias vidas inocentes poderão ser salvas.’’
Albus Dumbledore’’
Hermione sentiu as lágrimas voltarem a seus olhos. Dumbledore havia deixado uma tarefa pra ela. Ela teria a chance de acabar com tudo. Poderia acabar com Riddle e extinguir qualquer vestígio do Lorde das trevas. Mas tudo tem seu preço. Mesmo que conseguisse acabar com tudo, ficaria presa no tempo. E ela não sabia ao certo as consequências daquilo.
Decidiu que qualquer coisa era melhor do que se sentir daquela forma, encurralada. Dumbledore tinha razão. Como a grifinória que era, tinha que mostrar coragem e lealdade a seus ideais até seu ultimo suspiro. Hermione ouviu passos e risadas vindas do fim do corredor, então o desespero tomou conta de seu ser novamente e ela sentiu que teria que se apresar.
Aquela era sua chance. Pior do que estava não poderia ficar, pelo menos contava com isso. Então, sem pensar por mais tempo, pendurou o vira-tempo em seu pescoço e girou a ampulheta.
– Isso é por vocês, Harry e Ron. – foram suas ultimas antes de começar sua viagem.
~~~’’~~~
Entediado e exausto. Tom se sentia exatamente dessa maneira. O dia havia sido extremamente cansativo, acabara de voltar de uma das reuniões do Clube do Slug e tivera que aturar o professor Slughorn bajulando-o durante toda a reunião. Por Salazar! Esse velho é insuportável! Mas não é totalmente inútil, Tom. Pensou ele se lembrando do excesso de bajulação que o professor derramava sobre os alunos do clube. Desprezível. Mas ajudava a manter sua imagem de aluno modelo.
O pior de tudo era que sua noite ainda não tinha acabado. Ainda tinha sua ronda pra fazer. Decidiu que não se trocaria, quando terminasse iria direto para a cama. Era um dos monitores de Hogwarts, e tinha que conferir se tinha algum idiota fora da cama. Como não encontrou nada se dirigiu às masmorras, para o salão comunal da Sonserina. A porta secreta começou a aparecer diante de seus olhos e quando ele estava pronto para passar por ela um barulho atingiu seus ouvidos.
Um estrondo.
Foi o que Tom ouviu.
– Mas que porcaria é essa? – disse ele. Estava pronto para passar pela porta e finalmente descansar daquele dia maçante. Caminhou até o fim do corredor e de repente BOOM! Outro estrondo. Tom apanhou sua varinha de dentro do terno e correu até o lugar de onde vinha o barulho.
Foi quando avistou alguém. A garota estava muito ferida e suja, dentro da cela aberta a sua frente. Não tinha ideia de quem ela era, nunca a havia visto em Hogwarts antes. A curiosidade lhe atingiu naquele momento e ele se aproximou.
– A senhorita está bem? – perguntou fingindo uma preocupação, tentando ajudar a garota a se levantar.
– Me leve até Dumbledore. – pediu a garota, ríspida.
– Me desculpe, mas acho que no momento a senhorita necessita mais de uma enfermaria. – respondeu Tom, com um toque de irritação na voz.
– Dumbledore. Agora! – repetiu.
Tom decidiu que não insistiria mais, afinal realmente não ligava para o bem- estar da garota. Porém algo despertou sua curiosidade. Ele nunca a havia visto no castelo antes e o estado em que ela se encontrava era no mínimo curioso. Não se lembrava de ver alguém daquele jeito em Hogwarts antes, pelo menos ninguém que ele mesmo não tivesse torturado. O que ela fazia ali? Por que procurava pelo idiota do Dumbledore? Ele poderia vasculhar em sua mente, mas a garota estava tão frágil que seria fácil demais. E Tom gostava de desafios.
– Tudo bem, senhorita. Apoie-se em mim, levarei você até o escritório do diretor Dippet e procurarei pelo professor Dumbledore. – ele passou o braço em volta da cintura da garota enquanto ela passava o seu em volta do pescoço do rapaz. – Consegue andar? – o que ele obteve como resposta foi um muxoxo de dor vindo da castanha quando apoiou os pés no chão, tropeçando em seguida. – Acho que isso foi um não.
Tom pegou-a em seus braços cuidadosamente e começou a caminhar em direção ao escritório do diretor. Um filete de sangue escorria pelo canto dos lábios da garota e Tom percebeu que ela estava ficando mais pesada, desmaiando em seus braços.
– Era só o que me faltava. – bufou ele – Eu disse, garota tola! Eu disse que você precisava de uma enfermaria. – por um segundo pensou em larga-la no chão e voltar ao salão comunal, mas a curiosidade era mais forte.
Quando finalmente chegou a enfermaria, procurou pela Madame Pomfrey que se desesperou ao ver o estado em que a garota se encontrava. Mandando chamar o diretor Dippet e Dumbledore, a pedido do rapaz. Além de conter vários machucados pelo corpo, estava extremamente desnutrida. Seus ossos chegavam a ser visíveis.
– O que aconteceu com essa menina, Sr. Riddle? – perguntou Dippet.
– Eu a encontrei nas masmorras nesse estado. Não me lembro de tê-la visto por aqui antes. Ela não é aluna, certo? – perguntou Tom, recebendo um aceno de cabeça do diretor. – Professor Dumbledore, ela procurava pelo senhor. Não disse muita coisa antes de desmaiar, mas queria vê-lo.
– Ora Alvo, você a conhece? – perguntou o diretor.
– Receio que não, Dippet. Mas devemos esperar que ela acorde e nos conte o porquê de estar aqui. – voltou-se para Tom. – Ela disse qual era seu nome, Tom?
– Não senhor. Ela só pediu para vê-lo, e desmaiou enquanto eu a levava para a sala do diretor Dippet. – respondeu Tom – Bom, já fiz o que estava em minhas mãos e desejo melhoras à senhorita... Quem quer que seja. – disse com sua habitual máscara de bom menino – Se me dão licença, vou para o meu dormitório.
– Boa noite, Tom. – respondeu Dumbledore encarando-o como se algo lhe intrigasse no rapaz.
– Professor, quando ela acordar, poderia me avisar? Realmente fiquei preocupado com o estado dela. – Pronto, agora sim estava ótimo. O herói preocupado. Tom sempre passava a imagem de aluno ideal em Hogwarts. Demonstrar preocupação com os demais, mesmo sendo de Sonserina, sempre era uma boa jogada.
– De certo que sim, Riddle. – Dumbledore, agora visivelmente preocupado com a garota.
Então Tom se dirigiu novamente ao salão comunal da sonserina. Estava realmente exausto e precisava dormir. Seus planos iam muito bem até então, finalmente conseguira reabrir a Câmara Secreta e não via a hora de ordenar que o basilisco matasse alguns sangues-ruins. Ele iria limpar o mundo bruxo dessa espécie nojenta, tinha convicção disso. Colocou as vestes de dormir e finalmente deitou-se em sua cama. Ainda estava intrigado com a chegada inusitada da garota ferida que agora estava na enfermaria. Queria descobrir o que ela estava fazendo lá, e descobriria. Mas, por hora, se permitiria descansar um pouco. Algo lhe dizia que o dia seguinte seria cheio de surpresas. Tom detestava surpresas também.
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