I never told you what I do for a living

5 Capítulo Quatro - Melaine e Sam


Notas iniciais
Cheguei da faculdade e vim correndo escrever para poder postar logo hoje. Obrigada por comentar, isso me deixa mais animada para escrever e dai posto logo para vocês. Bom capítulo, espero que gostem :)

Tocado por anjos, no entanto caio fora das graças

Eu fiz tudo isso, talvez por isso eu viva isso todo o dia

MELAINE

Depois da visita de Sam, fiquei inquieta. O resto da tarde, só pensei nele, do rosto cansado, do fato dele estar doente. Ele teria alguém para cuidar dele enquanto estiver em casa? Amidalite torna engolir extremamente doloroso, será que ele estava comendo direito?

Eu sei que eu me preocupo com todos meus pacientes dessa maneira. É por isso que eu não funcionei num grande hospital. Mas eu sabia muito bem que eu não estava preocupada com Sam como se ele fosse apenas um paciente, eu estava preocupada porque eu, bem, eu gostava dele. Todas as noites eu que eu fui jantar no Smith, ele sempre foi extremamente educado, doce e gentil. Com poucas palavras, ele sempre me fazia sorrir.

Eu não conseguia evitar de sorrir só de pensar nele, quanto mais em vê-lo. Ah Deus. Eu não sabia nada sobre Sam, imagina só, nem o sobrenome dele. Mas eu sentia que não precisava saber. Eu queria descobrir mais sobre ele, claro, mas não conseguia em pensar nada do que eu pudesse descobrir que mudasse o que eu sentia por ele.

E se Sam fosse casado? Se ele fosse um criminoso foragido? Eram tantas as possibilidades, mas nenhuma parecida verdadeira. Eu sabia, eu sentia, que Sam era uma boa pessoa, que devia ter passado por coisas muito ruins e eu só queria poder curá-lo, eu queria poder receitar um medicamento que tirasse todo aquele sofrimento que eu via nos olhos dele. Eu sabia que eu entenderia.

Passei o resto do dia de trabalho inquieta, agitada. Não conseguia ficar parada. Eu havia decido a me dar outra chance de ser feliz, havia decido que eu iria encontrar Sam naquela noite e conversar com ele. Eu sabia que eu estava sendo impulsiva e podia estar cometendo o erro, mas como sempre, era eu. Eu sou impulsiva. Eu ajo com o coração.

Mas tão rápido quanto a coragem vinha, ela ia embora. Ir ou não ir? Ver Sam ou não? O que eu tinha a perder?

O que eu tinha a perder?

–-

SAM

Era segunda-feira, fazia frio e pela primeira vez, o bar estava completamente vazio. Iriamos fechar mais cedo naquele dia, porque eu obviamente não me sentia bem. Desde minha visita mais cedo a Melaine, eu não conseguia parar de pensar nela, em repassar cada momento em que eu estive com ela. Eu não era nenhuma criança, eu sabia o que tudo aquilo significava, mas justamente por isso também sabia que eu não poderia dar continuidade a tudo aquilo. Eu precisava me afastar. Eu teria que deixar aquela cidade e nunca mais olhar para trás. Não deveria ter acontecido o que aconteceu. Foi um acidente, mas ainda não havia danos. Melaine não merecia ser mais uma amaldiçoada.

Meu celular nesse momento começou a tocar e eu o atendi. Apenas três pessoas no mundo tinham aquele número – Dean, Bobby e Castiel, e eu não sabia qual deles estava me ligando, porque nenhum deles estava muito feliz comigo no momento – e isso era um eufemismo.

–Sam? – era Castiel, afinal de contas. – preciso entrar em contato com você e com o Dean. Onde vocês estão?

–É... Eu e Dean seguimos caminhos separados agora. – falei. Então por que ele tinha ligado para mim e não para o Dean?

–Entendo. – respondeu Castiel, confuso. – onde você está?

–Eu acho que é melhor eu não dizer. Logo estarei indo embora de qualquer maneira.

–Você não pode ir. – respondeu Castiel, apressado. – tem algo acontecendo. Os anjos estão todos comentando. É sobre você e o Dean. Eu preciso contar uma coisa.

Senti uma amargura infinita invadir meu peito.

–Que eu sou o receptáculo de Lúcifer? — falei, minha voz saindo estranho devindo a quantidade de sentimentos ruins que transbordavam nela. – já fui informado pelo próprio.

–Você viu Lúcifer? – perguntou Castiel, a voz distante soando muito surpresa.

–Ele apareceu para mim em um sonho. — falou Sam.

–Bem... Dean é o receptáculo de Michael. É uma linha familiar, aparentemente. – falou Castiel. Ele fez uma pausa. – problemas. Tenho que ir.

A ligação de Castiel só serviu para eu confirmar uma coisa. Eu e toda a minha família erámos completamente amaldiçoados. Pensei em Melaine, em Jess, e só percebi que estava chorando quando percebi que tudo tinha embaçado a minha frente. Doía demais pensar em tudo o que eu tinha perdido na vida, tudo o que eu tinha feito, as vidas que eu tinha destruído e eu, incapaz de me conter, estava querendo arrastar mais uma pessoa para o meio da destruição. Eu queria tantas coisas — uma vida segura, uma família. Queria ver Dean feliz e não tão dependente do álcool, queria que ele também pudesse ter uma família. Mas tudo isso tinha sido nos tirado, ainda na infância, por culpa de um destino que anjos sem controle escolheram para nós. Onde estava o livre arbitro?

Eu ouvi o barulho de alguém abrindo a porta e rapidamente eu fui para os fundos, no banheiro dos funcionários, para me recompor. Joguei água no rosto.

–Sam? – alguém chamou. Era a voz de Melaine. Ela tinha escolhido o pior momento possível, mas ainda assim, meu coração deu um pulo. Eu estava tão feliz por ela estar ali.

–Eu estou aqui – respondi, deixando o lugar, meu rosto ainda molhado.

–Você está bem? – eu não respondi. – eu posso voltar outra hora.

Ela se virou para ir embora.

–Por favor. Fique. – eu falei, antes que pudesse me conter. A última coisa que eu queria era ficar sozinho.

MELAINE

Por que aquele “fique” parecia tanto algo mais? Não apenas um “fique aqui, hoje a noite”. Mas um “fique aqui, na minha vida”. Eu sei que sou louca. Eu sei que nem ao menos posso explicar porque eu estou aqui. Mas eu sei que Sam estava chorando. Eu não sei o que tem de errado na vida dele, mas eu quero ajuda-lo.

Eu aprendi que eu não deveria curar apenas o corpo. Eu deveria aprender a curar a alma. Eu deveria oferecer toda a ajuda que estivesse ao meu alcance. E isso não é só um aprendizado, é assim que eu sou, e a dor de Sam me tocava e partia meu coração, que eu poderia começar a chorar também naquele momento. Então eu fiz uma coisa que me surpreendeu tanto quanto surpreendeu a ele.

Eu andei em direção a ele e o abracei. Foi estranho, mas quando eu dei um passo para me afastar e sair correndo e sumir, ele se deixou ser abraçado, me abraçando de volta, e eu senti como se o mundo desaparecesse e todos aqueles pensamentos confusos e ansiosos que me perseguiam sempre sumissem finalmente, e eu podia respirar sem ser rapidamente, podia respirar sem sentir que o ar ia sumir a minha volta.

Quando ele me soltou, eu finalmente disparei a falar. Porque agora, eu estava me sentindo como uma completa pirada.

–Você deve pensar que eu sou louca. – comecei. – eu sinto muito. Mas é que quando você foi hoje de manhã lá, você não parecia nada bem, e eu não estou falando dessa amidalite. Eu quero dizer, eu fiquei preocupada que algo estivesse seriamente errado com você. Não, desculpa, não que eu ache que você seja maluco, mas... Bem, eu estava preocupada.

Eu vi que Sam começou a sorrir e depois quase riu. Bem, pelo menos ele não estava chorando, mas eu tinha bons motivos para pensar que ele me achava louca, tipo uma stalker maluca.

–Vamos sentar, ok? – ele falou, indicando as mesas vazias. Eu segui ele e me sentei numa das mesas, mas ele foi até o bar. – você prefere cerveja ou vinho?

–Vinho – eu respondi, e ele voltou com uma garrafa e dois copos. Eu queria poder ler o que ele estava pensando, mas eu estava me sentindo tão nervosa de estar ali com ele, sozinha, e uma garrafa de vinho. Parecia cheio de probabilidades.

Ele se sentou à minha frente.

Notas finais
Maldade parar nesse momento, não? Mas garanto que o próximo capítulo valerá muito a pena. Provavelmente amanhã mesmo já posto.