I miss you
1 I miss you, more than words can say
Notas iniciais
I miss you, oh, I miss you
I'm gonna need you more and more each day
I miss you, more than words can say
More than words can ever say
Gravity Falls não era a mesma cidade quando os irmãos Pines não estavam lá de férias. É claro que a cidade não deixava de ter esquisitices por todos os lados enquanto eles estavam longe. O que Pacífica Northwest queria dizer com tal pensamento, era que sentia saudades de Dipper.
Difícil foi para a garota se convencer de que aquele pensamento perpetuava sua mente mais vezes do que a preocupação de qual sapato combinar com um vestido. Dipper Pines era, talvez, o amigo que a compreendia e não fazia nenhum tipo de julgamento prévio. Bem, quem sabe isso passou a ser verdade depois que eles se conheceram melhor.
Agora, alguns anos depois, desde a primeira visita dos gêmeos Pines na cidade de Gravity Falls, os rumores eram de que neste verão, eles não poderiam viajar, pois estavam se preparando para iniciar uma nova fase em suas vidas. Iriam para a faculdade.
Pacífica também estava com as malas prontas, para a Inglaterra. Seus pais estavam em dúvida se ela iria para Oxford ou Cambridge. E quanto mais eles discutiam sobre seu futuro, mais Pacífica respirava fundo e segurava as lágrimas.
Não havia diálogo com seus pais, e ela permitiu que eles dominassem as rédeas de sua vida. Era cômodo, seguro e, afinal, uma tradição que passava de pais para filhos. E a remota ideia de trazer uma criança ao mundo para viver como ela vivia, lhe causava um ataque de pânico e ansiedade.
Quando as paredes do escritório pareciam espreme-la, ela deixava os pais beberem e discutirem sem a sua presença. Bocejava, esticava os braços e dizia estar com sono. Ia para o quarto, trocava de roupa e jogava uma corda pela janela, onde fugia para a colina dos pinheiros, próximo a cachoeira.
A vista lá de cima era espetacular. Fazia recordar-se de quando frequentava aquele lugar com o grupo. Mabel sempre criava situações constrangedoras, como festas do beijo e outras coisas que sempre saiam do controle e que envolviam monstros perigosos e duendes da floresta.
Só de pensar, Pacífica se arrepiava dos pés à cabeça.
Entretanto, em uma dessas festas na colina, Mabel não sabia, mas acabou que aproximou um casal. Enquanto todos estavam muito ocupados com a aparição de um palhaço amaldiçoado no momento do beijaço, Pacífica tomou coragem e beijou Dipper, com suas duas mãos segurando o rosto dele. Depois daquele beijo, foi difícil conseguir um minuto a sós para conversarem sobre o que aconteceu.
E desde então se passaram alguns meses. Pacífica estava ansiosa para as férias de verão, havia calculado com exatidão quanto tempo teria para ficar na cidade, antes que fosse para Inglaterra. Também preparou um plano para todos estarem ocupados, assim não haveria interrupções quando ela e Dipper estivessem a sós.
Todavia, seus planos foram por água a baixo quando soube da notícia desagradável dada por Soos.
Agora, no topo daquela colina, Pacífica observava as estrelas, deitada na grama, sequer preocupada com sua jaqueta de couro vintage de 1979. Ela tirou o celular do bolso e selecionou Dipper nos contatos. Queria ter acumulado mais força para enviar uma mensagem. Mas não sabia o que falar com ele. Digitou algumas coisas como “Oi” e “E aí?”, só que nada disso soava descontraído.
A última mensagem enviada foi um link que Dipper mandou para ela, um vídeo de Waddles e Mabel rolando na lama. Pacífica rolou os olhos com o histórico de conversa entre os dois. Cada vez que ela tentava puxar o “assunto”, Dipper parecia fugir pela tangente.
Sem perceber, acabou enviando um alerta de chamada de vídeo para ele e já era tarde demais de desligar. Ela sentou na grama, com as pernas balançando, nervosa se ele atenderia a chamada.
— Hey! — O rosto de Dipper ocupava toda tela do celular de Pacífica.
— Oi! — Ela respondeu, segurando o celular com uma mão e a outra mantendo a mão firme, sem tremer.
— Oi. — Dipper repetiu, afastando um pouco o celular do rosto, agora ela poderia ver melhor seu pescoço e ombros. Ele vestia uma camiseta branca e estava sem o clássico boné. Esse que por acaso foi torrado e destroçado em uma fogueira na última batalha campal, o que não vinha ao caso no momento.
— Oi. — Pacífica desejou ser atropelada por um tronco de pinheiro, caso eles continuassem falando oi um para o outro.
— Nossa, o que é isso atrás de você? — Dipper perguntou, estreitando os olhos para poder ver melhor.
Pacífica olhou para trás e viu umas luzes.
— São vaga lumes, estou na colina dos pinheiros. Está ouvindo a cachoeira? — Ela esticou o braço, para que o celular captasse melhor o som da natureza.
— Meu lugar favorito em Gravity Falls. — Ele comentou.
— O meu também. — Pacífica falou, não conseguindo esconder um grande sorriso. — E aí, eu soube que você vai para a faculdade. — Ela entrou no assunto, falando rapidamente.
— É... — Ele mexeu nos cabelos castanhos. — Estou com um pressentimento de que vai ser uma coisa muito boa para mim, sabe? Eu tenho muitos planos em mente, acho que... ah, sei lá. — Ele riu. — Você sabe como eu fico quando começo a falar das coisas que me animam, não sabe?
— Eu sei, eu sei. — Pacífica tombou a cabeça para o lado, observando a vista, decidiu virar o celular, para que Dipper pudesse ver alguma coisa.
— Nossa, eu sinto saudades daí. — Dipper falou e depois Pacífica ouviu um gritinho agudo. — Desculpe, é a Mabel, ela foi na loja de conveniência e está feliz porque achou aquele sorvete que ela tanto gosta.
— Manda um beijo para ela.
— Certo, vou mandar. — Eles ficaram se olhando por alguns segundos e então Pacífica ouviu mais barulhos. Motos, buzinas e Mabel cantando uma música. — Desculpe, está uma confusão aqui. A viagem vai atrasar um pouco e nós ficamos sem gasolina.
O coração de Pacífica sofreu um baque quando ouviu a palavra viagem. Não esperava que eles fossem tão rápido assim para a Faculdade, e isso a deixou com receio de falar tudo o que estava entalado em sua garganta. Sobre o quanto ela realmente gostava de estar ao lado dele, sobre como sentia saudades dele, sobre como ele ficava bonito mesmo usando a mesma camiseta mais de 2 vezes na semana.
Não querendo incomodá-lo na viagem, ela decidiu se despedir e desligar. Dipper mal terminava de dizer um até logo, e Pacífica já largava o celular na grama.
Ela voltou a olhar o céu estrelado, ciente de que aquela seria a última vez que via o céu em Gravity Falls.
Na manhã seguinte, Pacífica decidiu despedir-se de seu cavalo, Tornado. Ele era tratado em uma fazenda próxima a Cabana do Mistério, talvez seria uma oportunidade para se despedir de Soos e Wendy, assim não precisaria retornar depois ali para dizer adeus, antes da viagem para Inglaterra.
Ela decidiu dar um último passeio com Tornado pela floresta, cavalgou por horas e então parou diante da Cabana do Mistério, desceu do cavalo e acariciou a crina do bicho. Iria pedir para Soos dar água ao seu cavalo, e assim poderia ir embora, sem deixa-lo muito cansado.
Quando Pacífica abriu a porta do estabelecimento, o sino tocou e um gritinho agudo e animado preencheu seus ouvidos.
— Aí, eu não acredito que você está aqui, estávamos falando de você agora mesmo e... Aí, Dipper! Não me belisca. — Mabel esfregou o braço avermelhado.
— Beliscar? Quem fez isso? Não fui eu. — Dipper falou desajeitado.
— E aí, Pacífica, qual é a do cavalo ali fora? — Wendy perguntou, parecendo entediada atrás do balcão.
— É o Tornado, meu cavalo, eu... eu... — Pacífica olhou para Dipper, depois para Soos. — Eu preciso de água, ele está cansado.
— Eu posso cavalgar? Deixa, deixa, deixa, deixa... — Mabel ficou pulando na frente dela, sem parar. — Eu vou fingir que ele é um unicórnio e eu sou uma Princesa Unicórnio.
— Mabel está viciada em uns livros de fantasia. — Dipper alertou.
— Tudo bem, pode levar ele até a fazenda que fica aqui perto, eu dou um jeito para voltar para a minha casa.
— Ahhh — Mabel pulou sobre Pacífica, dando beijos no rosto dela. — Vou cuidar muito bem da Princesa Furacão.
— É Tornado.
— Não adianta. — Dipper falou.
Mabel deixou a Cabana e Soos levou água para o cavalo. Enquanto isso, Wendy parecia mais ocupada com seu celular, do que prestar atenção na conversa.
— Então, você está em Gravity Falls. — Pacífica sentiu vontade de bater a cabeça na parede após falar algo tão estúpido.
— Decidimos vir para cá, antes de começar firme na vida adulta. — Dipper fez aquele mesmo movimento com a mão, bagunçando os cabelos. — E você? Fiquei sabendo que está indo para a Inglaterra?
— Eu cancelei a viagem. — Ela colocou a mão na boca rapidamente. — Digo, eu vou, mas acho que não agora. A Inglaterra é muito chata nessa época do ano.
— Sei. Então vai dar para a gente fazer uma última festa com todo o grupo reunido?
Talvez aquelas não eram as palavras que Pacífica queria ouvir no momento, mas era melhor do que nada. Ela concordou e então o clima constrangedor voltou. Eles observaram pela janela Soos ajudando Mabel a subir no cavalo e então ele relinchar e impedir que fosse montado.
Quando o cavalo esgotou suas energias, Mabel estava apenas começando, levou Soos na cavalgada, não de forma consciente, com sua mão amarrada nas rédeas.
— Bem, eu preciso ir. — Pacífica encarou o rapaz ao seu lado. Dipper estava mais alto e havia ganho um pouco de peso nos últimos meses, tanto que a sua camiseta estava um pouco apertada nos braços.
— Eu posso te levar. — Ele se ofereceu. — Wendy, me empresta a sua moto?
— De boa. — Wendy respondeu, jogando a chave da moto para Dipper. — Aproveita e coloca gás. E, ah! O banco de trás está mole, então vocês vão precisar se espremer para ficar sentados na moto.
Pacífica e Dipper saíram da cabana e foram até a moto de Wendy que estava estacionada ao lado do carro de Soos.
Dipper sentou primeiro e depois disse para que Pacífica sentasse na frente dele, pois assim ela ficaria mais segura, já que a parte de trás estava mesmo solta.
— Ótimo, eu vou devagar, já que não temos capacetes, você está bem?
— Sim, sim... eu estou bem. — Ela virou o rosto e encontrou o de Dipper, sentiu a pele ferver e deveria estar parecendo uma adolescente boba apaixonada olhando para ele. O bom era que, embora fosse muito inteligente, Dipper as vezes não era tão esperto assim.
— Olha, Pacífica... — Ele ligou a moto, que fazia um barulho terrível. — Eu fiquei muito feliz que você me ligou ontem.
— É mesmo? — Ela tentou ignorar o barulho do motor e se concentrar no que Dipper falava.
— Achei que depois daquela noite, você sabe, do palhaço na colina, você não quisesse mais falar comigo, porque a gente nem conversou. Eu fui embora e você nem respondia direito minhas mensagens. Eu não sabia mais como chamar sua atenção, senão com os vídeos bobos da Mabel.
Pacífica sentiu vontade de derrubá-lo daquela moto e bater em Dipper até ele perder a consciência. Mas passado o momento de nervosismo e violência mental, ela respirou fundo e decidiu que não precisava de plano para conseguir falar o que precisava falar para ele.
— Eu senti muito a sua falta, Dipper Pines.
As sardas de seu rosto se destacavam quando ele sorria. Pacífica fechou os olhos e esperou que Dipper finalizasse o momento com um beijo perfeito. Mas para seu azar, Tornado retornava de uma cavalgada intensa, disparado pela floresta, até perder o controle sobre suas patas e atropelar tudo e todos na sua frente.
— Yeah! A Princesa Furacão mostra novamente a que veio. — Mabel comemorou, caída no chão.
— Alguém anotou a placa do cavalo? — Soon desmaiou em seguida.
— Eu não sei se vou sentir falta disso quando formos para a faculdade. — Dipper ajudou Pacífica a se levantar. — Não deve ter isso na Inglaterra, não é mesmo?
— Não sei. — Pacífica não estava brava, irritada e nem com vontade de gritar. — Quem sabe eu não consiga levar o Tornado comigo, ou... talvez eu consiga ir para uma faculdade mais perto.
— É, é uma boa ideia. Mas os seus pais não iriam ficar pirados com isso?
Pacífica imaginou a reação de seus pais ao saber que a herdeira dos Northwest desejava se tornar a futura Senhora Pines. E como a tradição da família seria acrescentada com as histórias misteriosas que rodeava a família Pines. E, mesmo que eles forçassem ela ir para a Inglaterra, para ficar longe de Dipper Pines, sabiam que uma Northwest teria o que queria.
— Acho que sei de uma coisa que faria eles esquecerem da Inglaterra.
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