I´m not that boy
2 Risadas e sorvete
Notas iniciais
"Tenho uma boa e uma má noticia", Nico tentou sorrir. "A boa é que ainda vamos fazer o trabalho, a ruim é que não é hoje." Torceu o nariz. "Parece que Percy tentou ser Percy e torceu o tornozelo fazendo coisas de Percy."
Will devia se preocupar? Deus! Ele devia se preocupar com ele, estava a ponto de se transformar em um picolé, um bonito picolé por sinal. "E ele tá bem?"
"Sei lá, acho que foram ao hospital. Não perguntei." Nico sorriu diante do olhar do colega, desviou e olhou para o lago, Toby não estava mais lá. "Cadê seu cachorro?"
Will congelou e arregalou os olhos. Em sua mente só tinha uma frase — meu cachorro foi devorado -.
Levantou em um pulo, seu primeiro olhar foi para o lago, o segundo para carrinho de pipoca e o terceiro foi para o carrinho de cachorro quente... oh, lá estava Toby, ainda bem que não foi devorado, bom garoto.
"TOBY! DEIXA O MOÇO! TOBY! NÃO PULA NO CARRINHO! TOBY! LARGA ESSE CACHORRO QUENTE! TOBY! EU VOU TE MATAR!"
Sem Will entender o porquê, o cachorro veio correndo na direção dele, mas passou direto. Solace olhou incrédulo para o cão que foi até Nico, se abaixando e comendo algo que o garoto deu.
Um Mclanche Feliz?! Nico deu um McLanche para o cachorro! Meio comido, mas não deixava de ser um veneno mortífero para o animal... ou para Nico.
"Acho que seu cachorro gosta de mim."
Will revirou os olhos. "Claro, você quer matar ele com essas porcarias."
"Eu salvei seu cão, você deveria ficar feliz."
"Você salvou o cara do carrinho de cachorro quente, coitado. Deve se aposentar depois de hoje." Olhou para o carrinho, o moço ainda estava pálido, mais pálido que o Nico. Will sabia que nunca mais poderia se aproximar daquele carrinho novamente, ou da sorveteria, ou do carrinho de churros, ou de qualquer coisa que tivesse comida, Deus! Toby era um psicótico. Lembrou que ainda conversava com o colega. "Nico, eu não vou te agradecer por envenenar meu cão, não me olha desse jeito."
"Envenene a mim, então. Dei meu alimento pra ele" murmurou acariciando Toby.
"Meio comido." Will argumentou
"Mas era meu."
Will respirou fundo e soltou o ar, jogando seus braços ao redor do corpo de forma dramática. "Ok. Vamos lá te envenenar."
Enquanto andavam, Will contou sobre sua grande família e do quanto suas irmãs era loucas, ah! E do tanto de animais que tinha em um pequeno apartamento.
Nico olhou surpreso pelo tamanho de Toby, imaginando ele morando em um apartamento com várias pessoas e mais animais. Sorriu quando Will jogou alguns dólares no chapéu de um homem desabrigado, oferecendo um sorriso e um pequeno "oi".
Nico se perguntou por que aquele rapaz era tão doce e por que ele não compartilhava isso com o mundo. "Ei, não tenho o número do seu celular. Preciso te avisar quando será o próximo encontro pra fazer o trabalho." Falou de repente, ao lembrar do motivo real de estarem alí.
"Eu não tenho um celular", Will disse timidamente, olhos voltados para Toby que cismou de cheirar todos os postes da cidade.
Nico não conseguiu processar a informação. Sua própria vida se despedaçaria se ele não tivesse um celular. Ele acabaria vivendo em uma caixa de papelão junto ao rio, não sabendo nem o próprio nome. "Você não... tem um telefone?" Estava com os olhos arregalados.
Will aparentava estar desconfortável. Coçou a nuca e brincou com a orelha de Toby. "Mudamos esse mês... ainda não deu tempo pra comprar telefone pra todo mundo e pegar novas linhas." Sorriu para Nico, "Mas temos um telefone fixo."
Nico não saberia como usar um fixo. Será que tinha um na casa dele? Iria perguntar para sua irmã quando chegasse em casa.
"Assim que eu arrumar um, te mando um texto, Nico."
Di Angelo pareceu surpreso. "Você me enviaria um texto?"
"Claro!" Will sorriu. "Você pode me distrair durante as pausas do almoço, e eu posso ligar pra você e me queixar dos meus irmãos que me deixa louco. Além disso, eu não acho que já usei uma linha terrestre em minha vida. Sei lá, não tenho certeza como funciona."
Nico se identificou.
"Posso pedir pro Percy te ensinar sobre o Crash Royale. E então esse jogo consumirá sua vida e provavelmente nunca mais vou te ver."
Ambos riram.
Will já conhecia o jogo, ele tinha perdido uma parte da sua alma com isso. Sendo perfeccionista do jeito que era, ele usou um de seus livros de história da guerra para conseguir as melhores estratégias. Não deu muito certo, mas ao menos ele tem um estoque de informação sobre guerras, caso alguém se interesse.
Pararam em frente ao Mcdonalds. Will esperou pelo lado de fora com Toby.
"Tem certeza que não quer nada?" Nico perguntou pela segunda vez.
"Estou bem." Sorriu e acenou, mas congelou ao perceber que Toby estava quieto demais. Isso nunca era bom.
Rapidamente se abaixou a altura do animal e percebeu que ele mordia uma bola de tênis. "De onde você roubou essa bola, Toby?"
Levantou e revirou os olhos, sorriu ao ver o colega através do vidro do estabelecimento.
Nico retornou alguns minutos depois com três casquinhas.
“Não vou deixar você perto do meu cachorro.” Will reclamou quando Nico deu uma casquinha INTEIRA para Toby, que emocionado, largou a bola de tênis irreconhecível e devorou o sorvete em segundos.
“Viu, ele gosta.” Sorriu para Will que mesmo sem querer sorriu de volta ao ver os olhos brilhantes de Nico. Claro, Will quase congelou, eles levaram bolo dos colegas, perderam um boomerang, roubaram uma bola de tênis, e seu cachorro quase foi comido por um tubarão de água doce no lago da cidade, mas, sim, foi uma saída bem sucedida.
Will olhou para a casquinha de baunilha na mão, se perguntando o quanto mais de frio sentiria ao comer aquilo. Sorriu ao ver Nico acariciando a barriga de Toby, ele era um bom garoto e seu cachorro estava feliz, valia a pena morrer congelado por isso.
Mordeu a casquinha em uma grande bocada, que imediatamente congelou seu cérebro.
Nico o olhou preocupado, Deus! Até Toby o olhou preocupado.
“Tô bem, só não esperava que fosse tão gelado.” Will sorriu sem graça.
“Acho que é o que se espera de um sorvete.”
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