Notas iniciais
Foi uma ideia que surgiu do nada e senti que se não a colocasse "no papel", não parararia de pensar nela. Espero que gostem! Ps: Aconselho lerem a cena da música "Always", escutando-a.http://www.youtube.com/watch?v=9BMwcO6_hyA

O dia amanheceu ensolarado, porém bem fresco. Um dia perfeito para a viagem que Santana faria com as amigas. Não sabia ao certo o que encontraria em Brighton, mas sempre ouvira muitos elogios daquele lugar. Embora morasse em Londres desde que nascera, nunca visitara a cidade de destino da viagem. Brighton ficava apenas a duas horas de Londres, sendo assim, iriam apenas para passar o dia. Por mais que fosse sábado, não poderiam ficar muito tempo devido às aulas na faculdade.

Combinaram de se encontrar no portão do campus às dez horas. Santana vestiu uma calça jeans escura, uma blusa cinza como segunda pele, uma jaqueta de couro vermelha e o par indispensável de tênis all-star preto. Colocou alguns acessórios apenas para diminuir a casualidade do look. Certificou-se de que havia colocado tudo o que era necessário na bolsa. Passou no refeitório e colocou algumas maçãs em um recipiente, que fora oferecido por uma funcionária.

Caminhou pelo jardim do campus, cantarolando uma música qualquer e chutando as pedrinhas que havia no chão. Avistou suas amigas esperando-a encostadas no carro de uma delas. Acenou.

Assim que chegou ao portão, cumprimentou-as com beijos na bochecha e entrou no veículo.

Colocaram um CD dos Beatles e seguiram pela estrada. Cantavam histericamente, o que fez com que as pessoas que caminhavam nas ruas se assustassem.

A viagem durou menos tempo do que imaginavam, pois, por incrível que pareça, a estrada estava vazia. Pararam em um posto de gasolina na entrada de Brighton para comerem algo. Estacionaram o carro e entraram na lojinha de conveniências. Alguns rapazes estavam sentados em uma mesa, onde havia quatro lugares vazios.

– Podemos sentar com vocês? – perguntou a amiga de fios de cabelo ruivos.

– Com toda a certeza do mundo, ruivinha. – um dos rapazes de olhos claros respondeu, dando uma piscadela.

As meninas juntaram-se aos rapazes, que se entreolharam felizes pela ótima companhia que teriam. Fizeram seus pedidos e “jogaram conversa fora”.

– Está tudo bem, Sant? – questionou uma das amigas de Santana. – Não falou praticamente nada desde que sentamos aqui.

– Desculpa. Só estou ansiosa para conhecermos a cidade.

– Ah! Então não conhecem Brighton... – um dos rapazes disse, tentando se aproximar de Santana.

– Estamos de passagem. – a latina se afastou. — Somos de Londres.

– Não é tão longe daqui. Por que nunca vieram antes? – o garoto de olhos azuis insistia em ficar a míseros centímetros de Santana.

– Vamos, meninas? – a latina ficava cada vez mais apreensiva com o rapaz.

– Podemos mostrar a cidade para vocês, se quiserem, claro.

– Não precisa, obrigada. – Santana respondeu rapidamente.

– Mas é claro que precisa! – a amiga deu-lhe um cutucão. – Vamos adorar, não é, Santana?

– Quer saber? Divirtam-se. Eu vou pegar um taxi.

– Espera, Sant. – a ruiva puxou-a pelo braço. – Qual o problema?

– Eu não quero passar o dia com esse garoto grudado em mim.

– Santana, só porque ele está sendo gentil, não quer dizer que vá te agarrar.

– De qualquer forma, eu não quero. E você sabe muito bem o porquê.

– Sei, mas não entendo.

– Não curto pênis, só isso.

– E daí? É só dizer que você é lésbica e pronto, problemas resolvidos.

– De jeito nenhum! Não vou dizer minhas intimidades para um garoto desconhecido.

– Um garoto lindo, gostoso e fofo desconhecido!

– Já que você utilizou tantos adjetivos positivos para descrevê-lo, fique com ele. Já decidi. Vou pegar um taxi até o lugar que quero ir e mais tarde ligo para vocês, certo? Ou o contrário.

– Está bem. Já vi que não dá nem para negociar contigo...

A latina se despediu das amigas e acenou para os rapazes, apenas para não ser mal educada.

Entrou em um taxi, que, por sorte, estava no posto, avisou o local de destino e encostou a cabeça na janela para observar a paisagem. O caminho foi calmo. A vista era incrível e a latina já estava se apaixonando pela cidade, mesmo não tendo curtido nada ao ar livre ainda.

O motorista não era lá muito simpático, mas foi gentil ao contar um pouco da história daquele lugar.

O senhor parou o carro bem em frente ao píer de Brighton. O local era famoso por ser um dos pontos mais atraídos por jovens. O local reunia um enorme caise um centro de entretenimento cheio de pubs, restaurantes e um parque de diversões. A praia de pedrinhas atraía gente de todo o lugar.

Santana pagou o motorista e desceu do veículo. Sorriu para o que via. O local não estava muito cheio, como costumava ficar, segundo o motorista, mas tinha muita gente. Pôde notar que o local era constituído basicamente por jovens. Pareciam ter a idade de Santana.

Caminhou até o cais, observando cada pessoa que passava por ela. Aproveitou para tirar algumas fotos da bela vista. Era um dia lindo e fazia tempo que Santana não apreciava uma boa brisa. Desde que entrara na faculdade, sua vida ficara um pouco limitada, pois prometera a si mesma que se dedicaria aos estudos. Queria ser diferente da garota que fora no colegial: irresponsável e inconsequente.

Direcionou-se ao parque de diversões. Tinha de aproveitar que os brinquedos não estavam muito cheios, naquele momento. Havia uma senhora vendendo algodão doce próximo à roda gigante. Entrou na fila, que por sinal estava muito grande. Olhou para o lado e avistou um grupo em rodinha que parecia estar muito feliz. Gargalhavam alto. Lembrou-se de suas amigas. Gostaria que elas estivessem ali... Provavelmente estaria se divertindo muito mais. Porém, elas preferiram passar a tarde ao lado de garotos. Bufou, revirando os olhos. Não era a primeira vez que Santana tinha de se separar do grupo. Balançou a cabeça na tentativa de afastar os pensamentos.

Voltou os olhares para o grupo ao lado e, dessa vez, a rodinha se abriu, revelando uma bela loira dos olhos azuis. Tal cor que Santana jamais vira nos olhos de alguém. Ela tinha os fios de cabelo bem loiros, o que fazia com que os raios solares refletissem neles. Usava uma calça jeans, assim como a de Santana. A diferença era que a dela era bem clara. Vestia também um cropped larguinho branco, expondo a barriga chapada. Usava uma touca que caía, aos olhos de Santana, perfeitamente nela.

A loira vinha na direção da fila em que Santana se encontrava, fazendo o coração da latina disparar. A garota parou bem atrás dela. Santana estava tão encantada com a moça, que nem se tocou de que a encarava. Sorriu sem graça, tendo o gesto retribuído. Virou-se para frente e esperou chegar sua vez. Aqueles poucos minutos pareceram uma eternidade.

Chegara sua vez. Deu o dinheiro à senhora, que entregou-lhe o algodão doce.

– É o último. Sinto muito. – avisou ao resto da fila.

– Ah... Que pena! – disse a loira, substituindo o sorriso por uma expressão triste.

Santana suspirou ao ouvir a voz da garota, era tão doce... As outras pessoas que aguardavam saíram, ficando apenas a latina e moça dos olhos azuis.

– Pode ficar com o meu. – disse Santana, por fim.

– Imagina! Eu compro mais tarde.

– Eu insisto. Nem ligo tanto para algodão doce...

– Tem certeza?

– Claro! Pode pegar. – entregou-lhe o palito, sorrindo abobalhada.

– Obrigada! – sorriu de volta. – Brittany. – apresentou-se.

– Santana.

– É um prazer conhecê-la.

– Eu que o diga!

– Hum?

– Nada. – riu, sem graça.

– Está sozinha?

– Sim...

– Quer ficar comigo e com os meus amigos?

– Eu adoraria.

– Ótimo! Vem comigo. – segurou a mão da latina, que ficou extasiada com o gesto. — Pessoal, essa é a Santana. Acabei de conhecê-la na fila do algodão doce. – disse, aproximando-se do grupo.

– Agora entendemos o motivo da demora.

– Engraçadinhos! Não é nada do que estão pensando, okay?

– Brittany, vamos à roda gigante. Quer ir? Você também pode vir, Santana.

– Vou terminar de comer o algodão doce.

– E eu vou ficar aqui com ela.

– Certo. – os amigos deram risinhos e seguiram para o brinquedo.

As meninas sentaram-se em um banco que havia ali. Santana observava a loira comer o doce. Fazia aquilo com tanta delicadeza, que parecia alguém da realeza.

– Desculpa por ter causado confusão. Não imaginei que seus amigos fossem fazer piadinhas...

– Não tem de se desculpar de nada, Santana. Eles são bobos assim mesmo, mas você se acostuma.

– Você é daqui de Brighton?

– Não, apenas moro aqui. Sou londrina.

– Eu também! – sorriu.

– Vim pra cá quando fui expulsa de casa.

– Sinto muito...

– Tudo bem. Já superei. Sou muito feliz, pois posso ser quem eu realmente sou aqui. Sem ter que me preocupar sobre o que vão pensar de mim... Essa é uma das vantagens de morar em Brighton.

– Você não se sentia assim em Londres?

– Não. Digamos que meus pais não aceitaram a minha opção sexual e me expulsaram de casa por medo da reação da vizinhança.

– Eu sinto muito mesmo, Brittany.

– Só para saber: você não tem nenhum preconceito com gays, não é? Espero que a resposta seja não, pois eu estava adorando você.

– Não posso ter preconceito com algo que sou. – disse a latina, provocando um sorriso de orelha a orelha em Brittany.

– Então você entende como eu me sinto. É bom ter uma amiga assim.

– Amiga?

– Ah... Desculpa. Acho que me apressei demais. – disse sem jeito.

– Não. Só fiquei surpresa. É claro que sou sua amiga.

Sorriram.

– Eles estão demorando... Quer ir à algum brinquedo? — sugeriu, jogando o palito de algodão doce no lixo.

– Pode ser. Qual seu favorito?

– Adoro a roda gigante, mas o meu preferido mesmo é aquele em que ganhamos bichinhos de pelúcia.

A latina sorriu com a inocência da loira. Ela era tão... Fofa?! Não sabia ao certo se era a melhor palavra para descrevê-la, mas com certeza estava entre os demais adjetivos positivos que ela poderia ser caracterizada.

Já na barraca, tinham de acertar uma pirâmide de latas para levar um brinde. Havia três pirâmides com latinhas de mesma cor, porém cada qual com um valor diferente. Dependendo dos pontos arrecadados, poderiam trocar por um brinde.

Brittany tentou algumas vezes e conseguiu poucos pontos, o que a deixou na esperança de que Santana fizesse muito mais. E fez. Santana derrubou todas as latas, afinal, jogara com tanta força que até pensou ter derrubado a mesa inteira com o barulho produzido. Por fim, Santana trocou os pontos por um patinho de pelúcia.

– Pra você. – a latina estendeu-lhe o objeto, sorrindo de orelha a orelha.

– Muito obrigada, Santana! É muito unicórnio! – abraçou-a.

– Quê? – riu.

– Quando algo é muito fofo, digo que é unicórnio.

– Só você, Brittany!

– Hey, ainda estão aí? – questionou um dos amigos de Brittany, aproximando-se das duas.

– Ficamos conversando e jogando naquela barraca – apontou – e acabamos perdendo a noção do tempo... Aliás, que horas são?

– 16 horas. – afastou-se das meninas.

– O quê? – gritou Santana. – Não acredito que passou tão rápido!

– Você tem que voltar pra Londres?

– Não agora, mas daqui a pouco minhas amigas devem ligar.

– Achei que estivesse sozinha.

– E estou. Vim com as minhas amigas, mas elas acabaram encontrando uns garotos e quiseram ficar se agarrando com eles ao invés de passar uma tarde divertida ao meu lado.

– Não sabem o que estão perdendo. – brincou Brittany.

– Sinceramente, agradeço por ter vindo sem elas. Se não fosse por isso, não teria te conhecido. – mordeu o lábio inferior.

Santana fitava os olhos de Brittany, apreciando a beleza da loira.

– Vamos à roda gigante? O show vai começar daqui a pouco e eu quero pegar um lugar bom.

– Que show?

– Espera! Você não soube do show? Achei que tivesse vindo por esse motivo.

– Não. Eu vim conhecer a cidade e, como ouvi que esse era um dos pontos turísticos mais acessados de Brighton, vim pra cá.

– Entendi. Bem, o Bon Jovi vai se apresentar na praia de pedrinhas.

– Que bacana! Mas até que para ser o Bon Jovi, o local está vazio...

– É que ele não anunciou nada. Apenas os moradores daqui e das cidades vizinhas sabiam. Por isso pensei que soubesse.

– Então vamos logo!

A fila estava mais cheia do que mais cedo, quando os amigos de Brittany foram.

Aproveitaram para se conhecer melhor, conversaram sobre família, amigos, relacionamentos, faculdade, viagens... Santana não se importava se a fila durasse mais trinta segundos ou meia hora. Quanto mais tempo ficasse ao lado de Brittany, melhor. A loira era a garota dos sonhos da latina... Linda, simpática, carinhosa, amável e todas os elogios que Santana sabia.

– Santana? Vem! – disse a moça de olhos azuis, tirando a morena de seus devaneios.

– Hum?

– É a nossa vez! Vem! – puxou-a pela mão.

Eram as que faltavam para ocupar a cabine vazia. Acomodaram-se e sorriram para si mesmas ao ver que a roda gigante começava a girar.

– Eu venho aqui todo sábado, sabia? Só para espairecer...

– Se eu morasse aqui, também viria. É a cidade mais linda que já conheci. E sabe o que a torna mais especial para mim?

A loira mordeu o lábio inferior, sorrindo e balançando a cabeça negativamente.

– Pois estou passando os melhores momentos da minha vida ao seu lado. E sempre que me lembrar de Brighton, lembrar-me-ei de você, Britt.

– Gostei da forma como me chamou.

– Britt?

– Sim. Ninguém nunca me chamou assim, portanto esse jeito vai ser sempre seu. Ninguém mais pode me chamar de Britt.

Santana beijou-lhe a bochecha.

– E você pode me chamar de Sant. Bem, minhas amigas me chamam assim, mas... – fora interrompida.

– Então vou te chamar de Santie. – sorriu.

Um grupo de cantores amadores cantava “Every Take You Breath”, The Police.

– Adoro essa música! – comentou Santana.

– Sério que você gosta de The Police? Nenhuma amiga minha gosta... Só podia ser você a única a dividir essa paixão comigo. Você tem tornado as coisas que gosto ainda mais especiais, sabia? – sorriu.

Trocaram algumas carícias durante o tempo em que ficaram dentro da cabine. A paixão que Santana estava sentindo por Brittany parecia ser recíproca.

Assim que saíram do brinquedo, caminharam até a praia de pedrinhas, onde os músicos começavam a se preparar. O show começaria em pouco tempo.

Lutaram para achar um bom lugar, porém parecia que todos os habitantes de Brighton decidiram assistir ao show.

Ficaram distantes do palco, não teve jeito. Mas para Santana, apenas pelo prazer de curtir aquele momento ao lado de Brittany, já valia à pena.

– Quando ouvi dizer “praia de pedrinhas”, não imaginei que realmente fosse constituída por pedras...

– Pois é. Ao invés de areia, são pedras. É o que dá um charme nesse local. – explicou a loira.

– Não. O que dá um charme nesse local é você.

– Boba. – beijou-lhe a bochecha.

O guitarrista anunciou que o show começaria e todos ficaram na expectativa de ver Bon Jovi aparecer no palco.

Quando o momento chegou, todos gritaram histericamente e bateram palmas. O cantor agradeceu o carinho e deu início à apresentação.

A plateia dançava ao som de “It’s My Life”, principalmente, Brittany. Embora o espaço fosse mínimo, a loira fazia vários passos de dança. O local foi ficando cada vez mais cheio. As duas estavam esmagadas no meio da multidão e já haviam sido pisadas nos pés diversas vezes...

– Ai! Droga! – gritou a loira.

– O que foi, Britt? – preocupou-se.

– Meu pé está sangrando!

– Quê? Não consigo ouvir.

Brittany repetiu, dessa vez, no ouvido da latina.

– Onde eu tava com a cabeça quando decidi vir de sandália para a praia de pedrinhas? – reclamou a loira consigo mesma.

– Vem comigo.

Brittany apoiou-se no ombro de Santana, que a ajudou a sair da multidão. Foram até uma parte mais afastada do local onde o show acontecia.

– Está doendo... – a loira encarava as feridas.

– Precisamos limpar isso, Britt. Acho que tenho curativos na minha bolsa. Mas, antes, precisamos lavar seus pés.

– Vai arder...

Santana se segurou para não rir do comentário de Brittany.

– Prometo que vai ser bem rápido!

– Certo.

A latina suspendeu a borda da calça de Brittany e da sua para não molharem as roupas. Carregou a loira no colo cautelosamente e a levou até o mar. Lavou os pés da amada com delicadeza. Brittany a observava encantada.

Trouxe-a de volta para as pedras, colocando-a sentada ali. Sentou-se também.

– Desculpa por ter estragado seu show... – disse Brittany cabisbaixa.

– Aqui está bem melhor. – segurou o queixo da loira. — Podemos ouvir tudo daqui, não tão alto, mas mesmo assim, está ótimo. E, além disso, aqui está mais tranquilo. – sorriu.

O sol começava a se pôr, deixando o ambiente ainda mais lindo. O pôr-do-sol de Brighton realmente era um dos mais lindos que Santana já vira.

Bon Jovi anunciou que a música que cantaria em seguida era uma das mais lindas que já compusera. Então, a banda começou a tocar os acordes de “Always”. O cantor juntou-se.

– Minha música favorita! – comentou Brittany, olhando para o mar. – Sou simplesmente apaixonada por essa letra... É tão profunda! Eu sei que é uma música triste, mas eu a acho linda.Minha parte favorita é aquela: “Yeah I will love you, baby, always”…

– “And I’ll be there” – Santana continuou.

– “Forever and a day, always”.

– “I’ll be there till the stars don’t shine”.

– “Till the heavens burst and the words don’t rhyme”.

– “I know when I die you’ll be on my mind”.

– “And I’ll love you, always”.

Deixaram o cantor original continuar. Seus rostos estavam cada vez mais próximos. Tão perto que podiam sentir a respiração da outra. Aproximaram-se mais, selando os lábios em um beijo apaixonado. Brittany tinha as mãos em volta do pescoço da latina, que afagava os fios loiros, que antes eram cobertos pela touca, da amada. Santana pediu passagem com a língua, que fora permitida pela loira. Os raios solares finais atravessavam as pequenas extremidades que separavam o rosto de uma da outra.

Com toda a certeza do mundo, ter se separado das amigas naquele dia tinha sido a melhor escolha de Santana. Conhecer Brittany era uma dádiva que a vida lhe dera. Amar e ser correspondida... Algo que a latina jamais pensou que aconteceria com ela. Mas aconteceu. E seu grande amor era a pessoa mais encantadora que já conhecera.

Santana balançava-se lentamente na rede que ficava no jardim de sua bela casa, em Brighton. Tinha em suas mãos as fotos que tirara no dia em que viera à esta cidade pela primeira vez. Seus olhos ficaram marejados com as lembranças que vieram em sua mente. Tentou conter as lágrimas, em vão.

– Por que está chorando, mamãe Santie? – perguntou uma menininha que vinha na direção da latina de mãos dadas com Brittany. A garotinha trajava biquíni e tinha o rosto branco devido ao protetor solar.

Santana e a loira, após se casarem, haviam adotado uma menina linda, a qual recebia muito carinho das mães.

– Vem cá, pequena.

A ruivinha correu até a morena, que a encheu de beijos.

– Mamãe! – riu.

– Desculpa. É que eu me empolgo com essas bochechas. – apertou-as.

– Mas por que estava chorando, meu amor? – questionou Brittany, sentando ao lado da esposa.

– Estava me lembrando do dia em que nos conhecemos. – beijou-a.

– Me conta essa história hoje à noite, mamãe?

– Quando você for maiorzinha, eu te conto, está bem?

– A mamãe Britt disse que eu já sou grandinha.

– Disse que era grande o bastante para arrumar seus próprios brinquedos. – a loira a corrigiu.

– Então eu sou grande pra arrumar os meus brinquedos, mas pequena para ouvir a história de vocês? Que confusão! – brincou a ruivinha.

– Por que você não vai dar um mergulho, princesa? – sugeriu Brittany, apontando para a piscina.

A ruivinha pegou os brinquedos que separara para levar para a água e já iria sair correndo, quando Santana a chamou.

– E os nossos beijos?

A menininha riu e beijou a bochecha das mães para, em seguida, correr até a piscina.

– Cuidado, pequena! Fica só na beirinha.

– Pode deixar, mamãe! – gritou a ruivinha para que Santana escutasse de onde estava.

Brittany deu impulso na rede e envolveu a latina em um abraço.

– Cada dia te amo mais... – confessou a loira.

– E a cada dia tenho mais certeza de que não poderia ser mais feliz!

– Como diz a nossa música, “Estarei ao seu lado por toda a eternidade, sempre”. – sorriu, puxando-a para um beijo repleto de paixão.

– “Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar”.

Notas finais
E então? O que acharam? Caso não tenham conta e queiram deixar alguma opinião, sugestão... meu ask: http://ask.fm/Naylalala00 Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!