Notas iniciais
POV Draco Malfoy.
Terceiro ano de Hogwarts.
— O meu pai falou que eu vou poder ficar com a cabeça do hipogrifo. – Murmurei, desdenhoso, observando as expressões surpresas de Crabbe e Goyle. – E eu vou pendura-la bem em cima da minha cama! – Completei, arrancando algumas gargalhadas daqueles dois brutamontes.
— O que é que você falou, Malfoy?! – Vi uma garota correndo em minha direção, com sua varinha apontada para mim, em claro tom ameaçador.
Hermione Granger, a grifinória mais irritante de todos os tempos.
— Não, não faça isso! – Escutei Potter vociferar, tentando parar a amiga.
Um sorriso debochado surgiu no meu rosto, aquele que eu sei bem como fazer quando quero provoca-la.
Ela me olhava cheia de ódio, um olhar diferente dos outros que ela já havia lançado para mim. Alguns segundos se passaram naquela posição, e eu só conseguia encarar aqueles olhos cor de mel intensamente.
Devagar, a garota abaixou a sua varinha, e virou-se para ir embora, quando um riso involuntário escapou da minha garganta. No instante seguinte, num ato breve, senti um soco atingir em cheio o meu nariz, que imediatamente começou a sangrar.
— Draco, Draco, está tudo bem? – Escutei a voz de Goyle.
— Vamos para a enfermaria! – Crabbe falou.
As minhas mãos cobriam o meu nariz, e uma dor lancinante começou a se acumular ali.
— Me deixem! Vão embora! – Gritei, me afastando daqueles idiotas.
Corri para perto do lago, e me sentei embaixo de uma árvore cheia de flores, a que mais se distanciava dos outros alunos de Hogwarts.
Tirei lentamente a mão do meu nariz, limpando com calma o sangue que insistia em sair, e por um momento, permiti que algumas lágrimas caíssem dos meus olhos.
Era tão difícil manter a fama de puro-sangue intolerante que a minha família tinha, aquilo me consumia por completo. Eu sentia que a cada dia que passava, eu perdia um pouco da minha verdadeira essência naquele papel ridículo que foi imposto a mim.
A vida tinha um jeito diferente de me mostrar o quão errado eu estava, e o quanto as minhas atitudes machucavam as outras pessoas.
Algo que eu nunca imaginei que pudesse acontecer, aconteceu logo no meu primeiro dia em Hogwarts. Eu me apaixonei por uma nascida trouxa, e agora eu tinha que conviver com isso.
Eu tentava me desvencilhar desse sentimento, tratando-a mal, xingando-a sempre que podia, mas aquilo me machucava tanto depois, que se tornou o meu maior sofrimento.
Hermione, eu amo você.
Quando eu comecei a te amar, eu não sei direito, perdi o momento exato em que esse sentimento se aflorou no meio de tantos outros momentos seus que enchem a minha mente e que dominam o meu pensamento todos os dias.
A única certeza que tenho, é que por ironia do destino, é você que tem o meu coração por completo, e de alguma forma eu tenho esperanças de que você descubra isso nos momentos em que te provoco.
Eu sei que as minhas atitudes estão te machucando, mas acredite, isso está me matando.
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