I knew right then, you'd be mine
1 We'd be dancing the whole damn night
Notas iniciais
Estinfália era o código.
— Beija! Beija! Beija!
A multidão gritava. Ok, não eram tantas pessoas, apenas os amigos mais próximos, solteiros ou casais, todos esperaram o ano todo para repetir a tradição: o beijo debaixo do visco.
Ele estava em negação, ela, tímida. Queriam tanto que aquilo acabasse logo que fecharam os olhos bem apertados e se moveram para frente. No começo foi estranho, mas depois de alguns segundos eles se acostumaram com a sensação.
Era como se aquecer sem ter uma lareira por perto, isso porque havia algo verdadeiro ali.
Alguns momentos antes
— Ayo, Travis! Travis! — Connor já estava praticamente rouco.
Travis estava dançando com algumas filhas de Afrodite oferecidas, se bem que ele gostava também. Herdou isso do pai, duh! Mas a maioria estava se divertindo com as luzes, a neve, a música e o encanto que o Natal traz.
Alguns sátiros corriam por entre a floresta, brincando de pega-pega com as ninfas, que se transformavam em árvores quando eles conseguiam as alcançar, elas nunca se cansariam daquilo.
Treinador Hedge estava brincando com seu filhote enquanto Mellie ria bobamente. Grover estava contando alguma coisa, romântica talvez, no ouvido de Juníper porque ela não parava de corar. Não se engane, quando você escutar que uma ninfa da floresta está corando, ela não está com as faces rosadas, o tom esverdeado da pele se intensifica. Honestamente, não é compreensível como eles acham aquilo atraente, mas...
Percy estava no lago, comendo waffles azuis com Annabeth. Chris estava mais afastado com Clarisse, provavelmente ela estava com vergonha de ficar demonstrando todo aquele carinho na frente de tantas pessoas. Jason voava, que nem o Superman, segurando Piper pela cintura, enquanto ela gritava ao escutar trovões que ele convocava somente para assustá-la. Leo estava mostrando alguma coisa de metal a Calipso. Foi realmente a maior missão da vida dele resgatá-la daquele lugar solitário que era Ogígia.
Frank e Hazel acabavam de chegar no CHB com a ajuda de Arion, e Reyna e Octavian vinham no novo pégaso dela, Cipião II. Dakota e Gwen faziam anjos na neve e, por incrível que pareça, Nico estava sorrindo junto com Rachel. Eles definitivamente pareciam combinar, até mesmo quem viu pela primeira vez achou o mesmo.
Alguns outros campistas, romanos e gregos, brincavam e riam, jogavam bolas de neve. Tudo estava em paz. A fogueira de Hécate não lançava nenhum calor, somente brilhava com toda aquela animação. E, como sempre, isolada pelos cantos, estava Katie Gardner. Até sua irmã, Miranda, estava se divertindo com os filhos de Apolo e Ares.
Deuses, eles faziam competição até no Natal. No Natal! Katie decidiu sair dali de perto justamente quando Quíron trotava para perto do visco, chamando todos os que fossem bravos o suficiente para expressarem seus sentimentos ali. Vários começaram a formar uma fila indiana.
A cara de "WTF?" de Travis foi tão hilária que as filhas de Afrodite riram dele e partiram em direção ao grupo. Ele, mal-humorado foi batendo os pés, chutando neve.
— E aí, vai falar com a jardineira? — Esse foi Connor.
— Nem que Tânatos me levasse para o Submundo me e trouxesse de volta! — Miranda parou ao lado deles quando Travis parou de falar.
— Fico pensando quem vai me acompanhar até debaixo da árvore — os olhos dela brilharam ao olhar para Connor — Vamos, os outros podem esperar. E puxou a garoto consigo.
— Espere, espere, Miranda! E os pássaros?
— Que pássaros? — Travis se meteu.
— ESTINFÁLIA! — Miranda usou seu poder para que sua voz se propagasse por todo o Acampamento com ajuda das árvores e plantas. Todos já sabiam do que se tratava. Todos queriam que aqueles dois se resolvessem logo.
Sons metálicos começaram a ser ouvidos, ninguém falava nada, a não ser por Katie Gardner, que vinha correndo, as mãos enluvadas para frente do corpo como se quisesse agarrar o invisível. Seu protetor de orelha estava enganchado no capuz do casaco e seus cabelos estavam um pouco assanhados.
— Socorro! Di Immortales! Pássaros de Estinfália! Braccas Meas Vescimini!— ela gritava, lançando várias outras maldições em grego antigo.
Travis estava rindo com braços cruzados na barriga. Katie o avistou e gritou, indo na direção dele:
— Eu vou te matar Stoll! Aproveite seus últimos minutos de vida! — ela já se aproximava mais do visco sem nem perceber.
Para diminuir as chances de ele tentar correr, ela convocou raízes do solo congelado. As mesmas se enrolaram nas pernas dele e na barriga e o levaram na direção dela também.
— Mas eu não fiz nada, sua louca! — ele tentou se defender.
Os pássaros começavam a diminuir a velocidade com que voavam. Algumas das raízes perto da árvore estavam levantadas, como se fossem raízes aéreas e ela, por não ter visto, acabou tropeçando em uma delas.
Caiu bem de cara no chão, o gelo queimando a pele desprotegida. No mesmo instante, as raízes que se enroscaram em Travis voltaram para o subsolo. Um deslize no plano dos campistas.
Os pássaros se voltaram para o Oeste, em direção ao bunker 9. Todos rapidamente se levantaram e ficaram na expectativa, olhando diretamente para Katie e Travis. Miranda dava gargalhadas com Connor, eles tinham alguma coisa ali, sua irmã percebeu.
— Do que estão rindo? Seus inúteis, eu poderia ter morrido!
— Ah, não. Ti sto diáolo!— ele amaldiçoou em grego antigo também.
Katie percebeu o que acontecia. Eles estavam debaixo do visco. Até os sátiros e ninfas observavam atentamente. A garota começava a se levantar para deixar o local e voltar à sua solidão.
— Ah, na-na-na. Você só pode sair debaixo do visco quando beijá-lo. É a tradição e nós não vamos quebrá-la por sua causa, Katie. Anda que tem gente na fila — essa última parte ela falou olhando de soslaio para Connor.
— Miranda! — Katie balbuciou
— Travis! — Miranda o repreendeu para que fizesse alguma coisa.
— O que? Connor! — Travis estendeu a mão para o irmão em busca de algum apoio.
— Katie! Vamos logo com isso, não quero perder a chance com sua irmã! — Connor disse e se arrependeu na mesma hora, enrubescendo e sorrindo de canto de boca.
— Ah, como eu odeio essas tradições estúpidas! Nós nem deveríamos comemorar isso! — Katie reclamou, rolando os olhos.
Os outros continuaram a encará-los, repreendendo-os com o olhar. Eles não tinham o resto da vida para isso.
— Ei, jardineira, isso está sendo tão desagradável para mim quanto para você. Vamos logo acabar com isso e você pode voltar para suas plantas murchas e fedorentas e eu, para as filhas gatas de Afrodite, ok?
O coração dela batia forte. As mãos dele suavam. Mas por que Tártaro aquilo estava acontecendo se eles não se suportavam? Ah, a verdade era que Travis já sentia algo por ela desde que a menina havia chegado ao Acampamento e sempre tentava chateá-la para chamar a atenção dela. Aparentemente não foi uma boa tática, mas ele não sabia o que ela sentia. Katie, por sua vez, o detestou desde o primeiro momento, mas depois passou a observá-lo e percebeu o que ele fazia, só não queria admitir também.
— No três — ele pronunciou.
— Um.
— Beija! Beija! Beija! — o pessoal gritava batendo palmas no ritmo.
— Três!
Katie achou aquilo terrivelmente infantil, ridículo e... maravilhoso!
Por um momento ela não se mexeu. Nem ele. No começo foi estranho, mas depois de alguns segundos eles se acostumaram com a sensação. Era como se aquecer sem ter uma lareira por perto, isso porque havia algo verdadeiro ali.
Em seguida, eles foram meio que descongelando. Ele relaxou e colocou uma mão na cintura dela, enquanto a outra pousou no queixo dela. Uma mão dela foi para o peito dele, já a outra seguia para a nuca. Os lábios se moviam num ritmo mais constante e os olhos, antes bem fechados por conta do asco, agora pareciam fechados por sinceridade.
Todos se abraçavam, gritavam e, obviamente, se beijavam, felizes por terem conseguido fazer o plano dar certo. Até Tyson e Ella comemoraram. Ele dando um beijinho na harpia quando um pedacinho de peru que eles dividiam ficam preso entre os cantos da boca. "Tyson gosta muito de Ella", o grandão falou, fazendo a namorada corar.
Travis e Katie se separaram e ele falou no ouvido dela:
— Quer ser meu par pelo resto da noite?
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