I got dosed by you

1 Malditas notícias.


Notas iniciais
Espero que gostem (:

Eu acordava as seis da manhã todos os dias com um motivo especial para ir pra escola. Mesmo com toda a dificuldade que eu tinha as vezes só de levantar da cama, o Gabe me dava força pra ir em frente.

Eu era perdidamente, loucamente, freneticamente apaixonada pelo Gabe. E eu não o amava pelo simples fato dele respeitar o meu câncer, ou pelo simples fato dele me dizer que eu estava bonita todas as vezes que me via. Eu o amava pelo simples fato de ele conseguir fazer eu me sentir uma pessoa especial mesmo tendo uma doença que detona com a autoestima de alguém. E eu o amava por mais mil motivos que são inexplicáveis.

Por mais que eu não fosse sortuda por ter uma doença como a leucemia, eu sempre dizia que eu era sortuda por ter meus melhores amigos por perto. A Bella era minha melhor amiga a quatro anos e Peter a três. Nós eramos basicamente inseparáveis e eles me apoiavam em basicamente tudo. O Gabe era duas turmas na minha frente, por mais que fosse só um ano mais velho. O que significa que daqui a três meses ele estaria na faculdade e eu a um ano de me formar. Eu não via a hora de sair da escola e ir pra faculdade, porque pra uma pessoa que tem leucemia não é fácil subir e descer escadas como uma pessoa saudável.
-Britt! Eu estava na sala do diretor agora pouco!-Bella disse.
-Qual foi a besteira que você fez???
-Nenhuma. Fui conversar com o diretor sobre botar algumas rampas na escola, pra cadeirantes e pessoas com dificuldades de subir escadas.
-E o que ele disse?
-Que vai ver a possibilidade de por algumas rampas. Odeio aquele velho de merda que só pensa nele!
-Bella ele não tem culpa se a escola tá velha de mais pra fazer alguma reforma.
-Sinto muito, só queria ajudar.
-Ninguém tem culpa de nada e vocês são lindas.-Peter se entrometeu como sempre, dando um beijo na bochecha da gente.
-Iiiiiiiiih Peter tá muito animadinho!-Bella disse em um tom bem irônico.
-Acordei de bom humor hoje. Mas e aí bora pra aula?
-Vamos né fazer o que- Bella disse já me ajudando a levantar do banco e jogando minha mochila pro Peter.
Eu era extremamente grata por eles me ajudarem, mas as vezes eu só queria agir como uma pessoa normal, que não precisa de ajuda pra levantar.

Depois que o último sinal tocou, eu, Bella e Peter pegamos o ônibus pra casa. Nós morávamos perto, por isso eles sempre me levavam em casa. Quando cheguei em casa minha mãe estava no telefone, bem aflita. Depois que ela desligou eu perguntei:
-Ei mãe, está tudo bem?
-Oi minha filha, como foi na escola hoje?
-Foi tudo bem. Quem era no telefone?
-O Dr. Patrick.-Minha mãe disse nervosa.
Dr. Patrick era o meu médico, e quando ele ligava ou era pra dar uma notícia muito boa ou péssima, por isso minha mãe sempre ficava ansiosa quando ele ligava.
-E ele tem alguma notícia?
-Filha, parece que seu quadro agravou e ele não conseguiu nenhum doador. Eu sinto muito.- Minha mãe sempre chorava quando se tratava do meu câncer.
-Tudo bem mãe, ele vai dar um jeito, ele é um excelente médico. Quando o papai chegar a senhora conversa com ele pra decidirem o que fazer tudo bem?
-Ok.-Ela disse enxugando as lágrimas.- Gabe vem aqui hoje?
-Acho que sim, a gente não conseguiu se ver na escola hoje.
-Tudo bem, qualquer coisa me avisa, estarei aqui em baixo.
-Ok.

Dizer que eu estava feliz seria uma grande mentira. Quando você recebe a notícia de que talvez a sua morte esteja se aproximando você não sabe ao certo como reagir, e eu não fazia ideia do que fazer. Então liguei pro Gabe e pedi pra ele vir para minha casa, e ele disse que já estava a caminho antes de eu ligar. Em seguida liguei pra Bella e pro Peter pelo Skype. Contei a novidade e eles perguntaram se estava tudo bem, se eu precisava de alguma coisa. Eles claramente estavam mega preocupados, mas eu tive que avisar.
Vinte minutos depois o Gabe chegou, já me abraçando e pedindo desculpas por não ter me visto pois ele estava muito ocupado resolvendo as coisas da faculdade.
-Tudo bem Gabe, não tem problema. Mas a gente precisa conversar.
-Tá tudo bem? Você tá me deixando preocupado. E você está linda hoje.
-Meu quadro agravou e eu não consegui um doador.
-E-eu sinto muito meu amor.
Não sei o porque, mas quando eu estou com o Gabe eu consigo desabafar. E eu estava em prantos quando ele me abraçou.
-Eu vou estar sempre aqui com você, tá bom?
-Eu sinto muito por você ter que ficar com alguém doente.-Eu disse chorando.
-Não fala isso. Eu te amo independente da sua saúde. E eu não vou te deixar.
-Eu te amo.
Quando eu descobri que estava com câncer, a dois anos, eu já estava com o Gabe. E imagino o quão difícil deve ser pra ele ter que ficar com uma pessoa doente, que perde cabelo e precisa de ajuda pra tudo.
Quando o papai chegou, minha mãe chamou a gente pra sala, pra conversa normal que a gente tinha quando alguém tinha uma novidade muito importante. Gabe se despediu e quando descemos o Dr. Patrick estava lá.
-Oi Brittany. Como está se sentindo?
-Fraca e sem muita expectativa de vida.
-Britt! Não fala assim! -Minha mãe disse.
-Brittany eu sei que é difícil pra você, mas nesse momento todos temos que ser forte, porque não será fácil.
-O que faremos agora doutor? -Meu pai perguntou aflito.
-O caso da Brittany não é fácil. Ela não reage mais ao tratamento, logo não adianta fazer a quimio. E não conseguimos um doador compatível.
-Então eu vou ter que esperar até eu morrer? Meu câncer é terminal? — Eu estava extremamente nervosa agora.
-Não Brittany. Não vamos desistir assim. Eu vou continuar procurando por um doador compatível e enquanto isso você vai tomar alguns remédios pra ver se seu corpo reage. Seu câncer não é terminal.
-Obrigada doutor, estou muito agradecida por sua ajuda. — Minha mãe disse.
Logo depois dessa conversa com o Dr. eu subi para dar as notícias pra Bella e pro Peter. Liguei pra eles de novo, e contei tudo o que o Doutor tinha falado.
-Britt, vai ficar tudo bem, confia em mim! — Bella disse, nervosa.
-Conta com a gente Britt. O Gabe já sabe? — Peter perguntou.
-Sabe, ele estava aqui antes da conversa, mas eu vou ligar pra ele depois. Obrigada gente. Eu amo vocês! Vou descansar agora, porque o remédio novo parece sonífero! Beijinhos.
-Beijos.
-Até.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem (: