Fecho a porta atrás de mim e jogo as chaves na bancada. Loki vem correndo na minha direção e começa a se esfregar em minhas pernas, agaixo e pego-o. Faço lhe carinho e depois o coloco no chão novamente. Me arrasto até a sala e desabo no sofá, olho para o relógio. São 19:40pm.

Ultimamente os dias têem sido muito puxados, acordo muito cedo e volto tarde para gravar. Mas já haviam três dias que não postava nada e não podia fazer isso com meus amados daoras. São eles o motivo de eu passar por tudo isso, por isso não ligo de gravar até às 3 da manhã. Mas se fosse editar… Agradeço muito por ter o Ricardo comigo.

Caramba! Tinha esquecido que ele chega hoje! Tenho de arrumar a casa antes disso. AAAAAAAAAAAAAH, acho que ele consegue aturar uma casa meio bagunçada. — dou uma rápida olhada pelo lugar e noto que tem roupas e coisas jogadas por todo canto. — Ok, talvez eu devesse dar pelo menos uma arrumadinha básica.

Levanto pesadamente e começo a recolher as roupas que joguei encima da TV antes de sair de manhã. Afinal, por que diabos eu joguei isso aqui? Sério, de tantos lugares possíveis para jogar uma calça, por que logo encima da TV? Qual o meu problema?

Meus xingamentos mentais são interrompidos pelo som do What’s up.

Amor,

Vou me atrasar. Tive de ficar aqui para terminar uns roteiros e vou desligar o celular para que nada me atrapalhe.

Desculpe, quando chegar eu te recompenso de alguma forma. Cuide bem do Ricardo enquanto eu estiver fora, viu?

Beijos, amo você.

Aposto que foi o babaca do Felipe que prendeu ela lá. Tenho de lembrar de xingá-lo amanhã.

Tudo bem, mas só porque sou um cara muito legal.

Ok, ele vai chegar daqui a pouco. Queria que estivesse aqui comigo para recebê-lo, mas acho que vou aprontar uma com ele ao invés disso.

Boa sorte amor e se perceber que vai terminar muito tarde, deixe isso aí e venha para casa, Felipe que se dane. É muito perigoso ficar andando por aí muito tarde.

Eu te amo e já estou com saudades, Thor e o Loki também.

Beijos minha princesa, eu te amo.

Droga! — mordo o lábio e volto a arrumar as coisas — Mariana e eu mal temos passado tempo juntos. Quando chegamos do trabalho nós já caímos na cama de tão cansados que ficamos. Estou com medo de estar perdendo ela aos poucos…

Passados vinte minutos, decido que a casa está razoávelmente arrumada e então me preparo para a minha trollagem com o Ricardo. Visto uma roupa toda preta e acho uma máscara escondida nos confins do meu ármario. Envio-lhe a seguinte mensagem:

Ricardo,

Tive de dar um pulo rápido no mercado, então creio que não estarei em casa para te receber. Deixei uma chave escondida no muro, ache-a e me espere dentro de casa. Volto logo.

Ele me responde em seguida:

Ok, estou à dez minutos daí. Te vejo logo.

Tirei as lampadas da casa, menos a da entrada. Não queria ser revelado por causa das luzes. Coloquei um bilhete na bancada:

Como pode perceber, as lampadas da casa queimaram todas (nem me pergunte como)

Estou indo no mercado comprar mais.

Deitei atrás do sofá e esperei ele chegar. Mais ou menos, cinco minutos depois, ele chegou. Acendeu a luz da entrada e me chamou.

“Damiani? Você já chegou?”

Ouvi o barulho do papel, então imaginei que ele estava lendo o bilhete. Ouvi os passos dele se aproximando. Ele jogou as malas no chão e deitou no sofá da mesma forma que eu havia feito alguns momentos atrás. Levantei devagar, evitando qualquer tipo de barulho. Peguei folego e gritei o mais alto que pude.

Ele deu um salto com o susto.

“FILHO DA PUTA!!!! QUER ME MATAR???!!!!!!”

“HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, VOCÊ TINHA DE VER SUA CARA!!”

“Caralho mano, isso não se faz. Eu quase desmaiei.”

“Sério? HAHAHAHAHAAHAHA”

“Para de rir seu imbecil!” Ele me deu um soco forte no estomago, mas estava rindo tanto que nem liguei muito. Me joguei no sofá junto com ele.

“Idiota!”

“Relaxa ‘Rikzinho’. Já passou HAHAHA”

“Eu devia te matar por isso.”

“Hahahahaha ai ai, essa foi a melhor trollada do século!”

“Babaca!!”

“HAHAHA, ok, vou por as lampadas de volta”

“Você que as tirou? SEU PSICOPATA!”

“Claro, qual seria a graça se você me visse atrás do sofá?” Levantei e coloquei uma por uma das lampadas enquanto o Ricardo se recuperava.

Colocadas todas novamente, voltei ao sofá com ele.

“Mas e aí, como foi a viagem?”

“Foi boa, tirando o final quando um babaca me assustou.”

“Ainda está bravo? Esquece isso.”

“Só quando você pedir desculpas!”

“Ah, mocinha. Tá! Desculpa.”

“Acho bom. Mas ainda vou ter minha vingança.”

“Ha ha, pode tentar.”

“E então, cadê a Mari?”

“Ela teve de ficar no trabalho para terminar uns roteiros. Felipe Neto, né. Você sabe com ele pode ser um pé no saco às vezes.”

“Sei sim… E então, o que faremos até ela chegar?”

“Pensei em pedir umas pizzas e ver uns filmes ou jogar videogame. O que acha?”

“Gostei da ideia. Vemos um filme de terror bobo e depois jogamos.”

“Ok, vou ligar pra pizzaria e você escolhe um filme.”

“Ok.”

E foi o que fizemos. Comemos vendo um filme sem graça chamado ‘Sobrenatural’ onde o maior “inimigo” era um cosplay de pimenta humano. Notei que o Ricardo ficava me olhando o tempo todo, e quando eu olhava de volta, ele desviava o olhar. Posso não ser um gênio, sábio de todas as linguagens corporais, mas aquilo sem dúvidas indicava que ele queria me dizer algo, ou falar algo. OU ME PEGAR! Ri comigo mesmo imaginando a situação. Mas, por algum motivo, eu sentia que uma minuscula parte de mim torcia para que fosse essa…

Depois, jogamos até às 00:30. Ele continuava a me olhar esporadicamente.

“Cara, eu estou morto da viagem.”

“E eu do trabalho. Era para eu ter gravado hoje, mas preferi deixar para amanhã e fazer essa sacanagem com você. Então, você quer ir dormir?”

“Devia ter gravado ao invés de fazer essa idiotice.”

“Mas confesse que foi engraçado.”

“Tá, até que foi.”

“Haha, então, vou trazer as coisas para você dormir. Você pode ir tomar um banho se quiser.”

“Ok, obrigado.”

Ricardo foi ao banheiro e tomou banho. Quando ele voltou, já havia arrumado o sofá para que ele dormisse.

“Você não precisava ter arrumado, mas agradeço.”

“Não foi nada. É… Ricardo… Posso te fazer uma pergunta?”

“Claro, manda aê.”

“Por que você ficou me olhando?”

“Te olhando?”

“É, durante todo o tempo, notei que você não parava de me observar.”

“Ué, só estava observando suas reações. Não pode?”

“Pode, é que… Nada.”

“É que..?”

“Nada, besteira da minha cabeça.”

“Fala logo, Guilherme.”

“Eu achei que… Talvez, pelos olhares e tudo mais… Estivesse.. afim de mim?” Minha voz falhou ao falar as três ultimas palavras.

“Eu? Afim de você? Você está passando bem?”

“Falei que era besteira. Esquece isso.”

“De boa.”

“Então, vou deixar você dormir. Boa noite.”

“Boa noite.”

Me senti um completo babaca e homossexual aquela hora, mas foi o que me pareceu… Deitei na cama e peguei no sono quase que instantaneamente.

Fui acordado com a sensação de que algo estava pressionando meus lábios. Pensei que era a Mariana que havia acabado de chegar. Correspondi ao beijo, mas não abri os olhos. O beijo parou alguns segundos depois e ouvi um sussuro no meu ouvido:

Eu nunca disse que não estava.

Abri os olhos imediatamente. Era a voz do Ricardo. O RICARDO! Ele tinha me beijado???? O vi sair do quarto sorrateiramente.

“RICARDO!” Gritei. Ele não me respondeu, obviamente.

Levantei e fui até a sala. Ele estava se deitando.

“O que foi isso?”

“Isso o quê?”

“Não se faça de burro! Você.. você me beijou!”

“Eu? Você está se sentindo bem? Por que eu te beijaria? Afinal, você é um homem.”

“Eu é que sei! Mas alguém me beijou, e aparentemente, a Mariana não está nesse lugar e o Thor ou o Loki não sabem falar.”

“Falar?”

“Não importa. Foi você. Por quê?”

“Ah… Damiani, senta aqui.” Disse ele apontando para o sofá.

“Me explica que porra foi essa!”

“Senta logo caralho.”

Me sentei por alguma razão ainda desconhecida.

“Olha… Já tem algum tempo que venho querendo te dizer algo…”

“Dizer o quê?”

“Que eu te amo.”

“Me ama? Como pode me amar?”

“Amando, ué.”

“Mas…”

“Na verdade, desde que te conheci eu quero ficar com você. Eu me apaixonei pelo seu jeito, seu modo de pensar e tudo em você. Até seu nariz gigante.”

“Ei, meu nariz não é gigante… Mas… Por que nunca me disse nada?”

“Porque você tem a Mari. Você tem sua vida. Eu não poderia me intrometer nisso.”

“Então porque decidiu me beijar?”

“Porque eu não consegui me conter. Eu simplesmente precisei fazê-lo. E já que a Mari não estava aqui e você estava dormindo, imaginei que nunca teria outra chance dessas.”

“Mas…”

“Olha, eu sei que isso não vai levar em nada. E você não gosta de mim, eu sei. Eu só precisava fazer isso para tentar te esquecer.”

“E como me beijar vai ajudar você a me esquecer?”

“Porque pelo menos eu teria a satisfação de ter tocado seus lábios ao menos uma vez. Mesmo que contra sua vontade.”

“Mas… Quem disse… que foi contra minha vontade?” O que estou dizendo?

Ricardo me olhava com uma expressão de surpresa.

“Mas, você não ama a Mari?”

“Eu a amo, a amo de todo o meu coração. Mas… acho que também sinto algo forte por você…”

“Por isso correspondeu o beijo?”

“Não, eu achei que era ela.”

“Ah, entendo. Me desculpa por isso..”

“Mas isso é sabendo que é você..” Eu o beijei. O empurrei contra o sofá e o beijei. O que diabos eu estava fazendo? Já não tinha bom senso algum em mim. Eu apenas estava vivendo o momento.

Interrompo o beijo assim que percebi que aquilo ia acabar levando a algo. Levanto e me afasto.

“Me desculpa.” Digo.

“Não… Eu que te peço desculpas.”

“É melhor… Nós irmos dormir… Me desculpa por isso.” Digo e caminho quase correndo de volta para o quarto e me jogo na cama. Me afundo nos cobertores e me cubro por inteiro.

Minha cabeça estava girando. Não tinha ideia do que acabara de acontecer. Só tinha uma certeza: Nada de dormir aquela noite.

Notas finais
Tentei, TENTEI escrever uma fanfic sobre o Damiani.. É, parece que não deu muito certo. AHAHAHAHA
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.