I can't live without you

3 Descobertas sobre o passado


Assim que eu e o Armin saímos da escola dirigimo-nos à casa dele. O seu avô tinha que ir fazer umas coisas e tinha uma consulta, e disse que ainda ia demorar cerca de três horas a voltar.

_Então Eren, o que se passa para vires a minha casa assim tão de repente? – enquanto caminhava-mos ele virou-se para mim e disse.

_Porque tem que se passar alguma coisa? Não posso querer passar algum tempo com o meu amigo? – olhei numa direção oposta à sua, para uma fonte no parque que estávamos a passar. Eram um parque muito bonito e sempre com bastante gente a passear pelos seus arredores.

_Vamos Eren, eu sei que se passa algo. Tu ou vens a minha casa para jogarmos os jogos que saíram recentemente, ou para fugires da Mikasa, ou então para o mais provável caso desta vez: falar do que te vai nessa cabeça. – ele parou e pôs-se à minha frente impedindo que ambos prosseguíssemos o caminho em direção ao nosso destino.

_Ok! Sim, preciso de desabafar! Agora podemos continuar o nosso caminho? Quanto mais cedo falar contigo mais cedo posso pensar nos meus próximos passos! – contornei-o e segui o meu caminho na direção da sua casa. Hoje ia lá dormir, mas preferia falar disto quando não estivesse ninguém em casa dele.

O Armin é um rapaz da nossa idade. Parece muito normal, mas já passou por muita coisa… Infelizmente, ele perdeu os pais quando ainda era muito novo, tinha ele os seus sete anos. Eles morreram num acidente de viação que ainda causou a morte da condutora do outro veículo e a fratura do tórax ao seu parceiro. Ele agora vive com o seu avô que tem 65 anos e necessita atenção e cuidados médicos, devido ao seu coração.

Continuámos a andar e eventualmente chegámos à casa dele. Era uma casa com o seu exterior branco e no interior tinha paredes brancas na cozinha e no quarto do seu avô, e amarelas no quarto do Armin, bem como na sala.

Assim que entrámos dirigimo-nos para o quarto dele e sentei-me na cama.

_Bem, afinal o que é que tens para me dizer? – ele sentou-se também na cama e colocou uma almofada no seu colo. – O que vai nessa cabeça e que te está a atormentar neste momento, meu caro amigo?

_...Armin, por favor promete que não vais deixar de ser meu amigo pelo que te vou agora contar… — olhei para a cara dele e ele fez um sinal de aprovação com a cabeça. Respirei fundo e falei. – Armin, eu acho…que sinto alguma coisa por um dos miúdos novos… — comecei a sentir o calor subir-me às bochechas e desviei o olhar para evitar o contacto com os do meu amigo.

_Eren, honestamente não acho q a Hanji seja uma boa pessoa para ti. Quer dizer, ela parece fixe, mas para ti, acho que não a aguentavas. E além disso ela tem namorado! – não pude falar. Tudo o que ele disse era verdade, exceto o facto de que não era dela que eu gostava, mas sim de um rapaz (muito atraente), o Rivaille.

_Armin, não é da Hanji que eu gosto… — olhei de novo para ele para ver se encontrava medo ou algo pior…nojo de mim, mas nada disso se mostrava no seu rosto, apenas apoio e incentivo para que eu continuasse. – Eu…acho que eu gosto do…Rivaille…

_Do primo da Mikasa? Do mesmo que a tentou esganar? – ele estava um pouco apreensivo. – Eren, não sei se ele é boa ou má pessoa, mas tens a certeza de que gostas dele?

_Eu não sei! Sinto como se tivesse uma borboletas na barriga e estou sempre a pensar nele! Lembras-te na aula da senhorita Petra? Quando ela me chamou à atenção? – ele moveu a cabeça num sinal de aprovação. – Era nele que eu estava a pensar! – ele olhou para mim como se me tentasse ler, como um livro. Passaram alguns segundos de silêncio, tendo estes sido quebrados pelo Armin.

_Eren…também tenho que te dizer uma coisa, mas acho que não vais gostar muito… — ele também começou a corar um bocado.

_Podes dizer-me, Armin. Podes confiar em mim. E mesmo que não goste, eu vou estar aqui sempre ao teu lado. – disse estas palavras com confiança, apesar de ainda um pouco corado. Ele olhou para mim e moveu-se para uma posição mais confortável do que aquela em que se encontrava.

_Bem…sabes o Jean? – ele estava muito corado. "Claro que sei quem é… Como é que me poderia esquecer daquela cara de cavalo-mal-morto! Mas só não percebo uma coisa… porque é que ele está a ficar corado? Será que tem febre? Espera… não me digas que…" – Eu gosto dele…

_... – eu não disse nada. Não porque ele gostava de um rapaz, até porque apesar dos meus pais serem bastante religiosos, eu não sou muito religioso e além disso também gosto de um rapaz! Mas sim por ser aquele rapaz! Não posso explicar porquê, mas não consigo gostar dele! "

_Eren, por favor diz alguma coisa! – ele estava um pouco desesperado, à espera de uma resposta da minha parte.

_Ok. Fico feliz por ti, Armin. – disse com um pouco de desinteresse a tentar disfarçar a preocupação presente na minha voz. Infelizmente, ele notou.
_Eren, eu sei que não gostas dele, mas também não te peço que te dês bem com ele a 100%! Apenas tenta dar-te um bocado bem com ele, por mim…

_Armin, sabes que vai ser muito difícil…

_Sim, sei, mas também sei que tu consegues. E quanto ao Rivaille…acho que vocês até ficavam bem juntos, apesar dos feitios diferentes… — ele riu suavemente e eu também o fiz. – Mas as pessoas dizem que os opostos se atraem, pode ser que este seja o caso!

_Assim espero… — suspirei e pus-me a pensar durante uns segundos. – Armin, o que achas que deva fazer agora? – ele levantou a cabeça na minha direção e começou também a pensar.

_Humm… tu agora precisas de te aproximar dele e de saberes mais coisas sobre ele para veres o que têm em comum. – disse com convicção como se estivesse a falar para si mesmo. "Acho que também vai fazer isso com o Jean. Não queria mesmo que eles os dois andassem juntos, mas o Armin merece ser feliz depois de tudo pelo que já passou no passado. " – Depois de teres a certeza de que o que sentes não é só atração física, talvez possas avançar e tentar entrar no seu círculo de amigos mais íntimos.

_Sim, acho que é isso que eu vou fazer. Obrigada Armin! Como sempre salvaste-me! – lancei a almofada para o lado e atirei-me para cima dele abraçando-o com todas as minhas forças. Ele acabou por corresponder ao meu abraço.

Deixámo-nos ficar um pouco naquele abraço até que o meu telemóvel tocou. Pouca gente tinha o meu contacto: os meus pais, o Armin e a Mikasa eram os únicos que me ligavam. "Mas quem será? Os meus pais sabem que estou em casa do Armin, logo não são eles, e o Armin está à minha frente…A não ser… que este não seja o verdadeiro Armin e seja um ET que raptou o meu melhor amigo! Já vais ver ET estúpido! "
_É a Hanji-sempai! O que será que ela quer? – disse, entregando-me o telemóvel.

_Ah…Esqueci-me que também lhe tinha dado o meu número... "Raptado por um ET…nunca vou superar o Chicken Little…"

_Estou? Hanji-san? – atendi o telefone e uma voz muito animada falou do outro lado.

_Olá Eren! Tudo bem? Olha, eu vou dar uma festa pequena, e estamos aqui a decidir quem é que vem e quem não vem, para vermos se podemos chamar mais alguém. Queres vir?

_Não sei se os meus pais me deixarão. Quando é que vai ser? "NÓS estamos a preparar… foram essas as palavras dela… quem mais pode lá estar? "

_A festa é amanhã à noite. Podes aparecer a partir das 7 da tarde, e acaba quando já não houver ninguém que aqui esteja. A morada eu depois envio-ta por mensagem, juntamente com a palavra de código para puderes entrar. Sabes de mais alguém que possa vir?

_Bem, eu estou com o Armin neste momento, posso perguntar-lhe. Além disso, provavelmente se eu for a Mikasa também vai. – houve um pouco de silêncio, mas não durou muito (infelizmente) até que voltasse a ouvir a voz animada da Hanji.

_Bem, por mim tudo bem, mas não me responsabilizem pelo ambiente criado. – ouvi risos do outro lado. Um deles parecia o do namorado dela, Erwin, e o outro o dela própria.

_...Vou falar com os meus pais e ver o que se pode fazer. "Agora é a minha chance! " Hanji-san, quem mais é que já está confirmada para a festa?

_Olha, da nossa turma está pouca gente confirmada. Estão o Reiner e o Berthroldt, o Marco e também a Christa e a Ymir. Estão confirmadas mais quatro pessoas para além deles, e claro, sem contar connosco, organizadores.

_Ok, eu ligo-te já com a resposta. E se é que posso perguntar, quem é que te está a ajudar a fazer a festa, Hanji-san?

_Hum? Para além de mim está o Erwin e o Levi, porque perguntas?

_Por nada, apenas para saber com quem contar na festa. "Não queria encontrar aquele cara de cavalo, mas queria encontrar o Rivaille. Porque será que ele não vai à festa se a Hanji e o Erwin parecem ser tão amigos dele? " Então resumindo, da nossa turma vão de certeza os seguintes : Reiner, Berthroldt, Marco, Christa, Ymir, tu e o Erwin, certo?

_Sim, mas estás a esquecer-te do outro organizador. O Levi também existe, certo?

_Sim, mas ele é da nossa turma? De certeza? – do outro lado ouvi uma voz a falar. "Parece-me a voz do Rivaille, mas será que estou enganado? Será que a minha mente já me prega partidas? " do outro lado pareceu-me perceber o seguinte: Ele não me conhece por esse nome, estúpida quatro-olhos. De volta ao telemóvel, a Hanji-san falou.

_Esqueci-me que tu não o conheces por Levi. – "De quem é que ela está a falar?!?! " – Tu conhece-lo como Rivaille. Já sabes quem é o dito cujo?

_S-Sim, já sei…Hanji-san, pede-lhe desculpa por não ter reconhecido… — do meu lado da linha comecei a corar de novo, de tal modo que, segundo o Armin (que pegou num tomate que estava no frigorífico) era da cor que eu estava.

_Porque é que não o fazes tu agora? Ele está aqui e a ouvir. Eu vou passar-lhe o telemóvel. — "Não, por favor! "

– Hey idiota. – a voz dele era grossa, áspera e segura. – Queres explicar como é que não associaste quem era? Sendo que muito pouca gente anda com uma estúpida quatro-olhos de merda…e infelizmente eu sou um deles… — ele parecia não gostar mesmo nada de estar ao pé dela, ou sequer de serem amigos.

_E-Eu apenas não consegui associar porque não a conheço há muito tempo…
_De qualquer das maneiras, amanhã vens à festa ou não? Precisamos de saber já a resposta.

_... — "Vamos, com calma. Agora diz-lhe que tens que perguntar aos teus pais e que já lhe voltas a ligar. " Eu-

_Levi, dá-me o telemóvel, já está a ficar sem bateria e não trouxe o carregador. E ainda tenho que ligar à minha mãe.

_Então usa o do Erwin! Porque é que tens as tuas mãos sujas no meu telemóvel LIMPO? — eles continuavam a falar e eu apenas os podia ouvir.

_Espe- Hey, Hanji! – parece que lhe tirou o telemóvel à força…

_Eren, eu já te ligo, mas está atento porque te vou ligar de outro número! Até já! – e desligou.

_Mas o que raio se passou aqui? – pensei para comigo. O Armin aproximou-se e perguntou-me o que acontecera, ao qual eu respondi contando-lhe a história. Nesse tempo que me restava liguei aos meus pais que disseram que podia ir e também à Mikasa, a qual recusou se eu quisesse que não houvessem problemas entre ela e o Rivaille. "Porque será que ela lhe chama Levi? "

Não tive tempo para pensar nisso, pois recebi uma chamada. O Armin disse para colocar em altifalante, e foi o que fiz.

_Sim? Hanji-san? – perguntei à pessoa que se encontrava do outro lado da linha.

_Não, não é essa estúpida, ela está ocupada a cuidar das feridas que tem. – ele não parecia minimamente preocupado, soando até mesmo um pouco feliz com esse facto.

_Ah, Rivaille, o que é que lhe aconteceu? – a curiosidade foi mais forte do que eu.

_Hum? Ah, as feridas. Não te preocupes, infelizmente elas saram. Era melhor que isso não acontecesse. Apesar de que assim já tinha ido para a prisão em muito pouco tempo… Bom, de qualquer das formas, qual é que é a tua resposta? E também, não precisas de me chamar Rivaille, Levi é mais fácil.

_Huh? Oh, sim…por causa da festa… é por isso que estavas a ligar… desculpa, perdi-me nos meus pensamentos. Eu e o Armin vamos à festa, mas a Mikasa não vai…

_Ok, obrigada por nos ajudares já a poupar-nos tempo e uma guerra com a minha prima… Sabes a que horas é que vocês aparecem por cá?

_Talvez por volta das 8 da tarde. Vamos já almoçados ou temos direito a comida e bebida? – disse num tom de brincadeira.

_Nop, n precisas de comer nada antes. Aliás, não comas nada antes! Ela comprou montes de comida, e não sabe o que fazer com tanta comida. E a bebida também está garantida, quer com ou sem álcool, maioritariamente escolhidas por mim.

_Ok, então lá estaremos amanhã. – disse fazendo intensões de desligar em seguida.

_Espera! Olha, a Hanji disse que não tinha bateria nem o carregador do telemóvel, e o Erwin também não o tem cá, portanto grava o meu número ou memoriza-o porque a localização da festa vai ser enviada do meu telemóvel.

_O-Ok. Obrigada, Ri- não, Levi. – de novo subiu-me a temperatura nas bochechas.

_De nada, e obrigada nós, ou melhor, a Hanji, porque foi ideia dela fazer isto, apesar de só ter convidado cerca de 15 pessoas, e todas elas deram a certeza. Sim, porque eu não queria a minha prima aqui a estragar a diversão…

_Afinal porque é que ela te odeia tanto? Eu sei que ela é fria, mas tu também me pareces ser…

_Sim, nisso somos iguais. O problema foi por causa de uma rapariga, se queres que te seja sincero. Ela gostava de mim, e era a melhor amiga da Mikasa. O problema começou quando eu recusei a proposta que a rapariga me fez, de namorar com ela durante uma semana para ver se ela nesse tempo me conseguia deixar apaixonado por ela, a Mikasa começou a dizer que eu era um estúpido e que só sabia fazer merda e que não sabia tratar uma mulher. Bem, ao fim e ao cabo eu também me chateei com ela um bocado porque ela acreditava mais naquela rapariga do que no próprio primo.

_Sim, eu compreendo, mas também tens que compreender que tu quase a esganaste.

_E ela ia-me afogando! Eren, ambos nos íamos matando de vez em quando, mas era basicamente na desportiva! Ela não precisava de reagir assim. Se a queria proteger que fizesse outra merda qualquer, desde que não me envolvesse! Além disso ela não sabe a historia toda!

_Que mais aconteceu, Levi? "Tenho que parar de me deixar levar pela curiosidade! Mas ela nunca falou sobre isto comigo! "

_Bem…eu não aceitei os sentimentos dela porque ela me andava sempre a espiar. Fosse eu onde fosse ela ia atrás de mim. E ainda por cima nunca me deixava sozinho! Mal podia respirar, e nos nem sequer andávamos! Imagina se andássemos!... O pior ainda foi o facto de que a Mikasa gostava dela.

_Huh? A Mikasa gostava dessa rapariga? Mas como assim custar? Só como amiga?

_Não só como amiga, mas também mais do que isso…E esse foi o fator que desencadeou esse ódio que ela tem por mim.

_Eu não sabia…ela…nunca me tinha contado isto… Obrigada, Levi, por falares comigo sobre isto.
_Não há problema. Se quiseres saber mais alguma coisa, amanhã na festa podemos falar.

_Sim, podes ter a certeza de que vou falar contigo! E também não podemos falar por mensagens?

_Eu não costumo falar muito por mensagens, por isso não estranhes se eu não responder. Mas podes falar, se quiseres. – "Até aqui a sua voz soa desinteressada. Esteve assim mesmo quando estava a contar aquela história. Como é que ele pode não mostrar emoção ao contar aquilo? Bom, amanhã vou aproveitar e descobrir um pouco mais sobre ele.
_Ok. Hoje não vou puder falar, mas amanhã na festa falamos. Adeus, Levi.

_Boa noite, Eren.

E assim acabou a chamada.
_Eren, já descobriste muitos factos apenas numa pequena conversa ao telemóvel! – disse o Armin entusiasmado.

_Ai sim? Eu acho que só descobri coisas da Mikasa… — baixei a cabeça. "Porque será que a Mikasa era amiga duma pessoa como esta rapariga? E ainda por cima gostava dela! "

_Não percebeste que adquiriste a informação de que uma rapariga o perseguia ao género ‘Stalker’? Tens aí uma coisa que não deves fazer! Deves aproximar-te dele com cautela e devagar.

_Sim, ok. É isso que vou fazer. Amanhã começa a minha tarefa de fazer com que o Levi se apaixone por mim. Primeiro passo: começar a conhecê-lo melhor e a perceber o que ele gosta e não gosta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.