I can not help it
1 Iwasawa...
Notas iniciais
Já era naquele momento, seis horas da noite. Eu não queria ser pega por algum toque de recolher da Tenshi. Era a última coisa que alguém iria querer.
Enfim, ainda não me apresentei né? Eu me chamo Hisako, sou guitarrista da banda Girls Dead Monster que eu e Iwasawa iniciamos. Hoje ela é composta por mim, na segunda guitarra, Iwasawa com os vocais, primeira guitarra e violão, Sekine no contrabaixo e backvocals e Irie na bateria. Fazemos muito sucesso no colégio e sempre chamamos atenção dos professores bizarros desse lugar. Marionetes podres.
Voltando ao meu percurso, vim por um corredor até o dormitório onde eu e a Iwasawa costumamos repousar. Não há qualquer outro lugar para nós aqui. Não temos pais, responsáveis, nada do tipo. Somos só nós, por nós mesmas e isso era de certa forma, assustador.
Falando no diabo, ao abrir a porta a vi, encostada na parede, movendo o lápis pra lá e pra cá. Pensativa como de costume. Com o tempo fui me acostumando com esse jeito misterioso e com certeza acabei sendo cativada com toda essa bagagem intensa que ela traz.
— Iwasawa, voltei.
— Bem-vinda de volta, Hisako. – Ela sorriu, me olhando. Aquele sorriso extremamente magnífico e que me deixava paralisada.
— Ainda tentando compor a música nova? — Indaguei, levantando uma das sobrancelhas.
— Sim, mas ainda não consegui terminar. – Mirei o olhar na folha em cima da escrivaninha, com alguns versos escritos na folha, com o título ‘Thousand Enemies’, sorri de orgulho desta vez. Iwasawa é uma ótima compositora, além de uma excelente cantora.
A voz dela é belíssima, não há nada que se compare à voz dela, eu nunca vi igual. Eu sempre digo que é como se apaixonar pela primeira vez quando escuto Iwasawa cantar. Tem uma magia que envolve qualquer um.
— Tenha paciência... Você vai conseguir... – Abracei a sua cintura e ela retribuiu, enlaçando o meu tronco. Não era de meu costume ter tanto contato físico, mas senti que necessitava e era o momento para isso.
Encarei-a e ela me olhou curiosa. Sorri divertida, para quebrar o gelo, mas acabei por encarar os seus olhos. Olhos magníficos, outra característica única dela. Eles me trancavam dentro e forçavam a perder-me ali, dentro dos orbes magenta, assim como eu conseguia enxergar a alma dela. Uma alma musical, extremamente poderosa.
Parando pra reparar nela tão diretamente, era estranho e embaraçoso, n o entanto, inevitável notar tamanha beleza que ela possuía. Era pecado dizer que ela não é perfeita, porque de fato, Iwasawa é perfeita. Quem todos os quesitos, porém, admitir isso está me fazendo sentir tão diferente... Iwasawa agora parece assustada e eu sinto meu corpo totalmente estranho, arrepiado.
Por fim, simplesmente não notei essa proximidade. Oh sim, tão perto... A sua respiração quente batendo na minha pele... Tão acelerada... Quente... Perto demais para que eu pudesse pensar direito.
E uma vontade louca de juntar meus lábios nos dela foi crescendo, e assim o fiz, suponho que ela arregalou os olhos, surpresa. Meus olhos já estavam fechados e repentinamente senti o calor dos seus braços envolvendo o meu tronco. Sensações indescritíveis tomaram os corpos nossos, que estavam juntos...
Nossos lábios movendo-se, sincronizados, desfruto dos lábios macios e doces dela. O beijo foi incrível, muito mesmo. Apesar de ser o meu primeiro. Nunca pensei que seria tão bom assim. De qualquer modo, nos mantemos assim por um tempo.
Ao pararmos pra recuperar o fôlego, acabei acariciando os cabelos dela. Eu sentia que meu corpo estava quase levitando, uma grande vontade cresceu em mim de dizer todos os sentimentos que estavam transbordando do meu coração. Medo. Medo de este ser o meu último momento aqui, neste mundo onde eu conheci Iwasawa. Mas quem disse que eu consigo evitar?
— Iwasawa... Eu te amo tanto... — Falei como quem tira quilos das costas, aliviando meu ser.
— Eu também te amo, Hisako... — Ela sussurrou baixinho, voltando a me abraçar.
Ficamos abraçadas, e engraçado, eu não sumi. Em todo o caso, irei ficar mais tempo nos braços dela, sentindo esse calor tão acolhedor.
E... Ela me ama também...
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