I bet my life

7 Capítulo VII: For you...


Notas iniciais
Uoooooooooooooooooh ~ como vcs estão?! o/ ...só isso msm xD Enjoy!

Kise acordou no horário do almoço, abriu os olhos lentamente pelo incomodo da luz do sol.

– Aomine...cchi? _tateou à sua direita, mas o amigo não estava mais lá, no travesseiro um bilhete.

“Fui ao 12º DP prestar prova, vou pedir dispensa logo depois. Não saia de casa e coma tudo que estiver no microondas.

Aomine.”

Admirou sua letra – ou projeto de letra – e riu pelo erro ortográfico ao final da frase. Era para ser a pior noite de sua vida, seguido pelo pior dia; se estivesse sozinho provavelmente não sairia da cama por nada no mundo por vários dias ou então, iria para a faculdade como se nada tivesse acontecido, guardando tudo dentro de si. Felizmente estava ali, sentado na frente da TV com um prato enorme de lasanha nas mãos e batatinhas esperando aquela pessoa chegar. Como não se apaixonar a cada segundo? Ele desejava que o tempo passasse levando consigo as marcas de seu corpo e paralelo a isso que o tempo parasse deixando Aomine Daiki ficar ao seu lado para sempre. Uma indelicada indecisão que deixava seu pensamento em desordem inclinando para uma leva de perguntas aleatórias.

E se Kagami Taiga não existisse? E se o basquete não entrasse em sua vida?

Ele ponderou por alguns minutos e a conclusão era óbvia: tudo o que acontecia agora só era possível pelas coisas do passado. Sabia disso, ainda assim a pequena esperança que se refugiava no fundo do coração veio a tona rasgando-o por dentro, deixando a marca da dor de um amor nunca correspondido.

–-------- + --------------

Taiga releu a mensagem duas vezes antes de digitar a resposta, Daiki não contou exatamente o que aconteceu, mas achou melhor atualizar o namorado com as “novidades”.

– Tiger, tudo bem?

– Ah... s-sim, foi só... ah... um amigo nosso foi assaltado ontem a noite e parece que ficou em estado de choque. O Aomine é policial então foi ajudar.

– Estimo melhoras para o seu amigo _deu um tapinha leve em suas costas _nunca passei por algo assim, mas imagino o quão horrível deve ser.

– Hn _concordou com um aceno.

O camisa dois sorriu e enrolou a ponta de seu longo cabelo de forma distraída, sua delicadeza e o polimento nas palavras inevitavelmente fez com que Taiga se esquecesse de Kise imediatamente e se lembrasse do passado. Segurou o celular com mais força entre os dedos, não era o momento para se deixar cair em nostalgias como aquela.

– V-vamos? Temos treino em poucos minutos.

– Sim. Ah, Tiger, depois podemos comer algo doce, o que acha?

– Tipo...? _começou a caminhada em direção ao estádio.

– Milk Shake de baunilha _disse num tom mais baixo se envergonhando um pouco pela escolha infantil _faz tempo que sinto vontade.

O ruivo parou de chofre fazendo o menor tropeçar.

– Opa, foi mal! Se machucou?

– N-não, eu que estava distraído _se recompôs arrumando novamente o cabelo atrás da orelha _me desculpe. Disse algo errado, Tiger?

– ...hn, não, relaxa. Vamos?! Hoje eu quebro aquele idiota _se referiu ao camisa 03 do time.

O outro riu de forma discreta e seguiu o maior caminhando de forma leve e compassada; Kagami observou de canto os movimentos graciosos o comparando sem querer com uma garota. Como poderia ele jogar basquete como um monstro?

Como poderia aquele outro jogar igualmente como um monstro?

Sua atenção voltou para o celular, mais especificamente para o whatsapp que indicava três mensagens não lidas da pessoa em questão. Precisava conversar com alguém a respeito, tudo em sua cabeça estava confuso.

Depois do treino – e de ter acabado com a graça de seu mais novo rival – descansou o corpo pesado na cama do hotel e rezou para que seus companheiros demorassem horas no bilhar no qual tinham viciado, queria fazer uma ligação importante sem ser interrompido.

– Brother? Hey, what’s up?

– Estou ótimo e você? _a voz rouca veio animada do outro lado _estou só com um começo de gripe.

– Melhoras! Hum... preciso conversar com você _começou sem jeito, se acomodando na cama do melhor jeito possível.

– Pode falar.

– Acho que estou um pouco confuso com aquelas mensagens... você viu que ele mandou várias naquele dia, não é?

– Sim, o Aomine-san sabe disso? _tossiu em seguida pedindo desculpas.

– Não! Daria um problema gigante, não quero que ele saiba.

– E o que está sentindo? Sabe... em relação a tudo isso.

– Confuso! Não que eu esteja gostando dele outra vez, mas acho que isso me abriu uma visão diferente sobre relacionamentos... ahn... estou com medo _confessou.

– Visão...?

Taiga se mudou para o Japão no começo do ano letivo. Foi literalmente jogado numa cultura totalmente diferente: comida, lugares de recreação, pessoas, hábitos. Tudo. Não queria se expor mostrando que estava totalmente assustado com a mudança, quando entrou no novo colégio – tão contrário aos seus costumes em Los Angeles – achou que seria a pior experiência de sua vida. Já tinha ouvido falar que precisavam seguir regras atrás de regras e que estrangeiros sofriam bullying.

Felizmente se enganou logo no primeiro dia de aula, conseguiu uma vaga no time de basquete e mesmo fazendo pose de superior acabou sendo bem recebido. No meio de tantos companheiros acabou ganhando atenção especial daquela pessoa: Kuroko Tetsuya. O menino pequeno e de aparência frágil foi o primeiro a lhe cumprimentar fora da escola, sempre trazia com ele novos assuntos, sorrisos sinceros e polidez na voz. Com toda a paciência do universo convenceu o ruivo a se abrir mais lhe contanto como se sentia no dia a dia, acabaram bons amigos.

Kagami Taiga não soube como agir na presença do pequeno quando se deu conta que estava se apaixonando, o medo de ser excluído de tudo o fez criar uma enorme barreira entre a razão e o coração. Guardou todas as suas angústias para si até conhecer Aomine, o moreno folgado e sem escrúpulos (tão contrário do seu primeiro amor), lhe roubou a atenção logo de início. Não para o lado bom é claro, o detestou em primeira instancia! Porém ao passar do tempo logo ficou indeciso entre luz e sombra. Como podia ser tão volátil?! Queria a companhia de Kuroko e ao mesmo tempo não aguentava a ansiedade de encontrar Aomine.

O que decidiu foi simplesmente saber que Aomine estava afim dele e num golpe de sorte acabaram se beijando após um encontro casual. Depois de algumas semanas juntos de forma definitiva e tentando ao menos deixar sua consciência limpa, contou ao melhor amigo que no começo tinha tido fortes sentimentos por ele. Kuroko não reagiu mal, apenas sorriu e disse que ficava feliz em saber. Ninguém, além de Himuro, chegou a saber de tal segredo e agora, depois de alguns meses sem entrar em contato com Kuroko, ele voltou a lhe mandar mensagens – elas não tinham nenhuma segunda intenção é claro – porém Kagami voltou a pensar no assunto. E se acabasse como antes? Achando que estava realmente apaixonado (e talvez estivesse mesmo!) entretanto acabasse caindo nas graças de outra pessoa. Não diria traição! Isso nunca, mas sim acabar se encantando com outro alguém ao ponto de esquecer o atual namorado.

Afinal o que era uma relação duradoura? O que era amor para a vida toda? E mais, ele não se via desistindo de nada por Aomine... e se nunca mais voltasse ao Japão?

– Bom Taiga... sempre te apoiei em tudo, sabe disso. Se acha melhor partir para outra, basta terminar o que começou.

– Oe! Não é tão simples assim, não estou gostando de outra pessoa _jogou o travesseiro para o lado acertando um Himuro imaginário.

– Não é o que parece, está me contanto que voltou a pensar sobre o assunto, então com certeza alguma coisa não condiz com sua relação atual.

– ...já disse que só estou com medo. Sabe... o que é passar o resto de sua vida com alguém?

– Talvez você não esteja pronto para uma relação de verdade, só isso. Ah, obrigado Atsushi-kun _murmurou aceitando a xícara de chá.

– Atsushi?

– Hum, ele veio me trazer remédios. Mas enfim, minha conclusão é que você não está pronto para o que está imaginando ser o futuro. Casar, construir uma família, morar num lugar só seu... sabe? Essas coisas.

– ...ainda sou jovem _se justificou ao pensar por alguns segundos.

– Se é o que pensa... o que o Daiki acha disso?

– Disse que a primeira coisa a fazer será comprar um apartamento e arrumar um lugar fixo na delegacia... e que está me esperando voltar. Quando ouvi isso acabei... sei lá, ficando meio afoito com a ideia. Eu ainda quero viajar, conhecer novos lugares, pessoas...

– Pense com calma sobre o que eu disse. Agora preciso realmente ir, minha febre está voltando. Prometo que te ligo mais tarde.

– Ce-certo! Obrigado Tatsuya e melhoras. Me desculpe por te encher com isso.

– É sempre um prazer poder te ajudar, sabe que é meu irmão _sorriu _até mais.

– Até... _ desligou.

Taiga afundou a cabeça no travesseiro e se cobriu, queria morrer.

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– Kise? _o moreno adentrou o hall deixando os sapatos na entrada como de costume, como não viu o mesmo deitadinho no colchão como era de se esperar imediatamente começou com o estardalhaço _Kise?! Kise!

– Aah, estou aqui! _veio correndo pelo corredor, assustado _o que foi?

– Nada, era só pra te zuar mesmo _mostrou todos os dentes num sorriso enorme.

Ba-baka!

Seu rosto ficou vermelho e ele cobriu os olhos com as mãos, saiu realmente afobado do quarto para acudir o amigo e caiu em sua pegadinha. Daiki viu a cena de desenrolar lentamente, o gesto de Kise pareceu tão meigo – não conseguiu outra palavra para descrever! – e, junto com sua condição frágil, fez o moreno reagir de forma inesperada para ambos: ele se aproximou segurando gentilmente o rosto de Kise e beijou a lateral de sua testa; não pode refrear a imensa vontade daquele gesto simples.

Eles se afastaram rapidamente, em silencio, num gesto desajeitado.

Nascemos na mesma época e nos encontramos

Para testar o amor de cada um

Eu ainda lembro, no amanhã sem respostas

O dia a dia em que procurávamos pelos sonhos

Mais uma vez, diante do céu grande e infinito,

perguntando o significado de termos nascido

O significado de vivermos agora

– ...foi mal, só estava tentando te animar. Sei que está passando por um momento difícil _se justificou como pode, não precisou afinal, o sorriso do amigo dizia que estava tudo bem.

– Obrigado... mesmo, não sei o que faria sem você aqui _abaixou a cabeça _e isso foi porque é o Aominecchi, se fosse outra pessoa eu teria ficado realmente incomodado.

– Deve ser difícil ficar sozinho o tempo todo _disse mais para si mesmo do que para o amigo a sua frente _como ficará na semana que vem?

– ...sozinho _abriu um sorriso tímido tentando achar graça na sua própria piada _não se preocupe, vão pegar os culpados logo e então poderei voltar a trabalhar.Tudo irá voltar ao normal.

Daiki respirou fundo e pensou por um segundo ou dois.

– Amanhã tem que ir comigo para prestar um novo depoimento, talvez reconhecer os suspeitos.

– Ok _murmurou.

– Certo... certo, agora vamos comer! Ainda está cedo para o jantar, mas podemos comer um lanche e ver filmes. O que acha?

Kise abriu um sorriso que Aomine não achou que veria tão cedo, ficou orgulhoso de si mesmo ao perceber que tinha feito um bom trabalho ao tentar animá-lo. Com certeza pegariam os meliantes e a justiça seria feita; não os deixaria sair impune por nada naquele mundo.

– Eu prometo.

– Hum? Disse alguma coisa?

Aomine negou com um aceno, o loiro disse que iria finalmente tomar seu banho e o deixou sozinho na sala. Sozinho com sua consciência lhe dando pequenos cutucões: depois Taiga tinha ciúmes e Daiki achava que era exagero, se ele soubesse o que tinha acabado de fazer com certeza cairia matando em cima dos dois. O que o deixava tranquilo era que não tinha nenhuma segunda intenção por trás daquele gesto, seu coração não acelerou ou ficou excitado, só quis proteger uma pessoa que lhe custa caro. Apenas isso. E mais, se não fosse pelo temperamento do ruivo jamais pensaria em ciúme por algo assim; parece que Taiga o estava contagiando de certa forma, o deixando com medo de qualquer coisa que fizesse. Resolveu que não ligaria para nada agora, seu objetivo era somente confortar Kise e prender os suspeitos.

Aproveitou o meio tempo em que Kise estava no banho para mandar mensagens ao namorado, disse que estava com saudades e não conseguiu escrever mais nada, o assunto entre eles morreu. Quando juntos no Japão qualquer coisa parecia virar uma divertida conversa, mas pela rede social e com a distância não havia muito que se dizer; no geral alguns ocorridos engraçados e novidades sobre lançamentos de filmes e jogos da NBA. Se perguntou quanto tempo suportaria a distância, aos poucos ambos percebiam coisas que antes não pareciam existir, o ciúme era uma delas. O que mais surgiria daqui para frente?

Você lembra, do primeiro dia que nos encontramos?

No dia em que víamos o mesmo sonho?

Mais uma vez, diante do céu grande e infinito,

Perguntando o significado de termos nascido

O significado de vivermos agora

Como eu devo te amar

Como eu posso te sentir

Sem você?

[Longing/ X-Japan]

O silencio se ponderou pelo tempo que Kise estava no banho, ficou a conversar consigo mesmo mal percebendo quando o outro caminhou lentamente em sua direção.

– Pr-pronto, pode ir _ achou a atenção do outro com a voz baixa, sentou-se no colchão ao lado secando os cabelos com a toalha. O pijama azul claro de algodão e sua estatura menor deu a impressão de ser uma criança aos olhos de Daiki.

– Uhum _segurou o riso.

– O que foi? Tem alguma coisa no meu rosto?

– Não, deixa pra lá _apertou sua bochecha _vou tomar meu banho. Já volto.

– Ok _disse sem fôlego sentindo sua pele queimar pela mão quentinha do outro. O que fora aquilo? A cena meiga o deixou totalmente sem ação _...Aominecchi baka... só mais três dias.

Kise escondeu o rosto entre os braços e se lamentou.

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