I Wouldn't Mind
1 Capítulo Único
Notas iniciais
― Oi, Quinn... Eu sei que já é tarde e que, talvez, você não queira me ver, mas eu realmente precisava... preciso estar com você. Posso entrar?
As palavras de Rachel ainda soavam na cabeça de Quinn, tal como o desenrolar de suas ações depois dessas mesmas palavras. Do momento em que permitiu a morena adentrar seu apartamento – aliás, apartamento de vocês – a encontrarem-se deitadas em sua cama. Quinn sentiu o sorriso aumentar em sua face enquanto observava o ressoar tranquilo da morena adormecida ao seu lado. A sensação de paz que tomava conta dela se expandia para a loira, e esta só podia desejar que esse estado permanecesse em expansão em sua relação.
Os números indicados no despertador foi o único capaz de impedir a loira de permanecer na cama com Rachel pelas próximas horas. Respirando fundo e deixando um suave beijo no lábio inferior da morena, Quinn deixou a cama para preparar-se para o dia. Endireitou a postura e encaminhou-se para o banheiro. No espelho, o reflexo de uma jovem mulher linda com, de alguma forma, um brilho especial no olhar. Você sorri com o que vê. Porque vê refletido fisicamente, e não apenas assim, o que amar Rachel Berry e ser amada por Rachel Berry faz por você.
Durante o banho, você cantarola baixinho enquanto a água cai sobre seu corpo, e sua mente volta-se para os acontecimentos da madrugada. Quando, às 02h43min, a campainha do apartamento soou, e você se viu de pijamas e descabelada abrindo a porta para dar de cara com Rachel Berry, seu amor, pedindo para entrar em casa.
“Rach? Rachel?” O cérebro de Quinn, ou pela sonolência ou pela surpresa, pareceu parar por uns milésimos de segundo, enquanto que a taxa de seus batimentos cardíacos elevava-se acentuadamente, para acreditar que a morena estava a sua frente dizendo que precisava estar com ela, pedindo permissão para entrar em casa.
Seu olhar não deixava o contato com aqueles olhos de um castanho profundo e intenso. Rachel estava firme em suas palavras, você notou. Apenas um vacilo, uma fragilidade quanto ao se você a permitiria entrar ou não. Seu autocontrole foi exigido para frear o sorriso que queria manifestar-se quanto a isso. Você há muito tempo aceitou que jamais poderia deixar de lado Rachel na sua vida. Então fez o único que era possível, deu passagem para a morena.
De costas agora para a morena , seus olhos fecharam-se ao sentir o perfume dela. Quinn respirou fundo e alinhou a postura, camuflando a felicidade que se apoderava dela ao ter a morena de volta em casa, e assumindo uma serenidade antes de encará-la para enfim conversarem.
― Q, eu sei que está tarde, e me desculpa por te acordar assim. ― Rachel diz pausadamente enquanto se desfazia do sobretudo preto que usava. ― Mas eu precisava te ver, precisava estar com você. Não suportava mais a distância que impus entre nós; foi algo, agora assumo, estúpido. Leviano ter saído daquela maneira há duas semanas. E-eu não esperava aquilo e, v-você me pegou de surpresa... me conhece melhor que qualquer outro, sabe como eu gosto de planejar minha vida. ― Rachel suspira, os olhos marejados me observando, a mão direita insistindo em descrever formas no ar. ― A nossa vida. Eu surtei e passei duas longas semanas em guerra comigo para me permitir acalmar e te deixar nos guiar, então me desculpa, Q. ― Um soluço escapa de Rach, e engulo em seco ao observar a firmeza da minha pequena esvair-se para dar lugar a uma fragilidade. ― Não me... ―.
― Shiu, Rach! ― Não a permito concluir enquanto me aproximo e tomo sua mão direita entre a minha esquerda e a puxo comigo em direção ao quarto.
Já no quarto, me sento na cama fazendo Rachel sentar-se ao meu lado. Sua mão ainda agarrada a minha. Rachel tem o olhar preso nos nossos dedos entrelaçados. E o meu olhar está preso no rosto dela. Os dedos da minha mão direita acariciam o rosto da morena, sorrio ao vê-la inclinar a face ao meu toque, então finalmente ela me olha de volta.
― Hey. ― Minha voz sai apenas num sussurro.
―Hey. ― Rachel me responde no mesmo tom, enquanto aperta minha mão.
― Duas semanas, Rach. Eu senti sua falta, mas respeito o seu espaço. ― Digo, séria. ― Temos os nossos planos, seja longe ou perto; e você está em todos os meus. Há duas semanas, eu não esperava que fosse fazer drama por concretizar algo que, para mim, já estava óbvio. Você é minha namorada, nós compartilhamos nossas vidas e em algum instante no futuro eu desejo que seja minha esposa. Então não considerei, e não considero, que foi apressado te chamar para morar comigo, porque é o que nós já fazemos, praticamente, amor. ― Sorriu ao ver Rachel esboçar um bico com os lábios.
― Não sou eu se não faço drama pelo o menor que seja. ― Rach diz com um pequeno sorriso e eu riu baixo. ― Eu sei que, praticamente, vivemos juntas, que meus CD’s integram sua estante tal como seus livros integram a estante do meu apartamento, eu sei. ― Nós suspiramos e sorrimos uma para a outra. ― Quando me entregou as chaves, minhas chaves, me surpreendeu, Q. Pode parecer bobo agora, e é, mas foi um choque porque de toda forma é um grande passo. E eu não posso e não quero me permitir falhar com o que temos. Eu te amo, e quero ser sua esposa um dia. ― Rachel deixa um beijo em meu nariz enquanto une nossas testas; eu sorrio. ― Mas eu também funciono à moda antiga, Fabray. Então, um passo de cada vez, ok? Não irei mais fugir, meu amor. Estou aqui e vou ficar.
O beijo que se segue é natural. Uma promessa delicada de entrega e paciência para um futuro não tão distante. Quinn volta a deitar-se, dessa vez trazendo Rachel consigo. Os próximos minutos são preenchidos por um silêncio confortável, olhares confidentes, carícias cúmplices.
― Rach? ― A voz de Quinn é apenas um sussurro.
― Hmm. ― É o único que anuncia a consciência da morena antes de se deixar cair nos braços de Morfeu.
― Só para registrar, com as chaves você não precisaria ter que me acordar de madrugada, era apenas chegar e vir aqui. Sabe, algumas pessoas não têm o privilégio de estrelas da Broadway para acordar tarde e têm que começar a trabalhar cedo. ― Um riso travesso escapa da loira ao sentir a morena cutucar suas costelas.
― Quieta. Apenas... durma, Q. ― Rachel murmura sobre o pescoço de Quinn, antes de deixar ali um delicado beijo.
― Boa noite, meu amor. ― Um beijo na têmpora da morena é tudo que faz antes de aconchegar o corpo de Rachel Berry com o seu e fechar os olhos.
Já pronta para mais uma manhã na movimentada New York, Quinn observa com um sorriso uma ainda adormecida Rachel, agora agarrada ao travesseiro da loira. A loira aproxima-se e deixa um doce beijo nos lábios da morena antes de deixar sobre o criado-mudo o café que preparou para ela. Antes de deixar o apartamento, nota que o sobretudo preto da morena jaz no chão, onde Rachel o largou quando chegou. Agacha-se e o recolhe, sentindo o perfume da morena, e inspirando-o. Dobra-o, deixando-o no sofá. Na porta de entrada, detém-se, e volta seus passos para o quarto, para deixar um bilhete ao lado do café da morena. Uma nota, uma marca de batom no papel e outra na bochecha da morena e a loira por fim deixa o apartamento com um sorriso adornando seu rosto desde o momento que a morena retornou a sua casa. A sensação que agora vocês estão mais do que nunca em sintonia faz com que sinta como se felicidade e harmonia inundassem sua corrente sanguínea; e inundam.
Um delicioso aroma de café em conjunto com o cheiro da loira, o toque do despertador e uns furtivos raios solares que invadem o quarto faz Rachel despertar aos poucos. O silêncio que predomina no apartamento indica à morena que Quinn já precisou sair. Rachel suspira e sorri ao voltar a sentir o cheiro da loira no travesseiro ao qual está abraçada. Incorporando-se na cama, nota o café que a loira deixou para si sobre o criado-mudo. Nota, principalmente, o que está ao lado do café. Com o sorriso alargando-se, agarra-os antes do café.
“Bom dia, amor
Precisei sair mais cedo
Não vou poder te acordar
O despertador está no ponto
Sei como aprecia aproveitar o dia, minha estrela!
Seu sobretudo está dobrado
O café está no criado-mudo
As chaves, suas chaves, bem aqui também.
Quando for caminhar, não se esqueça de trancar as portas
E de pegar o jornal.
Ah, e antes que eu me esqueça
Não se esqueça mesmo
Do quanto eu amo você.”
À medida que lia o bilhete da loira, o sorriso de Rachel parecia aumentar. Um beijo na marca dos lábios em batom no papel e o olhar, enfim, encantado sobre as chaves em sua mão – no pequeno chaveiro de uma estrela dourada – e a morena se sentiu boba por ter se privado disso por duas semanas. De fato, morar com Quinn Fabray era o único para sua vida. Seu coração, sua alma, sempre estaria em casa. Era seu lar. Onde deveria e para sempre gostaria de estar.
Notas finais
Se ficou chato, bobo, confuso, ou o que quer que seja... deixe-me saber, por favor.
No mais, a quem leu, o meu muito obrigada.
J.
Fale com o autor