I Won't Give up
34 33 Capítulo - Human
Notas iniciais
– Faz dois dias Lauren. Dois dias — Gritei enquanto andava de um lado para o outro e Lauren continuava sentada na cama, com uma expressão assustada.
– Amor... Calma — Lauren falou tentando me tocar, mas eu me esquivei e me sentei na cama.
– Calma? Ela nem olha na minha cara, mas conversar com você — Falei desapontada. Minha mãe não falava comigo a dois dias, não olhava pra mim e agia como se eu não existisse o mais estranho e que ela estava agindo normalmente com Lauren.
Lauren se sentou ao meu lado da cama com cuidado, como se eu fosse matar ela a qualquer momento.
– Eu acho que podíamos fazer algo pra te acalmar — Lauren falou e eu revirei os olhos.
– Você só pensa em sexo? — Perguntei e Lauren sorriu de lado.
– Na verdade, eu estava falando de tomarmos sorvete, mas pra mim isso serve — Bufei e empurrei o ombro de Lauren.
– Eu vou conversar com a minha mãe — Falei decidida e desci antes de Lauren falar alguma coisa.
A encontrei na cozinha com a mãe de Lauren, elas pareciam melhores amigas agora. Nunca vi.
– Mãe — A chamei e ela me olhou esperando que eu falasse algo, mas eu não sabia exatamente o que falar. Marisa levantou e me deu um beijo na cabeça pra depois sair da cozinha.
– O que foi? — Mamãe perguntou normal, como se nada tivesse acontecido.
– Mãe, porque está agindo assim? — Perguntei mais não obtive nenhuma resposta — Eu beije a Lauren e...
– Exatamente — Minha mãe me interrompeu e eu franzi a testa — Obrigada, por ter a capacidade de ser sincera nesse momento.
– O que? — Perguntei confusa, me sentando na cadeira a sua frente.
– Você mentiu pra mim, ou melhor, nem teve a capacidade de ser sincera comigo — Abaixei a cabeça envergonhada.
– Está decepcionada, não é? — Perguntei baixo e a ouvir suspirar.
– Estou você me escondeu algo importante. Eu não sei se pensava que eu seria idiota e não perceberia nada que estava rolando entre você e a Lauren. Me senti a pior mãe do mundo, quando percebi que todos sabíamos menos eu, não confiava em mim? Acho que eu faria o que? Bateria em você e te expulsaria? Eu pensava que soubesse que eu não sou disso, tudo bem que há um tempo atrás eu poderia não concorda com isso e a princípio ficar na defensiva, mas agora... Eu só queria que tivesse se sentado comigo e sido franca e me contado tudo que estava rolando. Não era o que eu sonhava e queria pra você, mas eu fico feliz por ver que a Lauren te faz feliz, ainda não estou acostumada com tudo isso, então não fiquem se beijando muito na minha frente, espero não ouvir gemidos porque não sou tão moderna como os pais da Lauren... E peço que tenha paciência comigo e espere quando eu estiver menos chateada pra voltar a falar normalmente com você.
Minha mãe saiu da cozinha, sem esperar que eu falasse algo e eu fiquei lá com a cabeça cheia de dúvidas. Eu devia ter pensado que contar pra todos, menos pra ela poderia a deixar chateada. Mas eu estava com medo, é uma desculpa válida né?
Lauren
Sai do quarto, indo para o quarto da Nicole. Eu precisava falar urgentemente com ela.
– Nic eu preciso... Ai meu Deus, que nojo, que nojo — Falei em virando de costas, enquanto ouvia a risada da Lucy e de Nic.
– Lauren, agente só estava se beijando — Nic falou e eu me virei pra olhá- las.
– Estavam quase se comendo isso sim — Falei e decidi ignorar esse episódio e me sentar na frente delas — Preciso de ajuda.
– Com o que? — Lucy perguntou confusa e eu comecei a contar meu plano pra elas — Ai meu Deus, Lauren isso é demais.
– Isso é porque eu sou demais — Me gabei e acabei ganhando dois tapas no braço — Agressivas.
– Ok, eu e Lucy faremos isso por você — Nic disse e eu beijei o rosto das duas super feliz. Seria um grande passo.
– Obrigadas, mas agora tenho que ter uma conversa séria com a Mel — Me levantei da cama e Nic pegou na minha mãe.
– Acha que consegue? — Fiz sim com a cabeça, sem ter muita certeza disso e sai do quarto, voltando para o dela.
– Ai Lauren — Mel gritou assim que eu abri o quarto e a encontrei de sutiã e calcinha.
– Ai meu coração — Coloquei a mão no peito e a olhei de cima em baixo.
– Se controla — Mel falou rindo e eu sorri, indo até a cama — O que foi?
– Acho que precisamos conversar — Falei já ficando mais séria. Era um assunto muito delicado pra mim, e eu sabia que não falaria sem chorar.
– Ta, tem certeza? — Fiz sim com a cabeça e Mel foi vestir uma roupa pra falar comigo.
– O que conversou com sua mãe? — Perguntei enquanto ela se sentava na minha frente na cama.
– Depois te conto, mais acho que o seu assunto é mais importante agora — Suspirei.
– O mar me lembra uma pessoa, como eu já tinha te dito — Comecei e Mel me olhava atentamente — Ele me lembra minha irmã.
– A Emily? — Ela me questionou confusa e eu sorri sabendo que ela perguntaria isso.
– Não a Summer — Falei e vi a confusão estampada no seu rosto — Minha mãe não é a Marisa, minha mãe e outra mulher. Minha mãe verdadeira, nunca gostou realmente de mim, sua estrela era a Summer que era um ano mais nova que eu. Summer era líder de torcida, tinha notas ótimas, namorava o capitão do time de basquete, era popular... Ela era tudo que minha mãe queria. E eu? Sempre fui a sombra, a que não dava orgulho pra ela, mas apesar de tudo eu e minha irmã nós dávamos super bem.
– O motivo pra que eu goste tanto da Lucy e que ela me lembra a Summer, com o jeitinho doido dela e direto. Lucy é como minha irmã, então eu a tratava como tratava minha irmã. Minha mãe e eu nunca fomos grandes amigas, eu tentava de qualquer modo ser próxima a ela, mas ela sempre pareceu saber que eu era diferente da Summer. Tudo desmoronou quando conheci uma garota, seu nome era Kim, eu tinha quinze e ela dezenove, ela era tudo o que qualquer um sonhava. Foi a primeira garota que me relacionei, era tudo perfeito na minha cabeça, ela me amava e eu amava, mas então um dia ela me dispensou e me disse coisas que me magoaram.
– Ela só brincou comigo, eu era ingênua e não acreditava que alguém pudesse ser tão cruel assim, mas ela foi e o pior ainda foi o que ela fez. Ela sabia que meus pais e muito menos minha irmã sabiam que eu e ela ficávamos, mas ela fez questão de ir à minha casa e contar pra todos que nós ficávamos. Que tínhamos transado também, minha mãe já era meio louca com essa coisa de homossexuais, ela acreditava fielmente na bíblia e nada mais valia. Ela me perguntou se era verdade e eu disse que sim, então ela me fez acreditar que eu deveria ser curada, me levou a psicólogos e começou a ficar próxima de mim, eu gostava dessa proximidade entre nós, então fingi que acreditava que eu poderia ser "curada".
– Minha irmã continuou a mesma comigo, apesar de também acreditar nisso de que eu podia ser curada, meu pai nunca acreditou e sempre deixou isso claro, chegando a ter brigas horríveis com a minha mãe, onde ele a chamava de doida por achar que eu era uma doente e ela dizia que se ele não concordasse iria embora comigo e a Summer. Eles já não eram mais um casal, a partir daquele momento, eu só cai em mim quando Nicole e Claire contaram que eram lésbicas e que se minha mãe me amasse me apoiaria. Eu acreditei que ela me apoiaria.
– Então eu decidi dizer pra ela que não queria mais ir a psicólogos, igrejas e que eu estava bem. Ela perguntou se eu ainda gostava de meninas eu disse que sim, então ela disse que eu não estava bem. Mas eu insisti disse que eu não queria ser curada, que eu gostava de meninas e seria assim pra sempre, foi quando ela me deu um tapa na cara, e depois outro e outro, meu pai chegou na hora com minha irmã e começou a brigar com minha mãe. Minha mãe disse que se eu não saísse de casa ela sairia, mais meu pai disse que eu não iria embora de jeito nenhum, minha irmã começou a brigar comigo como se a culpa fosse toda minha, eu ficava pensando se era mesmo. Ela disse que não poderia ter uma irmã lésbica e no calor do momento, eu disse que a odiava ter ela como irmã e que eu preferia que ela fosse embora. Ela mentira, eu não sei por que disse aquilo, mas minha mãe pediu para o papai escolher entre mim e ela e meu pai me escolheu.
– Depois disso ela arrumou às malas dela e da minha irmã, meu pai pediu pra minha irmã ficar, mas minha mãe a puxou sem deixar ela escolher o que preferia, eu vi nós olhos dela que ela estava com medo e queria ficar com agente, mais minha mãe parecia louca. Então ela pegou o carro e saiu com a minha irmã. Eu me lembro como se fosse hoje, começou a chover e eu só chorava desesperadamente, perguntando para meu pai por que ela não me amava, ela devia me amar, não é? Não deu duas horas até a saída delas e o celular tocou anunciando que elas tinham sofrido um acidente, onde um caminhão bateu nelas e fez o carro capotar.
– Quando chegamos ao hospital, eu só consigo me lembrar do medico falando que minha irmãzinha tinha morrido na hora, mas que se tivesse vivido ela ficaria sem poder andar. Minha mãe ficou em coma por uma semana e quando ela acordou eu e meu pai decidimos conversar com ela e ver se podíamos resolver às coisas. Ela me culpou Mel, disse que eu tinha matado a Summer, que não fosse por essa coisa que eu me tornei nada disso teria acontecido, ela começou a gritar e me dizer coisas horríveis, dizia que eu não era mais sua filha, que nunca mais queria me ver e que sempre soube que eu era uma decepção. Mas o que me machucou lembrar de ver o mesmo olhos que eu os meus, me olhando com desprezo e ver que ela estava morrendo, e a ultima coisa que ela disse era que me odiava. Minha mãe me odiava, ela morreu me odiando. Eu me odiei por um bom tempo também. Depois disso fui morar na Espanha por um tempo e uns messes na França, pra tentar esquecer tudo, foi quando eu me tornei isso. Fria e durona era mais fácil que deixar alguém mais me iludir e me magoar.
– A praia me lembra a Summer, ela amava tudo isso, quando éramos mais novas, eu jurava que éramos a família mais feliz que pudesse existir. É a primeira vez que venho aqui depois de tudo, eu quis vim porque era um lugar especial pra mim e queria que fosse pra você também. Queria te mostra onde eu passei boa parte da infância e dos momentos mais felizes que eu tive.
Eu já chorava desesperadamente, eu já tinha superado boa parte de tudo, apesar de ainda sentir uma grande falta da Summer eu tinha conseguido uma nova família.
– Eu sinto muito, Lolo — Mel falou chorando também e apertei sua mão.
– Ela me chamava assim, Summer que inventou esse apelido, eu achava ridículo e odiava quando ela me chamava assim e odiei ele ainda mais quando ela morreu. Mas com você... Eu achei tão lindo, eu não conseguia dizer que não era pra me chamar assim, mas você fez eu me apaixonar por esse apelido.
Sorri pra ela, limpando suas lágrimas e beijei sua testa. Eu não saberia mais o que seria de mim sem a Mel, e a melhor coisa que eu já tinha feito na vida era ter dado uma chance pra nós.
– Achei que precisaria de mais abraços — Ouvi a voz de Nic na porta, lá estava ela, Claire, Katy, Lucy, Luke e John.
Sorrimos pra eles que correram até nós e nos abraçaram em grupo. Vi John parado na porta e acenei pra ele.
– Ainda não sou muita sua fã, mas você faz parte da família — Sorri e John se aproximou se juntando ao abraço.
– Uma grande e feliz família — Nic falou e todos sorrimos uns para os outros. Apesar de que eu deveria estar triste, eu não estava, talvez eu já tivesse superado. É talvez eu devesse agradecer a Mel por isso. Ou melhor, a todos que me ajudaram a ver que agora eu tinha pessoas que me amavam e que eu não podia ficar com medo de deixar elas entrarem na minha vida.
Porque agora eu tinha amigos, uma garota incrível ao meu lado, uma família sensacional. É agora eu realmente estava feliz.
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