I Wish
5 From the Moment I Met You Everything Changed...
Notas iniciais
Gi
Quando eu abri a porta do banheiro, eu vi. Tudo estava pegando fogo, fogo por toda parte. Procurei pelas minhas amigas, não achei. Elas me esqueceram, me deixaram ali. O trem estava quase vazio, mas continuava andando e sendo queimado. Não podia fazer nada. Estava presa ali. Fui em direção da nossa cabine, em direção do fogo. Não me importava, de qualquer jeito, o fogo ia me alcançar. A cabine estava vazia, mas as nossas bagagens estavam ali. O fogo ainda não tinha chegado ali, mas se eu não fizesse nada, ia chegar. Tentei alcançar a minha mala. Alcancei. Tirei a da Nathalia também, não me pergunte porque, afinal, elas me deixaram no meio das chamas. Estava quase alcançando a mala da Bella quando o fogo se aproximou demais. Senti fogo na minha roupa, na minha pele. Desmaiei.
Depois de um tempo senti alguém tocando no meu braço mas não abri os olhos, eu achei que já estava morta. Queria dormir para sempre, não queria me ver pegando fogo de novo. Perdi os sentidos. Quando os recuperei, estava sendo carregada por alguém. Um menino. Não o reconhecia. Seu rosto estava um pouco queimado.
“Não se preocupe, está salva.” Ele me disse quando abri os olhos. Olhei em volta, vi a Bella, a Nathi e os meninos. Virei meu rosto para quem havia me salvado. Seu rosto não estava mais preto. Liam. Era ele.
“Está tudo bem. Você está salva.” Ele disse quando abri os olhos.
“Liam. Obrigado por me salvar. Obrigado mesmo.” Tossi após falar isto. Minha garganta latejava, doía, ardia.
“Não fale. Ainda não está preparada.” A Bella falou.
A Nathi falou alguma coisa. Não entendi. Achei que ela estava brincando comigo. Mas pela cara da Nathalia, ela havia falado algo importante que eu não escutei.
“As bagagens, nós precisamos salvá-las.” Eu tentei falar.
Me senti mole, tonta, procurei apoio, me segurei no braço de alguém que me ajudou a deitar no chão e não cair. Ficou difícil respirar. Parecia que estava faltando oxigênio naquele lugar. Mas quando olhei para os outros, vi que eles estavam respirando perfeitamente. O problema estava em mim mesmo. Dois meninos trocaram comentários, os quais também não escutei. Fechei os olhos.
Nathalia
Aquela máquina em chamas havia parado. O fogo também havia parado. Mas a
Gi não estava melhor. A ambulância chegou. Tinha muita gente para ser socorrida, a Gi era apenas mais uma em estado gravíssimo. Ela tinha que ser levada para o hospital, com apenas um acompanhante. Eu e a Bella trocamos olhares.
“Liam, foi você quem a salvou. Se quiser ir, vá.” A Bella falou.
“Não. Ela vai precisar de uma amiga por perto. Uma de vocês. Eu sou apenas
um conhecido.
'Ainda', pensei.
“Par ou ímpar.” Eu disse.
“Não acredito que você quer decidir isto com par ou ímpar Nathalia!” A Bella me disse.
“Tem algum jeito melhor?” Perguntei.
“Okay então. Ímpar.” A Bella disse.
“Par.” Eu falei.
Jogamos. Ganhei!
“Hahaha, ganhei!” Eu disse.
“Então vai logo! Ela tá esperando.” A Bella avisou, irritada.
Eu fui. Entrei na ambulância com a Gi, bem, ela estava naquelas camas de ambulância, viva ou morta, não sabíamos. A ambulância andou rápido, muito rápido, até chegar num hospital. Quando lá chegamos, retiraram a Gi do veículo e eu a segui. Passamos por vários corredores, até chegar num quarto onde ela ia ficar. Uma moça pediu para eu ficar esperando no lado de fora. Ela apontou para umas cadeiras que estavam há alguns metros. Sentei. Li algumas revistas. Esperei algum tempo olhando para as paredes. Até a Bella chegar com os meninos. Fiquei surpresa que os meninos também haviam vindo.
“Bom, vejo que você não está sozinha, né?” Eu falei para a Bella.
“Eles vieram para também serem atendidos! Você está todo este tempo esperando ai? Ainda não lhe chamaram?” A Bella me perguntou.
“Não...” Eu fiquei decepcionada.
Alguém falou nossos nomes. Bem o meu e da Bella. Um médico nos disse para
segui-lo. Seguimos. Ele fez curativos nos nossos machucados.
Depois, foi a vez dos meninos ficarem cheios de curativos. Menos o Zayn.
“Você é amiga da Giovana que está sendo atendida na sala 834?” Uma moça
me perguntou.
“Sou sim. Ela está bem?” Eu perguntei desesperada.
“Ela vai ter que ficar no hospital nesta noite infelizmente. Precisamos fazer mais alguns exames.” Ela respondeu, não era exatamente esta resposta que eu queria ter recebido.
“Mas ela está viva? Ela vai voltar ao normal?” Eu perguntei muito ansiosa pela resposta.
Clari
O passeio tinha sido muito legal. Muito melhor que eu pensava quando entrei na cabine sozinha. As meninas já tinham decido do London Eye. A minha cabine era a próxima a chegar na 'linha de chegada'.
“Ah, antes que eu me esqueça, aqui está meu e-mail e meu telefone.” Kristof disse, antes do passeio acabar, ma dando um pedaço de papel.
“Você tem um papel para eu escrever o meu número e meu e-mail?” Eu
perguntei, também sorrindo.
“Sim, claro.” Ele disse procurando um papel no bolso.
A cabine parou, era hora de descer.
'Hora de me encontrar com as minhas amigas que mesmo distantes, cooperaram
muito comigo', eu pensei, ironicamente.
Nós descemos, mas antes de falar com as minhas amigas, eu escrevi meu e-mail e meu celular para o Kristof, no papel que ele havia me dado. Ele sorriu e nós nos despedimos com um abraço.
Quanto mais eu me aproximava das minhas amigas, mais elas olhavam para mim e sussurravam algo no ouvido da outra. Aquilo me irritava muito!
Quando cheguei fui muito bem cumprimentada com um comentário que a Katia não precisava ter dito.
“Então, a Clarice já chegou em London conquistando corações.”
“Ha-ha-ha. Agora eu não posso ter um amigo novo que vocês já acham isso de
mim, né!?!”
“Ah, Clari, a gente só estava brincando.” Falou a Joanna.
“É, mas conta TUDO!!!” A Duda falou
Eu não estava com vontade de falar nisto, nem um pouco. Eu ia começar a falar... Mas fui salva pelo meu sagrado, maravilhoso, querido, 'salvador de pessoas que não estão com vontade de dar uma explicação', magnifico... celular. Eu atendi rapidamente, pois estava com muita vontade de agradecer a pessoa que estava me ligando.
“Alô?” Eu disse.
“Oi Clari, é a Nathi.” A abençoada pessoa me disse, mas não parecia muito feliz.
“Oi Nathi!! Como está Oxford?” Quando falei 'Nathi', as meninas se aproximaram, também querendo fazer parte da conversa.
“Oi Nathi!!” A Katia gritou.
“Nathalia, você não vai acreditar quem está aqui comigo, além da Duda.” Eu
falei. “A Katia, a Joanna e a Gabriella!!” Eu falei, já me alegrando.
“Que legal. Que bom que vocês estão se divertindo!” A Nathi não estava alegre. Ela não estava sendo a Nathi que eu conhecia. “Olha, desde que chegamos, não tivemos muita sorte,” Quando ela falou isto, eu decidi colocar no viva voz. “Para vocês terem umas ideia, o primeiro lugar que visitamos foi o hospital.”
“Porque?? O que aconteceu?” Eu falei, desesperada.
“O trem que estávamos pegou fogo.” Ela falou devagar, tava óbvio que ela não se sentia bem enquanto falava aquilo, “Estamos todos machucados, queimados, mas a Gi foi a quem mais se feriu. A médica vai me dizer se ela está com risco de vida ou não, ela só foi lá com a Gi um pouquinho. Quando soubermos mais, eu te ligo de novo,
tá?” Ela falou, calma. CALMA!! Está não é a Nathi!!
Ninguém falou nada, todas não sentíamos medo, tristeza, preocupação.
“Não Nathalia! A gente precisa sabar A-G-O-R-A!!!” A Duda gritou.
“Mas a enfermeira ainda não... Ah, ela tá vindo, esperem um pouco.”
Deu para ouvir vozes no outro lado da linha, mas não deu para decifrá-las. Esperamos, esperamos... Logo depois, a Nathi atendeu.
“ELA VAI SOBREVIVER!! NÃO TEM RISCO DE VIDA!!” Ela gritou, esta é a Nathalia que eu conheço.
Foi um alívio. Todas nós sorrimos.
“Então, quando vocês vem?” A Nathalia perguntou, mudando de assunto
completamente.
“A gente já deveria estar num hotel, mas a gente decidiu conhecer mais a cidade.” Eu falei.
“É né, Clarice! A Duda quis conhecer a cidade, mas a Clarice quis
conhecer mais as pessoas...” A Gabriella falou.
“Atá, até parece, né!” Eu disse.
“Olha meninas, já são 20:45, não é melhor a gente ir para o hotel?” A Joanna perguntou.
A gente concordou. Desligamos o telefone e fomos para o hotel onde o grupo das meninas estava.
Bella
A Nathi estava falando com a Duda e com a Clari. A Gi estava na sala 834 então fui conversar com os meninos. Descobri que eles estavam indo para a casa da tia de um deles. Eu falei que nós iríamos estudar ali. Eles também iam estudar lá por alguns messes, mas em uma escola diferente. Eles eram muito legais, engraçados,
bonitos,... Estava imaginando Eu, a Nathi, a Gi, a Duda e a Clari, com eles, se divertindo.
Olhei para o lado, vi a Gi, vindo em nossa direção. Eu sinceramente achei que ela iria estar numa cadeira de rodas, ou, no mínimo, de muletas. Mas não. Ela estava com apenas um braço enfaixado, e um esparadrapo na testa, mas fora disso, não parecia que ela havia passado por o que ela passou.
“Então, vamos para a casa? Eu não havia pensado que o hospital iria ser o
primeiro lugar que iríamos visitar, e eu acho que já ficamos tempo suficiente aqui.” A Gi falou, nos fazendo sorrir.
“Bah, Gi, você está ótima!” A Nathi disse, ela já tinha desligado o telefone.
“É né, Nathalia, um braço enfaixado, um esparadrapo na cabeça...” A Gi falou, ironicamente.
“Mas é verdade, Gi, eu achava que você ia vim de cadeira de rodas!” Eu falei.
“O médico disse que se eu ficasse mais um minuto dentro daquele trem, os machucados iam ser bem piores.” A Gi falou.
“Então você tem que agradecer alguém, né?” A Nathi falou, piscando para a Gi.
A Gi sempre foi tímida, então nem eu, nem a Nathi esperávamos que
ela agradeceria o Liam direito.
“Obrigado Liam.” A Gi falou, sorrindo, “Obrigado por ter salvado minha vida.”
“Tudo bem, eu fico feliz te ver que você está bem.” O Liam falou.
Enquanto saíamos eu vi com o canto do olho a Gi agradecendo melhor o seu
salvador. Os meninos entraram em um carro e nós em outro. Fomos para a casa que seria nossa nos próximos messes.
Quando chegamos, tinha uma senhora nos aguardando.
“Soube do que aconteceu no trem, mas vejo que não foi nada muito grave.”
A senhora era séria, mas sua voz era doce.
Nós sorrimos e entramos. Os quartos estavam organizados, mas eu sabia que
a organização não ia durar muito... Nós comemos uma coisinha e fomos dormir, já tinha acontecido coisa demais por um dia.
Clarice
Nós dormimos cedo. As meninas, foram legais e dormiram cedo também.
Quando acordamos, as meninas acordaram juntas, bem, a Katia acordou, a
Joanna e a Gabriella ficaram dormindo. Elas só iam dormir por mais alguns minutos, pois o grupo delas ia passar o dia fora, em um tipo de acampamento. A Katia nos ajudou a levar as malas para a estação, ela aproveitou e levou a mochila dela, que ela ia levar para o 'acampamento'. A gente estava na estação as 4:45, eu e a Duda ainda
tínhamos 15 minutos. Entramos na fila do trem.
“Que vontade de tomar um milkshake...” A Duda falou.
“Não Duda. Você fica. Eu vou comprar. Não quero perder mais um trem!” Eu falei, antes que ela pudesse falar qualquer coisa.
“Okay, mas vê se não demora, a fila tá andando rápido.” Ela avisou.
“Não vou demorar.” Eu disse.
Eu me despedi da Katia, que estava com a Duda, na fila.
Fui comprar os milkshakes, achando que naquela hora da manhã não teria fila. Estava errada.
Devo ter demorado uns 13 minutos, porque o moço dos tickets já estava impaciente. Ele pediu a minha passagem. Abri minha bolsa. Não achei. Procurei a janela onde a Duda estava. Achei. A Duda e a KATIA estavam lá dentro dando risada! Lembrei que a Katia ficou com o meu ticket enquanto eu guardava minhas coisas no hotel. Chamei o nome delas. Elas não me ouviram. O homem dos tickets me disse para ficar mais para a trás, pois o trem já iria partir. Chamei, chamei, chamei. Não adiantou. Falei para o homem dos tickets, ele... bem, ele disse que isso não era problema dele, e que eu deveria prestar mais atenção nas minhas amizades. Eu olhei para ele como quem não estava satisfeita com a resposta. O trem apitou, eu tentei convencer ele de novo que quem deveria estar no trem era eu, e não a Katia, mas ele não fez NADA, absolutamete NADA. Ele subiu no trem, eu corri para tentar subir também, mas era tarde demais, o trem partiu.
Duda
A Katia entrou no trem comigo enquanto a Clari ainda não chegava. Nós demos risadas, falamos de coisas que aconteceram durante o tempo que não nos víamos, foi muito legal. Do nada, o trem começou a andar, foi daí que ouvi a Clari me chamando, mas era tarde demais. A Katia olhou para mim apavorada. Um senhor mandou ela entrar na cabine. (Ela estava na porta, nem dentro, nem fora). Ela entrou, devagar, e sentou-se também. Nenhuma de nós tínhamos algo para falar, o alto astral, baixou totalmente. Fiquei imaginando a Clari sozinha na estação, e tudo por minha culpa! Se eu não tivesse perdido aquele maldito ticket, nada disso teria acontecido, me senti culpada, muito culpada.
Só na metade da viagem a gente começou a conversar. Mas o clima continuou horrível, imaginei a Clari sozinha em London, bem ela ia ter a Joanna e a Gabriella, então tudo bem, né? Não. Talvez não iam deixar ela entrar no grupo de intercâmbio no lugar da Katia. Imaginei a reação das meninas quando verem a Katia ao invés da
Clari. No começo vai ser pura alegria, até a gente contar o que aconteceu.
Eu acabei dormindo na viagem, não tinha dormido bem de noite, quando
acordei, estávamos em Oxford.
“Duda, acorda, chegamos.” A Katia falou em um tom triste. “Cadê o seu celular? Precisamos ligar para as meninas para saber o endereço. Eu não tenho o número delas.”
“Meu celular tá com elas. Elas meio que roubaram ele de mim. A nossa comunicação estava sendo através do celular da Clari.” Eu olhei para Katia. Estávamos ferradas.
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