I Will Survive
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Como eu podia ser tão idiota? Como ele podia ser tão idiota? Me acusar de preconceito?! Fala sério. Ele só pensa nele, não está nem aí se destruiu meus sonhos ou minha vida!
Mas quer saber?! Eu também não quero mais saber dele. Ele não quer minha amizade? Vai jogar fora toda a nossa infância juntos? Ótimo, eu também vou.
Pisei mais forte no acelerador. Eu só queria chegar logo em casa e afogar minhas mágoas em muita pipoca, chocolate, sorvete e em uma maratona de filmes. Thomas arruinou minha vida. Mas por mais raiva e mágoa que eu sentia dele, eu ainda gostava dele. Aquele idiota. Que porra de cupido eu tenho! Pelos Deuses! Nunca fui muito com a cara de Eros, mas ele tinha que me aprontar uma dessa?!
Estava a toda velocidade pela rua. Já havia entrado em meu bairro, até que de repente minha mente volta para o mundo real e vejo uma moto atravessando o cruzamento. Tento pisar no freio, mas já é tarde demais, pois meu freio está uma bosta. Ouço um barulho de algo batendo no carro e vejo um vulto subindo pelo para-brisa e voando sobre o carro.
AI MEU DEUS!! EU ACABO DE ATROPELAR ALGUEM!!!! Eu não acredito! Que merda! Acho que acabei de matar alguém! Por favor, que tenha sido a Cardela! Por favor, que tenha sido a Cardela...
Saio do carro (com ele ainda em movimento) desesperada, e vou socorrer quem quer que seja, enquanto meu carro (que como não havia parado completamente) bate em um hidrante. E adivinha. O hidrante estoura e começa a ir água pra todo lado. E adivinha quem estava no chão, todo ralado e com um corte considerável na mão e na cabeça.
Não, não era a Cardela. Infelizmente. Era o Nick, um dos seres que estão no final da minha lista de pessoas que eu gostaria de encontrar hoje.
Ele estava com o cabelo preto já todo molhado por conta do hidrante. Sua camisa branca também estava toda molhada (e tenho que admitir que isso me dava uma bela visão do seu quase tanquinho) e um pouco suja de sangue. Ele também usava uma calça jeans e tênis, e sua moto estava caída no meio da rua. Acho que eu também deveria estar toda molhada, mas estava desesperada demais para me importar.
– AI MEU DEUS! Você está bem? Por favor, que você não tenha morrido e nem esteja gravemente ferido! – disse me agachando ao seu lado. Mas para minha sorte ele estava consciente e respirando, apesar de estar gemendo de dor. Isso é uma coisa boa, neh?
– O QUE VOCE TEM NA CABEÇA? Você poderia ter me matado! Você não conhece uma coisa chamada freio não? – ele disse me fuzilando com olhar e tocando na cabeça com a mão boa e fazendo uma careta de dor.
– Me desculpa, é que meu freio não está muito bom ... – disse tentando me explicar, mas ele me interrompeu.
– E mesmo assim você anda com o carro nessa velocidade? Bom saber! E você costuma atropelar as pessoas também? – ele disse tentando levantar sem sucesso e gemendo de dor.
– Acho melhor eu te levar para o hospital, você pode ter quebrado algum osso. Vem, deixa que eu te ajudo. – disse tentando ajuda-lo a se levantar.
– Igual você me ajudou quando bateu em mim agora pouco e ainda bateu no hidrante? Então não, obrigado!
– Será que dá para você calar essa boca e me ajudar a te ajudar?! Pelos Deuses, você é muito pesado! – disse enquanto passava seu braço com a mão boa pelos meus ombros e o levava até meu carro.
– Me desculpa se você bateu em mim quebro a minha perna! Foi sem querer.
Finalmente consegui coloca-lo no banco do carona, com ele gemendo e reclamando por causa da perna. Mas quando eu entrei no carro e ía girar a chave...
– Você vai mesmo largar a MINHA moto no MEIO DA RUA? E esse hidrante? Vai largar tudo isso assim?
Então eu saí do carro, peguei a moto dele, levei até o outro lado da rua onde não molharia mais do que já estava e voltei pro carro.
– Mas e o hidrante? Você não deveria chamar os bombeiros?
– Mas você é chato mesmo, pelo amor de Deus! Com a perna quebrada e preocupado com um hidrante?! Eu mereço! Um vizinho vai perceber e vai fazer isso por mim, agora cala a boca antes que eu te largue com a perna quebrada em uma vala qualquer e te deixe a Deus dará! – disse ligando o carro e saindo dali.
Meu pai vai me matar! Não quero nem estar perto quando ele vê o estrago no carro!
...
– Você terá que ficar com esse gesso durante dois meses, então você poderá voltar aqui para tirá-lo. Sorte você ter apenas quebrado o osso, acidentes assim, nunca se sabe, poderia ter sido pior! E nada de moto até segunda ordem, está bem? Vou pegar um remédio que vai ajudar um pouco com a perna. – disse a enfermeira antes de sair da emergência.
– Viu só o que você fez? Como é que eu vou para a escola agora? – disse Nick assim que a porta se fechou.
– Eu te dou carona, afinal, como você já fez questão de dizer tantas vezes, eu sou a culpada. – eu não estava lá muito animada para isso, mas eu atropelei ele, fazer o que?!
– É o mínimo que você pode fazer!
...
Fomos até o estacionamento, ele de muletas, claro. Mas quando chegamos no meu carro eu congelei.
– Meu pai vai me matar! – disse ao ver o amassado na frente do carro.
– Ele estaria fazendo um bem a humanidade! – Nick tinha que abrir a boca.
– A culpa é dele que meu freio não funciona direito. Ele estava me ajudando a consertar o carro, mas ele ficou ocupado demais para terminar o freio, e esse foi o melhor que eu consegui fazer, está bem?! – disse entrando no carro.
– Isso explica o porquê dele ter morrido umas 4 vezes no caminho para cá. – ele disse colocando o cinto de segurança.
– Ei, eu sei que ele não está lá essas coisas, mas não precisa ofender!
– O que me surpreende é você ter tentado consertar sozinha e não ter chamado um mecânico.
– Custaria muito caro e assim, pelo menos da pro gasto enquanto eu não consigo alguém para consertar para mim.
– Realmente dá para o gasto se o seu objetivo for quebrar a perna das pessoas e acertar hidrantes.
– Sabia que você ainda está no MEU carro e EU é que estou te dando carona? Eu poderia muito bem te largar em uma vala qualquer.
– E você iria presa.
– Fica quietinho, vai.
O resto do caminho foi silencioso, a não ser quando o carro morria e Nick voltava a reclamar. Deixei ele em sua casa, estacionei meu carro na minha garagem e voltei para buscar a porcaria da moto dele. O hidrante já havia sido consertado. O único indício do acidente era a pista molhada, e, é claro, a moto vermelha do outro lado da rua.
Deixei a moto na casa dele e voltei para casa. E pensar que amanha eu vou ter que dar carona para ele e ainda encarar Thomas. Oque será que ele vai fazer depois de tudo aquilo que dissemos um para o outro?! Como ele vai reagir depois da minha confissão?!
Eu só queria que abrisse um buraco no chão sob meus pés para eu não ter que encarar amanhã!
...
POV do Thomas
Desde que eu me entendo por gente Megan é minha melhor amiga.
Passamos por todas as nossas fases juntos. Ainda me lembro que foi ela que me fez largar as fraudas, aos 4 anos; aos 7 aprendemos a andar de bicicleta juntos, quer dizer... eu aprendi e a ensinei, não deu muito certo, mas ela aprendeu no susto, — literalmente. Eu pensei que ela fosse pedalar quando eu a soltei, esse era o combinado, mas ela acabou violando uma ladeira. Foi um acidente! – eu posso dizer o mesmo de mim, quando estávamos em um acampamento de verão aos 12 anos, para me ensinar a nadar Megan me empurrou no lago de dentro de um barco (isso eu sei que não foi acidental), mas funcionou, pelo menos eu não quase morri afogado por nada. Também suportei sua fase patricinha e emo, uma após a outra. Infelizmente nós dois não tivemos apenas fases e memórias felizes.
Apouco mais de dois anos os pais de Megan se divorciaram, porque a mãe dela achava que estava sendo traída e que a amante era a mãe de Nick. Em 12 anos de amizade, nunca tinha visto Meg tão triste e quebrada. Nem anos de implicância e brigas com Carlie conseguiram tirar o brilho natural que só os olhos dela têm, mas a separação conseguiu.
Eu já não viveria sem Megan, mesmo que não admitisse. Ela já era parte de mim.
Não faço ideia de quando exatamente passei a sentir atração pelo sexo masculino, ou se isso já nasceu comigo, mas só notei isso a algumas semanas. O causador de tudo isso tem nome e sobrenome: Nicolas Bears, o Nick.
Eu o odeio, eu realmente odeio, ele é o típico jogador babaca do colegial que já pegou todas as líderes de torcida, só que ele não sai da minha mente nem que cortem minha cabeça. Não contar isso a Megan me sufocava, nós não temos segredos, e mesmo sendo totalmente mente aberta, eu tinha medo da sua reação, porque independente da situação a opinião dela sobre qualquer coisa sempre foi a mais importante para mim.
Quando decidi contar a Meg, Charlie e Alexia sobre minha opção sexual, me senti ótimo quando elas me aceitaram sem nenhum surto e Alexia ainda se propôs a me ajudar a me aproximar de Nicolas, o que eu não esperava. Eu realmente tenho as melhores amigas que qualquer um poderia querer.
Passada a alegria no refeitório e nas aulas, Meg estava muito estranha no caminho para minha casa e não disse nada, o que me preocupou e fez pensar que ela talvez não tivesse saído ainda do estado catatônico depois do que eu disse mais cedo, ela NUNCA cala boca.
De felicidade e preocupação, rapidamente fui para tristeza e choque.
O primeiro estágio da tristeza foi quando ela disse que não me ajudaria com Nick, nunca fiz nada sem seu apoio. O segundo estágio foi o pior. Quando ainda éramos crianças, prometi a mim mesmo que nunca deixaria que nenhum cara a fizesse mal (mesmo com sua maneira “insensível” de ser) e descobrir por ela que fui eu que quebrei minha própria promessa, fez eu me sentir a pior pessoa do mundo. Nunca poderia imaginar que ela gostasse de mim desse jeito. Senti-me completamente culpado. Que tipo de pessoa eu sou para exigir que ela me aproxime do Nick nessa situação?
Passei o resto do dia me culpando por ser um idiota e pensando em como me redimir.
Hoje de manhã Alexia me deu carona para a escola, porque depois de ontem, era melhor dar um tempo à Megan.
Agora estou no estacionamento da escola apoiado no Veloster branco de Alexia olhando chocado a cena a minha frente.
Megan está saindo de seu carro e ajudando um Nick com uma perna quebrada a sair do banco do carona do mesmo.
QUE PORRA E ESSA?!
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