I Will Love You Till The End Of Time.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Descemos do carro, e logo Clara abriu a porta. Haviam quatro homens sentados, um bebendo, algumas latas de cerveja, e todos rindo como se tivessem escutado a piada mais suja e engraçada do ano. Pareciam unidos, amigos de muitos anos, dava para sentir a amizade entre eles, porém houve um no qual me chamou a atenção, entre eles, ele era o mais tímido. Ao contrario dos outros dois ele não estava com uma cerveja, assim como o cara que se sentava ao seu lado. Ele estava sem camisa, e usava uma calça larga, com uma cueca super enorme amostra, uma espécie de samba canção, algo assim. Diferente. Cada um ali tinha uma característica marcante. O da direita com os dentes espaçados e olhos azuis como o oceano, o do meio, com um boné, o que estava à esquerda tinha o cabelo mais comprido que os meus, alcançava até um pouco acima dos ombros. E por ultimo, o da cueca samba canção. Ele me intrigava de alguma forma, da qual eu não sei descrever.
Clara puxou-me pelos braços, forcei um sorriso, afinal eu era uma das pessoas mais tímidas que conheço, tinha alguma espécie de medo em chegar perto das pessoas, acho que o interior te estraga nesse ponto... Por um milagre naquele dia do aeroporto eu consegui falar com Clara.
Clara me levou até perto da mesa, e esboçou um sorriso, colocando sua mão em meus ombros com um sinal amigável. O cara do cabelo “comprido” logo se pronunciou.
- Olhe Flea, parece que clara trouxe uma visitinha. – Ele levantou a sobrancelha.
- Sim, Anthony. Essa é Charlie, uma colega minha que conheci ontem no aeroporto. Ela gosta de fotografia e veio estudar aqui, não é o máximo, pai?
- Bom, uh, Clara... — O pai de Clara se levantou.
- Bom pai – Ela fez uma pausa – Meninos, trouxe ela aqui para almoçarmos juntos, e, por favor, se comportem! – Eu sorri de leve, com a cabeça baixa, e ao levantar percebi um olhar que me incomodava um tanto. O cara da cueca samba canção. Um olhar que pareceu durar horas, e na realidade durou só alguns segundos.
- Quero apresentar-lhes para ela, se me permitem. – Ela foi interrompida.
- Ela não nos conhece?! – O cara do boné exclamou o que me soou um pouco sarcástico.
- Não... – Ela fez uma pausa e apontando pra cada um disse-me seus respectivos nomes.
- Bom, então... Vamos ver se decorei: Flea, pai de clara certo? – Apontei, e ele fez um sinal de “sim” com a cabeça. – Anthony, Chad, e...? Acho que não me lembro o seu nome... — Apontei para o da cueca.
- John. John Frusciante.
- Charlie, sinta-se abençoada por estar conhecendo um dos melhores guitarristas desse mundo! – Disse Flea.
Eu sorri, estendi a mão, e então ele beijou-a levantando o seu olhar. Anthony olhava com um ar de “estou vendo no que isso pode dar” e logo quebrou o “gelo”.
- Bom, se veio almoçar aqui, porque não se senta com a gente?
- Isso! – O grandão do boné disse. – Só acho que se veio almoçar com a gente deveria experimentar essa cervejinha, ta ótima para o dia de hoje, o que me diz?
- Não, obrigada! Não bebo.
- Como não?! Fiquei chateado agora... Não terei companhia é isso?
Soltei uma risada tímida, e respondi com um “infelizmente”.
- Essa é das minhas! Só me diga que é vegetariana e veremos se podermos ter um caso... – Anthony disse, em um tom de piada, que me fez rir novamente, e dar a mesma resposta que dei a Chad. – Poxa, então perdeu gata! – Ele brincou, e fez um biquinho, daqueles que a gente faz quando pede um beijo a alguém. Eles me pareciam muito divertidos.
O almoço foi divertidíssimo, piadas? Muitas! Acho que nunca ri tanto na minha vida. Levantei-me para levar o prato para a cozinha o que fez coincidir na mesma hora em que John levantou. Fomos à cozinha, deixei o meu prato em cima do balcão, John só me observava, quieto. Quando cheguei até a porta, fui surpreendida por um “espere!”.
- Oi?
- Me desculpe por esse “grito” – Ele sorriu o que me fez sorrir também. – Qual o seu nome mesmo? – Sua voz era doce, um pouco diferente, mas conseguia ser doce e com uma pontinha de fofura.
- Charlie. Charlie Miller.
- Belo nome! – Exclamou, deixando os pratos dentro da pia.
Voltei para a sala de jantar e alguns já não estavam lá, exceto por Clara que me esperava, sentada no sofá, com os pés balançado parecendo extremamente nervosa, e ansiosa por alguma coisa, logo me lembrei do dia de ontem, no aeroporto.
- Você esta bem? Disse, sentando-se ao seu lado.
- Estou, porque a pergunta? – Ela riu.
- Você não para de balançar essas pernas, parece que tem algum problema, que esta nervosa ou ansiosa...
- Ah! Isso? – Ela fez o movimento novamente.
- Sim!
- Bom isso é um tique, de infância. Mas isso não importa. Consegui um negocio pra você, digamos que um presente de boas vindas.
Um presente? De boas vindas? Como?
- Um presente? – Perguntei.
- Sim, bem... Não sei se será um “presente” – Ela fez o sinal das aspas. – Consegui isso, porque achei que fosse gostar e que estivesse interessada.
- Então, diga e largue de mistério, Clara! – Exclamei.
Ela abriu sua bolsa e pegou um papel, pequenininho e dobrado em várias partes. Desdobrou-o e entregou-me, dentro dele havia um número.
- O que é isso? – Perguntei.
- Isso? Bom... Não vou dizer de quem é apenas ligue. Acho que gostará da surpresa.
Fiz uma cara de interrogação para clara, ela riu com a minha reação. Confesso que aquilo me intrigou um pouco. Logo ela fez um convite para passearmos pelas ruas londrinas, e me mostrar algumas lojas. Pegamos nossas coisas, e Flea, que caminhava até a cozinha, levando algumas latinhas de cerveja que pareciam ser de Chad, fez uma pausa e disse:
-Mas já vão?
- Sim pai, apresentarei pra ela os pontos turísticos mais lindos daqui.
- Não deixe de passar na Abbey Road! E conte sobre a história desse lugar pra ela, incluindo a nossa, tudo bem?
- Pode deixar papai! – Ela se encaminhava pela porta e por final disse – Vamos?
- Vamos!
Bom, conhecer a Abbey Road e pisar no mesmo chão que os Beatles me parecia uma ótima ideia.
Notas finais
Beijão!
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