Notas iniciais
E aí, o que acharam desse capítulo?
Espero por reviews hein?! Beijo ♥

Eram quase sete horas da noite quando eu estava voltando para o hotel, vindo do curso, o dia estava frio, e o céu nublado. Cheguei ao hotel, querendo tomar um longo e demorado banho, mas confesso que não estava com muita coragem devido ao tempo então fiquei enrolando um pouco. Deitada sobre a cama comecei a pensar nos acontecimentos que haviam acontecido nessa minha primeira semana em Londres. Conheci uma amiga, seu pai, uma banda de rock famosíssima (que por um acaso estava realizando um show hoje, fazendo Clara morder-se de ansiedade durante as aulas), e um cara que com um único e misero olhar mexeu com os meus pensamentos.

Em um rápido olhar visualizei a cômoda, do lado da cama, e em cima, o papel que John havia me dado. “Caso queira me ligar...” John era um cara simpático, e me fazia rir demais, daria para um ótimo amigo, eu diria. Os pensamentos me fugiram a cabeça quando o relógio apitou às nove horas. Arrumei coragem para tomar um banho (quentíssimo por sinal) e descer para o jantar no hotel. Sentei-me em uma mesa de dois lugares, e enquanto comia, uma garota sentou-se nela também e logo fez questão de puxar assunto.

– Oi... Meu nome é Dominique, prazer! Acho que já te vi andando pelos corredores da Thompson's School of Photography... Você estuda lá não é? – Ela me perguntou abrindo um sorriso simpático.

– Sim, estudo! Não diga que estuda lá também?! – Retribui o sorriso.

– Na realidade não... – Ela falou meio desapontada. – Mas mesmo assim temos uma coisa em comum.

Alguma coisa em comum? Mas ela nem me conhecia! Fiz um olhar meio desentendido e disse:

– Temos é?

– Sim, temos... – Ela fez uma pausa esperando para uma resposta minha. Fiquei em silencio e Dominique retornou. – Clara e John!

De repente minha face foi tomada por uma sensação de espanto. Uma sensação de espanto muito forte e a primeira coisa que me veio a cabeça foi “o mundo é realmente pequeno!”

– Você os conhece? Mas como? – Ri.

– Bem... John é um grande amigo meu de longa data e Clara também. Considerando-se que John é o seu padrinho e amigo, somos... Digamos – Ela parecia procurar alguma palavra para completar a frase.

– Digamos?

– Inseparáveis. – Dominique disse com um tom muito maduro em sua voz.

– Isso é incrível! Clara é uma ótima companhia!

Dominique concordou em um gesto rápido com as mãos apoiando seu cotovelo sobre a mesa, e depois suas mãos sobre o queixo.

– John contou-me que conheceu uma garota, de um belo sorriso, cabelos curtos e pretos, branca, e que tinha o sorriso mais lindo já visto por ele.

Após essas palavras, senti-me toda vermelha e envergonhada. A frase “o sorriso mais lindo já visto por ele” passava-se como num flashback na noite do parque.

– Uh... Ah... Ele falou isso pra você?

– Sim, somos confidentes. Fizemos esse trato a alguns anos, conto tudo pra ele e ele conta tudo pra mim! John além de ser amigo é irmão também. – Ela tirou a mão do queixo e retornou ao seu prato de comida com mais uma garfada.

Aquela conversa parecia não fluir e Dominique insistia no assunto “John”, dei algumas aberturas para ela, para saber mais sobre o “homem da cueca samba canção” e algumas coisas em particulares me chamaram a atenção e ficaram rondando a minha cabeça durante um bom tempo, mas depois tentava fugir sobre esse assunto.

Dominique e eu conversamos por exatas duas horas. Ela deixou seu telefone comigo, e disse que a minha companhia para no jantar foi ótima. Minha companhia? Mas eu não tinha assunto nenhum meu Deus! Retornei para o meu quarto, já eram quase onze horas quando resolvi me deitar. Meus pensamentos estavam todos embaralhados e me rondavam como se fosse monstros em quartos de crianças. Por um momento fechei os olhos e a figura de John aparecia, eu não conseguia parar de pensar naquele cara e no seu olhar, acho que clara havia jogado ou feito algum tipo de mandinga para mim, pois não era possível uma pessoa pensar em outra tanto tempo assim, e nem conversamos direito!

Meus pensamentos estavam confusos, eu estava confusa, e tudo estava confuso... Por um momento peguei o telefone e digitei os três primeiros números, mas parei no meio do caminho, achando melhor não realizar a ligação.

Desci para caminhar nos arredores do hotel, quando vi uma movimentação e um rosto no meio de uma rodinha de pessoas me pareceu familiar. Era Clara. Ela fez um sinal com a mão, me chamando para aquela rodinha e eu fazia que “não” com a cabeça, logo ela veio ao meu encontro, com uma garrafa de cerveja na mão, e puxou-me pelos meus braços.

– Vamos, venha se juntar a nós e pare com essa timidez Charlie!

– Depende de quem esta lá. – Brinquei

Sorrimos e então fomos até a rodinha, para a minha surpresa lá estava John e Dominique, e mais alguns amigos de Clara. Tentei me incluir nos assuntos em questão mas, minha timidez fazia com que minha voz não saísse e o mínimo que saia era em um tom muito baixo.

Havia uma piscina ao lado, então sai da roda e sentei-me em sua beira, colocando os as pés sobre ela e fazendo um movimento de vai e vem.

Uma silhueta surgiu ao meu lado, sentou-se e colocou seus pés na água também, a silhueta olhava para as estrelas assim como eu, virei para o lado em um movimento discreto, e percebi que era John. Mas será possível?

Ele começou a brincar com os seus pés, batendo nos meus fazendo espirrar a água.

– Pare! – Eu disse, rindo.

– Achei que não fosse falar comigo... – Brincava com os pés em um movimento mais leve.

– Mas estou falando agora, oras! Virei-me para sua face, e larguei um sorriso.

– Sabe, depois do dia do parque achei que nunca fosse ver mais esse sorriso. – Ele passou seus dedos de leve em meu queixo. – Achei que você fosse me ligar, mas não recebi nenhuma ligação durante esses dias...

– John, John! Temos que ir! – Dominique disse em um tom alto e chamando-o com as mãos.

Abaixei minha cabeça, sorri de leve, e ele retornou bem baixinho próximo aos meus ouvidos:

– Espero que me ligue, desta vez. – E sorriu.

Após a saída de Dominique, John e mais alguns amigos, ainda fiquei sentada sobre a beira da piscina, pensando em suas palavras. Outra silhueta surgiu e sentou-se do meu lado, era Clara, e que logo riu maliciosamente:

– Vi vocês dois conversando... Pareciam dois idiotinhas apaixonados.

– Puf – fiz um sinal de “não” com a cabeça. – Vai começar com esse papo de novo é?

– Vou, até você aceitar para si mesma que esta apaixonada!

– Não estou.

– Esta!

– Não estou!

– Esta sim, pare de ser birrenta.

– Clara... O amor não existe! Só aquele que você tem pelo seu pai e sua mãe.

– Até ele bater na sua porta. – Ela disse baixinho, quase em um tom incompreensível.

– Como?

– Nada... – Virou a cabeça e deu de ombros.