I Want You Just For Me

26 Capítulo 26 - Saindo De Casa


Notas iniciais
Olá lindas,
Bem aí está mais um capítulo ^^
(eu não estou muito legal hj então, nem vou falar muito.)
-(ignorem os erros, o importante é entender :D )
Enjoy ^^

Quando eu comecei a gostar de uma garota, uma pessoa do mesmo sexo que eu, não me importei com o que iria acontecer, e pensando bem, nem deverería. Afinal, eu gosto dela e que se foda o resto.

O que mata nessa vida de ser humano é a porra do preconceito. Ele é capaz de te derrubar, mesmo você lutando, ainda mais quando é "você" contra a maioria, que quase sempre sai ganhando.

Mas não importa se eu estou errada ou não, amanhã será um dia decisivo pra mim. Marina já estava ciente do que eu iria fazer.

No dia seguinte, já que eu não iria pra escola, e nem pra outros lugares, pelo ao menos é o que meus pais pensavam, decidi esperar eles saírem de casa pra colocar meu primeiro plano em ação. Não iria fazer tudo de uma vez.

Marina havia dormido comigo, já que essa noite eu chorei muito. Ela estava me "acalmando".

Deixei um recado em cima da mesinha dizendo aonde eu provavelmente estaria, na casa da Marie. Marina me emprestou o celular para que eu pudesse ligar ontem pra minha amiga, e por isso hoje ela estaría em casa.

****

Depois que conversei com Marie, voltei pra casa e agora sim, eu iria fazer o que era certo pra mim. Arrumei minhas coisas, ou melhor, o necessário. Juntei em uma mochila e deixei um recado pra Marina, que já estava no curso.

"Marina, amo muito você e por isso estou lhe comunicando que estou deixando essa casa.
Se eu não confiasse tanto assim em ti, jamais lhe daria informações minhas, mas pode ficar tranquila que assim que eu chegar ao meu destino, eu irei ligar e contar como estou.
Por favor, finja que não sabe de nada quando papai e mamãe perguntar. Faça o máximo que puder, sei que é boa nisso.
Mas então, é isso. Sei que acha errado eu fugir de casa, mas você já sabia que iria fazer isso, e foi até você mesma que me disse para lutar pelo meu amor.
Obrigada minha irmã, conto com sua ajuda.
Beijos e até a próxima comunicação
By: Annie."

Saí de casa e fui pra Marie, deixei minhas coisas lá, mas eu precisava ver a Juliana, contar o que aconteceu. Bati na porta da casa dela.

—Sua doida, por que não foi hoje? -Ela perguntou. —Juliana, tenho que falar com você. —Da ultima vez que conversamos, você terminou comigo.

Entrei e sentei no sofá. Ela foi até a cozinha pegar refrigerante pra mim e uma cerveja pra ela.

—Então, diga. —Minha familia já sabe sobre a gente. —Uau, que show. —Não é show. —Como não, agora vou poder dormir no seu quarto. —Juh, não é assim. Acontece que, meu pai já deve ter feito a transferência de escola, além de tirar tudo o que eles me deram. —Pera ae, está querendo dizer que ela proibiu você de me ver? —Sim. —E por que você está aqui agora? —Eu fugi. —Você está maluca, Annie? Pirou? -Juliana surtou mais que minha mãe. —Cara, eu quero ficar com você, eu não vou te deixar. —Mas Annie, não é fugindo de casa que as coisas vão se resolver. —Você quer ou não ficar comigo? Somos ou não namoradas? —Somos, claro. Mas não concordo com isso. —Ninguém concorda, Juh. Eu me entendi com a Marina, que afinal, me tratou melhor que nossos pais. Ela me deu apoio!

Juliana se ajoelhou na minha frente, e nos beijamos.

—Vai ficar tudo bem. —Eu espero.

A noite chegou, e eu já pensava no que meus pais e Marina iriam fazer depois que percebessem que eu não estava ali. Isso, se eles sentirem minha falta.

—Você não quer ligar pra Marie? —Agora não. —E pra Marna? —Também não, porque se meus pais estiverem lá, vão querer saber onde estou, e ele vai brigar com a Marina caso ela não contar. —Tudo bem. -Juliana foi até a cozinha e voltou com outra garrafa de cerveja.

—Você vai acabar ficando doente com tanta cerveja que bebe. —Você vai dizer que não bebe? —Bebo, mas não compulsivamente igual a você. —Eu não bebo só cerveja, mas é o que tem na geladeira hoje. —Ah é? O que mais você bebe? —Tudo. Menos refrigerante, porque estraga o seu corpo por dentro. —Ah e alcool faz bem? —Pra mim, sim! -Ela teve um surto. —Annie, você tem que provar uma bebida que eu e meus amigos inventamos. Muito boa mesmo. Vamos lá em cima.

Subimos as escadas e entramos em seu quarto, estava a mesma coisa desde a última vez que eu estive aqui. Mas uma coisa que eu nunca tinha reparado era que, atrás do seu criado mudo, tinha um frigobar embutido na parede, era como um cofre. Ela retirou uma garrafa de cada, e um limão. —O que você vai fazer? -Surtei. —Tu vai gostar.

Ela colocou um pouco de tudo em dois copos e me deu pra beber.

—Vira! -Ela ordenou. Eu virei o copo e quase morri. Cuspi aquilo e me molhei até. —Ahhhhhh. Você que me matar, só pode! —Hahahaha. -Ela ficou rindo. —Você é muito amadora, Annie. Aprenda com a mestre aqui. -Ela virou o copo e limpou a garganta. Ficou balançando a cabeça para que fizesse efeito. —Viu só? —Cara, você é muito doida. -Ela preparou outro copo e levou em minha direção. —Agora é a sua vez. E por favor, não joga fora porque isso é muito caro.

Eu fiquei com o copo na altura da boca, e depois de contar até três mentalmente, empurrei o que tinha no copo para dentro.

Quase chorei quando senti aquele líquido queimando profundamente a minha garganta. Agora eu entendo o motivo da voz dela ser rouca desse jeito.

—E ae, gostou? —Claro que não! Isso é horrível. Eu quase morri. —Hahahaha. Não, eu não mataria você. Só depois que ficasse velha. -Ela riu. —Muito sem graça, você.

Nem sei quantos copos daquele troço ela tomou, só sei que eu não bebo aquilo nunca mais.

As horas foram passando, e tudo o que havia acontecido na minha casa, estava voltando a minha mente.

—Tem alguma noticia da Thaíz? -Ela perguntou já bêbada. —Achei que não gostasse dela, e que se chamasse "pink de farmácia". —Mas ela é pink de farmácia. E eu não gosto dela mesmo. Só estou perguntando, porque ela não tem aparecido. —Ela foi embora! -Eu disse triste. —Sério? Ah, esperei por isso, faz tempo. -Ficou toda feliz. —Juliana, por favor! —Ah, desculpa. Eu quis dizer que, é uma pena ela ter ido embora. —É. —Mas por que ela foi? —Não sei. Acho que não aguentou a pressão. —Hum...

Paramos de conversar devido ao nivel de alcool da Juliana. Eu espero não ter sérios problemas com ela no futuro.

****

Acordei com uma luz no meu rosto, percebi que o quarto estava uma bagunça. Garrafas vazias por todos os lados, embalagens de biscoitos espalhados... Eu sempre me perguntei se sou eu quem faz essa bagunça toda. Porque é só eu estar aqui, que acordo na lixarada.

—Meninas, hora de acordar. -Essa não, era a segunda vez que a mãe da Juliana me pega aqui na casa dela com a filha dela. Fiquei toda tímida, mas dessa vez , nada de roupa espalhada pelo quarto. —Juliana, você tem escola. -Juliana com muito custo levantou pra tomar banho. Isso explica porque ela sempre chega atrasada.

Enquanto Juliana tomava banho, eu estava na cozinha ajudando a Strª mãe da Juliana.

—Você não vai pra escola? —Vou, quer dizer, não. —Por que não? —Meu pai pediu transferência. —Vai se mudar? —Não. Na verdade meus pais não querem mais que eu estude aqui. -Fiz uma pequena pausa. —Contei á eles sobre Juliana e eu. —Hum... Eles proibiram você de vê-la, e você figiu de casa. Estou certa? —Está. -Eu preparei o café. —Não vou dizer o que com certeza, ela já deve ter dito. —Tudo bem. —Mas não acha que eles vão procurá-la logo aqui? —Não, eles não sabem aonde a senhora mora. —Vcoê é muito esperta. -Ela bagunçou meu cabelo.

Juliana desceu toda arrumada, quer dizer, blusa, calça, all star e mochila.

—Gente, eu estou atrasada. Beijos. -Ela saiu e eu fiquei meio sem graça por ter preparado um café pra minha namorada. Achei que pelo ao menos ela fosse tomar um gole.

—Bem, saiba que aqui é a sua segunda casa. Bom café a nós! -Tomamos café enquanto conversavamos sobre Juliana.

—A Juliana tinha uma mania terrível de passar a mão na bunda das garotas da escola. Até que um dia eu tive que ir na escola porque uma menina lá reclamou. —Quantos anos ela tinha? —Treze. —E como a senhora... —Por favor, use "você" ao invés de "senhora". —Tudo bem. E como você soube que ela gostava de meninas? —Um ano antes. Na verdade eu fui a influência dela. Ela sempre soube que eu namorava com uma mulher, depois que o pai nos deixou. Eu trazia minha namorada pra cá. Ela só seguiu os passos da mãe. —Você ficava com uma mulher na frente da sua filha quando ela era uma criança? —Sim, o que tem de mais? Eu não ficava do modo de "desrespeito" não. —Ah sim. —Mas então, como soube que gostava da Juliana?

Seria um ótimo assunto.

—Eu entrei nessa escola ano passado. Mas eu repeti o 2° ano e quando eu fiz algumas amizades, eles me falavam dela. Diziam que ela era chata e falsa, e que não seria um bom caminho fazer amizade com ela, mas daí começamos a estudar na mesma turma, e ela ficava me encarando, aquilo me incomodava muito, depois ela veio dando em cima de mim e eu recusava porque gostava de um menino lá. Mas foi no banheiro que eu comecei a perceber que... Eu sentia algo por ela.

—O que aconteceu? Ela te agarrou? —Não, ela quase deitou emcima de mim pra pegar um pedaço de papel, nossos corpos se tocaram e eu senti sua respiração ofegante no meu pescoço. —Ui que excitante. —Hahaha, na hora eu pensei a mesma coisa. Daí eu percebi que estava atraída por ela. —Que lindo. -Ela bateu palmas curtas. —Eu que pensei que a Juliana tinha agarrado você. -Ficou rindo.

Depois que terminamos o café, fui ajudá-la a arrumar a casa. Quando acabei, fiquei em seu computador, lá no quarto. Pensei em deixar uma mensagem off pra Marina, mas achei melhor falar com Marie.

"Oiie amiga, estou com saudades.
Acho que a Marian já te avisou, mas estou na casa da Juliana.
Eu saí de casa porque meus pais não me aceitaram.
Eu sei que isso não é o certo a se fazer, mas pense bem:
É melhor eu ficar aqui, com pessoas que me aceitam como eu sou,
que eu conheço,
do que ficar com meus pais que querem que eu seja
alguém que eu nunca vou ser.
Mas então, não conte nada á ninguém.
Bjs : Annie"

Notas finais
Ufa~~ nossa, esse capítulo ficou bem grandinho, já estava com saudades de escrever assim ^^
-
Bem, continuem comentando ^^ até a próxima