I Want You

3 Três: Motivo se tem.


Notas iniciais
O caítulo não ficou pequeno, ele é pequeno propositalmente.
Espero que perdoeem a minha demora e que gostem deste capitulo novo. Não briguem comigo, sofrer faz parte de amar, mesmo que eu discorde!
Boa leitura!

Não chore se eu disser que já vou
Você quem quis assim, vai sofrer
Não faça eu perder a razão

Você machuca o meu coração

Voltava da reunião que Yamamoto Soutaichou havia requerido, Isane a seu lado tagarelava alguma coisa, mas a cabeça dela estava presa em um pequeno detalhe que certamente ninguém mais tinha notado, os olhares que ele a lançara.

Olhou para cima e viu o céu rosado do fim de tarde, gostava daquele tom estimulava-a. Suspirou e sorriu para a fukutaichou que a olhava com um semblante sério.

- Algum problema Isane?

- Nenhum Unohana Taichou, mas talvez a senhora não possa dizer o mesmo.

Unohana sorriu pequeno, sua subordinada conhecia tanto assim de si, ou era ela quem estava deixando transparecer demais suas preocupações?

- Não é nada demais Isane, apenas preocupações corriqueiras.

A mais jovem acenou com a cabeça, aceitando aquela explicação. Voltaram para a bantai em silêncio, Unohana deu o restante do dia de folga para Isane, os dias estavam calmos ultimamente e o contingente na bantai bastava, além do mais ela estaria a apenas alguns metros de distância na área residencial da Yon, e assim voltou para seus aposentos para tomar um bom banho quente e relaxar um pouco.

Ukitake estava recostado na parede, olhando as estrelas que vinham despontando no céu, raramente ele ia para uma das reuniões, porque sua saúde era posta em primeiro plano pelo próprio Soutaichou, mas como vinha demonstrando uma melhora pode frequentar aquela. Mas talvez ele preferisse não ter ido. Fechou os olhos e engoliu a raiva que crescia dentro dele. Ele sabia, era consciente de que Unohana tinha um affair, era assim que ele gostava de o chamar, a palavra amante pesava demais. Porém nunca passara pela cabeça dele quem poderia ser, ele nem queria pensar nisto para inicio de conversa. E nestes últimos meses ele vinha melhorando unicamente para ela. Então seu nobre coração dizia-lhe que aquilo não deveria ser nada demais.

Socou a parede.

- Droga! – reclamou quando sentiu a fisgada do corte profundo nos nós de seus dedos, e a dor lancinante quando tentou meche-los só provou que ele acabara de quebrar o metacarpo.

Com o som forte do soco logo Rukia estava parada olhando com os olhos arregalados.

- O que foi Ukitake Taichou, porque…

- Não foi nada demais, apenas uma onda de raiva. – ele respondeu com um sorriso. – Comum entre os capitães não concorda?

A recém alocada fukutaichou da juusan se aproximou olhando para os lados, conhecia o capitão por tempo suficiente para saber que ele não era do tipo que deixava a raiva tomar conta e simplesmente saia por ai socando paredes. Tocando o cotovelo dele ela o olhou nos olhos.

- Como isto não é da minha conta, eu não vou dizer nada…

- Obrigado.

- …mas acho que o senhor deveria mandar darem uma olhada nesta sua mão.

E isso não se faz,
se eu disser,
Se eu disser que vou, vou sofrer
Sofrer de amor , pra mim, é morrer
Eu sou um sonhador, e você ?

Ele estava sentado em uma das macas daquele local com cheiro de éter, poderia ser atendido por qualquer um ali, mas todos com quem ele falava olhava bem para ele e saiam dizendo qualquer coisa sobre a capitã Unohana. Olhou para a mão sobre seus joelhos que inchava cada vez mais e começava a tomar aquele tom magenta dos hematomas. Viu Hanatarou passar pela porta e chamou o jovem.

- Pois não Ukitake Taichou? – ele disse com aquele olhar caído. – No que posso ser útil.

- Preciso de uma tala ou algo assim, — ele apontou com a mão sã para a outra. – Mas ninguém parece querer fazer algo.

- Ah sim, estamos tentando localizar Unohana Taichou, mas nem ela nem Isane Fukutaichou estão nos domínios da yon.

Então Unohana não estava. Algo dentro do capitão doeu mais do que sua prejudicada mão. Ele estava prestes a se levantar e sair dali quando sentiu a confortante reiatsu de Retsu.

- Onde ela estava? – uma voz perguntou do lado de fora.

- Como se nós fossemos alguém para saber. – a outra respondeu. – Quem a encontrou foi… Boa noite Unohana Taichou!

O cheiro dela chegou primeiro, e quando a viu sua garganta ficou apertada porque ele teve certeza de que ela estivera com ele. Ela não tinha aquele cheiro doce que era o seu característico, estava misturado com um cheiro forte, verde.

- Juushirou! – ela repreendeu.

Quando ela o tocou ele se afastou dela pela primeira vez na vida.

- Dói?

- Mais do que você pensa. – ele tocou o centro de seu peito com a mão sã.

Unohana olhou para as pessoas que ouviam e sem precisar dizer uma única palavra foi deixada a sós com Ukitake.

- Quando? – ele perguntou enquanto arrumava as coisas para cuidar da mão do capitão.

- Hoje na reunião. – Ele respondeu. – Estava muito claro.

- Eu…

- Não precisa falar nada Retsu. — Eles se encararam. – Eu até te entendo, mas ainda assim dói.

Eles se encararam, e os olhos deles eram como duas espadas em brasa que cravavam em seu coração. Nunca pretendera fazê-lo sofrer, mas o fazia.

- Não vou nem pedir desculpas, isso não se faz.

- Você tem o direito de escolha. – ele disse quando ela segurou-lhe a mão para cuidar do ferimento. – E eu vou entender se o escolher.

- O único que tem direitos aqui é você! – ela disse suturando o ferimento. – Eu lhe causo dor demais e por isto perdi muitos dos meus direitos.

- Você é feliz? – ele perguntou de modo automático. – Não, por favor não me responda o quanto ele te faz feliz, não quero sofrer mais!

Unohana segurou o queixo de Juushirou e lhe beijou a testa.

- Ninguém além de você é capaz de me dar felicidade! – Eu sou uma imbecil que quer ter mais do que merece, mesmo quando só em ter você já é mais do que eu poderia pedir, exigir ou querer!

- Não a culpo por nada. Acho que ambos fomos culpados eu por me acomodar, você por buscar mais.

Ela o calou com um beijo casto, e em silencio terminou o procedimento. Ukitake saiu com a mão enfaixada, e o peito rompido. Nenhuma promessa foi feita, e ela nem poderia prometer, porque ela não tinha a menor capacidade de guiar sua própria vida.

Eles não fariam acordos, não prometeriam um ao outro, nem pediriam, porque se não fossem capazes, iria doer muito mais. O Não dito era mais cômodo, mais acertado naquele momento. Eles esperavam que Unohana pudesse tomar a guia de sua vida. Ela iria tentar ao máximo porque ver aqueles olhos tristes doera mais do que se ele tivesse gritado, feito caso. O silencio dele era pior que as mil ofensas.

Ukitake fechou os olhos, sentia o afastamento deles, queria aquela mulher, não por capricho, por amá-la. E era por isto que ele aguentaria um pouco daquela tortura, pois queria ver aquele sorriso no rosto dela de novo, nem que fosse outro que o colocasse. Ele a deixaria ir se ela pedisse.

Você tem que notar, que eu já fui
Você tem que lembrar que eu te amei
Você tem que chorar se eu sofrer
Você tem que pagar se eu morrer