I Wanna be With You.
26 Capítulo 26 - What I Am.
Notas iniciais
– Então seus inúteis, queimada, montem os times. – O professor Tanaka assoprou o apito, antes de sair da quadra com sua típica cara de poucos amigos. –
Os quatro engoliram em seco; Todos sabiam como eram os jogos de queimada. As Cheerios e os jogadores contra ... Os nerds e excluídos, e é aí onde se encaixam Quinn, Marley, Santana e o mais novo membro da Liga da Justiça, Blaine.
Karofsky escolheu um por um, fazendo questão de deixar seus ‘alvos’ favoritos no time adversário. O jogador bateu um high-five com Azimio e sorriu presunçoso assim que seus olhos bateram em Quinn. A primeira bola vermelha foi lançada em direção a loira, mas pegou em um garoto atrás dela.
– Ô gay enrustido, é pra queimar os outros, não tentar decapitar alguém! – Esbravejou Santana. Aquela bolada com certeza teria deixado algum hematoma. –
– Tira a roupa que você vai ver quem é gay enrustido. – Rebateu Karofsky. –
– Ah é? Você vai fazer o que? Vai roubar meu sutiã pra vestir em si mesmo? –
Enquanto todos riram, o rapaz bufou irritado e jogou a bola em suas mãos com força em direção a Santana. Seria uma pena se a latina tivesse segurado.
– Eita porra ... – Disse Marley, boquiaberta. –
A latina sorriu e jogou a bola de volta em Dave, acertando bem no peito do rapaz, que cambaleou para trás.
– Hadouken! – Gritou a morena, socando o ar. -
Quinn, Marley e Blaine aplaudiram Santana, enquanto seus olhos seguiam um Karofsky irritado saindo da quadra murmurando xingamentos para a latina. Mas Blaine foi o único que notou que ...
– QUINN, A BOLA! – Tarde de mais. A loira caiu de joelhos com as mãos entre as pernas. –
Seus olhos se encheram d’água e ela mordeu o lábio inferior, reprimindo um grito.
– Ops, eu acho que te machuquei, anomalia. Se você fosse normal, não teria doido. – Brincou Azimio, batendo um high-five com Norah. –
– Cala a boca! – Esbravejaram Santana e Marley, enquanto Blaine ajudava Quinn a se levantar. –
– O que? Vão dizer que ela é normal? Garotas normais não tem um pênis. –
– Talvez ela não seja uma garota. – Respondeu Norah. –
– Será que a filha dela é anormal que nem ela? –
– Não sei, mas coitada daquela criança. Ela vai ser tão zoada por ter uma anomalia dessa como mãe. –
– Calem a boca! – Gritou Santana. –
A latina balançou a cabeça negativamente antes de sair correndo com Marley e Blaine; Quinn não estava mais na quadra.
...
Anomalia. Apenas uma palavra, dava mais medo em Quinn do que muita coisa por aí. Não medo, trauma.
Sua infância foi arruinada por essa palavra.
Um ano antes de conhecer Rachel, quando Quinn tinha dez anos de idade, ela teve que mudar de escola pelo menos três vezes. De uma forma ou outra, alguém acabava acertando-a onde não devia, e quando suas ‘condições’ eram descobertas, todos riam ou se afastavam de Quinn.
Não era culpa dela, ela não pediu para nascer assim, mas naquela época Quinn era só uma garotinha tímida, e não sabia se defender disso. Na verdade, até hoje ela não sabia se defender disso.
A loira correu pelos corredores desertos do McKinley até as arquibancadas atrás da escola, onde ela se sentou e abraçou os joelhos, sentido as feridas criadas a muitos anos atrás jorrarem sangue novamente.
Barulhos de passos foram se aproximando, e a loira levantou vagarosamente a cabeça para olhar quem tinha seguido-a.
– Q-Quinn ... ! – Uma Marley suada e ofegante apareceu no pé das escadas. –
A morena logo foi atropelada por Blaine e Santana, os três cairam no chão com um baque surdo.
– Ai, emagreça, Lopez! – Disse Blaine, arrumando os óculos tortos assim como Santana. –
– Quieto, purpurinado! – Rebateu a latina. –
– Olha ... Não é por nada não, mas ele tem razão ... – A morena levou um tapa de Santana. –
Quando as duas iriam iniciar uma de suas famosas briguinhas, Blaine as interrompeu.
– Viemos aqui para falar com a loira, lembram? –
As duas assentiram a contragosto, murmurando xingamentos enquanto subiam as escadas até onde Quinn estava. Os três se sentaram envolta da loira, colocando as mãos em seus ombros. Todos estavam em silêncio, até que Quinn se pronunciou.
– Eu sou anormal? – Indagou ela, levantando a cabeça entre os joelhos. –
– Claro que não! Aquelas pestes que são idiotas, Quinn você é a pessoa mais normal de nós três! E considere isso um elogio! – Disse Marley. –
– Quinn, eles são só criançinhas mimadas que maltratam os outros pra chamar atenção. – Emendou Blaine. –
– Azimio tá louco do cu porque você pega aquela anã de jardim, simples. –
– Olha a boca! – Marley e Blaine repreenderam, e a latina revirou os olhos. –
– Tanto faz ... – Respondeu ela. –
A loira abraçou os três de uma maneira desajeitada. Marley sorriu e apoiou o queixo na cabeça de Quinn. Santana tentou se soltar mas no fim acabou cedendo, e Blaine abraçou Quinn o mais forte que pode.
– Eu amo vocês ... – Ela sussurrou. –
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– Você vai cair se continuar ai. – Disse Frannie, adentrando o quarto de Quinn. –
Quando as aulas terminaram, Quinn foi para a mansão Fabray, não que ela quisesse evitar Rachel ou coisa do tipo, ela queria pensar um pouco, ter um tempo sozinha, aquela manhã reviveu muitos fantasmas de seu passado. A loira chegou e se trancou no seu quarto, e desde então, estava sentada na grade da sacada, observando ... O nada.
– Quinnie ... O que foi? –
– Nada. – Respondeu a mais nova, sem olhar para a mulher loira atrás de si. –
– Eu conheço a irmã que eu tenho. O que foi? – Insistiu Frannie. –
– É uma situação complicada ... Eu ... Sou estranha. – Quinn finalmente se virou para a irmã. –
– Quinn, é completamente normal adolescentes se sentirem excitados com personagens de quadrinhos ... A Mulher Gato é uma figura completamente sexy –
– Não é sobre isso que eu to falando! – A loira ralhou, completamente vermelha. –
– É sobre a minha condição ... Sobre eu ter o que você não tem ... –
– ... Charlie? –
Quinn bateu a mão no rosto; Como alguém como Frannie pode estar cursando medicina?
– No meio das pernas, Fran. – Explicou a loira, massageando as têmporas. –
– Oh! ... O que tem? –
– O que tem!? Fran, isso não é normal! Não é como se eu fosse uma garota, ou um garoto ... O que eu sou? –
Frannie já tinha visto aquele olhar no rosto de Quinn; Sua irmã lhe perguntara isso pela primeira vez quando tinha apenas dez anos. Naquela época, acabaram descobrindo sobre a intersexualidade de Quinn, e como crianças são cruéis, não deixaram barato para a loirinha, oque resultou na trasferição de escolas ... Três vezes.
– Quinn, você é você! Quando você começou a se abater por isso? Você é forte, e melhor do que todos os idiotas que falaram de você, Little Lamb. – Fran invadiu o espaço pessoal da irmã, puxando-a para um abraço. –
Quinn sentiu-se confortavél ali; Existem coisas na qual só um irmão mais velho pode te reconfortar. A loira finalmente se sentiu acolhida o suficiente para permitir-se chorar. Ela foi forte por todo esse tempo, não derramando uma lágrima sequer mesmo quando sua vida estava literalmente na merda.
Ela só conseguia se abrir assim com Frannie, as duas compartilhavam um laço fraternal extremamente forte.
– Little Lamb, eu vou te contar uma história.
A dezesseis-quase-dezessete anos atrás, mamãe e papai me contaram que estavam esperando um bebê. Eu fiquei muito feliz, me imaginando com uma irmãzinha na qual eu poderia ensinar várias coisas. Não demorou muito e foi confirmado que não haviam um, mas sim dois bebês, dois garotos, para ser exata. Eu não gostei muito daquilo, eu queria uma irmãzinha, e não dois pirralhos de fuça igual. -
Quinn riu com o comentário.
– Quando eles nasceram, não eram dois meninos, eram um menininho bocudo e uma menininha intersexual. Ninguém ligou para aquilo, os dois eram igualmente amados na família. Eles cresceram, se mostrando o oposto um do outro; O menino era inquieto, a menina era tímida. Muita gente riu da menina, mas na verdade, ela era tão normal quanto as pessoas que zoavam ela. –
A mais velha se afastou de Quinn, apenas para olhar fundo nos olhos avelãs.
– Você é melhor que eles, Little Lamb, não tenha vergonha de ser quem você é ... Você é foda! –
A loira apertou o corpo de Frannie contra si, sorrindo para a irmã mais velha.
– Você também é! ... Mas eu vou indo, eu tenho uma filha, lembra? – Indagou Quinn, finalmente se soltando dos braços de Frannie. –
– Valeu, Fran. – Disse ela, saindo de seu antigo quarto. –
Frannie sorriu consigo mesma; Era bom ver que ela ainda conseguia animar sua irmã, mesmo depois de tanto tempo longe. Ela sabia que o preconceito que as pessoas tinham com Quinn não iria acabar agora, mas era bom ver que a loira tinha um porto-seguro. Rachel, Charlie, Sam, ela mesma e os outros amigos idiotas de Quinn sempre estariam lá com ela.
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...
– Ele estava em uma festa e se trancou no banheiro ... – Disse Marley do outro lado da linha. –
– Mas o que houve? Ele se machuchou ou algo assim? – Indagou Quinn, preocupada. –
A morena pareceu respirar fundo; Não seria fácil dizer isso. Não é todo dia que se perde um amigo.
– Ele ... E-ele, morreu, Quinn. O Finn morreu. -
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