I Wanna Be Your Favorite Song
4 Capítulo 4
Notas iniciais
O motorista foi embora sem dar socorro. A Thalita me salvou. Eu estava parada na calçada, e não sabia absolutamente nada sobre primeiros socorros. Só sabia que não se pode mudar a posição da vítima, ou algo assim... Eu vi em alguns filmes que pra saber se alguém está vivo, se pressiona o dedo indicador na lateral do pescoço. O Coração ainda bate.
- Thalita, acorda! Thalita! — Eu estava gritando, chorando ou não sei o que. Pra que essa garota foi atrás de mim, eu não sei, mas eu sei de uma coisa: Se ela não tivesse vindo, eu não teria atravessado a rua desse jeito, e provavelmente ninguém seria atropelado!
Peguei o celular e liguei para a SALVAR. Após disso, liguei para os pais da Thalita, do seu celular.
E ali eu tive a prova: Quando algo está ruim, pode piorar.
Não dormi naquela noite, nem na noite seguinte. O Nicolas havia mandado milhões de mensagens, e flores. Pra completar, mais chocolate. Quem me fez companhia foram os fantasmas. Que tentaram de tudo pra me animar. A Thalita estava em coma. Bia estava mais preocupada em fugir de casa do que qualquer outra coisa.
- Ah Julie, eu sei que está sendo difícil pra você — Bia tentou pela primeira vez naquela tarde, ser a Bia que eu conheço — Vamo lá em casa ouvir Arctic Monkeys, Muse... Se você preferir, eu coloco um pouco de Adele — Ela riu
- Ouvir Adele? Toda vez que eu ouço Adele eu sinto que vou terminar feia, gorda, solteira e em uma casa cheia de gatos — Tentei rir um pouco.
- Se continuar comendo tanto chocolate, vai terminar assim — Daniel apareceu. Me assustando de novo.
Me enterrei no travesseiro.
- Bia, trás os LPS pra cá. Não quero sair daqui...
- Comendo chocolate, e sedentária. Sabia que você vai dar uma ótima Tia Gorda? — Daniel continuou
Bia riu e disse:
- Claro Julie. Eu vou e volto rapidinho... Aliais, cadê o Félix e o Martim?
- O Martim saiu, e o Félix está limpando a edícula porque tem muitos 'germes' pra ele.
- Certo... — Bia fez uma cara de 'não acredito' — Eu volto logo.
Ela saiu quase dançando. Não sei como ela consegue fazer isso.
Daniel sentou-se ao meu lado e perguntou o que eu não queria responder.
- Porque você não atende o seu namorado? — Ninguém sabia sobre o Nicolas tarado.
- Porque ele não é mais o meu namorado — Me dei conta do que disse. O Que o Nicolas fez não passa da desculpa perfeita pra terminar o namoro.
- Heim? Vocês terminaram quando? — Quase vi um sorriso no Daniel. Quase.
- Ele não sabe que a gente terminou.
- Não sabe? — Ele levantou a sobrancelha
- É... não sabe... — Quase gaguejei
- Porque isso agora?
- Isso não importa — Eu não queria contar para o Daniel o que o Nicolas havia tentado.
- Tudo bem... Se você não quiser me contar, tudo bem, eu respeito — Ele pegou a minha mão — Saiba que eu sempre vou estar ao seu lado.
Eu tenho uma queda pelo Daniel. Isso é um fato. Ele gosta de mim, outro fato. Mas ele está morto... Seria eu uma necrófila? Só sei que naquela hora, eu só consegui abraçar o Daniel.
Ele retribuiu o abraço e ficamos alguns minutos assim, sem dizer uma palavra.
Até que alguém quebrou o silêncio.
- Vocês não vão adivinhar! — Era o Martim — Eu segui a...
Ele viu o Daniel se desgrudando de mim.
- Olha, eu posso voltar mais tarde, eu...
- Conta Martim! — Eu cortei a conversa dele
- Tudo bem Julie, se você pediu... — Ele sorriu — Eu segui a Shizuko. Ela saiu com o Primo do Nicolas e...
Nicolas. Eu queria esquecer dele, mas parecia impossível. Todos falavam dele, o tempo todo. Querendo ou não, ele fazia parte da vida das pessoas, e eu teria que me acostumar com isso. Me perdi na conversa do Matrim, até o Daniel falar.
- Como assim você estragou o encontro da Shizuko?
- Então... você sabe como é. Fiz ele derrubar suco nela, depois fiz umas caretas no rosto. Ai eu dei um jeito do suco dela ter pimenta e...
- Eu não acredito Martim! — Me dei conta da situação — Coitada da Shizuko.
- Enfim, aprendi com meu amigo Daniel — Martim deu uma piscadela para ele, que revirou os olhos.
- Já ouviu a frase faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?
- Sim, quando eu estava vivo meu amigo! — Ele sorriu — Agora eu tenho que ir, consolar a minha japonesa no facebook!
E ele desaparece. Me deixando sozinha com o Daniel. Mais uma vez.
Meu celular tocou. Era mensagem da Bia.
Amiga, mil desculpas! Vou ter que sair com os meus pais, eles vão me levar para um psicólogo. Enfim, depois a gente ouve os lps! Um beijo.
- É a Bia — Eu disse — Ela não vem mais.
- Ótimo. Porque vamos ver um filme!
- Não vai ser o exorcista, vai?
- Não, vai ser algo mais assustador ainda!
- Ai Meu Deus! — Morro de medo desses filmes
- Napoleon Dynamite! — Ele riu
- Mas esse realmente é assustador heim — Ri mais ainda
- Mas agora é sério — Ele pegou o DVD de Atividade Paranormal.
Eu apenas olhei para o Daniel dizendo não com a cabeça.
Mas em poucos minutos, eu me vi assistindo o filme que eu nunca pensei em assistir, com um fantasma de verdade.
Ver filmes com o Daniel era engraçado, por mais assustador que ele fosse. E eu tenho que admitir que consegui esquecer o Nicolas e a Thalita por algumas horas, e foram as melhores da semana.
O Daniel é único.
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