I Wanna Be With You,

2 Capítulo 2 - verão 8)


Buu! – e senti uma mão no meu ombro, virei pra trás e era ele, sorrimos um para o outro, desligamos o celular. – Você sabe que eu tenho vergonha de berrar pela rua.- ele sentou do meu lado, que pessoa mais encabulada. Eu sou um pouco também, mas bem menos.

- Mas e então, o que você me conta de bom? – olhei pra ele sorrindo, analisei seu rosto, ele tinha um rosto verdadeiramente bonito bem desenhado, e os olhos claros cor de mel dão um contraste com a pele mais morena e os cabelos castanhos mas pêra aí TEM BARBA ALI! – TA NASCENDO BARBA EM TI! – interrompi qualquer coisa que ele tivesse falando sobre “vamos sair e passear pelo sol”. Eu e o Brian não tínhamos barba ainda e isso me fazia me sentir uma criança estúpida, mas eu continuaria sendo assim já o Brian seria um homem musculoso. Me senti o mais Patrick fracassado... Patrick porque olha só esse nome, Patrick parece nome de ameba, sai pra lá.

- SÉRIO ONDE? – putamerda a pessoa não se olha no espelho antes de sair de casa mesmo, nota mental: comprar um espelho pro Brian.

- Aqui oh ! – coloquei a mão dele em cima para que sentisse algo mais áspero no seu rosto perfeito. – Sentiu? – perguntei olhando animado pra ele. Estou me sentindo extra patético no meio da rua mostrando a barba na cara do meu melhor amigo.

- Senti sim, deve ter mais! Estou virando um homem – sorriu satisfeito – e você branquelo? – sorriu debochado dando um soquinho no meu ombro. Se você tiver um amigo ele for muito mais bonitão que você, mande ele a merda e encontre um amigo chamado Patrick você vai se sentir gostosão perto dele.

- Não enche... – rolei os olhos, melhor arrumar um lugar pra ir antes que ele queira ir pra casa se barbear. – Vamos fazer o quê? – perguntei enquanto desenhava uma nuvenzinha no chão, cheio de areia, com um graveto.

- Vamos até o mar, ai nós encontramos as pessoas, e depois a gente volta pra casa e almoça. – que original como se nós não tivéssemos feito isso o verão todo, mas essa é a rotina da praia, ah e o mar. O mar é o lugar que eu mais amo no mundo todo, se eu pudesse morava de frente pro mar, mas estou condenado a viver em um lugar cinza, pelo menos até eu ter dinheiro sair de casa e me mudar pra Austrália. – Vamos lá bonitão! – levantei rindo, estiquei minha mão para que ele pudesse se levantar também. Ele pegou na minha mão e levantou.

- Sua bunda ta cheia de areia! – ele me avisou com um meio sorriso no rosto, essa era a cara de malicia dele, certamente ele pensou alguma besteira, mas isso não era um problema nós nos víamos sem roupa o tempo todo, mas pensamentos às vezes são engraçados.

- Então tira, Brian! – sorri enquanto andávamos, pela avenida em direção a rua adjacente que levava até o mar. Mesmo se você não conhecesse a cidade chegaria até o mar, as ruas vão ficando com mais areia e o cheiro de maresia, que é indescritível, vai ficando mais evidente ou escute o barulho do mar. Ele murmurou um ok seguido de um risinho e foi dando várias batidinhas na minha bunda, fazendo eu ficar completamente desengonçado, andando que nem um pato dessa forma chamando atenção das pessoas. – Ta bom né? – falei rindo indo mais pra frente e andando de costas, para ficar de frente.

- Tá limpo já! – ele riu de forma divertida – Não ande de costas , dá azar. – ele fez uma cara tipo esse boneco u_u eu já fiquei um bom tempo no espelho tentando copiar essa careta, mas sabe tudo que eu consegui foi entortar meu nariz ou parecer chapado.

- Crise de superstição comigo não... – eu ri e depois de perceber o que eu falei ri de novo – até rimo! – fechei os olhos e gargalhei com vontade, ser retardado dá nisso, eu podia ouvir seu riso. Até que do nada sinto ele me puxar e nós dois cairmos em um monte de areia.

- Não é superstição o problema, o problema é ser atropelado Thomas. – mais careta u_u quando ele me chama pelo nome assim direito, é pra me dar lições de moral, certamente o Brian vai dar uma boa mãe. Ele se levantou querendo parecer sério mas os cantos da boca faziam covinha mostrando que ele estava se divertindo com a minha cara de criança.Dessa vez foi ele que me ajudou a levantar, observei ele tirar a areia da bunda.

- Ah ok – falei com ar de quem entendeu a lição- mas eu simplesmente faço essas coisas porque eu sei que você está comigo! – fiz uma cara de gato do Shrek e um sorriso involuntário nasceu no meu rosto. Ele olhou pra mim, sorriu e balançou a cabeça negativamente.

- Vamos lá meu gatão! – ele passou a mão em volta da minha cintura e foi me guiando pelos poucos metros que restavam até o começo da areia – continue certo que eu sempre vou estar aqui pra cuidar de você. – piscou pra mim e sorriu de forma sincera. Você tem um melhor-amigo-irmão-siamês perfeito? Sai dessa, perfeito só o meu Brian. Agente se ama sim sabe, mas é um amor puro, melhores amigos mesmo, nunca passou disso. Todos falam Thomas e Brian se comem, todo mundo enganado, apenas amigos e eu estou completamente satisfeito.

Chegamos na praia e sentamos na areia, deixamos aquela calmaria do mar nos invadir, nessa parte da praia é mais vazio porque é mais pobre, todos aqui são mercenários e querem ficar nos lugares mais chiques. Já nós preferimos um lugar mais tranqüilo, com mais simplicidade. O barulho do mar, o cheiro da maresia eram coisas que me faziam viajar, pensar em tudo. O mar esta com um azul incrível, assim como o céu.

- Branquelo? – a voz dele me despertou da pequena reflexão sobre o lugar onde eu estava. Olhei pra ele e sorri como resposta. – Vamos entrar? – ele tinha um sorriso infantil no rosto. Uma hora ele parecia à mãe logo depois o irmão mais novo. Não respondi apenas o encarei por uns segundos, sorri e com um movimento rápido tirei a camisa, a coloquei em cima dos chinelos, retirei o celular do bolso o jogando no chão e sai correndo.

- Quem chegar por último é o loser ri da coisa ridícula que tinha falado, era bem óbvio, mas azar não precisa ser intelectual no lugar onde só existe, você seu melhor amigo, umas pessoas nada aver e o mar. Atirei-me naquela água perfeita, sentindo o contraste do meu corpo quente com a água gelada, mas logo me atirei na primeira onde que apareceu e me acostumei com a temperatura. Eu esfregava meus olhos depois do mergulho e senti algo pular em cima de mim me fazendo afundar, quem será que se atirou em cima de mim? Nem desconfio.

Ficamos um bom tempo ali, brincando, conversando e até nos afogando com as ondas que nos pegavam desprevenidos, esperamos um bom tempo por nossos amigos mas eles não apareceram. Na verdade eles preferem a praia dos mercenários, lá tem mais gente bacana, por aqui só os pescadores e os surfistas fracassados. Me esqueci do sol queimando minha pele sensível, quem vai se importar com isso quando se está se divertindo? Mães, só que não havia mães nesse momento. Nos esquecemos do tempo, sei lá quanto tempo depois eu lembrei que nós ainda devíamos satisfações para nossos pais e ainda devíamos voltar. Acho que foi porque senti um cansaço e meu estômago roncar.

- Vamos indo Brian? Acho que já estamos aqui há muito tempo... – falei olhando pra ele.

- Vamos mesmo, eu to com fome.

- Também to! – saímos do mar e fomos pegar nossas coisas que estavam na areia, pelo menos era para estar, como de fato estava. Coloquei os chinelos, mesmo estando com os pés cheios de areia, peguei o celular que estava embolado no meio da blusa, esperei que ele se arrumasse e saímos andando. – 2560 chamadas não atendidas, acho que ficamos aqui tempo de mais. – meu semblante ficou preocupado, sempre fomos bons filhos. Isso não quer dizer que às vezes não fazemos loucuras, só não somos delinqüentes. — Mas azar estava divertido! – sorri recebendo outro de volta. Não ia ligar de volta pra receber um sermão via telefone, vou adiar pra quando chegar em casa.

- Aqui só não têm chamadas porque acabou a bateria – ele riu divertido.- Eu estou todo grudento! – ele se tocava, isso se chama sal, acontece isso depois que você sai do mar, vou deixar ele se sentir nojento.

- Que nojo, você é sujo! – bati no seu ombro fazendo cara de menina quando vê barata. Ele riu e me abraçou, eu me debati como se estivesse sofrendo com isso, quando mais me debatia mais ele me apertava e nós riamos alto.

- Vocês dois não tem vergonha? – um homem alto,de bermuda e camiseta parou diante de nós, com uma cara de reprovação. Ficamos envergonhados e nos soltamos, ficando lado a lado, o homem foi abrir a boca pra falar, trocamos olhares e tivemos um ataque de riso, ele bufou e saiu dali murmurando qualquer coisa sem importância. Pelo caminho até minha casa falávamos bobagens.

Parei na frente do portão.

- Vai entrar?

- Já que você insiste. – rimos juntos e ele já entrava na minha casa, pessoa sem cerimônia. Nossas vozes altas ecoaram pela casa silenciosa e nossa atenção foi voltada para minha mãe que estava descendo as escadas de forma rápida e irritada.

- Não avisa mais pra onde vai, com quem ta, que horas volta. Ai depois você morre, eu fico sem filho, sem ao menos saber por quê. Nunca mais faça isso Thomas, é por isso que eu to ficando velha, eu me preocupo de mais, tu já ta bem grandinho pra fazer dessas. – Isso é só o começo, depois vem exemplos do que acontece com pessoas que saem de casa e somem, e por fim a lição de moral. Tudo isso demora mais ou menos vinte, vinte e cinco minutos. Ela é dramática e histérica de mais, pelamor.

- Ta mãe, me desculpa. Não vai acontecer de novo, nunca mais. Eu tava na praia com o Brian, que você conhece bem e sabe que ele não vai me seqüestrar. – nós dois caímos no riso, mas poucos segundos depois me recompus e continuei, antes que ela começasse outra vez. – dái nós dois entramos no mar e perdemos a noção do tempo. Sem estresse! – tentei imitar a careta do Brian.

- Ah oi Brian querido. Como você está? Desculpa não ter visto você antes, sua mãe ligou está atrás de você... Tudo bem meu filho, mas me avise da próxima vez não vai te cair nenhum pedaço seu e eu fico calma. – que mulher louca, credo. Mas eu a amo.

- Tudo bem tia – ele sorriu simpático. – Estou bem, mas vou indo lá antes que sobre pra mim. Tchau! – ele acenou – Só não te dou um beijo porque estou todo sujo de mar. – Os dois sorriram, ela disse que tudo bem e acenou. Ele era o segundo filho dela.

- Vou te levar até o portão. – Saímos em direção o portão.

- Olha só branquelo, vai ter uma festa na praia hoje a noite, esqueci de contar. – ele entortou a boca. – vamos? Depois você dorme lá em casa... – parecia divertido.

- Falo com a mãe e depois te ligo, eu quero ir sim. – sorri, ele se aproximou de mim dando um beijo na minha bochecha salgada, eu fechei os olhos, quando se afastou fiz o mesmo.

- Oks, espero você ligar, até mais branquelo. – e ele saiu andando para sua casa, que não devia ser uma quadra da minha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.