Notas iniciais
Eu simplesmente amei fazer essa história, fazendo o ponto de vista do Nico. Eu nunca tinha feito uma história assim e foi bem legal.

Nico di Ângelo andava só por uma rua deserta. Não que ele estivesse triste por isso, aliás, para ele, esse era o mais perto de diversão.

Ele não gostava de ficar no mundo inferior, e ficar no acampamento com todos o evitando era uma tortura.

Ao contrário do que todos pensam, Nico não gosta de ficar sozinho, ele ficava porque sempre que estava com alguém, essa pessoa tinha medo dele, ou de seu pai, que seja.

As vezes ele queria voltar a ser um menininho. Aquele menino que não era Nico di Ângelo, filho de Hades, que gosta de ficar sozinho, aquele menino que era Nico, irmão da Bianca.

Nico se lembrava todos os dias de quando era um pequeno menino, de quando seu maior problema era que deus tinha mais poder de acordo com as cartas de Mitomagia. Ah, as cartas de Mitomagia! Nico ainda as guardava.

E Nico guardava também sua estatueta do pai, tal que Bianca morreu por ela. Pensar que a morte de Bianca tenha sido culpa dele o consumia por dentro, mas infelizmente ele era filho de Hades, e filhos de Hades tinham que guardar seus sentimentos para si, para não ocorrer um acidente.

Talvez seja por isso que os filhos de Hades são chamados de tristes. Porque, talvez, eles guardem tantos sentimentos, que para eles é mais difícil de sorrir por coisas banais como outras pessoas.

Ah, o que Nico não faria para poder ser como os filhos de Ares, que brigam por qualquer coisa, ou como os filhos de Hermes, que riem por tudo. Eles não sabem como são sortudos.

Nico riu de canto com esse pensamento. Ele olhou em volta, ele estava perto de uma floresta. Dando de ombros, prosseguiu em direção a ela.

O garoto estava andando pela floresta quando ouviu vozes femininas. Mas o que estariam fazendo garotas em uma floresta a essa hora da noite? Ele não sabia, então foi olhar.

Havia uma clareira ali, onde muitas garotas estavam em tendas com detalhes de ouro, elas estavam se divertindo, e nem pareciam estar ligando para o fato de estarem em uma floresta. Eram caçadoras.

Nico tentou sair de onde estava de fininho, pois sabiam que caçadoras apenas toleravam homens e garotos em geral(algumas nem isso), mas o garoto tropeçou em uma raiz e caiu, fazendo pouco barulho, mas o suficiente para os ouvidos apurados das caçadoras escutarem.

– Quem está ai? — Pergunta uma delas, seguida de vários murmúrios. Elas andaram na direção que Nico estava. — Um garoto?

– Ele parece ser novo, quantos anos acha que ele tem? — Perguntou uma.

– Isso não importa. — Outra disse, com os olhos brilhando. — Vamos levá-lo para Lady Ártemis.

Elas estava indo levantá-lo, quando Thalia chegou. Ela estava usando Jeans velhos, uma camiseta preta escrito "Fuck" e uma jaqueta de couro por cima.

– Esperem. — Disse ela com uma voz autoritária e imediatamente todas pararam, como um feitiço, pensou o garoto. — Eu o conheço.

A primeira caçadora arqueou as sobrancelhas mas não disse nada.

– Este meninas, é Nico di Ângelo. — Disse ela e algumas caçadoras se mexeram desconfortavelmente. — Para as novatas, Nico é irmão de uma antiga caçadora chamada Bianca di Ângelo, que morreu em uma luta.

As caçadoras que estavam com expressão confusa mudaram rapidamente seu semblante.

– Vou levá-lo até Lady Ártemis, mas como meu convidado, não prisioneiro. — Dito isso ela ajudou o garoto a se levantar e mostrou o caminho até a tenda maior e mais luxuosa.

– Obrigado Thalia. — O garoto disse quando já tinham se afastado o suficiente.

– Tudo bem Nico. — Ela disse. Agora que estava mais perto, Nico percebeu que ela parecia cansada. — O que está fazendo aqui?

– Eu estava andando por aquela cidadezinha e acabei na floresta. Ouvi vozes femininas e fui verificar. — Disse ele. — Quando percebi que eram caçadoras tentei sair sem ser percebido, mas não deu muito certo.

– Ah. — A garota disse distraída. — Já que você é parente de Bianca, provavelmente Ártemis deixará você ficar por essa noite.

– Não precisa, eu posso me transportar pelas sombras e...

– Fica, por favor. — Ela disse olhando pela primeira vez naquela noite o rosto do garoto. — Faz tempo que não converso com um amigo.

– Tudo bem. — Ele sorriu de lado. — Por você.

– Obrigada. — Disse quando já estavam na frente da tenda. — Lady Ártemis?

– Entre minha caçadora. — Uma voz respondeu lá de dentro. Thalia fez um sinal para que Nico ficasse onde estava e entrou. Alguns minutos depois, saiu de lá e pediu para Nico entrar.

– Nico di Ângelo. — A deusa falou estudando o menino. — Da última vez que nos vimos você era um garotinho, não é?
Nico assentiu relutante. Thalia se sentou e fez sinal para que Nico se sentasse também.

– Vejo que você cresceu. — Ela disse. — E está... diferente. Filho de Hades não é?

– Sim. — Nico respondeu, ainda relutante. Até ali, suas conversas com deuses nunca foram muito boas. A deusa sorriu.

– Todos filhos de Hades acabam ficando assim. — Disse ela.

– Assim como? — O garoto perguntou um pouco rudemente. A deusa pareceu nem se importar.

– Sombrios, sozinhos, com medo de si mesmos. — Disse ela com ar de superioridade. Nico abriu a boca para falar algo mas ela levantou a mão fazendo-o se calar. — Não me diga que não tem medo de você. Porque você acha que reprime seus sentimentos?

Nico abaixou a cabeça. Nesse ponto, Ártemis estava certa.

– Minha senhora, ele pode fica por essa noite? — Thalia perguntou. A deusa ficou quieta por um instante, e então falou:

– Só esta noite. — Disse ela. — Sei que não é o bastante, mas considere isso como desculpas a morte da sua irmã.

– Eu sou o único culpado pela morte de Bianca. — O garoto disse.

– Não. — Ártemis olhou para ele solidária. — Não é.

Thalia se levantou e Nico se levantou atrás dela, já que o que ele menos queria naquela hora, era ficar sozinho com a deusa.

– Thalia, arrume o lugar para ele ficar. — A deusa falou e ambos semideuses saíram da tenda.

– Vamos Nico, você dormirá na minha tenda. — Thalia disse. — Sou a única dentro dela, por isso não vai ter problema com as outras meninas.

– Tá. — Nico disse sem saber mais oque falar.

Thalia o conduziu até uma tenda que era praticamente igual as outras(com exceção à de Ártemis). Lá dentro, ela arrumou algumas almofadas e pegou um cobertor.

– Dormirei aqui. — Ela disse. — Você pode dormir na minha cama.

– Você vai dormir nisso daí? — Perguntou Nico apontando para o amontoado de almofadas. — Nem pensar.

– Já dormi em lugares piores. — Ela disse.

– Eu também. — Ele retrucou. — Eu vou dormir nela e ponto.

– Não, você é o convidado, vai dormir aqui. — Disse ela apontando para a cama.

– Não. — Nico se recusou. — Se quiser que eu fique aqui vai te que me deixar domir nesse amontoado de almofadas.
Thalia bufou e revirou os olhos, mas sorriu.

– Tudo bem. — Disse ela. — Mas se acordar com dor nas costas não reclame!

– Você tá brincando? — Disse ele. — Esse é o lugar mais confotável e parecido com uma cama que eu vejo em semanas.

Thalia riu, e Nico, pela primeira vez em meses, riu também.

– Você conhece essa floresta? — Thalia perguntou.

– Não. — Nico disse. — Eu estava procurando um lugar para ficar sozinho. Essa cidadezinha é bem legal para isso.

– Então, eu quero te mostrar uma coisa. — Ela disse e puxou o garoto para uma pequena trilha na floresta.

Andaram por uns três minutos até a trilha acabar em um pequeno rio com uma cachoeira. Thalia sentou em uma pedra onde dava para se sentar sem molhar o pé no rio.

– Isso é lindo! — Nico disse se sentando ao lado de Thalia.

– Desde que acampamos nessa floresta, eu venho aqui para ficar sozinha. — Ela disse. — Não que eu goste de ficar sozinha, mas as caçadoras de vez em quando me irritam.

– Sei como é. — Nico disse rindo de lado. — Sei exatamente como é.

– Você também não tem um lugar, né? — Thalia perguntou. — Você vive mudando seu lugar.

– Infelizmente, você está certa. — Nico disse. — Até que não é tão chato viajar por ai, eu conheço pessoas de todos os lugares, mas é meio solitário.

Thalia sorriu. Ela sabia exatamente o que ele sentia. Os dois ficaram conversando sobre coisas banais, como os lugares que ambos já tinham visitado e os que eles queriam visitar. Depois de mais ou menos duas horas, Thalia bocejou.

– Está tarde. — Nico disse olhando para o céu. — Vamos dormir?

– Okay. — Thalia disse descendo da pedra atrás de Nico. Eles andaram até a tenda de Thalia e Nico se arrumou nas almofadas.

– Tem certeza que quer dormir ai? — Thalia perguntou.

– Um amigo meu me disse que eu sou como um gato. — Nico disse. — Posso dormir confortavelmente em qualquer lugar.

Thalia riu.

– Então está bem Senhor Gato. — Thalia disse se deitando. — Boa noite.

– Boa noite.

Nem Nico nem Thalia demoraram para dormir, o que não era normal para ambos. Nico acordou antes de Thalia e resolveu colocar as almofadas no lugar. Um pouco depois, Thalia acordou.

– Bom dia. — Ela disse para Nio que estava de costas. Nico se virou e sorriu.

– Bom dia. — Ele respondeu.

– Que horas são? — Ela perguntou. Nico deu de ombros.

– Não faço ideia. — Ele disse.

Thalia se levantou e levou Nico até onde as caçadoras estavam comendo. Thalia estava lado a lado com Nico e as caçadoras a olharam como se ela estivesse com uma doença. Doença di Ângelo, Nico pensou.

Ambos se sentaram ignorando os olhares das caçadoras e Thalia serviu Nico. Todos estavam em um silêncio, que para as caçadoras era desconfortável, mas Nico e Thalia estavam se divertindo. Até que uma das caçadoras o quebrou.

– Que horas você vai embora? — Ela perguntou se dirigindo a Nico, que apenas deu de ombros.

– Não sei. — Ele disse. — Provavelmente de tarde, é mais fácil para andas nas sombras nos horários que o sol faz mais sombra, que são o amanhecer e o por-do-sol.

– Você é filho de Hades não é? — Uma outra caçadora perguntou, a mesma que tinha perguntado quantos anos ele tinha na noite anterior. Nico assentiu. — Deve ser bem dificil.

– Você é semideusa? — Nico perguntou sustentando o olhar da caçadora. Olhando bem, ela até que não era tão assustadora. Tinha grandes olhos verdes e cabelos na altura dos ombros castanhos e lisos.

– Sou filha de Apolo. — Ela disse. Nico pensou que aquilo era bem irônico, já que Ártemis odiava seu irmão gemeo. Nico desviou o olhar e começou a comer de novo. Todas o obsevavam, aquilo era um pouco desconfortável. Até que Thalia se levantou e perguntou se Nico não queria fazer um passeio com ela. Nico sorriu e aceitou. Os dois omeçaram a andar em direção a floresta, saindo da clareira.

– Desculpe por Phoebe, ela é sempre uriosa assim. — Thalia disse.

– Qual das duas? — Nico perguntou. Para ele todas elas eram parecidas e extremamente mortais.

– A filha de Apolo. — Thalia disse indiferente.

– É bem irônico ela ser filha de Apolo, não é? — Nico perguntou e Thalia soltou um risinho.

– Penso a mesma coisa. — Thalia disse. — Mas Ártemis não julga isso, ela escolhe pela capacidade mesmo.

– Me lembro que ela queria que Annabeth fosse caçadora. — Nico disse.

– É, ela também queria que eu fosse. — Thalia disse. — E, sabe, eu realmente não queria ser uma caçadora.

– Você é realmente muito corajosa Thalia. — Nico disse. — Desistiu da sua vida pelos seus amigos duas vezes.

– As vezes eu acho que seria melhor eu ter me salvado, e esquecido dos outros. — Thalia disse com um suspiro. — Sério, esse negócio de ser heroína é dificil.

– Eu não posso dizer que entendo, porque eu realmente não entendo. — Nico falou. — Não tenho mais ninguém por quem fazer isso, entende?

– Você não tem amigos? — Thalia perguntou.

– Tenho alguns pelo mundo, mas não convivo com eles. — Disse o garoto. — No acampamento ninguém gosta de mim mesmo.

– Então pode começar a me considerar sua amiga. — Disse Thalia com um sorriso. — Porque agora eu sou sua amiga.

– Você seria amiga daquele pirralho irritante? — Nico perguntou irônico.

– Você não é mais pirralho irritante. — Thalia disse. — Agora temos a mesma idade, não é?

– Acho que sim. — Disse Nico. — Então somos amigos.

Thalia sorriu. Ela e Nico continuaram conversando, conhecendo cada vez mais um ao outro. Até que o por-do-sol chegou.

– Acho melhor eu ir. — Nico disse olhando para o céu. — Tchau Thalia.

– Tchau Nico. — Ela disse. — Obrigado por ficar.

Nico sorriu e olhou para ela.

– Espero que eu caia perto do acampamento das caçadoras mais vezes. — Ele disse. — Até a próxima.

E assim ele sumiu nas sombras. Thalia voltou para o acampamento sorrindo.

Nico foi visitar um amigo no interior da França pensando no quanto ele tinha sorrido em um só dia. Ele sorriumuito mais do que ele tinha sorriso em dois anos.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Como eu disse antes, eu estou com muitas ones inacabadas aqui e pretendo termin-las e post-las, meu computador est ficando uma loucura com tantos documentos nele.Deixem reviews e favoritem! :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!