I Told You So
3 A Segunda Vez
Depois de cinco semanas evitando contato, o Cobra e a Jade se reencontraram na festa de aniversário da Mari.
O Duca e a Bianca estavam em um dos momentos de entendimento deles, então eles estavam se pegando num canto e a Sol e o Wallace no outro enquanto o Cobra, o João, a Nat e eu conversávamos perto deles.
– Eu vou pegar alguma coisa pra beber. – Avisou Cobra. – Vocês vão querer alguma coisa?
– Ah, eu quero. – Disse Nat.
– Eu também. – Concordou João.
– Dá pra trazer alguma coisa pra mim também? – Perguntei.
– Pra mim também. – Pediu Duca se separando de Bianca.
– Acho que são bebidas demais pra mãos de menos. – Brincou Cobra.
– Eu vou com você. – Me ofereci.
Cobra e eu chegamos à mesa de bebidas na mesma hora que Jade, Pedro e Vicki.
– Minha Dama. – Cumprimentou Cobra.
– Vagabundo, há quanto tempo. – Ela respondeu.
– É. – Concordou Cobra.
– E ai, Karina, tudo bem? – Pedro sorriu pra mim e soltou a mão de Vicki.
– Claro. – Assenti. – Jade.
– Karina. – Ela se voltou pra mim. – Pedro, este aqui é o Cobra.
– É, já me disseram. – Pedro fechou a cara.
Cobra olhou pra ele de cima a baixo e sorriu debochado.
– E ai, o que conta de novo? – Cobra perguntou servindo as bebidas.
– Eu vou fazer a Julieta em Romeu e Julieta. – Anunciou Jade.
– Ah é, me lembro da Bianca reclamando de alguma coisa assim. – Zombou Cobra.
Jade riu.
– Acho que você vai dar uma excelente Julieta. – Ele se voltou pra ela com AQUELE sorriso.
Jade pareceu considerar alguma coisa por um momento, então disse:
– Por que você não confere você mesmo?
– Como? – Estranhou Cobra.
– A peça estreia na semana que vem. – Ela explicou. – Você podia vir assistir e tirar suas próprias conclusões sobre a minha atuação.
Cobra sorriu malicioso.
Jade tava dando uma segunda chance a ele.
Eu entendi o que ela tava fazendo. Ela gostava do Cobra, mais do que ela admitia, mais do que ela gostaria, mas ela não confiava que ele ia se apegar a ela. Ela já tinha deixado a história dos dois pra trás, mas ali estava ela dando uma segunda chance a ele. Ela enrolou ele por uma semana e depois deixou ele esfriar por mais cinco, só pra jogar ele na rede dela de novo. Se ele dissesse que “sim” naquele momento, significava que ele também estava mais interessado nela do que admitia e valia uma segunda tentativa. Ela queria que ele a perseguisse, pra saber que ela significava alguma coisa pra ele.
– Tá legal. – Concordou Cobra. – Eu apareço pra ver seu espetáculo.
Esse foi o primeiro erro dele.
Jade sorriu, era pra ser um sorriso indiferente, tenho certeza. Mas ela não conseguiu, era um sorriso de pura felicidade.
– Então a gente se vê na estreia. – Ela piscou e saiu.
Cobra sorriu malicioso e assistiu a partida dela.
–X-
É claro que na noite da peça, o Cobra arrastou o Duca, a Nat e eu com ele, o Wallace ia de qualquer jeito, porque a Sol tava na peça, aliás o Duca e eu também teríamos que aparecer de todo modo, porque o João e a Bianca também iam participar da peça.
– Ela tá gata, né? – Comentou Cobra com os olhos brilhando para Jade no palco.
– A Jade tá sempre gata. – Dei de ombros.
– E gostosa. – Completou Duca.
Cobra, Nat e eu olhamos com raiva pra ele, ele deu de ombros e Wallace riu.
O Cobra não ficou feliz com as cenas da Jade e o Henrique, que fazia o Romeu, mas era uma coisa que precisava aceitar.
Quando a peça acabou Duca, Nat e eu estávamos com Cobra do lado de fora da Ribalta esperando por Jade.
Ela saiu com Henrique, Vicki, Pedro, Joaquina e Lírio. Eles riam muito.
– Como eu imaginava, você nasceu pra ser a Julieta. – Disse Cobra.
Jade olhou pra ele e trocou de sorriso. Ela sorriu de maneira maliciosa, quase cruel, como se estivesse bolando um plano maligno, acho que ela estava mesmo.
– Então, que tal eu te levar pra jantar e depois te levar pra casa. – Ele piscou.
– Não vai dar. – Jade lamentou falsamente. – A gente combinou de ir comemorar a estreia. – Ela apontou para os amigos.
– Ah. – Cobra quebrou.
– Mas você tem meu número. – Lembrou Jade. – E eu não tenho nada programado pra depois da peça amanhã.
Ela tava jogando com ele.
– Ah então se eu assistir a peça amanhã, a gente pode sair depois? – Ele sorriu.
E ele estava caindo.
– É, acho que sim. – Jade deu de ombros sedutoramente.
– A gente se vê amanhã. – Cobra piscou.
Jade sorriu e voltou-se para os seus amigos. Pedro acenou pra mim, mas Vicki o puxou pra longe. E Jade partiu com seus amigos.
– É, parceiro, é melhor você tomar cuidado. – Avisou Duca. – Acho que você tá correndo um sério risco de se entregar pra essa garota.
Cobra não discordou. Esse foi o primeiro sinal de que ele ia sucumbir. Ele só olhou pro Duca, a Nat e eu com preocupação.
Ele saiu e nós três nos entreolhamos com curiosidade.
–X-
Acelerando as coisas, O Cobra e a Jade saíram na noite seguinte e em muitas outras depois.
Acho que nunca vou esquecer do dia em que eu cheguei em casa e peguei os dois se agarrando no sofá.
Eu abri a porta e lá estavam eles.
– Wow. – Eu soltei.
A Jade saiu de cima do Cobra correndo e ajeitou a blusa.
– E ai, Ka. – Cobra sorriu.
– Foi mal, eu não vi nada. – Coloquei a mão do lado do olho e corri pro meu quarto.
Eu ouvi os dois rindo antes de me afastar completamente.
–X-
Eles ficaram por um mês até o Cobra assumir o namoro com ela. Mas ele assumiu daquele jeito, né, ele tava namorando com ela, mas continuava curtindo com o Duca, o João, o Zé e o Marcão, a Jade não podia ir lá pra casa se meu pai e a Dandara estivessem lá e se a mãe dele sugerisse que apareceria por lá, nem o telefone, ele atendia e ir pra casa dela se a Lucrécia estivesse por lá? Fora de cogitação. Ele era exatamente o mesmo e a vida dele era a mesma. A única coisa que tinha mudado pro Cobra é que ao invés de ficar com uma garota diferente a cada vez que ele saía, ele ficava com a Jade a cada vez que saía. Eu preciso pelo menos dar esse crédito a ele, o Cobra nunca traiu a Jade e olha que ele teve vontade. Ele era pegador profissional, e alguns hábitos são difíceis de perder. Mas ele gostava da Jade e ela era a melhor garota que ele ia arrumar, então acho que não compensava pra ele trair ela e perdê-la pra ficar com várias outras que nunca o satisfariam como ela satisfazia. Mesmo que ela não descobrisse, pra que perder tempo com as outras, se ele podia aproveitar o tempo com ela?
Mas o namoro do Cobra e a Jade não durou muito.
Por mais que o Cobra gostasse da Jade, ele gostava mais da vida de solteiro. E ela podia não dizer, mas não tava feliz. Ele não levava ela a sério, ele sempre a trocava pelo Duca, não apresentava ela pros pais dele, não queria conhecer a mãe dela, até o Pedro, ele não conheceu como namorado dela, ele nunca deixava ela saber que ela importava pra ele e ela sempre deixou claro que ele era importante pra ela.
A Jade começou a cobrar um relacionamento de verdade, sutilmente, eu admito. Mas o Cobra percebeu do mesmo jeito e pior, ele percebeu que ela tava ganhando um espaço muito grande na vida dele, um espaço que ele não queria ceder.
Durante esse tempo o Duca e a Bianca terminaram e ele ficou com Nat uma noite. Mas ele ficou com medo de perder a amizade e resolveu ignorar isso e voltar pra Bianca. A Nat ficou revoltada, mas também resolveu fingir que nada tinha acontecido.
O Pedro e a Vicki começaram a namorar.
E o resto de nós continuou do mesmo jeito.
O Cobra, o Duca e eu estávamos no carro ouvindo outro CD do Cobra do Charlie Brown Jr. E quando chegamos na nossa rua, começou a tocar “Proibida Pra Mim”, daí o Cobra estacionou o carro e começou a cantar.
Ela achou meu cabelo engraçado
Proibida pra mim no way
Disse que não podia ficar
Mas levou a sério o que eu falei
Ele se empolgou um pouco e Duca começou a acompanhar ele.
Eu vou fazer de tudo que eu puder
Eu vou roubar essa mulher pra mim
Eu posso te ligar a qualquer hora
Mas eu nem sei seu nome!
Quando eles chegaram ao refrão, eu me animei e cantei junto com eles.
Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz? Guerra!
Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz? Guerra!
Então ficamos os três cantando, ou melhor, gritando, feito doidos no carro e o Cobra batendo no volante como se fosse uma bateria.
Eu me flagrei pensando em você
Em tudo que eu queria te dizer
Numa noite especialmente boa
Não há nada mais que a gente possa fazer
Eu vou fazer de tudo que eu puder
Eu vou roubar essa mulher pra mim
Eu posso te ligar a qualquer hora
Mas eu nem sei seu nome!
Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz? Guerra!
Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz? Guerra!
Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz? Guerra!
Se não eu, quem vai fazer você feliz?
Se não eu, quem vai fazer você feliz? Guerra!
Daí a Jade apareceu e bateu no vidro do Cobra. Duca e eu paramos de cantar imediatamente e Cobra desligou o rádio e desceu do carro.
– Poxa, Vagabundo, onde você tava? – Ela perguntou meio chorosa. – Te liguei um monte de vezes.
– Eu saí com o Duca e a Ka. – Cobra deu de ombros.
Duca e eu nos entreolhamos preocupados.
– Custava ter me avisado? Eu fiquei esperando por você um tempão.
– E tava me esperando por quê?
– Pô, Cobra, você prometeu que ia me levar naquela apresentação de arte urbana.
– Ah eu esqueci, Jade.
– Esqueceu, Cobra? – Ela se exaltou. – Te lembrei um monte de vezes, te lembrei ontem à noite.
– Tá, mas eu esqueci.
– Você sempre se esquece do que é importante pra mim, mas nunca me deixa esquecer o que é importante pra você.
– Também não precisa fazer drama, né. – Ele reclamou. – Entra no carro que eu te levo lá.
– Agora já era, a apresentação já acabou. – Ela discutiu.
– Jade, você tá com algum problema? – Questionou ele, ele foi bem grosso, eu preciso acrescentar.
Jade olhou pra ele hesitante e suspirou vencida.
– Não, Cobra, eu tô bem.
Ele sempre fazia isso. Ele perguntava pra ela se ela tava incomodada com alguma coisa sabendo que ela tava, assim se ela respondesse a verdade, ele tinha um motivo pra dispensar ela e fugir. Porque a verdade é que o Cobra tinha medo do que ele sentia pela Jade e do que eles tinham juntos, então por mais que ele quisesse ficar, tava sempre tentando pular fora. Mas a Jade era esperta, ela conseguia ler o Cobra. Então ela nunca respondia a verdade, ela sempre respondia que estava tudo bem, mesmo que nunca estivesse, porque assim ela sabia que ele ia ficar e ela queria que ele ficasse.
– Então tá. – Cobra deu as costas pra ela e entrou em casa.
Jade suspirou e colocou as costas da mão entre o nariz e a boca, acho que ela tava tentando não chorar. Ela se apoiou no carro e depois voltou pra casa dela sem olhar pro Duca e eu.
Duca e eu a assistimos partir sem dizer nada. Só quando ela já tinha entrado em casa, eu disse:
– Por que ele faz isso com ela?
– O Cobra não nasceu pra vida de monogamia. – Duca suspirou.
– Assim como você?
Duca olhou pra mim.
– Sério, porque vocês fazem isso? Você gosta da Bianca e o Cobra gosta da Jade, então por que fazer isso com elas?
– É complicado.
– Então descomplica.
– O Cobra gosta da Jade. – Concordou Duca. – E esse é justamente o problema. Ele tá procurando um motivo pra pular fora antes de se apegar a ela, assim como eu fiz com a Bianca no começo.
– Mas por quê? – Eu insisti. – Qual o problema de se apegar a ela?
– Não é uma coisa com a qual ele está acostumado. – Duca deu de ombros. – Ele sempre foi o maior pegador e tava acostumado com isso, ele GOSTAVA disso, com a Jade é diferente, é bem mais intenso e tudo que é diferente e é intenso, assusta.
– Tipo você e a Nat?
Duca suspirou.
– É, tipo isso. – Ele admitiu. – Vem, vamos ver como ele está.
Duca e eu subimos e fomos direto pro quarto do Cobra.
Ele tava ouvindo “Dias de Luta, Dias de Glória” enquanto esmurrava um saco de pancada.
Duca desligou o rádio e olhou pra ele.
– Qual é, Cobreloa?
– Você não vai me dar lição de moral, né? – Cobra virou-se pra ele. – Você não é a pessoa mais indicada pra isso, faz pior com a minha irmã.
– Eu só tô preocupado com você, cara. – Admitiu Duca. – Você gosta da Jade, assume que tá dominado, não tem vergonha nenhuma nisso. Eu já assumi, o Wallace já assumiu, acontece.
– EU NÃO TÔ DOMINADO. – Discutiu Cobra. – Aquela garota não significa nada pra mim. Eu posso dar o pé nela a hora que eu quiser e não vou sentir nada. Se eu tô com ela é porque tô curtindo, no momento em que eu parar de curtir, ela dança e eu não vou sentir nenhum remorso.
– Tá curtindo, sério? – Duca riu. – Não foi isso o que pareceu lá fora. Mas isso não é da minha conta. Eu tenho que encontrar a Bianca, a gente se fala mais tarde. Tchau, Ka.
– Tchau, Du.
Duca beijou minha testa e olhou pro Cobra uma última vez antes de sair.
Cobra o assistiu ir embora e depois olhou pra mim.
– Eu não tô dominado. – Ele repetiu.
– Eu nunca disse que estava. – Dei de ombros. – Mas dizer que a Jade não significa nada pra você é uma completa mentira e você sabe disso.
Cobra suspirou e sentou na cama, eu me sentei ao lado dele.
– Eu não sou do tipo que se apega, Ka, você sabe disso.
– Eu sei.
– Mas eu gosto da Jade, acho ela uma garota legal e eu não quero magoar ela.
– Então não magoa. – Eu sorri empática.
– Eu não sei como fazer isso. – Ele confessou. – Eu não posso dar a ela o que ela quer de mim.
– Então é melhor liberar ela, Cobra. – Eu aconselhei. – Eu acho que é besteira, porque acho que você gosta MESMO dela e que ela te faz feliz. Mas se não é isso o que você quer, se acha que não pode ou não consegue se apegar, é melhor deixar ela ir.
Cobra assentiu.
Eu beijei o rosto dele e sai do quarto.
E esse foi o MEU erro.
–X-
O Cobra terminou com a Jade quatro dias depois daquilo.
Eles ainda tiveram mais um dia de paz.
Ela foi até em casa, quando meu pai e a Dandara não estavam, claro, e nós vimos um filme, o filme do Cazuza, porque ela é super fã de Cazuza.
Ela e o Cobra ficaram deitados juntos no sofá, quer dizer, ele deitou no sofá, ela deitou nele, e eu e o João dividimos uma poltrona. O Cobra tava sério, parecia distante, mas estava completamente entregue a Jade, um pouco antes do fim ele era inteiramente dela. E a Jade estava completamente feliz, dava pra ver no rosto dela, ela tava iluminada e não parava de sorrir.
Acho que o Cobra quis dar o dia perfeito pra ela, sei lá, talvez o namorado perfeito antes de deixar ela ir. Acho que ele queria dar a ela o que ela queria antes de partir o coração dela.
– Essa é a minha parte favorita. – Comentou Jade.
– Eu sei. – Cobra acariciou o cabelo dela.
Jade colocou o queixo no peito de Cobra e olhou pra ele.
– Sabe que às vezes você é até um bom namorado, Vagabundo? – Ela brincou, mas todos sabiam que na verdade não era brincadeira. – E eu acho que gosto mesmo de você, bem do jeito que você é.
– Achei que você fosse fã de Cazuza, não de Pitty. – Ele caçoou ainda acariciando o cabelo dela.
Ela riu e disse:
– É, mas eu acho que gosto de você, mais do que eu devia.
Cobra sorriu tristemente.
– É, acho que eu gosto de você também, mais do que eu queria.
Jade sorriu e deu um selinho em Cobra, depois deitou de novo no peito dele e voltou a assistir ao filme, enquanto Cobra acariciava seu cabelo.
João e eu nos entreolhamos e suspiramos tristemente.
–X-
Ele terminou com ela no dia seguinte.
Eu cheguei em casa e encontrei Jade do lado de fora. Ela abriu a porta e saiu com uma cara de completa frieza, mas quando ela fechou a porta, se apoiou nela e não aguentou, ela desabou. Jade chorou desesperadamente e eu me aproximei dela hesitante. Mas antes que eu pudesse tocá-la, ela se virou na minha direção, tentando controlar o choro, e saiu trombando comigo. Ela me ignorou completamente e foi direto pra casa dela rompendo em lágrimas.
Eu olhei pra minha casa e subi.
Encontrei o Cobra na sala. Ele tava sentado no sofá com os dedos entrelaçados e encarando o vazio. Parecia distante e desolado.
– Cobra, o que aconteceu? – Eu perguntei. – Eu encontrei a Jade lá fora e ela tava chorando horrores.
– Ela chorou? – Ele se preocupou.
– E muito.
Ele suspirou.
– Eu terminei com ela.
– Por quê?
Ele se levantou.
– Porque eu não nasci pra isso, né, Karina. Essa vida de namorado. Eu não podia ser a pessoa que ela queria que eu fosse.
Mas a verdade é que a Jade não queria que o Cobra fosse ninguém além dele mesmo, ele é que não queria entregar o coração dele como estava entregando. O Cobra não queria se apegar. Só que ele ainda não tinha percebido que ele JÁ tinha se apegado.
– Eu achei melhor deixar ela livre pra encontrar alguém que possa dar a ela o que ela quer.
– Tipo o Paulista?
Ele mudou quando eu disse isso, ficou com raiva, com ciúme, como eu sabia que ficaria. Era a reação que eu queria causar, ver se ajudava ele a acordar.
– É, quem sabe? – Ele deu de ombros. – Bom, eu vou pro meu quarto, tô precisando treinar.
E ele foi.
O Cobra e a Jade namoraram por dois meses, ao todo foram três meses juntos. E o Cobra só precisou de duas semanas pra perceber que queria ela de volta.
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