I Swear I'll Behave
5 Unexplainable
Um minuto de silêncio pelo meu coração que definitivamente pode não sobreviver a esse momento. Sim, era ele. O próprio Harry Edward Styles me oferecendo carona, esse sem dúvidas é um momento que eu precisava de uma selfie para registrar. No entanto, precisei conter os ânimos e os hormônios e fazer meu cérebro focar no que realmente importava. Não, e não era me atirar em cima dele.
— Hã... Soaria estranho se eu perguntasse o que está fazendo por aqui? – disse, assim que entrei no carro e ocupei o banco do carona ao seu lado.
— Soaria estranho se eu dissesse que estava dando uma volta e por acaso vi você? – respondeu ele, com as mãos no volante, mas olhando para mim.
— Eu... – não sei... – Acho que... Enfim, para onde você estava indo?
— Lugar nenhum, na verdade. Só vim espairecer, conhecer mais do lugar.
— Mas aqui não tem nada. Além desse lago, claro. – falei, apontando na direção do lago.
— Não posso concordar com você. – ele sorriu e passou uma das mãos pelos seus lindos cachos. – Quer comer alguma coisa?
— Você não ia me levar para casa? – pergunta errada Gen! Tá louca? Jesus! – Quer dizer, eu pensei...
— Você quer ir embora?
Respira.
— Bom, já estamos perto da hora do jantar de qualquer forma. Só preciso ligar para o meu pai e avisar. Antes que ele chame a polícia ou algo assim, sabe? – sorri, pegando o celular do bolso. – Aonde vamos comer?
— Errr... Eu esperava que você pudesse me dizer. Não conheço muita coisa nessa cidade.
— Certo. A verdade é que aqui em Ridgway você não tem muita opção. Tem o restaurante do vilarejo, os do parque ou come em casa.
— E você sabe cozinhar Gen? – perguntou ele, sério.
— Isso não vem ao caso e não é uma opção. – respondi, devolvendo o olhar e sentindo os cabelos da minha nuca se arrepiarem quando ele disse meu nome. – Acho que tem uma lanchonete legal na estrada. Eu a vi quando viemos para cá. Deve ser no máximo uns vinte e cinco minutos de carro até lá.
— Ótimo. Vamos então?
— Ok. Pode sair do parque e pegar a estrada principal à esquerda então. – informei.
— A senhorita é quem manda!
Não consegui entender de imediato de onde vinha aquela animação e boa vontade toda, mas de qualquer forma eu não conhecia o Harry-Harry, só o Harry-Cantor, que já era maravilhoso por si só. Esse Harry amigo e normal era novo para mim, não que eu não estivesse adorando, mas eu não tinha ideia de como agir perto dele. Deixando um pouco de lado minhas questões filosóficas, peguei finalmente o celular e liguei para o meu pai. Não sem antes fazer uma boa oração.
— Pai?
— Hannie? O que foi? Já saiu do trabalho?
— É, sim, mas eu vou demorar um pouco para voltar...
— O que houve? Está fazendo hora extra? – queria eu poder dizer que sim.
— Não... É que... – olhei de soslaio para Harry, que me olhou e depois voltou a olhar a estrada, escura àquela hora. – Eu vou sair para comer com um amigo...
— Como assim? Que amigo? Onde você está? – meu pai, sendo meu pai. Drama mode on.
— Tô aqui perto pai, é um amigo do trabalho. Não se preocupa, não demoro.
— Hannie...
— Pai! Férias? Lembra?
— Quando chegar vamos ter uma conversa, mocinha.
— Okaaay. Até mais. Beijo. – me despedi, revirando os olhos. Odiava quando ele me tratava assim, feito uma garotinha de doze anos. Achava muito válido avisar onde estava indo, só por segurança, mas daí a ele não confiar no que eu faço a essa altura da vida já era demais.
— Tudo bem? – perguntou Harry, me tirando de um devaneio para entrar em outro.
— Ah, sim. Pais, sabe como é.
— Sei. Ele mima muito você?
— Fala sério. Você acha que se ele me mimasse eu ia passar minhas férias trabalhando em um barco? – falei, revoltada.
— Hey, calma. Foi só uma pergunta. E o que tem de tão mal trabalhar no barco do Eddie?
— Ah... – olhando para ele, de novo, poderia dizer que aquele era o melhor trabalho de toda a minha vida. – Nada, só que é meio chato. E eu poderia fazer centenas de outras coisas.
— Por exemplo?
— Olha a placa. Não perde a saída! – apontei, mostrando que estávamos perto da lanchonete. – Por exemplo, esquiar em algum lugar, ir ao cinema, dormir até tarde, essas coisas.
— Esquiar no verão Gen? – disse ele, rindo, enquanto entrava no estacionamento do 66 Burgers.
— Eu adoro esquiar, em qualquer época do ano! – eu precisava me defender, pois era verdade.
— Você é uma figura. – ele em seguida prendeu o cabelo e colocou um boné, saiu do carro e se apressou para o meu lado do carro. Acho que ia abrir a porta, mas eu já estava com um pé fora, quando ele chegou. – Uma figura que não deixa um cara ser cavalheiro.
— Foi mal, hábito. – falei, dando de ombros. – Quer que eu volte?
— Há há, vamos logo. – disse ele, apontando a lanchonete.
O 66 Burgers não estava muito cheio àquela hora. Para falar a verdade, acho que nunca devia encher. Uma lanchonete na beira da estrada e que ficava bem perto de um parque natural, já podia dizer que tinha conseguido o milagre de se manter. Procuramos nos sentar em uma mesa longe da janela e pedimos o cardápio. Depois de avaliar as opções vi como eu estava mesmo com fome, pois comeria o maior hambúrguer que eles tivessem sem piscar um olho.
Quando a garçonete veio e anotou nossos pedidos, vi que Harry não parava de me olhar e que tinha um sorriso bobo no rosto.
— O que foi? – perguntei, desconfiada.
— Nada, por quê?
— Você, com essa cara... Aliás, me diz, o que exatamente a gente está fazendo aqui?
— Ah meu Deus Gen, você não consegue relaxar por um minuto? – perguntou ele, arregalando os olhos para mim.
— Tá! Mas não pode me culpar por achar estranho que um cara gato e famoso do nada me chame para comer um hambúrguer! – falei, reparando em seguida que tinha dito alto demais e olhei em volta, para ver se alguém tinha prestado atenção. Tudo tranquilo até então.
— Obrigado pela parte do “gato”, mas eu sou um cara normal. Posso sair com uns amigos de vez em quando e faz tempo que não faço isso.
Hum... Então agora nós éramos amigos? Desde quando?
— Okay... E por que eu fui a amiga escolhida dessa vez?
— Porque você não sabe, como é boa a sensação de quando alguém descobre como você é de verdade. Como as pessoas acham que eu sou e o que acham depois que me conhecem de verdade. – explicou ele, me perfurando com aquele olhar penetrante.
Nossa. Não está mais aqui quem falou.
— Certo, desculpe.
— Não precisa se desculpar, já disse. Me conte mais sobre você, enquanto esperamos.
— Não tem muito para contar, não sou tão interessante... Moro com meu pai, em Manning, vou prestar vestibular no fim do ano, tenho uma melhor amiga que me abandonou por um intercâmbio na Espanha e tenho um lindo trabalho de verão num barco. – falei, tentando soar engraçada.
— E para qual curso vai fazer vestibular?
— Acho que literatura inglesa, é algo do que não me canso de falar, ou de ler.
— E sua amiga te abandonou mesmo?
— Nãooo! – agora foi minha vez de rir. – Ela foi sim fazer intercâmbio, mas é que eu tô morrendo de saudades dela.
— E quando ela volta?
— Em três semanas.
— E o que vai fazer até lá?
— Além de trabalhar no barco? – revirei os olhos. – Nada.
— Não seja tão pessimista, você tem muitas opções. – disse ele, colocando sua mão sobre a minha sobre a mesa, mas, infelizmente retirando em seguida.
— Até parece... E você? Tirando os shows... – eu sabia que segundo os jornais, o de Denver era o último da turnê, mas não quis estragar o momento pedindo informações sobre isso. – O que anda fazendo?
— Hum... Saindo para jantar com garotas bonitas.
— Você é sempre assim?
— Assim como?
— Tão... – paquerador – Cheio de respostas evasivas?
— De forma alguma! Você pode me perguntar qualquer coisa!
Opa, opa! Calma aí que “qualquer coisa” é muita coisa minha gente! Acho que “quer casar comigo” não é uma pergunta válida, não é? Enfim, nossa comida chegou e Harry logo começou a atacar o prato de batata frita com voracidade.
— Preciso pensar... – respondi, dando um longo gole no refrigerante e mordendo o hambúrguer.
— Fique à vontade. – disse ele, pegando uma batata e me oferecendo na boca.
— Você pensa em casar? Assim... Um dia desses? – falei, rindo da cara de espanto dele.
— Por que? Você está disponível? – disse ele, entrando na brincadeira.
— Vou dar uma olhada na minha agenda, mas acho que posso te encaixar senhor Styles!
— Muito obrigada! – falou, jogando uma batata em mim. – O que eu faço com você Gen?
Tanta coisa...
— Para começar, não me olhar assim...
— Assim como?
— Como se... Quisesse enxergar algo além... Sei lá, minha alma.
— Mas eu quero... Conhecer melhor você. E não posso deixar de te olhar. Você é tão... Olhável.
— Idiota! – comecei a rir mais e joguei nele a batata de volta.
Depois de comer, fui ao banheiro e quando saí vi que ele entrava na porta ao lado, voltei para a mesa e esperei, tamborilando os dedos no joelho. Pensei em mandar uma mensagem para Rachel, perguntando se ela tinha alguma dica para eu não fazer besteira, mas meu celular querido descarregou. Ou seja, nada de mensagem para amiga, selfie ou ligação para o papai. Falando nele, quase me deu vontade de dormir na rua hoje, só de pensar...
— Vamos? – chamou Harry, estendendo a mão para mim.
Ele praticamente me arrastou para fora da lanchonete e fomos correndo de mãos dadas em direção ao carro. Assim que parei ao lado da porta do carona, ele parou na minha frente e se apoiou no carro, colocando os braços um de cada lado da minha cabeça.
— Eu preciso mesmo te levar para casa? – perguntou ele, aproximando o rosto do meu.
Não! Que casa?
— Acho que sim. – respondi, fechando os olhos e deixando minhas mãos pousarem sobre o peito dele.
— Hoje? – senti a ponta do nariz dele percorrer a curva do meu maxilar e em seguida seus lábios darem um beijo leve na ponta do meu queixo. Eu estava mais do que arrepiada a essa altura.
— O que você...
— Shhh... Só para de falar um minuto...
— Harry... – foi só o que consegui dizer, antes dele me puxar pela cintura e colar sua boca na minha. Ele beijava de uma forma intensa e doce ao mesmo tempo. Enquanto ele me apertava mais junto de si, aproveitei para enfiar os dedos em seus cachos macios e retribuí o beijo até ficar quase sem fôlego. Imprensada entre ele e o carro, aproveitei o momento em que ele mordia meu lábio inferior para respirar e abrir os olhos, para apreciar um pouco mais aquela visão.
— Tudo bem. – falou ele, ofegante. – É uma boa hora para você ir... Se você ainda quiser.
Simples assim. Claro que com ele beijando meu pescoço ficava muito mais fácil decidir, mas pensando na bronca de papai e no dia seguinte, o do show, eu precisava mesmo voltar.
— Harry... Você é louco! – disse, puxando-o pelos cabelos e o beijando de novo. – Mas eu preciso mesmo ir.
— Gen, você é uma garota má, muito má.
— A verdade é que eu ainda não sei... Sequer o que está acontecendo aqui. – apontei para nós dois, mesmo que minha vontade fosse agarrar e nunca mais soltar o senhor Styles. – E preciso ir no show amanhã. Não tenho oportunidade de vê-los todo santo dia.
— Já falei para você relaxar e... Esquece, por que você tem sempre que ser a voz da razão aqui?
— Hey! Não tenho culpa se você é pirado!
— Sabe que fazer loucuras é bom de vez em quando? – ele pegou minha mão e me fez dar um giro rápido.
— Com você, tenho certeza que sim! – respondi, rindo. – Mas, vamos voltar.
Quando chegamos à casa em que eu estava com papai, todas as luzes estavam apagadas. Sinal de que ele devia ter dormido já. Harry segurou minha mão durante o caminho e ouvimos algumas músicas na rádio, não tivemos coragem de quebrar aquela bolha mágica que criamos.
— Então, você vai ao barco do Eddie amanhã? – perguntei, assim que estacionamos.
— Tenho bons motivos para ir. – respondeu ele, beijando a palma da minha mão.
— E... A Kendall? Ela também vai? – sim, meu cérebro lembrou que de certa forma ele poderia estar traindo o acordo que tinha com ela, seja lá qual fosse. Valeu cérebro.
— Esse, é um assunto que eu preciso resolver outra hora.
— Harry, mas...
— Gen. Só... Me deixa fazer parte do seu mundo, um pouco? É só o que eu te peço. – ainda segurando minha mão, ele me beijou no canto da boca e voltou a me olhar com intensidade.
— Como se eu tivesse forças para negar. – sussurrei, colando minha boca a dele uma vez mais. Ah gente, também não queria negar não é? Não sou tão louca assim. Entretanto, eu ainda precisava de explicações razoáveis. Mais uma sessão louca e ininterrupta de beijos depois, eu deixei que ele abrisse a porta do carro para mim.
Parecia que eu estava em sonho! Um sonho lindo e do qual não queria nunca mais acordar! Peguei o boné dele e coloquei em minha própria cabeça, precisava de alguma prova para no dia seguinte saber que não tinha sido minha imaginação me pregando uma peça ou que eu não tinha entrado em uma realidade alternativa que me fazia delirar.
— Boa noite, Gen. – disse ele, me dando um selinho.
— Boa noite, Hazz.
Fiquei olhando igual uma boba enquanto ele saía com o carro e só me virei para entrar quando o carro estava fora de vista. Tarde demais. Tinha sido flagrada. E pela cara de meu pai na porta, com os braços cruzados, ele não tinha gostado nem um pouco do que viu.
Que Deus Todo Poderoso me ajude!
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