— Então você não vai mesmo me contar? Vai guardar segredos da sua melhor amiga em nível internacional e irmã que você nunca teve? – Rachel estava a quase uma hora tentando arrancar de mim mais detalhes sobre minha primeira noite com Harry. Só que eu não sabia exatamente o que dizer. Por enquanto, as lembranças e os detalhes eram algo só meu e dele. Eu queria falar a respeito, mas... Não tinha as palavras certas, ainda.

— Eu já te disse! Foi ótimo! Maravilhoso! – falei, subindo as escadas com ela pegando no meu pé. – Não vou te dar detalhes, ainda.

— Beleza. Então não vai saber nada sobre eu e o Vannie também. – disse ela, me mostrando a língua.

— Ah meu Deus! Não faz drama!

— Não tô. Só tô avisando, que não vou dizer como foi ter aquele corpo suado e definido só pra mim a noite toda...

— Sua safada! Como você ousa? – perguntei, indignada por ela não ter sequer mencionado que teve algo mais com o tal holandês, depois de conversamos por quase três horas!

— Ah, eu conto se você contar!

— Não! Agora vamos. Tenho umas coisas pra resolver antes de ir pra sua casa.

— Coisas do Nini ou coisas do Hazza?

— Cala a boca! Não tem essa de "coisas do Nini"! – repeti, imitando os gestos exagerados dela.

— Espero que o seu Harry também pense assim.

— Rachel, você não presta!

— E você me ama assim mesmo!

Revirei os olhos pra ela e fui organizar a bagunça do meu quarto. Especialmente um quadro de tarefas que eu havia criado: pré-baile, pré-formatura e pré-faculdade. Algo que só Rachel iria saber, se dependesse de mim. Já que era mais um motivo para o meu pai surtar.

Continuamos jogando conversa fora e fazendo planos até o fim da tarde, quando meu pai enfim resolveu dar as caras.

— Senhor Mark! – gritou Rachel, indo abraçá-lo. – Que saudades!

— É bom te ver também, Rachel.

— Como o senhor está? – desnecessário Rach, muito.

— Poderia estar melhor, mas... Espero que tenha aproveitado a viagem, estudado, aprendido um novo idioma... – obrigado pela indireta também pai.

— Ah, pode ter certeza que aprendi até dois! – exclamou ela, olhando pra mim, que lutei muito pra segurar o riso. – Estava falando isso pra Gennie agora, espanhol e holandês. Duas línguas incríveis!

— Bom saber que fez algo de útil também. – revirei os olhos e me levantei da cama, ignorando mais aquela indireta.

— Não estamos atrasadas pra jantar, Rach?

— É, melhor irmos antes que minha mãe mande o exército me buscar!

— Tô indo jantar na Rachel. – avisei, enquanto pegava o celular e juntava minhas coisas em cima da cama.

— Certo. Tem uma encomenda pra você lá embaixo. – resmungou ele, começando a sair quarto em seguida. – Tchau Rachel.

— Não quer jantar lá em casa, senhor Mark? – ótima ideia Rachel! Vai ganhar uma medalha e dois tapas na cara mais tarde.

— Hoje não, querida. Vamos marcar outro dia. – juro que não entendi a olhada pra minha cara. Não proibi ele de nada... – Obrigado, de qualquer forma.

— Que pena, até mais então.

— Até.

Assim que ele saiu, apaguei a luz do quarto e desci correndo para ver o que era o pacote misterioso.
— Hum... Mais um presente do Senhor Incrível! Abre logo! – comemorou Rachel.

— Espera! Tô abrindo. – a caixa não era muito pesada e não tinha nada balançando dentro. Não fazia ideia do que era, mas quando olhei o remetente, o que me surpreendeu foi de quem era.

— Vou morrer de curiosidade aqui Gen!

— Sossega garota! – alcancei uma faca na gaveta da cozinha e rasguei o lacre. Dentro havia uma camisa branca com listras azuis finas e um boné azul escuro dos Yankees, junto com um bilhete.

“Traje apropriado para o nosso jogo ;) Espero que sirva! Te pego às 18h. xoxo"

— Ai Gennie, eu não queria estar na sua pele agora... – olhei pra ela com um misto de incredulidade e euforia. Parecia que alguém tinha me dado um susto e meu coração ia parar de bater a qualquer segundo. – Mentira, eu queria sim! Ia me sentir uma deusa!

— Ridícula! Para com isso! – eu não consegui parar de rir dela. Li de novo o bilhete e depois abri o plástico fino que envolvia a camisa. Era muito bonita, e aparentemente, caberia perfeitamente em mim.

— Só tô falando a verdade!

— Espera... Como ele... – peguei o celular do bolso e enviei uma mensagem o mais específica possível, mesmo diante da minha confusão mental.

Gen: Niall! Acabei de receber seu pacote e achei lindo. Mas vc não me disse onde é o jogo e como vamos nos encontrar???!!! Vc ta aqui? Nos EUA? Como? Ah, posso levar uma amiga?

Esperei um minuto enquanto Rachel me encarava com as sobrancelhas erguidas, mas ele não respondeu. Lógico. Fui para a casa de Rachel e ainda esperamos algum tempo até o jantar ser servido. O irmão menor dela, Josh, era um fofo, mas não se tivesse que aguentá-lo o dia todo. Seus pais, David e Deanna, eram incrivelmente metódicos, ao contrário de Rachel, que era a desorganização em pessoa. Eles tinham horário para tudo, inclusive nos fins de semana.

Foi um jantar divertido, ainda que Deanna tivesse me perguntado que história era aquela de primo que o meu pai mencionou e que eu não conseguisse tirar da cabeça o que ia dizer para Harry sobre amanhã. Além da verdade, claro, mas se Rachel entendeu as coisas daquele jeito, imagina ele!

Pensei em dormir na casa dela, mas era seu primeiro dia em casa depois de quase um mês. E por mais que ela fosse “ligada no 220” o tempo todo, também merecia um descanso para recarregar as baterias.

— Já voltei! – gritei da entrada, ao ver que meu pai estava vendo TV na sala.

Ele levantou a mão e mostrou o polegar pra mim, um velho hábito. Pelo menos hoje a noite seria tranquila, que dizer, em relação a ele.

Assim que entrei no quarto, fui até o pacote de Niall, que havia deixado em cima da cama. Vesti a camisa, o boné e fui dar uma conferida no espelho. Até que não ficaram ruins. O fato, é que eu não sou muito fã de esportes, nenhum deles. Só aceitei ir com ele porque: 1. Achei que isso nunca ia acontecer e 2. Ninguém em sã consciência ia recusar um convite desses. Eu só conversei um pouco com ele, mas qualquer um, só de olhar, percebe como o Niall é um cara incrível e quer ser amigo dele. Pelo menos, é assim que eu penso.

Troquei a camisa dos Yankees por uma de dormir e fui escovar os dentes. Ainda não era tarde, logo, não fiquei surpresa quando Harry fez uma chamada pelo Skype.

— Hey, meu lorde, como vai?

— Bem, minha lady, mas estaria melhor ao seu lado. – ele estava com cara de quem acabara de acordar. E quando me ligava cedo assim, geralmente não demorava, para minha tristeza.

— Hum... Eu e minha cama também sentimos sua falta.

— Olha que assim eu acredito!

— Deve!

— Wow! O que aconteceu com a Gen que dormiu com uma muralha de travesseiros do meu lado? – disse ele, rindo.

— Ela conheceu você... E, se transformou numa dependente de Harry! – respondi, sabendo bem quanto era verdade.

— Acho que precisa de um longo tratamento para esse vício.

— Concordo plenamente.

— Baby, estou contando os dias pra te ver de novo.

— Por que você não mora aqui logo? – perguntei em tom de brincadeira, mas no fundo desejando aquilo de verdade.

— Por que você não vem morar aqui comigo?

— Isso não vale!

— Foi você quem começou!

— Mas...

— Hum?

— Eu te amo. – era uma boa tática para desarmá-lo.

— Eu te amo. E... – ele esfregou a mão na têmpora, parecendo cansado. – Não posso prometer, ainda, mas acho que no fim da próxima semana poderei te ver.

— Não acredito! Que bom! – dei um grito e pulei no banheiro, batendo o joelho na pia. – Ai!

— Cuidado, amor.

— Eu tento... – falei, esfregando o joelho. – Adoro quando você me chama assim.

— Meu amor... – eu podia ouvir aquilo a noite toda. – Tenho que ir, dormir mais um pouquinho antes de ir dar uma entrevista. Ok?

— Tudo bem. – que droga!

— Nos falamos logo. Hey, se anima! Eu te amo! Não esquece.

— Te amo, também. Não vou esquecer. Beijo.

Minha noite só não foi mais feliz porque ele não estava ali presente. O que eu podia fazer, além de esperar? Nada. Mas dormir era um bom começo. Deitei e fui ler as mensagens e fotos que Rachel tinha me mandado logo depois que saí de sua casa. Dez minutos depois, quando comecei a ficar sonolenta, recebi uma mensagem de Niall.

Ni@ll: Hey! :D o jogo vai ser em NY. Pode levar sua amiga. Acredito q eu vá estar aí sim... rs. Tenho q te buscar! Kkkkk Pode me dar o endereço?

O quê? Nova York! Como é que eu ia pra Nova York de uma hora para outra? E meu Deus! Eu esqueci de falar com Harry! Não acredito que eu fiz isso! Merda!

Fiquei olhando para o celular na minha mão, pensando em como resolver aquilo. Abri o contato de Harry no aplicativo, mas não consegui pensar em uma frase curta e sem segundas interpretações possíveis para mandar, então respondi Niall primeiro.

Gen: ok... Acho. Rs. Vai vir de jatinho? Kkkk

Ni@ll: provavelmente. Algo contra o jato?

Cacete.

Gen: claro q não. Vai levar mais alguém?

Ni@ll: hmm... só pensei em vc msm

Gen: ah... quanta responsabilidade! xD

Ni@ll: não se preocupe, sei q sua companhia vale a pena ^^

Gen: obrigada ♥ Vc tb! Nos vemos amanhã então!

Ni@ll: mal posso esperar! ♥

Hum... O que eu podia dizer? Ah, merda. Enviei o endereço antes de me despedir de vez e fui deitar, de vez agora. De qualquer forma, não consegui dormir tão rápido quanto gostaria. E muito menos mandei a mensagem para Harry. Amanhã seria um longo dia. Pelo menos teria Rachel para segurar as pontas. E claro, me ajudar a fazer menos merdas em um só dia.