Notas iniciais
Fiquei muito tempo sem atualizar sábagaça, mas voltei.Espero que gostem ^-^

O vento acariciava o rosto de Seth.A última vez que sentira isso fora algum tempo antes da cerimônia da escolha, quando teve de tomar a difícil decisão de abandonar sua família para viver com completos estranhos."Facção antes do sangue".Esse era o lema e, mesmo que não concordasse muito, tinha de seguí-lo.Estava no topo de um prédio, o qual nem se preocupava em como era seu nome.Era típico dele, não importar com o nome das coisas, mesmo sabendo que era importante, mas achava que tudo deveria ser mais simples.Era um rapaz complicado, e por isso tinha certeza de que estava certo ao escolher a Audácia.A facção estava cheia de pessoas complicadas, com muitos problemas, e tentavam resolver isso a base da coragem.Talvez enfrentar seus medos fosse melhor que resolver os próprios problemas, mesmo que medo e problemas fossem variáveis dependentes."Variáveis dependentes", pensar assim fazia sua cabeça doer.Seth havia sido transferido da Erudição, os inteligentes, mas agora tudo o que sentia pela facção era ódio e nojo.Sentia isso principalmente de seu pai e três irmãos mais velhos, e tinha certeza de que eles sentiam o mesmo dele.Os quatro eram nascido eruditos e permaneceram lá, como parte do típico orgulho e egoísmo do grupo.Sua mãe não era assim.Algo que herdou de sua antiga facção, Amizade.

Mas Seth sempre foi um caso perdido.Talvez por isso era rejeitado pelos outros.Outro fato sobre os membros da Erudição:Eles podem farejar as fraquezas e diferenças dos outros.Isso ou só o pai e os irmãos de Seth tinham essa habilidade.Desde pequeno ele era excluído.Nada de brincar com outras crianças.Precisa evoluir sua mente, ampliar seus conhecimentos.Mas é claro que ele sempre conseguia escapar.Talvez ele já tenha nascido assim, um membro da Audácia, com o futuro pré determinado por quem quer que fosse em quem acreditava.Talvez tivesse sido adotado, ou até mesmo trocado ao nascer.Fosse o que fosse ele só sabia que não permaneceria por muito tempo na Erudição.Apesar de tudo, Seth pensou duas vezes na hora da escolha.Não por si mesmo, mas por sua mãe, que apesar de viver entre esses monstros de azul era uma boa pessoa, que sempre lhe deu muito amor, carinho.

Um ruído atrás de si faz Seth se despertar de seus pensamentos.Ele vira a cabeça e já pensa no palavrão para jogar pra cima do intruso, quando vê a cabeleira cheia de cores de Emma.Seus punhos, que estavam cerrados, se abrem.Seus maxilar tensionado relaxa e se abre num sorriso.O que fazer?Ela era, provavelmente, a sua única amiga ali.A única mulher com quem se importava.A única que lhe dava força.

–Oi!-Ela diz se sentando ao lado dele.

–Oi.

–Hoje é dia de Cerimônia.Você vai?

–Talvez-disse desanimado.

–Não parece muito motivado a ir.

–Meu pai vai estar lá.Não quero vê-lo.

Não era totalmente verdade.Seu pai era só parte do problema.A outra parte do problema era que provavelmente Clarke Weasley estaria lá.A menina mais bonita da escola na época dele.Adorada.Idolatrada.Erudição assim como ele.Mas ela era diferente.Não diferente dos demais, diferente dele.Ele olhava para aquele pedaço de perfeição e desejava com todo o ser que fosse como ele, uma rebelde sem causa que logo saíria daquela vida na facção dos azuis.Seth já ouvira falar de brigas com o pai, mas não acreditava.Parecia impossível demais.

Ele se lembrou de um dia que falou com ela.Aquela voz doce havia o chamado para uma atividade.Uma das favoritas da Erudição, um campeonato da matéria que ele mais odiava, mas a que se dava melhor:Matemática.

–Vamos lá, Holyrood!-Ela disse.-Eu sei que você é perfeito nisso.Além do mais, não tem nada de importante pra fazer.

–Como pode ter tanta certeza, Weasley?-Retrucou.

–Tem algo mais importante pra fazer além de me ajudar?

Seth deixou escapar um sorriso ao se lembrar de como ela piscou pra ele naquele dia.Foi assim que ela o dobrou.Mais de uma vez ela usara essa arma com as pessoas, e ele sabia que ela sabia do potencial que tinha.

–Não-ele respondeu.-Mas fique sabendo que odeio matemática.

–Como pode odiar algo no qual é tão bom?E o orgulho?

–Isso é coisa do meu pai.Deixo o orgulho pra ele.

Ela sorriu maliciosamente e saiu andando.O cabelo escuro ia até a cintura.Tinha um corte em V e parecia tão macio que Seth gostaria de tocar para sempre.

–Seth?-Emma o chamou, passando a palma da mão na frente de seus olhos.-Ainda tá aí?

–Oi-Ele disse saindo do transe.-Desculpa, eu só...

–Não vá a Cerimônia...Você não parece bem.Está pálido, sabia?

Instintivamente, Seth levou a mão a testa.Sentia muito frio, mas estava quente, provavelmente com febre.Aparentemente, pensar no passado o deixava mal.Talvez tenha sido isso que o fez abandonar tudo.O pai, a primeira paixonite, a facção, tudo isso estava atrás e merecia ser guardado no lugar mais escuro de sua mente.Não poderia descartar, quem sabe não precisaria usar isso em algum momento da vida?
Ele iria precisar.
Emma se levantou, esticou as pernas e saiu.Seth deixou que aquele sol da manhã levasse embora tudo o que sentia, bem e mal.Caiu sobre o cimento empoeirado do terraço e apertou a mão nos olhos.A cabeça desatinou a doer e ele adormeceu ali mesmo, a céu aberto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.