I Really Miss You
4 Eu odeio me lembrar daquilo
Notas iniciais
Pov. Germán
Tinha preparado tudo para a noite ser perfeita e estava dando certo. Levei Angie ao “nosso” lugar, que estava um pouco mudado. Angie, aparentemente, gostou. Isso, fazia parte da minha surpresa, mas o principal deixei para o final.
Depois de comermos o que tinha trazido, retirei o envelope que estava dentro da cesta onde estava a comida e o entreguei a Angie. Tinha a ver com a nossa lua de mel, que não tinha dado lá muito certo e Angie se culpava por isso, mas depois de muito conversarmos a convenci de que ela não era culpada e por isso estranhei a reação dela ao revelar o assunto da surpresa.
Ela havia deixado cair uma lágrima e eu a limpei. Falei novamente que ela não era culpada, mas por algum motivo, desde que voltamos da nossa lua de mel, achava que Angie me escondia alguma coisa, porém eu não cobrava dela porque da última vez que tentei fazer isso, anos atrás, ela ficou mal por quase uma semana e eu odiava a ver daquele jeito.
Angie me fitou um pouco enquanto abriu o envelope, seus olhos estavam um pouco marejados por quase chorar mais. Fiquei com medo dela não gostar, mas assim que ela abriu percebi uma expressão de alívio em seu rosto.
— Gostou?— Perguntei.
— Germán... É claro que gostei!— Ela me abraçou e eu retribui— Sempre quis ir para a França, principalmente para Paris!— Dentro da caixa haviam duas passagens para França para daqui 2 meses.
Quando desfizemos o abraço ela me beijou. Me senti bem por ela ter gostado. Só não entendi o motivo de ela ter ficado tão aliviada, porém não a perguntei sobre.
Ficamos um tempo nos olhando com sorrisos bobos no rosto, parecia que tínhamos voltado para aqueles dias em que Angie era governanta de Violetta, até que eu resolvi me deitar sobre a toalha de piquenique e Angie se deitou colocando a cabeça sobre meu peito e eu a abracei.
Observamos o céu, que estava extremamente estrelado e com uma lua maravilhosa. Tentávamos achar algumas constelações e formar nossos próprios desenhos e ríamos da maioria deles.
Depois de um bom tempo olhando o céu eu fiquei mais curioso para saber o porque de Angie ter ficado tão aliviada.
—É... Angie... Você parecia ter ficado aliviada quando viu as passagens.
—O que? Eu não parecia aliviada.
—Parecia sim.
—Mentira!— Ela se sentou na toalha.
—Verdade!— Me sentei em seguida.
—Está bem!— Ela se rendeu— Depois de você falar da nossa lua de mel...— Angie ficou com os olhos marejados novamente, mas dessa vez não deixou cair nenhuma lágrima— Eu fiquei com medo de você querer que voltássemos para o Brasil.
Sim, tínhamos passado nossa lua de mel no Brasil, já que é um país que fica pertinho e não podíamos ir para muito longe porque George ainda era muito pequeno.
—Mas o que é que tem demais lá?—Me arrependi de ter perguntado isso.
—Eu... Eu...— Ela gaguejou— Você... sabe o que é que tem lá— Disse e se deitou novamente.
Eu sabia sim. Ela havia ficado doente e precisamos voltar para casa antes do previsto, mas aquela sensação de que Angie estava me escondendo algo não me abandona de jeito nenhum. Tentei ignorar isso e voltei a ficar deitado ao lado de Angie.
Voltamos a observar as estrelas. Não estava tão divertido quanto antes. O clima entre nós dois não tinha ficado muito bom. Ela tinha ficado muito quieta. Resolvi pedir desculpas a Angie. Tocar no assunto da nossa lua de mel foi um erro terrível.
—Angie!— A chamei e me levantei.
Quando olhei, percebi que ela havia pegado no sono. Sorri ao vê-la daquele jeito. Ela fica tão linda dormindo, mas fui obrigado a acorda-la. Beijei sua bochecha, depois a ponta de seu nariz e por último seus lábios. Ela deu um sorriso e abriu os olhos devagar.
—O que aconteceu?— Ela perguntou se espreguiçando.
—Você pegou no sono— A respondi rindo.
—Sério?— Ela também riu, mas pareceu um pouco forçado — Então eu acho que é hora de voltarmos para casa— Ela bocejou— Não é?
—Também acho— Também bocejei.
Fiquei de pé e ajudei Angie a se levantar. Recolhemos tudo do chão e colocamos dentro da cesta de piquenique. Saí de lá abraçando Angie de lado. Entramos dentro do carro e eu comecei a dirigir. Angie pegou no sono novamente e não acordou até chegarmos à mansão. A acordei assim que guardei o carro na garagem.
Subimos para o nosso quarto e colocamos um pijama. Arrumamos nossa cama e deitamos. Eu consegui dormir logo depois que percebi que Angie havia dormido definitivamente.
No meio da madrugada, senti sede e resolvi ir à cozinha buscar um copo de água e assim que levantei percebi que Angie não estava mais na cama. Fiquei preocupado. Sai do nosso quarto rapidamente e percebi que a luz do quarto de governanta estava acesa, não utilizávamos aquele quarto há um bom tempo já que Violetta havia se mudado faz tempo e Angie estava dando aulas para ela.
Caminhei em direção a porta e escutei murmúrios e eu sabia a quem pertencia. Abri a porta e dei de cara com Angie, deitada na cama velha, com os olhos um pouco inchados e fitando o teto. Assim que me viu ela adquiriu uma expressão de susto.
Pov. Angie
Havia pegado no sono depois de me deitar na toalha de novo. Germán me acordou e tivemos que ir embora. Ele parecia querer falar algo, mas não estava com vontade de falar nada porque ele iria tocar naquele assunto de novo e me sentiria mais mal do que já estava, então resolvi fingir que peguei no sono de novo.
Quando chegamos subimos para o nosso quarto, vestimos nosso pijama e arrumamos nossa cama. Deitei na cama e fechei meus olhos, mas não conseguia dormir. Me sentei na cama e olhei para Germán, ele tinha dormido. O olhei por um tempo e comecei a me sentir mal. Me lembrar do que aconteceu na época da nossa lua de mel e não me sentir mal quando olhava para Germán era impossível.
Me levantei e caminhei até a porta tentando não fazer barulho, se Germán me visse ele faria uma série de perguntas e seria obrigada a tocar naquele assunto... Não queria que isso acontecesse. Fui para o quarto de governanta, Germán não iria ali já que ninguém mais usava aquele quarto faz um bom tempo. Me deitei na cama que tinha lá.
Comecei a pensar no que Germán me deu hoje, as passagens para a França, e chorei. Parecia uma coisa idiota chorar, mas eu não consegui evitar e é melhor assim, colocar tudo para fora antes que Germán, ou qualquer outra pessoa, me visse. Tinha ficado mal.. Muito mal. Eu odiava me lembrar do que aconteceu na nossa lua de mel e principalmente não ter coragem para contar para alguém. A única pessoa que sabia era minha mãe, ela me prometeu que não contaria para ninguém, mas como sempre, ela me pressionava para que eu contasse para Germán.
Fiquei perdida, até eu perceber alguém abrindo a porta. Germán. O olhei. Fiquei assustada. Apesar de ter parado de chorar, tinha certeza que meu rosto estava inchado. Agora, eu teria de explicar tudo... Ou inventar uma desculpa qualquer.
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