I Really Miss You
8 Epílogo - Anos depois...
Notas iniciais
Pov. Angie
Estava em meu quarto sentada de frente para o espelho me observando. Meu cabelo estava arrumado em um coque e com algumas mechas soltas—Exatamente como no dia do meu casamento—, havia alguns fiozinhos brancos aqui e outros ali, mas não eram nada demais. Eu tinha passado uma maquiagem leve, que não escondia algumas ruguinhas, mas também não me importava com isso. Estava concentrada me observando até alguém bater na porta.
—Quem é?— Perguntei.
—Sou eu, mãe.
—Pode entrar— Disse e escutei a porta se abrir.
Me virei e vi George. Ele havia crescido muito. E, definitivamente, era uma cópia de Germán. Ele estava com terno—Sem gravata, que estava em sua mão— e o cabelo arrumado. Afinal de contas, era seu casamento. Eu estava orgulhosa do meu pequeno. Me levantei e segui em sua direção.
—É... Mãe... Pode colocar para mim?— Ele me perguntou, um pouco sem graça, estendendo a mão e mostrando a gravata.
—Claro—Respondi pegando a gravata em sua mão.
Passei a gravata em volta do seu pescoço. Era engraçado. George nunca gostou de usar gravatas quando pequeno, mas agora usa para quase tudo. E também porque me lembrava Germán me pedindo para colocar sua gravata as vezes, não que ele não soubesse, mas parecia que ele gostava e eu também.
—Você me lembra muito seu pai— Disse terminando de dar o nó na gravata— Tanto no jeito quanto na aparência, exceto pelos...
—Olhos. Você já me disse isso, várias vezes— Falou rindo.
—Eu sei— Ri.
—Okay, chega de papo agora. Estamos atrasados.
Olhei para o relógio em cima do criado-mudo.
—Mas, querido, são 19h30min ainda, o casamento é às 20h.
—É? Talvez eu esteja um pouco nervoso— Ele olhava para os lados, para cima e para baixo batia os dedos na perna.
—Acho que deu para perceber um pouco—Comentei, segurando o riso.
—Mãe, você acha que ela pode dizer não?—Perguntou— Ela pode nem aparecer— Ele parecia muito preocupado.
—George, querido, vocês namoram desde os 15 anos. Eu nunca vi duas crianças tão unidas quanto vocês dois foram, você acha mesmo que ela vai dizer não?— O encorajei.
—Acho que não—Ele riu.
—Então não tem motivos para ficar nervoso ou preocupado— Acariciei seu rosto— Agora, desça porque eu tenho que terminar de me arrumar.
—Pra que? A senhora está linda.
—Oh George! Pare com isso—Ri e ele fez o mesmo.
Ele se aproximou mais de mim e depositou um beijo em minha testa.
—Estou te esperando lá embaixo, mãe—Logo em seguida ele saiu do quarto.
Voltei para frente do espelho. Terminei de fazer tudo o que tinha que fazer, retocar a maquigem e dar uma última ajeitada no cabelo. É eu estava pronta. Era o casamento do meu filho. O tempo passa tão rápido, não é mesmo?
Me levantei e segui para fora do quarto. Estava descendo as escadas e percebi que já me esperavam. George e Germán. Germán, assim que me olhou, deixou escapar um sorriso e eu não pude deixar de fazer o mesmo.
—Eu ainda acho incrível esses sorrisos e olhares apaixonados que vocês dão um para o outro— George disse, rindo— E que não existiriam até hoje se não fosse por mim, Vilu e Maria Clara... Vocês sabem né?
Acho que não havia comentado que George, Violetta e Maria Clara, toda vez que via Germán e eu juntos comentavam algo do tipo, mas nós nem ligávamos, porque se realmente não fosse por eles nem estaríamos juntos.
—Claro, George. Devemos tudo a vocês três— Germán riu.
Fomos para a garagem e Germán abriu o carro e antes dele entrar ele abriu a porta para mim. Entrei e esperei George e Germán fazerem o mesmo até seguirmos para a igreja.
Fizemos todo o trajeto em silêncio. Eu estava animada. Eu estava indo para o casamento do meu filho. Isso é tão... Não sei... É... Legal? Incrível? Esquisito? Nem sei. Só sei que estou animada. Germán também parecia estar assim, mas ele já teve a sensação de ver um filho se casando, afinal, Vilu se casou com Leon alguns anos atrás. Tudo bem, tudo bem, Vilu é como se fosse minha própria filha, mas a sensação é diferente, não sei explicar. Ver tudo acontecer, aquele bebezinho virar uma pessoa independente. Pensando nisso uma lágrima saiu dos olhos, mas a limpei rapidamente para ninguém ver, imaginem o quão estranho seria me verem chorar antes mesmo do casamento começar?
Chegamos à igreja alguns minutos depois. Germán estacionou o carro e nós três descemos. George havia adquirido uma expressão preocupada. Ele havia ficado nervoso de novo, mas eu já tinha descoberto um jeito de fazer isso passar. O chamei em um canto.
—Germán, já voltamos—O avisei antes de sair. Ele assentiu.
Fomos para uma parte onde não havia muitos convidados.
—Mãe, o que quer falar?—Perguntou, confuso.
—Eu sei que ainda está nervoso.
—Sim, eu estou, mas o que eu posso fazer? Daqui a pouco o casamento começa, ela pode dizer não, ela pode ne aparecer, alguém pode aparecer, sei lá. Pode acontecer um milhão de coisas que nos impeça de ficar juntos.
—George, acho que já lhe contei várias vezes a história minha e de seu pai, certo? Acho que nenhum casal vai poder ser tão complicado quanto nós—Dei uma breve risada.
—É, eu sei— Ele riu também— Mas, ainda assim... Eu não sei...
—Suspeitei que ,mesmo depois de dizer isso, você ainda estaria nervoso— Falei— Mas eu ainda tenho outra coisa para lhe falar.
—O que?— Ele parecia curioso.
—No dia do meu casamento com o seu pai, eu estava tão nervosa quanto você, talvez até mais. Sabe quem me acalmou?
—Quem?
—Sua noiva. A Maria Clara.
—Mas, pelo o que eu sei, ela não tinha nem mesmo 3 anos na época.
—Sim, sim. E por isso me surpreendeu. Sabe o que ela me disse? Que além de Germán e eu nos casarmos, você e ela também estariam se casando.
—Sério?— Ele deu um sorriso torto e eu assenti.
—Eu ainda fico maravilhada com a conexão que vocês dois tem, desde crianças. Então, não se preocupe.
Depois de dizer isso, fui surpreendida por um abraço, um abraço bem apertado de George.
—Obrigado. Muito obrigado— Falou e saiu do abraço— Estou bem melhor— Ela beijou minha bochecha.
—De nada.
Após, voltamos para a igreja. George foi para o altar esperar a cerimonia começar. Eu voltei para o lado de Germán, para esperar a hora de entrarmos. Ele me abraçou de lado.
—O que foram fazer?
—George estava um pouquinho nervoso, mas parece melhor agora.
—Okay então.
Germán e eu continuamos conversando até uma mulher nos dizer para ficarmos preparados para entrar na porta da igreja. Germán e eu nos olhamos e fizemos o que ela falou. Ele ofereceu seu braço e eu aceitei e seguimos para a frente da igreja.
—Preparada para ver nosso pequeno se casar?—Sussurrou para mim.
—Não sei... Acho que sim—Sussurrei de volta— Só espero não chorar tanto quanto no casamento da Vilu— Ri.
—Eu também— Ele riu junto comigo.
Uma música começou a tocar e a mesma mulher disse para entrarmos. Assentimos e entramos. No meio do caminho parávamos para fotos e assim que chegamos na frente nos sentamos. Enquanto os padrinhos entravam eu avistei Jade no primeiro banco da fileira do outro lado. Ela estava usando um vestido longo e o cabelo solto. Posso falar uma coisa nada a ver com o momento? Jade não mudara nada. NA-DA. Ela continuava a mesma de sempre. Seu cabelo não tinha fios brancos, seu rosto estava incrivelmente lisinho. Eu, definitivamente, não sei quantas plásticas ela fez ou quantos quilos de maquiagem ela passou, mas sei que ela não estava diferente de anos atrás.
Agora, voltando ao casamento. O resto dos padrinhos entraram, dentre eles estavam Violetta e Leon, e a música mudara. Duas pessoinhas entraram. Um menino e uma menina. Eram os gêmeos de Vilu e Leon. Pedro e Mia. Eles eram uma gracinha. E depois Maria Clara estava entrando. Como ela crescera. Eu nunca soube dizer muito bem se ela se parece mais com Pablo ou Jade. Ela é uma mistura dos dois, acho. E ela, desde pequena, é muito bonita e gentil. George, com certeza, teve seus motivos para se apaixonar por ela. Assim que ela chegou ao altar os dois, George e Maria Clara, se olharam e soltaram um sorriso bobo. Eu ainda me pergunto o porque de todo mundo implicar comigo e Germán sendo que todos eles também ficam olhando abobalhados um para os outros.
A cerimônia seguiu normalmente como qualquer outra. E eu? Eu não me segurei e desabei em lágrimas, de alegria, obvio. Com certeza, eu chorei mais do que no casamento de Violetta. Mas isso só no início, imagina na hora do “sim”? Eu já estava ficando quase desidratada. Okay, não vou exagerar tanto, mas eu chorei muito mesmo.
Depois da cerimônia, eles decidiram fazer uma festa em um clube. Germán e eu seguimos para lá junto com Pablo e Jade. Nós sentamos na mesma mesa e esperamos os noivos chegar.
—Foi um lindo casamento, não foi?— Jade comentou, bebendo um gole de vinho.
—Foi muito especial—Disse e comi um salgadinho.
—Angie ficou muito emocionada, não?— Pablo riu.
—Lógico, era o casamento do meu filho, oras— Me justifiquei.
—Confesso que também fiquei, foi difícil ver minha única filha ficar independente—Jade disse.
Nossa conversa foi interrompida por uma algazarra na entrada do clube. Os noivos haviam chegado. Nós quatro resolvemos continuar sentados e isso fez com que os dois viessem conversar conosco na mesa mais tarde.
—E aí? Como estão? Estão gostando da sensação de estarem casados?—Perguntei, animada.
—Bem, é ótima— Responderam em uníssono.
—Já vou logo avisando que quero netinhos o quanto antes, okay?— Pablo comentou e Maria Clara o cutucou.
—Pai!
—O que foi? Oras, só estou dando um aviso— Pablo disse rindo.
Continuamos conversando até Violetta chegar e sussurrar algo no ouvido de Maria Clara.
—Esperem aqui, daqui a pouco eu volto—Ela disse e saiu acompanhada de Vilu.
—O que ela foi fazer?—George perguntou.
—Não sei—Germán respondeu— Deve ter ido falar com outros convidados.
—Mas seria mais coerente se eu fosse junto, não?
—Talvez...— Germán disse.
Logo depois disso, todas as luzes do clube apagaram e a única que ficara acesa foi um refletor no palco. Maria Clara apareceu lá segurando um microfone. Acho que todos acharam estranho.
—Boa noite— Ela cumprimentou— Primeiramente, eu queria agradecer a todos você por terem comparecido ao dia mais importante da minha vida—Após isso, George já havia se aproximado do palco—E também, a minha cunhadinha— Ela apontou para Violetta— Que me ajudou com o que vou fazer. Essa música, alguns de você deve conhecer, é bem antiga e eu achei no quarto da minha cunhada quando eu ainda era muito pequena e acabei “roubando” ela para mim— Ela riu— George conhece ela, porque foi a música que mais nos uniu.
E assim a música começou a tocar. Já estava prevendo outra chuva de lágrimas da minha parte. Eu conhecia aquela música... Era... Nuestro Camino! Aquela música era tão bonita e com a voz de Maria Clara ficara melhor ainda.
—Tanto tempo caminando junto a tí, aún recuerdo el día em que te conocí, el amor en mi nació, tu sonrisa me enseño tras las nubes siempre va a estar el sol.
—Te confieso que sin ti no se seguir, luz en el camino tu eres para mi. Desde que mi alma te vió tu dulzura me envolvió, si estoy contigo se detiene el reloj— George subiu no palco e a acompanhou, um pouco desajeitado pois ele não tinha o costume de cantar, mas não deixou de ser uma cena bonita.
Naquele momento começou a passar algumas fotos dos dois no telão ao lado do palco. Nós quatro, Jade, Pablo, Germán e eu, fizemos aquilo juntos o slide e, obvio, com uma pequena ajuda de Violetta. A primeira foto que apareceu fora de quando eles eram bem pequenos—Acho que George tinha quatro anos—, nela Maria Clara estava beijando a bochecha de George. As seguintes foram uma sequencia de fotos de uma viagem que fizemos à praia, onde, na primeira foto, os dois estavam começando a fazer um castelo de areia, mas nas últimas os dois acabaram em uma guerrinha de areia. Depois das fotos de quando eles eram pequenos, apareceram algumas de quando eles eram adolescentes e inclusive a do aniversário de 15 anos de Maria Clara onde George a pediu em namoro. E depois que vi essa me desmanchei em lágrimas. Eu, desde pequenos, achava que acabariam juntos... E agora? Foi exatamente o que aconteceu.
—Eles são tão fofos, não é?—Murmurei para Germán, que , ainda sentados, me abraçou.
—Muito—Ele deu um risada—Mas... Não tão fofos quanto nós.
—Germán, por favor, claro que eles são mais fofos, eles estão mais jovens que nós.
—Mas, eu garanto, não existe nada mais fofo do que um casal de velhinhos— Ele falou, baixinho, e eu me desfiz do abraço e o olhei fixamente.
—Germán, mesmo depois de todo esse tempo você ainda é um bobão—Disse, segurando o riso.
—E você ama esse bobão aqui.
—Pior que é verdade— Falei e assim ele me deu um selinho.
As últimas fotos que passaram no slide fora Violetta que nos arranjou, porque fora a época em que George estava se mudando. Havia algumas de encontros, deles se beijando e fotos do intercambio que ambos fizeram ao Canadá. E quando terminou o slide, percebi que Maria Clara e George estavam emocionados e começou a tocar uma música clássica. Germán e eu nos direcionamos, de mãos dadas, ao palco e pegamos o microfone enquanto os dois se recuperavam.
—E agora, depois de tudo isso— Germán começou— Queria chamar os noivos para a valsa-Finalizou e colocou o microfone no suporte.
George ofereceu o braço para Maria Clara, que limpava as lágrimas no rosto, e ela aceitou. Eles foram para a pista e começaram a dançar e logo depois chegou a hora da noiva dançar com o pai. Eu fui dançar com George, Pablo com Maria Clara e Germán com Jade. Confesso que queria mais dançar com Germán, mas estou satisfeita de estar com George.
—Parabéns, filho—Sussurrei em seu ouvido.
—Obrigado, mãe— Sussurrou de volta— Devo tudo a você e o papai— O olhei e dei um sorriso e ele fez o mesmo.
Dancei mais um pouco com George e depois os outros convidados começaram a dançar também. Germán e eu voltamos a dançar juntos. Jade ficara com Pablo e George com Maria Clara.
—Sabe o que essa noite está me lembrando?— Germán perguntou.
—O que?— Ele olhou todo o lugar.
—Nosso casamento— Respondeu por fim.
—Vou te contar uma coisa... A mim também— Disse e repousei minha cabeça sobre seu ombro.
Ficamos dançando quase a noite toda, obviamente, não só a valsa. Eu estou muito feliz. George casado. Pablo bem com a Jade. Eu e Germán juntos e muito mais do que bem. É... Acho que eu não poderia pedir coisa melhor. Bem... Exceto netinhos, claro. E acho que agora posso usar aquela frase clichê de todo conto de fadas.
“E vivemos felizes para sempre”
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