I Promise...
1 I Promise
Notas iniciais
I Promise
Voto de silêncio, por quê? Estava farta de tudo aquilo. Sete anos sendo iludida com seus próprios sentimentos e um amor que nunca seria correspondido. Era uma decisão difícil, mas sabia que faria bem para ela. Por muito tempo se enganou, tentando chamar a atenção do ninja que sempre a rejeitava, ignorava e até mesmo se escondia dela, tentando despistar seus desejos por abraços, beijos forçados e humilhações.
Era uma segunda-feira de manhã quando tomou coragem, se pondo em frente ao espelho. Escovava o cabelo e dizia a si mesma que "Será diferente!". O espelho refletia não só ela, mas também seu quarto. Olhou por alguns segundos antes de suspirar e começar a desfazer-se das fotos e cartazes do ninja que iria esquecer. Pegou um por um, e demorou cerca de quinze minutos para tirar todos de seu quarto. Empilhou as fotos na escrivaninha, com a intenção de jogá-las no lixo da cozinha.
Começou a se arrumar, sabendo que a partir daquele dia tudo seria diferente. Colocou seu vestido vermelho e sua legging preta como sempre, mas em vez de prender o cabelo com duas fitas fazendo coques, decidiu prender em um único rabo de cavalo com sua fita vermelha.
Abriu a porta do quarto e desceu as escadas do restaurante, chegando à cozinha onde viu seus tios e o estagiário loiro que conhecia muito bem por ser bastante atrapalhado. Todos olharam rapidamente para Pucca, que sorriu e se pronunciou, assustando-os:
— Bom dia... — Sua voz estava seca. Forçou a garganta e tentou de novo — Acho que preciso de um copo de água!
Os presentes estavam estáticos. Havia muito tempo que não ouviam a voz dela. Pucca abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água e deu seu último gole, olhando para os outros, que não haviam se mexido.
— Então, vamos abrir o restaurante? — Estava com um largo sorriso no rosto.
— ...Claro! — Dumpling não sabia o que dizer, chocado por ouvir a voz dela. Decidiu arriscar — Pucca? — Ela respondeu apenas com um "Ahm!" e ele continuou — Você está bem?
— Estou ótima! — Ela sabia que estava mentindo, mas não queria preocupá-los. Ho notou que ela estava com uma pequena pilha de fotos na mão esquerda, curioso.
— O que é isso? — Pucca olhou para as fotos de Garu que segurava.
— Vou jogar fora, quero mudar meu quarto... — Eles ficaram confusos, e ela mudou de assunto — E aí!? Quem pediu macarrão por encomenda hoje?
— Acho que ficará feliz. Sua primeira cliente é Ching, depois Abyo e por último Garu! — Linguini falou, entregando as três caixinhas de macarrão e empurrando-a para fora do restaurante — Ande, ande, não queira que a comida esfrie!
— Okay, okay! — Sentou-se em sua motinha vermelha e começou a acelerar.
Cumprimentava todos de Sooga, deixando-os confusos e admirados pela sua voz doce, que acalmava a alma e trazia paz. Chegou à escola de artes marciais, onde encontrou Ching treinando em frente à escola. Ela acenou para Pucca, que logo respondeu "Oi Ching!", assustando-a. Ching limpou os ouvidos e piscou algumas vezes, achando que estava sonhando.
— Desde quando voltou a falar?
— Acho que desde hoje de manhã... — Disse, entregando a caixinha de macarrão — Como é bom voltar a falar!
Ching estava bastante confusa com tudo, mas achava bom. A amiga precisava sair um pouco da rotina, mas algo parecia diferente, não só por causa do novo penteado, mas porque seu rosto mostrava-se meio cabisbaixo.
— Você está bem, Pucca? — Encostou seu braço esquerdo no dela, mostrando que queria ajudá-la.
Ela se recusou a falar, mas sentiu que precisava contar para alguém. Respirou fundo e olhou para o chão, tentando encontrar palavras para explicar a situação.
— Bem... Eu estou farta de seguir Garu! — Voltou a olhar seriamente para Ching, que se assustou com a voz dela. Pucca suspirou e continuou — Não quero mais fazer papel de boba na frente de todos da vila. Não vou mais arranjar confusões por causa dele! Eu quebro meu voto de silêncio hoje!
O ninja estava concentrado em cima dos bambus ao redor de sua casa. Era uma bela manhã e ele praticava o penúltimo ensinamento que seu pai lhe deu antes de falecer. Seu gato estava descansando em seu colo. Garu deu uma leve inspirada, desequilibrando-se e caindo no chão. Seu gato, mais esperto, saiu antes que acontecesse. O ninja olhou furioso para o gato, que se lambia.
— Gato malandro... — Olhou para o céu, sentindo que aquele dia seria diferente.
Levantou-se do chão, bateu algumas vezes nas pernas para tirar a poeira e seguiu em direção à vila.
Estava tudo diferente. Todos estavam mais alegres, e Garu não entendia. Passou por algumas pessoas, que contavam com maior alegria o que acontecia.
— Ouviu a voz da Pucca, será que ela quebrou o voto de silêncio? — O moreno ficou estático, achando que ouviu errado. Pucca não faria isso, faria?
— Será que aquela menina parou de me perseguir? — Dava para perceber a alegria no rosto dele. Queria saber com seus próprios ouvidos e correu até o restaurante da vila.
Os tios de Pucca viram o ninja entrar no restaurante. Se entreolharam e saíram para cumprimentá-lo. Ele apenas sorriu e se sentou, ouvindo mais uma vez sobre Pucca. Prestava tanta atenção que nem viu que os tios ainda estavam presentes.
— Garu... Esqueceu que você fez pedido por encomenda hoje? — Ho falou, analisando o ninja que bateu sua própria cabeça na mesa. Ele tinha se esquecido! O mais velho aproveitou para falar sobre a vila — E então, já sabe da novidade? — Garu levantou a cabeça para ouvir o mais velho — Pucca quebrou seu voto de silêncio, e ninguém sabe o motivo!
— Então é verdade... Ela voltou a falar... Mas parou de me perseguir? — Sorriu, mas algo estava faltando. Não sabia o que era.
— E você? — Ho arqueou as sobrancelhas, não sabia o que dizer — Não se preocupa com ela?
O ninja não sabia que gesto fazer. Levantou os ombros e abaixou.
— Não sei... Eu devo me preocupar?
Abyo se despedia da menina que lhe entregou sua caixinha de macarrão. Pucca iria fazer sua última entrega naquela tarde. Pensamentos e mais pensamentos a acompanhavam. Sabia que era hora de encarar a realidade e se despedir de sua paixão excessiva por aquele ninja moreno. Olhava as paisagens da vila mudando conforme ia em direção a uma casa distante.
Percebia em seu olhar que estava triste. Limpou algumas lágrimas rapidamente de seu rosto e parou.
— Alguém em casa?
Ainda bem que viu o gato sair de trás de alguns bambus. Jurava que a casa estava deserta. Deu meia-volta, iria procurá-lo.
A vila toda falava de Pucca. O moreno já não suportava mais isso. "Pucca voltou a falar", "Que linda é a voz dela!" e até "Garu é tão bobo, como ele não quer ela, ela precisa de alguém melhor!". Caminhou até o centro da vila, que estava lotada de gente. Ficou curioso, mas logo se odiou por isso. Era só Abyo dando um de seus shows de popularidade.
O moreno viu Garu, logo esboçou um sorriso e aproximou-se. Abraçou o pescoço dele.
— E aí, Garu! Já ouviu a novidade?
— Tsc...
— Já vi que ouviu falar, mas já viu ela? — Ele negou com a cabeça — Bom, ela disse que está feliz, mas Ching falou que está bastante triste... E, meu camarada, você se livrou da "Garota perfeita".
— Ela desistiu de mim? — Sorriu, mas algo estava faltando.
— Como você pode deixá-la ir?! Você é louco, ela é tão gentil e amável... Como pode? — Abyo estava furioso com o amigo. — Ela te amava! O que você fez por esse amor? Nada! Por quê, cara?!
"Por quê?" foram as últimas palavras de seu amigo. Andava sobre a grama verde e extensa onde dizia que era seu lugar secreto. Não que fosse tão secreto assim, mas quando queria pensar, era lá onde ia. A grama verde e um lago que dava para um rio, era relaxante.
— Eu não gosto dela...
O ninja estava completamente confuso. Era mesmo isso que ele dizia sobre Pucca? "Não gosto". Foram tantos anos de perseguição que só veio à mente o dia que Pucca tinha acabado de chegar na vila, um dia que Garu jamais iria esquecer.
A vila de Sooga estava tão agitada naquele dia. Todos os habitantes andavam conversando uns com os outros sobre as
barraquinhas, comprando seus mantimentos. Tinha de tudo lá.
Acabara de chegar uma pequena família de quatro integrantes. Muitas pessoas se mudavam naquela época, uns para morar, outros para trabalhar, mas eles eram os dois. Entre eles havia uma pequena menininha de coques na cabeça, tornando-se única. Aquela pequena família alugou o restaurante da vila que mais tarde se tornaria o próprio proprietário.
Um jovem menino estava começando seus primeiros passos para se tornar ninja. Seu pai sempre lhe ensinava que era o melhor ninja de toda a China, e ele queria continuar seu legado. Sempre o acompanhava em tudo que fazia, até no almoço e janta.
A pequena família que construía seu próprio legado se tornava mais frequente, dia após dia, semana após semana, sempre trabalhando duro, e a menina dos coques também.
Em um belo dia de manhã, o pequeno ninja caminhava com seu pai até um restaurante. O pai disse ao filho que era o restaurante que estava fazendo mais sucesso e estava ansioso para entrar e provar a comida.
— Filho... — O pai sorriu para o filho e continuou — Quero que saiba que eu te amo... Não importa o que aconteça!
O mais velho ia para uma missão depois daquele almoço e por algum motivo sabia que algo iria mudar. Não aguentou e soltou uma lágrima, fazendo o filho se assustar.
— Garu, quero que saiba que... A vida pode dar destinos diferentes, mas cabe a você fazer o seu. O que você está mais evitando pode se tornar aquilo que o fortalece... Nunca se esqueça disso! — Abraçou o filho, que começou a chorar nos braços do pai — Eu te amo, Garu...
— Eu também pai... — Falava entre soluços — O senhor vai voltar, né?
— Vou filho... Vou...
Entraram no restaurante. Era muito simples, só havia algumas mesas e uma jovem menina atendendo os pedidos. Logo se sentaram e a própria menina foi atendê-los.
— O que vão pedir? — A menina de coques falava alegremente. Deveria ter seus nove ou dez anos, mas sua voz era tão suave e calma que parecia já ser de uma mulher.
— Olá menina! É você que vai nos atender? — O pai sorria ao ver a menina acenando com a cabeça — Que bom! Bem, vejamos... O que vai querer, filho?
A menina logo olhou para o lado, vendo o menino que ali estava. Não o tinha visto, achou-o fofo e queria ser amiga dele. Foi gentil e logo deu um sorriso.
— Macarrão, sim? — Tirou o menu de sobre seu rosto, vendo a menina à sua frente, tomou um susto, nem tinha percebido que aquela voz era dela — Ei, ela não é jovem demais para trabalhar aqui?
— Ora, filho, e você não é jovem demais para estar treinando para ser um ninja? — Deu um "Tsc" para o pai, que riu na mesma hora — Desculpa, meu filho, er...
— Pucca! Meu nome é Pucca! — Falou animadamente, queria conhecê-los o mais rápido possível.
— Ah, sim... Pucca, que nome lindo. Prazer, eu sou Zur e esse é meu filho Garu. Pode perceber que ele não é de fazer amigos, a não ser o Abyo...
Os dois riram, deixando o moreno envergonhado. Pucca anotou os pedidos e mais tarde voltou. Zur e o filho conversaram na mesa, adoravam conversas longas e divertidas, e logo esqueceram do que estavam tristes antes de ir ao restaurante.
— Se surpreendeu com Pucca, não foi? — Zur deu uma risada, deixando Garu envergonhado de novo.
— Pai! Você sabe que nada me surpreende...
— Mas eu sei o que vai te surpreender!
— O que?
— Cresça e saberá — O mais velho começou a rir ao ver seu filho vermelho de raiva.
Pucca voltava com a comida dos dois numa bandeja, sorrindo e cantarolando uma música que nem ela se lembrava do nome. Os mesmos se admiraram, deixando-a constrangida.
— Bom... Aproveitem!
— Obrigado, Pucca!
A menina sorriu alegremente, iria voltar a fazer seus outros afazeres, mas decidiu arriscar. Virou-se para o menino e sorriu.
— Ei! Abyo não é o mesmo que está na escola de artes marciais? — Garu não sabia o que falar, pois nunca havia falado dele para ela.
— É ele sim... Por quê? — Estava bastante curioso.
— E que a gente iria brincar hoje lá no parquinho. Se você quiser pode ir, vamos adorar ter mais pessoas para brincar...
— Claro que ele vai adorar ir! Não é, filho? — Garu olhou para o pai e sorriu — Que horário vocês vão?
— Bom, sempre depois do almoço, quando acaba meu expediente e fico na área de encomenda de macarrão...
— Então está ótimo! Conto com vocês para cuidar dele! — Pucca riu do que o pai acabara de pedir, deixando Garu envergonhado.
— Tenho que ir... Até mais, Garu, e foi um prazer, senhor Zur! — Se despediu e começou a caminhar para a cozinha.
"Era para ser uma tarde tão normal..."
O menino seguiu Pucca até o parquinho. Era uma cena cômica, parecia um casal. Pucca sorria alegremente, saltitando enquanto segurava a mão de Garu, fazendo-o seguir. O mesmo seguia timidamente. Chegaram.
— Boa tarde! — Ching logo cumprimentou, olhando curiosamente para o menino. Sabia que ele era filho do ninja da vila e o mais famoso. Segurou o braço de Pucca com força, inclinando-se para frente até seu ouvido estar colado com a boca dela, dizendo — O que ele está fazendo aqui? Não era para estar treinando com o pai?
Garu ouvia tudo, Ching não falava tão baixinho, mas era bastante gentil e amável com todos. Ficou sem reação, achando que não deveria ter vindo, mas já era tarde.
Enquanto as meninas conversavam, Abyo se aproximava do mesmo, segurando-se para não dar um susto, pois Garu estava concentrado em seus pensamentos.
— Ei, amigão! Que dizer que você anda com menininhas? — Garu se virou rapidamente, sabia do que Abyo falava, deu um sorriso indo em direção a ele.
— Acho que eu deveria dizer isso...
— Tsc... Não mesmo! — As meninas pararam ao ver Abyo falar, chegando mais perto para cumprimentar.
O dia estava perfeito para todos. Brincavam como crianças, jogando "Esconde-esconde", "Pega-pega" e entre outros. Não podia melhorar, todos estavam felizes, rindo, sorrindo, as nuvens indo e vindo e o grupinho estava formado.
Todos estavam deitados sobre a grama, achando bastante coisas em comum uns com os outros. Uma delas era formar figuras nas nuvens, e era o que estavam fazendo.
— Olha aquele ali! Parece um ursinho! — Pucca apontava para uma das nuvens, sorrindo.
— E aquele ali! Parece um dragão! — Abyo e Ching forçaram a visão para ver o que Garu falava, não encontrando a forma.
— Ah! Eu vi! E aquele ali!
— E esse sim! Não parece? — Pucca virou o rosto para ver Garu sorrindo enquanto olhava o céu.
— Ei? — Ele disse um "Uhm!" para que ela continuasse — É verdade que seu pai é o maior ninja de toda a China?
— Claro! Ele é com certeza o melhor! Um dia vou ser melhor que ele e continuar seu legado! — Todos sorriram com seu sonho, não dava para esconder a felicidade do garoto. Ele se levantou e começou a se alongar — E melhor eu voltar...
— É melhor eu ir também! Meus tios devem estar querendo que eu volte para ajudá-los...
Por volta das cinco horas, tudo estava calmo e tranquilo. Garu tinha até esquecido da missão de seu pai. Tudo daria certo no final, não daria? Chegaram ao restaurante, estava lotado. Pucca se despediu do ninja, pois sabia que teria trabalho pela frente. Garu sentou-se ao lado da cozinha, esperando seu pai, sabia que ele voltaria para buscá-lo, então esperou...
"Esperei demais..."
O ninja estava sentado, vendo as pessoas comendo e se divertindo, até a última pessoa sair do restaurante. Era por volta da meia-noite quando os chefes da cozinha saíram às pressas ao encontro dele.
"Lembre-se, filho... A última lição é não evitar o que está evitando."
"Não importa o que aconteça, Garu, eu estarei do seu lado..."
"Promete?"
"Prometo!"
— Foi por isso... — Garu sussurrou para si mesmo. A grama verde estava ficando escura, o céu começava a nublar, iria chover?
Levantou-se, sabendo o que tinha que fazer. Por muitos anos evitava esse sentimento, mas não precisava. Descobriu o que seu pai queria dizer sobre a última lição... Era amor, e isso era mais forte que qualquer treinamento. Teria ela de volta?
— Eu preciso de você...
Estava começando a entender todas as coisas que passou, todas as confusões, todos os ciúmes sem explicações, todos os beijos forçados... Tudo
, ele a amava, mesmo não querendo demonstrar. Corria entre um pingo e outro, queria encontrá-la, seguiu em direção ao restaurante.
Pucca sentou um pouco numa das cadeiras do restaurante, pensando onde aquele ninja tinha se metido. Estava ficando tarde, por volta de uma hora da tarde, começava a nublar o céu, sabia que iria chover.
— Onde ele deve estar? Tenho que entregar esse macarrão...
— Pucca? — Ela se virou, tomando um belo susto. Era Tobe, o rival de Garu.
Ele só os irritava, mas isso não era tão importante. Havia crescido, toda aquela inveja e rancor não significavam nada agora. Com seus 21 anos e sua esposa, ele estava mais em paz com tudo.
— Está tudo bem? — Sentou-se à frente dela, preocupado. Não porque sua esposa havia brigado com ele para ir conversar com Pucca.
— O que é isso? Tobe se preocupando com as pessoas? — Deu um leve sorriso para ele, que riu.
— Me pegou, foi minha esposa que me fez vir aqui... Mas então, o que fez você voltar a falar?
Pucca parou de sorrir, ficando séria e olhando para a pequena caixinha de macarrão. O ninja percebeu o quanto ela estava triste, mas queria ajudá-la.
— Foi o Garu, não é? — Ela fitou rapidamente ele, que deu um "Ash!" — O que ele fez? — Ela não respondeu — Ah... Você parou de persegui-lo? — Pucca olhou rapidamente para suas mãos, tinha descoberto o motivo — Bem! — Bateu as mãos na mesa, assustando-a, e levantou-se — Quando você decidir o que quer, me avisa!
— Como assim "O que eu quero"?
— Bom... Decida e saberá! — Seguiu em direção à esposa, beijando-a no rosto, e ficou ali.
Pucca ficava cada vez mais confusa, fitava a caixinha em cima da mesa. Deveria esquecer Garu mesmo?
"Talvez..."
Pegou seu capacete, sabia onde ir. Os pingos de chuva caíam e ela corria com sua moto. As lembranças vinham e iam, se perguntando "Eu esquecerei?" Estava decidida a isso. Chegou ao parquinho onde sempre se encontravam para brincar quando crianças, e era onde o ninja se refletia, seu lugar secreto.
— Pucca! — O ninja abriu a porta do restaurante com toda a força, deixando clientes e amigos perplexos. Tinha acabado de quebrar seu voto de silêncio? — Onde está ela?! — Estava ofegante e todo molhado por causa da chuva e da correria — Eu preciso falar com ela...
Todos estavam estáticos. Ho, o cozinheiro chefe que estava no meio do restaurante, respondeu:
— Acabou de sair, estava procurando por você...
O ninja soltou um riso abafado, se segurando para não cair ali mesmo... "Como sou tão burro!" Olhava para o teto com as mãos sobre o pescoço, saiu. Encostou-se em uma das estátuas de dragão em frente ao restaurante. A chuva? Não se importava, deixou algumas lágrimas percorrerem seu rosto, sentou-se no chão, e algumas trovoadas fizeram o silêncio desaparecer.
Ele não estava lá. Pucca saiu de sua moto, abrindo o guarda-chuva, iria ficar, iria pensar.
— Eu devo esquecê-lo! — Disse para si mesma, parecendo decidida.
Só parecia. Dentro de si, estava bombardeada de pensamentos. Tobe tinha colocado dúvida em sua cabeça, estava bastante confusa. Foram muitos anos assim, não daria para esquecê-lo de um dia para o outro... Daria?
Inclinou-se sobre o murinho de metal que lá havia, não estava muito ligada para perceber o menino que observava.
— Está tudo bem? — Virou-se para ver de quem era a voz, nunca tinha ouvido.
— Sim, estou bem... — Deu um leve sorriso para ele, que se preocupou mais ainda.
— Tem certeza? Não parece que está tudo bem. — Ele se aproximou mais, fazendo-a se assustar — Ah! Young!
— O que?
— Meu nome é Young! E o seu? — Pucca hesitou falar, mas o sorriso dele fez com que os lábios dela se movessem sozinhos.
— Pucca — Olhou para os olhos verdes do rapaz ao seu lado.
A chuva terminou, dando início a uma linda tarde. Guardou o guarda-chuva, não precisava mais dele. Ficaram em silêncio por alguns minutos, até o menino de cabelos ruivos se pronunciar novamente.
— Então, quer dizer que quebrou o voto de silêncio?
— Você me conhece? — Ele riu, olhando de lado para ela.
— Quem nunca ouviu falar da garota de coques perseguindo um ninja? — Ela deu uma risada baixa, colocando a mão sobre a boca.
— Sim, quebrei, mas também não sou mais perseguidora de Garu!
— Sério? Quer dizer que você está livre?
— Não diria livre, mas sim, estou sem compromisso — Sorriu, inclinando-se mais para olhar o arco-íris que se formava sobre a paisagem.
— Parece bem com isso, mas está mesmo? — Young pegou bem na ferida de Pucca, fazendo-a desmanchar seu sorriso.
— Parece, não é... Queria que fosse verdade! — Ele ficou confuso.
— Então, por quê? — Ela parou para pensar, olhou para a grama e seus sapatos antes de olhar cara a cara com ele.
— Porque estou farta de não ser correspondida!
O ninja tentava se secar, estava ensopado. Torcia sua blusa preta e tentava secar seus cabelos. O bom era que tinha cortado acima da orelha. Os chefes emprestaram algumas mudas de roupas para ele, tudo muito simples, blusa branca e calça marrom.
— Atchim!
— Bem feito por ficar na chuva, Garu! — Abyo estava chateado com ele.
— Dá para parar com isso, Abyo!
— Mas eu não fiz nada! — Ele se questionava com Ching.
— Os dois podem parar? — Garu falava sério, queria pensar onde Pucca poderia estar — Eu preciso falar com ela...
— Já estava na hora, né! — Ching deu um tapa na cabeça de Abyo, que apenas gemeu, olhando para ela.
— Aí!
— Upa! Foi mal! — Sorria.
— Pensa, gente! Onde Pucca deve estar? — Estava decidido, andando de um lado para o outro — Eu preciso dizer a ela que...
— Eu te amo, Pucca... — Ela ficou estática com o que acabara de ouvir, teria ouvido errado — Ah! Desculpas por falar bobagens!
— Ahm... Não foi uma bobagem — Ela estava mais confusa, nunca ninguém se declarara para ela, não sabia como responder.
— E sim, você apaixonada por outro e eu me declarando! Sou um idiota mesmo!
— Já disse que não vou mais me importar com aquele ninja! — Olhava séria para aqueles olhos verdes que a penetravam.
— Ah, sei... Dá para ver em seus olhos, está confusa, eu estou confuso! — Young desviou o olhar para a paisagem, não queria encará-la.
— Mas eu posso tentar...
— Não, não pode. Isso não é tão fácil assim, acredite...
Os três amigos caminhavam rapidamente para a casa de um deles. O ninja acreditava que iria encontrá-la ali. Caminhou até a casa, abriu-a, e não havia ninguém.
Abyo estava ficando impaciente. Seu rosto estava tão vermelho de raiva que, se colocasse junto com um tomate, ninguém perceberia a diferença. Ching estava emocionada com o que iria presenciar, tentando ao máximo ajudar.
— Deixe-me tentar? — Young olhou para ela, que estava triste.
— Certo... — Suspirou, sabia que isso não daria certo — Mas prometa?
— O quê?
— Prometa primeiro! — Ela suspirou e acenou com a cabeça.
— Certo, eu prometo, mas o quê?
— Quando se decidir, por favor, diga-me imediatamente! — Pucca ficou confusa, o que ele falava?
"Pensa, Garu, pensa..."
Numa madrugada, um jovem ninja olhava a lua, completamente molhado de tanto chorar. O pior havia acontecido com seu pai... Ele morreu.
Entre soluços, não conseguia se calar. Seu pai era a única família que tinha. Sua mãe morreu ao lhe dar à luz. Seu pai era um dos únicos amigos que tinha. Olhava a lua, perguntando-se se seu mundo iria acabar, até ouvir uma voz.
— Garu? — A menina falava, olhando meio indiscretamente — Desculpa pelo seu pai... Vai ficar tudo bem!
Ele enxugou um pouco o rosto, mas não conseguia encontrar as palavras certas.
— Eu... Ele... Minha família... Você não entende!
— Entendo... Minha mãe e meu pai... — Sentou-se ao lado dele, olhando o céu, soltando um soluço — Minha mãe... Fugiu e meu pai... Morreu quando completei sete anos.
— Pucca... Eu não sabia... — Ele se arrependeu do que havia dito — Desculpa?
— Está tudo bem... — Secou as lágrimas, sorrindo para ele — Tenho meus tios
e meus amigos, são minha família agora... Você também é da minha família... Garu.
O ninja corou, não sabia o que dizer. Sorriu, dando alguns risos, e Pucca também riu. Garu não estava mais sozinho, todo o peso que estava em seus ombros havia sumido.
— Ficaria do meu lado? — Hesitou ao fazer a pergunta.
— Sim... Ficarei — Deu um sorriso para ele, beijando sua bochecha e corando-o de imediato — Qualquer coisa para meus amigos!
Pela primeira vez, sentiu-se o menino mais sortudo do planeta. Sentia um calor acender, estava feliz, queria ficar por horas com aquela menina.
— Então promete! — Deu o dedo mindinho para ela — Promete que compartilha o meu voto de silêncio! — Hesitou, mas deu o dedo mindinho para ela, cruzando-os e sorrindo.
— Prometo!
"Já sei!" — Ele começou a correr.
— Garu! Para onde você vai?! — Abyo colocou as duas mãos em volta da boca para sair o som mais alto, já que Garu estava longe.
— Eu sei onde ela está!
— Onde?! — Ching ficou confusa.
— No nosso lugar secreto! — Ching e Abyo se entreolharam, sem entender uma palavra.
Young se aproximava da menina, iria beijá-la. Ela hesitou, mas manteve-se de pé, fechando os olhos, deixando-o se aproximar. Era por volta das duas da tarde.
— Pare! — Os dois se assustaram ao ouvir uma voz familiar.
— Tobe? — Pucca se assustou, não esperava vê-lo — O que está fazendo aqui?
— Pense direito no que está fazendo! — Estava ofegante, teria corrido?
— Por que está se preocupando comigo? Você nunca foi assim. O que fez mudar de ideia... Foi a Jing Jing?
— Não, não foi ela... — Deu um riso abafado — Estou tentando cumprir uma promessa.
— Qual promessa?
— De ajudar Garu... E antes que fale mais alguma coisa, não, ele não especificou que era você — Apontou para ela.
— Então como quer ajudar ele? — Ela cruzou os braços, desprezando.
— A não fazer besteiras!
— Que tipo de besteiras?
— De perder você... — Ela se calou, ficou estática, sem saber o que dizer.
— Então diga a ele que já me perdeu! — Ela puxou o braço do garoto — Se ele não quisesse me perder, ele iria se importar comigo! Adeus, Tobe...
Garu corria o mais rápido que podia, sem parar por nada, se esforçando para não esbarrar em alguém. Chegou, mas não havia ninguém. Vasculhou o local, encostou-se na barra de ferro.
— Droga!
— Não sabia que sabia insultar... — Virou rapidamente para ver quem era, Tobe — Sabe, eu não consegui pará-la...
— Como assim pará-la?
— Outro cara pediu ela em namoro... Acho que pela primeira vez você perdeu — Deu um sorriso abafado, fazendo um "Ash..." — E agora? O que vai fazer?
— Que caminho eles foram?
— Direto para o restaurante... — Garu acenou para ele, que sorriu, e correu — Ele não tem jeito...
Pucca estava impaciente. Seus tios estavam mais confusos que todos no restaurante. Young tinha pedido a mão de Pucca em namoro.
— Pode parar aí! — O ninja abriu a porta do estabelecimento — Quem disse que eu terminei com você?
— Eu digo! — Pucca olhou indiferente para ele, que se aproximava — Nem estávamos namorando!
— E a promessa não conta? — Pucca descruzou os braços.
"Ele lembra?"
— Mesmo assim, você nunca me dava bola! Eu não suportava mais! — Garu parou de se aproximar, fitando os olhos dela, suspirou.
— Mas está feliz? — Ela se sentiu fraca pela primeira vez.
— Estou... — Disse em um sussurro, deixando uma lágrima escapar — Feliz?
— Não, a não ser que me dê a resposta correta!
O restaurante estava em silêncio. Mesmo lotado, todos olhavam para o casal discutindo no meio. Garu não se importava com as pessoas.
— Estou! Satisfeito?
— Não! — Pucca iria dar um tapa nele, mas foi defendido — Diga a verdade... Está ou não está?
— Estou!
— Mesmo com isso?
Garu se aproximou, decidido. Juntou os lábios aos dela, dando um beijo calmo. Nunca se sentiu tão bem. Pucca tentava se soltar, mas em vão, começou a desfrutar do beijo, parou de se debater, fechando os olhos. Garu soltou a mão de Pucca, que colocou entre a nuca dele. O beijo ficou mais intenso até faltar o ar, separando-os, assustando os outros no restaurante. Repetiu a pergunta.
— Está feliz? — Ela começou a desmanchar, caiu no chão chorando e entre soluços respondeu.
— Não...
— Eu também não... — Estendeu os braços para ela se levantar, limpando uma lágrima — Por favor... Fica comigo?
Ela olhou para Young, que sorriu, dizendo "Pode ir..."
— Fico... Eu ficarei sempre!
— Então casa comigo? — Todos se surpreenderam com a pergunta.
— O que eu perdi! — Abyo e Ching tinham acabado de chegar, ofegantes, olhando para a multidão e Pucca e Garu abraçados. Todos riram e ela disse ao ouvido dele.
— Sim, eu aceito me casar com você... — Garu segurou Pucca no colo, estava feliz, nunca seria tão feliz como naquele dia.
— Sabia que hoje seria diferente!
— E a propósito, seu macarrão esfriou...
Fale com o autor