I Promise.
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Os flocos de neve caiam lentamente, suaves pelo chão tão apaticamente branco, tanto que, por algumas piscadelas sonolentas Near podia jurar que estes flocos já flutuavam.
A lareira aquecia o quarto acesa já desde cedo. A porta fechada para que o barulho não ecoasse pela casa por maior que fosse ela, as luzes apagadas, Halle dormia, o tiquetaquear solitário do relógio de cabeceira, haviam apenas eles dois.
Como ele queria poder dizer três.
A noite chegava ao fim, seu aniversário também, River agradecia veementemente por isto.
Não havia motivos para comemorações.
Excerto pela vida daquele pequeno ser em seus braços.
A cadeira de balanço do quarto da pequenina loira de olhos azuis ia e vinha em movimentos metodicamente maestrados pelo albino, na esperança de que sua filha finalmente se aquietasse e dormisse, como ele mesmo já queria fazer havia um bom tempo.
Suas pálpebras pesavam de exaustão, tanto física, quanto mental.
Anna chorava sonoramente, assustadoramente geniosa para tão pouca idade.
Com apenas um ano e alguns meses de vida, Anna conseguia do pai grande parte das coisas que queria sem o mínimo esforço.
Lidner dizia que quando crescesse, seria isso, sem duvida, seria um problema ao sucessor de L.
Mello sem duvida concordaria, mas a pequena menina era tão teimosa quanto ele próprio, cabelos tão loiros quanto os dele, os mesmos olhos azuis eletrizantes e persuasivos, o mesmo gênio difícil de se lidar que Nate River conhecia tão bem e tanto gostava.
Por mais idiotamente desesperado que pudesse parecer, havia se casado com Lidner pouco tempo depois da morte de Mello, um pouco antes do nascimento de Anna.
Nenhum sentimento nem mesmo amizade estava incluído neste contrato, Halle estava apenas trabalhando para ele como fizera durante todos esses anos.
E não fazia isso por ele, disso Near tinha certeza, fazia por Mello.
O albino sabia muito bem o quanto ela gostava do loiro germânico, e que, se junto a Near, poderia ficar perto de Anna, a única coisa que restara como evidencia de Mihael neste mundo.
Por mais que essa ideia não o agradasse nem um pouco, o que poderia fazer?
Anna precisava de uma mãe e não podia simplesmente dizer a todos que ele mesmo havia gerado aquela criança.
Homens não geram crianças, ou melhor, no seu caso sim.
Mas ele era apenas uma exceção, bastante afortuna diria.
Pelo menos quanto a isso sim.
Até poderia compartilhar o fato, mas não tinha coragem.
Não sem Mello.
Não sem ele para apoia-lo e protege-lo como o mesmo havia garantido desde o inicio.
Mais uma das suas promessas não compridas.
Near odiava cada uma delas.
Em verdade, as amara quando ditas.
Mas agora, serviam apenas para alimentar suas piores fraquezas.
-Anna...- Near chamou a pequena que ainda de recusava a dormir.
Um par olhos azuis elétricos o fitaram emburrados e chorosos.
-Vamos dormir? Por favor... Papai esta com sono e você também já deveria estar. Você venceu, eu vou dormir aqui com você hoje, nada de berço, só você e eu, então, por favor, pare de chorar...- Suplicou.
Então ela sorriu contente, o pequeno nariz ainda vermelho, os olhos ainda inchados, e esse fora um dos sorrisos prediletos.
Seguido pelos sorrisos de Mello.
A pequena o analisou mais profundamente como se esperasse por algo mais concreto para acreditar.
-Eu prometo.- Ele disse.
Diferentemente de um certo germânico, Near só prometia aquilo que poderia cumprir.
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