Notas iniciais
oioioi! essa é a minha primeiríssima Blackinnon e eu tô feliz demais em tirar esse lacre no projeto maravilhoso que é o Blackinnon Day, que vai reunir no dia de hoje (05/10) várias histórias maravilhosas sobre esse casal que eu gosto tanto. algumas muito mais felizes do que a minha hahahah, então fica aqui um obrigada e parabéns para Trice e Foster ♥ vocês são TUDO. e pela segunda vez: PARABÉNS, AMIGA TRICEEE!!! não consegui escrever Dress, mas escrevi isso e espero que você goste também! as duas fics são para VOCÊ!!! fugi do meu bloqueio criativo só para te entregar um angst canon que nunca matou ninguém (a não ser eles). boa leitura! ♥

Sirius Black não se lembrava a primeira vez que viu Marlene McKinnon. Não se lembrava da primeira conversa que tiveram, nem muito menos da segunda ou da terceira ou daquela que fez os dois saberem que de fato eram amigos. Ele se lembrava, no entanto, do dia que entrou com ela para o time de quadribol. Nunca vira alguém rebater tantos balaços com tamanha precisão quanto Marlene. Ela era muito melhor que ele com um bastão – mas Sirius jamais diria aquilo a ninguém. Já bastava o fato de James Potter fazer isso por ele.

Por muito tempo, suas conversas se limitaram a estratégias de quadribol – Marlene nunca errava, pois estava sempre estudando os outros times e planejando as manobras mais inteligentes e eficazes para os batedores. Ela nunca improvisava como Sirius. Ela era boa em tudo que fazia e sabia exatamente o que estava fazendo o tempo todo, e talvez tenha sido isso que chamou a atenção do Black.

Sirius gostava de garotas e sabia disso desde os 12 anos de idade quando flagrava sua prima mais velha andando de toalha pela casa nos verões que a família se juntava, porém com Marlene era diferente.

Marlene o fascinava e Sirius não se lembrava de nenhuma outra garota que tivesse feito isso com ele. Nas aulas, ela era a mais dedicada e calada, enquanto nos campos era sempre a mais estressada e falante. Sirius gostava como Marlene ficava assustadoramente linda em seu uniforme de quadribol. As calças justas, o suéter destacando suas curvas e os longos cabelos castanhos presos em um rabo-de-cavalo firme para não a atrapalhar. Gostava como ela perdia facilmente a paciência com James e como ela estava sempre chamando por ele. Tinha algo diferente e encantador sempre que seu sobrenome saía da boca dela, mesmo que junto com um xingamento por não estar prestando a devida atenção no jogo.

Sirius sempre fora bom com garotas, mas nunca com Marlene. Sempre culpou o medo de estragar a amizade que o quadribol construiu para eles, mas a verdade era muito mais simples: Marlene era diferente. Foi apenas no sexto ano que juntou coragem o suficiente para convidá-la para Hogsmeade. Marlene disse não. Disse não para o segundo convite também, para terceiro e até mesmo para o quarto três meses depois do primeiro. Na quinta vez, porém, Marlene disse sim. Desde então, cinco passou a ser o número favorito de Sirius.

Sirius não se importou, naquele dia, se não conseguia reunir muitas das suas memórias antigas com Marlene, pois, ela estava ali, sentada na sua frente, tomando uma cerveja amanteigada e rindo enquanto suas mãos estavam entrelaçadas por de baixo da mesa do bar. Sirius sabia que poderia viver um milhão de vidas e jamais conseguiria esquecer a forma que o cabelo de Marlene estava trançado ou como seu vestido amarelo desenhava suas coxas quando a mesma se sentava. Sirius poderia viver um milhão de vidas e ainda se lembraria do cheiro doce e familiar que rodeava os dois quando ela se inclinou e perguntou quanto tempo ele levaria para beijá-la.

Sirius nunca gostou de muitas coisas em si mesmo, mas sempre gostou de ser conhecido como o namorado de Marlene McKinnon. Não havia nada melhor do que jogar ao lado da garota que gostava e depois fugir para ficarem juntos atrás das tapeçarias do sétimo andar, embaixo da arquibancada ou nas salas vazias de Hogwarts. Ganhar ou perder não fazia diferença, pois, de um jeito ou outro, Sirius terminaria o dia nos braços de Marlene, sentindo sua boca na dele e seus dedos percorrendo todo seu corpo esguio enquanto ela suspirava e gemia perto do seu ouvido.

O sexto ano que passou ao lado de Marlene fez com que Sirius esquecesse como era ser um Black. Nunca gostou verdadeiramente de nada, mas gostava dela e Marlene possuía o talento de nato de fazê-lo esquecer o quanto se sentia inadequado existindo.

Sirius conseguia imaginar como seria ser feliz com Marlene. Como seria fácil ser feliz com Marlene. Amá-la fazia Sirius entender porque James era tão relutante em desistir de Lily Evans.

Mas nem mesmo sua imaginação conseguia disfarçar o que estava acontecendo. Estavam protegidos ali, nas paredes grossas e antigas do castelo que Albus Dumbledore tanto cuidava, contudo, do outro lado, no mundo real, as sombras da iminente guerra espreitavam-se pela soleira da porta de todos os bruxos, invadindo e tomando conta da vida deles.

O medo era palpável. Assim que Hogwarts acabou, alguns alunos nascidos-trouxas fugiram para outros países, alguns recusavam-se a admitir que algo estava acontecendo e casais de namorados terminavam, assim como outros se casavam. James Potter pediu Lily Evans em casamento assim que o ano letivo terminou. Sirius sabia que era por amor tanto quanto por medo. Lily era uma nascida-trouxa, assim como Marlene. E assim como James, Sirius dormia todas as noites pensando no pior.

A Ordem da Fênix foi o sopro de esperança que todos precisavam. Era a ideia de que tudo ficaria bem, que guerras, mortes e todas as outras coisas eram histórias de filmes trouxas e livros, e não do mundo real. Dumbledore estava ali. Dumbledore resolveria. Uma sala cheia de jovens com pouco mais de 17 anos transformando seus medos e receios em vontade de lutar e vencer.

Tudo pareceu certo por um tempo. James e Lily se casaram poucas semanas depois no jardim colorido da casa de Euphemia e Fleamont Potter. A festa durou a noite toda, assim como a vontade de Marlene de dançar e rodopiar seu vestido azul-claro, nunca parando de rir e comentar sobre o quanto Sirius dançava mal, algo que ambos sabiam não ser verdade.

— Sirius, sabe qual é a minha coisa favorita em você? – Perguntou. A música era lenta e ela tinha seus braços ao redor do pescoço do namorado. Os passos dos dois eram coordenados e vagarosos. Sirius negou com a cabeça, fechando seus olhos por um momento enquanto Marlene passava as unhas delicadamente pelos seus cabelos.

— Tudo?

Marlene riu.

— Minha coisa favorita em você, Sirius Black, é o quanto você é insistente. Afinal, se você não fosse, nós não teríamos acontecido. E eu... – Sirius fitou os olhos cor-de-mel de Marlene. – Eu não saberia o que é ter um amor assim. Então, é, sou muito grata por você ser um pé no saco.

— Sabe qual é a minha coisa favorita em mim mesmo?

— Tudo? – Marlene respondeu com um sorriso no rosto, provocando o namorado.

— Você. Você é o que eu mais gosto em mim. Eu amo você, Lene.

— Eu sei, Sirius. Eu sei.

Sua voz era serena e os cantos dos seus olhos brilhavam. Marlene não precisava dizer de volta, pois Sirius também sabia. Ele sempre soube.

O amor reside nas pequenas coisas e Sirius Black sabia que o amor que dividia com Marlene residia nos balaços trocados por anos, nas anotações que ela fingia estar brava em passar, nas vezes em que aceitava ajudar James e Lily a fazerem as pazes apenas porque Sirius era quem estava pedindo, nos olhares trocados durante as aulas, nas roupas vermelhas que ela usava apenas porque, certa vez, Sirius comentou que ela ficava ainda mais bonita com elas e no cheiro das poções do amor que fizeram no sexto ano.

O amor estava na facilidade com que Sirius decorava cada roupa que Marlene usava, no calor que tomava conta do corpo de ambos quando davam as mãos e em como suspiravam juntos ao se entregarem um ao outro, fosse em Hogwarts, na casa de Marlene ou no quarto que Sirius tinha na casa dos Potter.

Sirius nunca achou que sua mãe poderia ter razão em algo, mas ela teve. A calmaria sempre precede a tempestade, e a deles havia chegado. Depois da primeira morte de um dos membros da Ordem, tudo aconteceu rápido demais. Em uma noite, Sirius fora dormir depois de passar o dia todo com Marlene, no outro, ela havia ido embora.

— Preciso saber onde ela está! Preciso estar com ela! – Sirius esbravejava no escritório de Dumbledore.

— Sirius, os McKinnon são uma família nascida-trouxa – falou calmamente, como se o homem de pé a sua frente não estivesse à beira de lágrimas. – Eles precisavam partir, não tiveram escolha depois do que aconteceu com os Meadows e os Macdonalds. Sinto muito, Sirius.

Sirius estava prestes a deixar o escritório quando Dumbledore se pôs de pé, o entregando um pedaço de pergaminho.

— Ela deixou isso para você.

Com as mãos trêmulas, Sirius agarrou o pergaminho amarelado, colocou-o no bolso e correu para casa. Mal havia fechado a porta quando se permitiu abri-lo.

“Querido Sirius,

Sinto muito por ir embora tão de repente. As coisas não saíram como planejava. Mamãe está correndo pela casa, fazendo malas, empacotando mantimentos, não posso ir até você e isso deve ser a pior coisa pela qual já passei. Sei que você deve estar preocupado e com raiva, mas tudo vai ficar bem. Isso não vai durar para sempre e logo estaremos juntos de novo apenas para que eu continue ganhando de você no quadribol. Não se preocupe, de verdade. Assim que conseguir, te envio uma coruja. Eu te amo e vou sentir sua falta.

Vejo você em breve!

Com amor,

Lene.”

Sempre que a luz prateada em forma de animal surgia, Sirius fechava os olhos, sentindo seu coração bater mais forte e seu estomago revirar de medo dos nomes que poderia ouvir. Tudo, menos Marlene, James, Remus, Lily, Peter, era tudo que conseguia pensar ao ver os patronos que atravessavam o seu quarto, não se importava se este pensamento o transformava em um monstro. Tudo que Sirius queria era que as únicas pessoas que já havia amado na vida continuassem vivas.

Quando o patrono de James atravessou a cozinha de madrugada, Sirius soube. Soube antes mesmo que a voz engasgada e triste do conjurador surgisse. Ninguém mais se voluntariaria para dar essa notícia a Sirius que não o seu melhor amigo.

“Os comensais da morte encontraram o esconderijo dos McKinnon, Padfoot. Eu... eu sinto muito. Sei o que Dumbledore pensa, mas Peter está mandando uma Chave de Portal para você. Se despeça dela.”

Sirius sabia não ser fisicamente possível, mas sentia como se seu coração tivesse desaparecido. Encarava o balcão atrás do patrono que desaparecera sem se mexer. A chave apareceu logo depois e sem pensar em mais nada, Sirius a pegou. Fora parar em frente a uma cabana no meio do nada, cercada de árvores e um lago quase vazio. Dumbledore estava parado na porta ao lado de outros membros da Ordem, mas Sirius não estava realmente o vendo. Alguém fez menção de pará-lo, mas o antigo diretor impediu.

Deitada perto da escada quebrada, jazia o corpo de Marlene, a varinha ainda presa em mãos. Sirius se ajoelhou, tocando seu rosto devagar e sentindo um calafrio percorrer seu corpo ao sentir a pele gelada da namorada. O Black só percebeu estar chorando quando algumas das lágrimas caíram suavemente na bochecha de Marlene.

Seu corpo estava tão pesado que Sirius sentia dificuldade de respirar. Como aquilo poderia ser real? Como sua Marlene McKinnon poderia ser aquele corpo sem vida ao seu lado? Era isso? Este era o fim? Sirius se recusava a acreditar que aquele era mesmo o fim da linha para alguém como ela. Poderia acreditar que aquele seria o seu sem nem mesmo piscar duas vezes, mas não dela.

— Se eu estivesse aqui... Se eu pudesse ter fugido com você... Porra, Marlene, eu nunca disse adeus!

Sirius se calou, tentando controlar os soluços que saltavam de sua garganta. Se estivesse ao lado de Marlene, talvez ela estivesse viva agora, juntos poderiam ter conseguido. Mas ele estava em casa. Estava em uma casa boa, comendo todos os dias e sem precisar fugir enquanto a mulher que amava estava vivendo no meio do nada com medo de cada som que pudesse surgir ao seu redor. Não era justo. Nada ali era justo.

— Achamos que ela errou o feitiço protetor e eles levaram o McKinnon mais novo.

Sirius negou com a cabeça.

— Não.

— Você acha que eles não o levaram?

Sirius limpou as lágrimas do próprio rosto antes de passar as mãos delicadamente pelo rosto de Marlene. Se ele tentasse muito, poderia imaginar que ela estava apenas dormindo.

— Marlene nunca erra. Edward deve estar em algum lugar pela mata.

Sirius apenas deixou Marlene quando Dumbledore o puxou e o enviou para casa. Edward estava mesmo escondido na mata, Marlene havia ganhado tempo suficiente para o irmão mais novo fugir.

Deitado em sua cama depois de ignorar as batidas da Sra. Potter em sua porta e olhando para o bilhete deixado por Marlene e para a única foto que tinha com ela, tirada depois que a Grifinória venceu o campeonato durante o sétimo ano, Sirius não conseguia ficar surpreso por ela ter se arriscado para manter o irmão vivo. Aquela era Marlene. Ela não errava ou desistia e Sirius chorou mais do que conseguia se lembrar ao pensar nisso. Queria ter estado com ela. Queria tê-la protegido como ela protegia a todos. Marlene também merecia ter alguém cuidando dela, e este alguém deveria ter sido ele. Queria ter tido a chance de dizer adeus. Queria tantas coisas que agora eram impossíveis que afundar de vez em tristeza era tudo que o restava.

Sirius fechou os olhos quando seu olhar parou na letra torta e rápida de Marlene dizendo que o veria em breve. Foi como ser acertado em cheio pela milésima vez naquela noite. Ele nunca disse adeus. Ela nunca disse adeus.

Sirius tentou se concentrar na última noite que se viram, no último abraço, no último sorriso, no último dia que dividiram juntos. No último dia que puderam ser Marlene McKinnon e Sirius Black.

De repente, todos os anos de memórias que Sirius não conseguia se lembrar pareciam demais. Pareciam criar um buraco vazio ainda maior do que aquele que Marlene estava deixando ao partir, o sufocando a ponto de explodir seu peito de tamanha dor. Sirius nunca imaginou que perderia Marlene, portanto, nunca se importou em se lembrar da infância dos dois. De quando não eram amigos ou namorados, e sim apenas conhecidos, no entanto, naquele momento, tudo que Sirius desejava do fundo de seu coração partido era recolher e lembrar para sempre de cada segundo que passou ao lado de Marlene.

Cada sorriso, cada conversa, cada troca de olhares, cada xingamento, cada treino, cada momento de Marlene sendo apenas Marlene que Sirius pudesse ter captado ao longo dos anos, tudo faria diferença, pois Marlene McKinnon era a melhor parte de Sirius Black e ele precisava de cada parte de si que pudesse reunir para continuar vivendo.

Notas finais
meu pai, como o Sirius sofre, não existe este homem feliz no universo canon, né, nem com headcanon nesse universo ele consegue hahahah. enfim, espero que tenham gostado e possam me dizer o que acharam nos comentários!! reviews/favoritos/recomendações são sempre mt importantes e bem-vindas! e para quem quiser ler mais, no perfil @DBlackinnon no twitter vão ter todas as histórias postadas no dia de hoje :) até a próxima! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!