I Need You Tonight
19 Mark
"Amor! Não acredito que hoje é o dia de nosso casamento!" falei, eufórica.
"Acredite, Kelly. É a realização do nosso sonho."
"Em pensar que nós sofremos tanto até chegar aqui!"
"Não fale mais, Kelly. Vamos esquecer o passado. Essa vai ser a noite mais maravilhosa de nossas vidas. Anda, você tem um dia cheio pela frente."
Saí logo cedo. Dia da noiva. Spa, banheira, banhos de ofurô, massagens, mimos, champagne, unhas, cabelos, maquiagem... tudo o que eu tinha direito. E então, cheguei na igreja. Linda e perfeita, como nos meus sonhos.
O mais importante: Nick estava lá. Me esperando no altar.
"Eu vos declaro marido e mulher."
Mais tarde, a noite foi espetacular. A consumação de nosso amor foi algo tão mágico e terno, algo esperado por tanto tempo, que foi perfeito.
"Eu te amo, sra Carter." A mesma magia do jardim aconteceu. Sua voz penetrou profundamente em meu coração e em minha alma, que estremeci. A resposta era fácil, mas quase não saiu, minha garganta fechada de emoção. Um sussurro, foi o máximo que consegui.
"Eu também te amo, Nickolas Geene Carter. Agora ainda mais que tudo."
***
Mas tudo não foi apenas rosas. Um mês depois, mês de Natal, Mark voltou a ligar. E não me disse nada.
"Nick, o que está havendo?" Perguntei uma vez, em nosso quarto. "Você anda desconfiado, ultimamente. Aconteceu alguma coisa?"
"Desconfiado? Eu? Impressão sua, querida." E me deu um beijo na testa. Seus olhos não acompanharam o sorriso de seus lábios. Alguma coisa estava muito errada.
"Não, não é impressão. Eu vejo você a toda hora atendendo telefonemas pelos cantos. O que está acontecendo? Mark voltou a ligar, não foi?"
Nick me olhou. Então suspirou, rendendo-se. "Sim. Ele voltou a ligar."
"E você tentou esconder isso de mim?"
"Não, meu amor. Esqueça isso. Ele só quer nos perturbar. Não vamos deixar que ele consiga."
"Está bem."
Mas não estava nada bem. Eu não conseguia relaxar, e eu via Nick o tempo inteiro preocupado. Uma noite, novamente o celular toca.
"Alô." Nick atende.
"Feliz Natal, Nick."
"O que você quer?"
"Conversar. Civilizadamente."
"Não confio em você."
"Quê que é? Tá com medo? Vai amarelar? Você não tem escolha, mané. Vai ter que vir de todo jeito, ou vou dar um jeito na sua amante-irmã vadia."
"Não." Nick engoliu em seco. "Quando?"
"Amanhã à noite. Há um beco ao lado da Catedral."
"Ok. Vamos depois do coral."
E desligou. Eu ouvi a conversa, pois estava atrás da porta do quarto. Nick conversava no viva-voz, pois trocava de roupa para sairmos. Entrei fingindo não ter ouvido nada.
"Quem era?"
Nick estava decidido a não mentir mais para mim. Pelo menos, em parte. "Mark."
"De novo?"
"Kelly, nada vai acontecer. Acredite em mim."
E beijou minha testa. Algo me dizia que era justamente o contrário. Ia acontecer algo, sim, e algo bem grande.
***
No dia seguinte, era o aniversário de Nick. Ele completaria vinte e dois anos. Haveria um coro na Catedral da cidade em comemoração do Natal, e iríamos assistir. Eu estava feliz, mas apreensiva, pois sabia do encontro de Nick e Mark. Eu tinha acabado de voltar do médico com mamãe.
"Eu nem acredito, mãe!"
"Esse vai ser o melhor presente de Natal e aniversário que vais dar a ele."
À noite, todos estavam prontos para ir à Catedral.
"Kelly!"
"Sim, mamãe?"
"Onde está Nick?"
Meu coração pulou. Eu sabia a resposta. Ele omitiu novamente algo de mim. Ele havia ido na frente, para se encontrar com Mark.
"Ele... ele..." soluços me impediam de falar, e o pânico tomou conta de mim.
"O que foi?" Minha mãe estava alarmada.
"Ele foi na frente..."
Mamãe suspirou. "Ele sempre gosta de ir na frente e..."
"Temos que ir agora."
Ao chegarem, Kelly não viu Nick. O coral já estava se apresentando. Kelly perguntou às pessoas sobre ele, mas ninguém sabia informar.
"Jim?"
"Oi, Kelly! Chegou agora?"
"Sim. Estou procurando Nick. Você o viu?"
"Sim. Ele estava rezando quando cheguei. Depois ele saiu dizendo que tinha alguns assuntos para tratar. Parecia muito determinado."
"Meu Deus!"
Eu saí correndo da Catedral. Corri pela rua mas não sabia o que fazer, para que lado ir, para onde olhar. "Beco, beco" eu repetia, mas tinham muitos becos próximo à igreja. Seti que Nick corria grande perigo. Corri em volta da Catedral e vi um movimento incomum. Um beco, talvez O beco. Corri até lá e vi um homem másculo de costas. Andei mais um pouco e vi que o homem apontava uma arma para o rosto de seu adorado e amado Nick.
"Você é o culpado pela morte de minha irmã".
Kelly estava aterrorizada.
"E por isso, merece morrer!"
"Não!!!" Kelly gritou, ao mesmo tempo que um estampido ecoa no ar.
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