I Need You - Novas Espécies
24 Tensão
Notas iniciais
_Mas que porra!
Francine tomou consciência de seu corpo e sentiu a terra e a grama molhada debaixo dela, estava deitada no chão. Ficou em silêncio para ouvir o que eles diziam.
_Ouvimos tiros e perdemos o idiota pai da menina. Onde estão os malditos helicópteros que deveriam estar aqui e nos tirar rapidamente. Ouvi o barulho pensei que fossem um dos nossos, mas não era. – o homem disse irritado ao telefone – Não podemos esperar. A vadia veio vazando seu sangue pelo caminho eles nos encontrarão muito em breve se não a colocarmos no alto agora mesmo.
Francine ouviu o barulho de água, e percebeu que estavam próximo ao rio. Como assim o pai de Melissa estava lá? Idiota, se ele não se matasse, certamente ela o faria logo que colocasse as mãos nele. Pensou em uma maneira de escapar, mas a dor que a cortou foi insuportável e ela gritou. Chamando a atenção dos três homens que estavam com ela. A voz no rádio falou algo que ela não pode identificar.
_É a vadia, parindo esse animal. Eu sei. Eu sei, já pensei nisso, vai ser melhor, assim que ele sair o levaremos. Mas não sei quanto tempo isso pode levar. Se eu soubesse cortaria a vadia e tirava o animal de dentro dela, seria muito mais fácil escapar.
Francine sabia o quanto a Mercille poderia ser cruel, mas aquilo a chocou e com dificuldade e com todo orgulho que tinha tentou se por de pé.
_Fique quieta, estamos tentando não te machucar. – disse outro que ela não conhecia. – E não ouse dar outro grito desses.
_Tente ficar calado com algo tentando sair do seu pinto idiota! – ela fez cara feia e ele riu com deboche.
_Sua buceta deve ser larga o suficiente depois que deixou aquele gorila gigante a foder!
_Grande como o desgosto de sua mãe de ter parido um homem com pinto tão pequeno que precisa de ajuda de amigos para foder uma mulher! – ela retrucou com raiva e ele chiou- Acha que me põe medo? Já viu uma nova espécie rosnar? Já viu um deles furioso? Eles vão estraçalhar a garganta de vocês um a um... — ela ia dizendo quando outra contração a pegou e ela se apoiou na árvore ao seu lado.
_Você estará morta antes disso! E nos veremos no inferno! — o homem a empurrou e ela caiu sentada novamente.
***
Jericho não precisou entrar na casa para saber que Francine não estava lá, nem precisava seguir as pegadas ou as manchas de sangue e liquido pelo chão. Furioso levantou a cabeça e urrou tão alto, que Slade o encarou por um momento e soube que ele mataria qualquer humano que estivesse em sua frente que não fosse a sua fêmea. Aquele som certamente chamaria muitos residentes para auxilia-los, e aquilo era bom, não sabia quanto tempo à equipe de segurança levaria para chegar, e nem quantos homens tinham se infiltrado. Estava preocupado com Trisha, mas sabia que Fury e Ellie cuidaria bem deles. E o som do helicóptero o fez saber que a pequena Melissa seria socorrida. Mataria aquele bastardo mil vezes se ele estivesse respirando.
_Calma! Vamos surpreendê-los. – ele disse abaixado no chão tentando identificar quantos humanos haviam naquela área.
Os olhos vermelhos de Jericho flamejaram e ele mostrou as presas, Slade soube que muito pouco da racionalidade do amigo funcionava naquele instante.
***
_Rastreamos o rádio desses malditos. Eles devem estar na sede da Mercille. Avisem as autoridades humanas e nossa equipe para atacar agora. Quero todos lá. — Justice berrou sem camisa e descalço em seu escritório.
Muitos correram para seguir as suas ordens, enquanto ele pegava o rádio comunicador e falava com os quatro helicópteros que partiram para reserva, dois deles cheios até a tampa com a equipe de segurança, e um com uma equipe de enfermeiros que iria para as proximidades da casa de Slade e outro que sobrevoaria até encontrarem Francine e o obstetra e o pediatra estava nesse de plantão.
_Atirem em qualquer coisa que esteja no ar, que não seja um morcego ou um dos nossos. A base desses vagabundos foi encontrada através da comunicação deles. Não deixe um deles vivo. — a ordem veio com um rugido.
A maioria dos homens aprovaram com um sorriso tenso, ou um rugido baixo.
***
Fury olhou para o helicóptero que ia rapidamente em direção a Homeland. A Doutora Trisha estava trabalhando em silêncio sobre a menina instantes antes da equipe chegar. E leva-la na área gramada a alguns minutos da casa, onde o helicóptero os esperavam. Beijou Ellie rapidamente antes de colocar ela e as crianças encolhidas em um canto do pequeno transporte. Os meninos estavam assustados e encolhidos no colo de sua Ellie, que sussurrava palavra de carinho e fazia com que eles não olhassem o tratamento na pequena amiga. No inicio pensou em deixa-los na casa. Mas estaria mais protegidos no centro de Homeland e ele tinha muito trabalho a fazer ali.
***
Francine deixou seu corpo relaxar no chão molhado, respirava aliviada ao final de uma contração, os barulhos a sua volta a alertavam, eram rugidos ao longes, gritos, tiros, helicópteros, e ela rezou para que Melissa estivesse segura com Trisha. Um breve instante de silêncio a alertou mais do que os barulhos. Olhou para cima as copas das árvores eram fechadas, ouviram helicópteros, mas não puderam identificar. Um dos homens próximos a ela engatilhou sua espingarda quando viu um movimento vindo de cima. As folhas se mexiam como se algo pesado estivesse pulando sobre os galhos, mas não viu nada, nem um vulto se quer. Temendo o homem que ela conhecia por ter estado em sua casa se aproximou e a puxou pelos cabelos, forçando-a a ficar de pé com uma expressão de dor, enquanto uma pistola automática era apontada para sua cabeça.
Houve tiros de metralhadora ao longe e o som de um helicóptero que parecia ter sido danificado. Pouco depois o forte estrondo fez as árvores tremerem e um clarão longe mostrara que uma aeronave havia sido abatida.
_Ai!- ela gemeu segurando a barriga e se curvando o máximo que podia segurando o ventre, enquanto aquele homem a prendia pelos cabelos num aperto doloroso.
Um pequeno mico pulou no peito do homem que a soltou e os três apontaram para o pequeno animal que ficou parado olhando para eles.
_Puta que pariu! Não acredito que um bichinho desses nos pregou esse susto! – um deles disse aliviado, e Francine pode se encostar novamente a árvore.
_Nem eu! – o som veio com um rosnado.
E a arma do homem voou longe de suas mãos. O que estava ao lado de Francine tentou alcança-la novamente quando algo enorme pulou entre os dois e com o soco o fez cair para trás.
_Jericho!- ela sorriu entre lágrimas.
Mas ele não parou para olhar para ela, apenas a cobria com seu corpo, e rosnava.
_Mate-a. Mate-a. – a voz no rádio foi alta o suficiente para que todos ouvissem.
Não demorou para que aquele pequeno descampado virasse uma zona de guerra. Francine tampou os ouvidos e se encolheu. Fechando os olhos, não poderia ver aquele derramamento de sangue. Mais homens da Mercille apareceram para serem mortos certamente. Mas com certeza não iriam sem causar danos o suficiente.
_Tire ela daqui agora! – Valliant rugiu chegando seguido por Fury.
_Vamos!- Jericho tinha as mãos e rosto sujo de sangue, e ela apenas se agarrou a ele.
_Jericho! — ela choramingou quando ele a pegou nos braços e se embrenhou na mata com tiros ecoando ao seu redor- O bebê! Deus!
***
Trisha baixou a guarda por um minuto, e olhou para Ellie e as crianças.
—Tia! Ela vai ficar boa? – Salvation perguntou inocentemente – Ela não pode morrer, eu vou me acasalar com ela!
—Que isso Salvation, são muitos pequenos para isso. — a mãe repreendeu.
—Ela só precisa sobreviver! – Trisha disse olhando para o filho que tinha uma expressão estranha, ela sabia que os dois tinham uma disputa infantil pela pequena menina.
_Mamãe, ela está tão pálida, não consigo ouvir ela respirar!- Forest se agitou- Ela não está respirando!
Trisha se virou rapidamente e um dos enfermeiros disse:
_Ela parou.
***
Sentiu que desciam uma parte íngreme e logo Jericho a colocou no chão e tirou sua camisa. Ela sorriu ao vê-lo sequer ofegando pelo esforço.
_Eu te peguei. Estou com você! – ele disse limpando o rosto dela com a sua camisa, e a fazendo de travesseiro para ela, mas ela não pode responder.
_Eu preciso da Trisha agora! – ela chorou forçando para o bebê sair.
Ele estremeceu Trisha não iria e ele sabia, mas não podia falar isso a ela. Não naquele momento.
_Calma. Fique tranquila, vou avisar que estamos no leito do rio, tem poucas árvores aqui, é mais fácil do helicóptero nos alcançar. Preciso voltar lá pra cima e pegar o rádio com Slade. Não vou levar mais do que três minutos ok?
_Não tenho três minutos Jericho! Essa criança esta nascendo. — ela chorou segurando as mãos dele — Você sabe da Melissa? Eu a mandei sair.
_Sim, eu a vi. – ele tentou não demonstrar qualquer emoção.
_Graças a Deus! – ela disse aliviada, e outra contração a assombrou – Deus não posso aguentar isso por muito mais tempo. — ela chorou.
_Eu preciso ir, eles não sabem onde estamos, preciso avisar a equipe médica.
_Não quero ficar sozinha!
_E eu não quero que fique sozinha Francine! — ele a beijou na testa- Preciso ir para salvar você e nosso filhote.
Ela assentiu e se encolheu. Ele não perdeu tempo, seus olhos brilharam, feliz pela aceitação dela e num salto ele saiu de perto dela.
Pareceu uma eternidade, cada minuto, e as contrações não davam uma trégua, ouviu passos pesados próximos, galhos se quebrando, conhecia o suficiente dos Novas espécies, para saber que nenhum deles andavam sem uma leveza nata pela mata. Se encolheu muito próxima as raízes e uns galhos secos o máximo que pode e evitou emitir qualquer som, se um dos homens a pegasse ali naquele momento seria o seu fim.
_Sua cadela, filha de uma vaca. Está aqui!- um homem disse e puxou pelo pé fazendo que ela saísse de perto das raízes que a escondiam.
_Me deixa em paz! Me solta! – ela lutou com lágrimas nos olhos.
Mas ele a arrastou mais para a beira do rio.
_Não posso levar você, mas posso te ajudar e tirar esse bebê de voce!
_Você Está louco! Vendeu sua alma ao diabo? Como pode dizer isso para uma mulher! Me deixe ter me filho em paz. Mesmo que sozinha como um animal!
_É o que merece sua vadia imunda!- ele disse e tentou se posicionar entre as pernas dela, que tentou fecha-las intintivamente, embora fosse muito doloroso, não iria deixar ele se aproximar de seu filho – Não! — ela gritou- Jericho! Jer... – ele apoiou uma lâmina afiada de encontro ao lado esquerdo da barriga enrijecida.
_Cale a boca!- ele gritou.
_As ordens são de te matar! Mas já que tive a chance... — ele sorriu doentiamente.
_Deveria ter fugido e morrido com dignidade. — Jericho disse ao correr e empurrar o homem para dentro do rio, sem dar-lhe a chance de revidar.
Francine ouviu um disparo próximo. Mas não podia olhar estava concentrada demais no que acontecia entre suas pernas. Mas pode imaginar por um instante o sangue tingindo a água do rio enquanto descia correnteza abaixo, sem deixar vestígios. Fechou os olhos e sentiu Jericho a apoiando colocando sua cabeça em seu colo, enquanto sua coluna endurecia para suportar outra contração.
_Calma! O Doutor Gusmam está quase aqui. E me disseram que trouxeram um pediatra com ele.
_Jericho! – ela gritou alto sentindo enfim a cabeça do bebê entre suas pernas.
Choramingou nas duas próximas contrações, mas não obteve resultado. Não viu como ou quando o médico chegou. Mas abriu os olhos ao ouvir a voz do Dr. Gusmam.
_Olá Francine! Bom te ver! Como estamos indo?
_Rápido ela esta sentindo dor! Já sofre por horas!- Jericho disse apreensivo antes que ela pudesse responder.
_Ele está nascendo, mas não posso mais! Não consigo! — ela gemeu enquanto o médico colocava luvas e se abaixava entre as pernas dela.
_Ow! Sim, posso entender porque. É uma criança enorme! Fico feliz que tenha chegado até aqui sozinha! Mas precisamos interferir!- ele explicou tocando a cabeça do bebê.
Francine se encolheu e gritou.
_Vamos lá faça uma forcinha, não force muito preciso ver a situação. – ela obedeceu.
_Temo que esteja em sofrimento fetal! Temos que agir rápido!- o pediatra disse colocando as luvas também- Tragam os oxigênios, e incubadora portátil. Não sabemos o que esperar.
_Vocês vão ajuda-la?- Jericho perguntou temeroso.
_Sim. O feto é grande e está preso no osso púbico da mãe. Precisamos retirá-lo rapidamente. Vamos tentar umas duas manobras ok?
Os segundos foram eternos, enquanto Francine gritava e se esforçava. Os médicos trabalhavam com incentivos. A chuva começou a cair novamente, e alguns novas espécies apareceram com suas blusas ou capas cobrindo Francine e os médicos.
_Jericho!- ela soluçou e encontrou os olhos vermelhos dele a encarando, seus cabelos pingando seus traços firmes, a fez querer chorar – Você é lindo! – ela disse de repente.
_O quê? — ele perguntou confuso.
_Você é lindo e honrado e eu o amo muito!
_Não se atreva a começar uma despedida estúpida. Você não vai a lugar algum. Eu te proíbo. Entendeu?
_Onde eu poderia ir?- ela sorriu com feições cansadas.
Um dos médicos dobrou as pernas dela ao máximo e aplicou pressão em sua barriga. Ela gritou alto, e soluçou.
_Pronto! Está aqui!- o Dr. Gusmam disse sorrindo.
Mas não houve choro. Nenhum som além dos soluços baixos de Francine.
O pediatra agiu rapidamente, o bebê entre seus dedos tomando respingos de chuva estava pálido, e não se mexia, ele começou os procedimentos básicos, para que a criança reagisse.
_Ele está morto! Não está Jericho? Ele está morto!- ela perguntou e tentou se levantar, se apoiando nele – Malditos, fizeram com que eu perdesse meu filho! Eles fizeram eu perder ele. O que vou fazer? O que vou dizer a Melissa? Meu filho! — ela se debateu ainda mesmo que debilitada, e Jericho a segurou sem dizer uma palavra, pensando em como estaria Melissa naquele instante.
_Calma! Não se mova! – Dr. Gusmam disse cuidando de Francine.
_EU QUERO O MEU FILHO! – ela disse completamente descontrolada, se movendo ao seu limite.
_Francine eu estou aqui!- ele disse tentando conter a própria fúria. –Calma!
Ela levou as mãos sujas ao rosto, a chuva aumentava e ela começava a tremer descontroladamente, uma reação normal após o parto. Porém seus tremores evoluíram a convulsões. Alertando o Dr. Gusmam.
Francine se debateu com Jericho a segurando firme, e o Dr. a apoiando, e parou instantes depois inconsciente. E no mesmo instante que a cabeça dela tombou nos braços de Jericho ele ouviu o bebê chorar alto!
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