Quando olhei em direção a porta, lá estava Gokudera com uma expressão de quem não estava entendendo muita coisa.

– G-gokudera-kun....

Oya oya, não precisa me chamar 'desse cara', provavelmente sabe o meu nome.

– Claro que sim. Você tem uma fama horrível aqui. Vamos Chrome, Vamos para outro lugar. Todos estão vendo o idiota do baseball jogar e...

– G-Gokudera-kun eu... Mukuro-kun não está fazendo nada demais comigo. Eu apenas... Estava comendo aqui, e ele também estava. — Falei, desviando o olhar dos dois. Eu era péssima mentindo. — Ele está sendo gentil, não se preocupe comigo. — Meu sorriso fraco era uma prova disso.

– Não quer que eu fique? Ou ir tomar algo? — Ele disse, ainda desconfiado. Aquilo era estranho, mas o que eu estava achando realmente estranho era o fato de Mukuro não se intrometer enquanto eu mentia. Virei meu rosto olhando para o dele, que sorria, e o depois o de Gokudera, mexendo a cabeça negativamente.

– Não precisa. — Sorri. Agora a expressão dele era de uma pessoa que queria sair dali, mas ainda abriu a boca antes disso.

– Kyoko me disse que não estava se sentindo bem... Está melhor? O que vai fazer na aula vaga de depois do almoço?

– Acho que na aula livre eu vou estudar na biblioteca, quietinha. Ainda não estou me sentindo muito bem. — Falei. — Mas estou melhor. Não a deixe preocupada. — Sorri novamente. Ele murmurou algo e saiu, fechando a porta. Ainda disse um ' se precisar, me chame'. Logo me virei para Mukuro, que estava mais perto de mim, e com uma expressão preocupada.

– Não estava se sentindo bem?

– Não tinha tomado café da manhã. Atrasada... Estou melhor, agora. — Falei, um pouco séria.

– Por que você sorri para ele, para seus amigos, até para aquele delinqüente e nunca sorri para mim? — Ele perguntou, com sua mão vindo em direção ao meu rosto, hesitante. Eu fiquei com um pouco de pena dele. Aquela voz e aquela expressão.

– Por que eu tenho muito medo de gostar de sorrir para você. — Falei, fechando os olhos, deixando-o tocar meu rosto. Depois me dei conta do que tinha dito, mas minha expressão não mudara. Eu devia ter dito 'porque não confio em você.' E não isso. Mas agora, nada poderia fazer. Ele me puxou delicadamente pelo pescoço, colocando o meu rosto em seu ombro, e logo nesse momento eu senti algo estranho.

– M-mukuro-sama...

– Minha preciosa Chrome, você acordou. Não deveria ter acordado agora, vai ficar muito confusa, dessa forma.

– Você tem razão... Eu estou confusa.... Por que....?

Meus olhos abriram vagarosamente, ouvindo uma voz conhecida.

– O que você fez com ela?

Estava distante. E bem irritada. Parecia vir da porta e se aproximava de forma rápida.

– Eu não fiz nada. Ela veio almoçar comigo, e acabou desmaiando agora a pouco. Pensei que estivesse cansada e a deixei dormir.

Ao ter uma lembrança leve do que acontecera antes disso, lembrei que eu deveria estar com o rosto no ombro de Mukuro. A julgar pela voz, pensei que pudesse sentir uma pressão no meu corpo, pois o dono da voz certamente não pensaria antes de golpear Mukuro, mas ao invés disso, senti mãos em meu rosto. E as mãos que senti em meu rosto não eram as de Mukuro.

– Chrome, acorde! — A voz dizia, me soltando do corpo de Mukuro e sentando-me, dando um tapa leve no meu rosto. A primeira vez que eu ouvia uma emoção tão presente naquela voz. Era preocupação.

– H-hibari...

– O que ele fez com você? — Ele perguntou, ficando mais calmo.

– Eu já disse que-

– Ele está certo, Hibari. Ele não fez nada comigo, dessa vez. Eu estava até melhor, mas... Agora está tudo tão confuso. — Abri os olhos devagar, vendo os olhos claros de Hibari. Minha visão estava distorcida. — Está tudo girando... — Eu ia deslizar pela parede, para o lado, mas Hibari segurou meu braço.

– Vou levar você para a enfermaria.

– Eu vou levá-la também. — Dizia Mukuro.

– Não. Eu estou devendo um favor a ela, e vou pagá-lo agora.

Hibari me pegou nos braços e se levantou, sendo seguido por Mukuro.

– Então é por isso que está andando tanto com ela? Por dever um favor? — Mukuro riu. — Hibari, e depois de pagar esse favor, o que vai fazer? Vai deixá-la para lá? Vai fingir que nada disso aconteceu?

Hibari parou na porta. Parecia estar pensando em algo e logo falou com um tom grosso, quase destruindo minha idéia de que ele poderia estar pensando sobre isso.

– Não seja tão inútil e abra a porta, Mukuro.

Mukuro riu e abriu a porta, murmurando algo, que eu não entendi. E se Hibari entendeu, ignorou-o.

O caminho até a enfermaria foi silencioso por parte dos dois, e por sorte não tinham muitas pessoas no corredor. Mas ainda assim, foi constrangedor todos aqueles olhares. Logo depois que saímos do telhado, eu abracei o pescoço de Hibari e escondi meu rosto ali. Naquele lugar, eu me sentia bem melhor.

– Você vai voltar para a aula? — Hibari perguntou, logo que chegamos a enfermaria, enquanto me colocava na maca cuidadosamente. Ele perguntou no tom de sempre, mas não parecia usar aquele ódio mortal na voz, que sempre usava com Mukuro.

– É aula livre para todas as turmas. Reunião dos professores.

– Vou deixar você aqui com ela, preciso resolver algumas coisas. Não toque nela, se ela não permitir. Vou voltar assim que essa aula acabar. — Ele disse, sem nem esperar uma resposta, saindo dali. Eu iria chamá-lo para agradecer, mas ele foi mais rápido.

– Está se sentindo melhor?

– Um pouco. — Falei, cobrindo os olhos. — Obrigada, mas não precisa ficar aqui senão quiser.

– Então é isso? Ele te deve algo? É apenas isso? — Mukuro perguntou.

– Segundo Hibari, ele me deve dois favores. Apesar de que, achei que ele já tinha quitado-os. — Eu disse, quieta. Logo depois ri e continuei. — Engraçado que eu estava pensando o mesmo que você. Se ele vai fingir que não me conhece, depois disso tudo. — Ao final da frase, minha voz estava séria. Parte de mim não queria aquilo. A parte que havia se acostumado com a presença dele e que não queria que ele saísse da minha vida.

– Talvez ele não consiga. — Mukuro disse, sentando-se numa cadeira, ao lado da maca. Eu apena sabia pelo barulho que fazia.

– Por que diz isso?

– Por que, agora, não acho que conseguiria te tirar da minha vida. — Abri meus olhos devagar e fiquei olhando para suas mãos, que passeavam pela maca, e chegaram até a minha e acariciou-a, me fazendo corar. — Mas, pretendo ser paciente, agora. Vou fazer você gostar de mim. — Ele disse, puxando minha mão próxima aos lábios dele e a beijou. Colocou-a logo em seu lugar, sem nem me deixar fazer isso. — Acho que deveria descansar. E eu estou te atrapalhando. Vou ficar aqui fora... Depois nos vemos. — Ele piscou e saiu. Eu logo cai no sono.

Notas finais
Bem, o capitulo mostrou mais coisas sobre aquilo que mencionei no inicio. O proximo talvez deixe as coisas mais claras ainda! Talvez alguns entendam.
Estou pensando já no final da fanfic. Pensei MUITO em fazer dois finais, o problema é que cada um teria uns dois capitulos. Queria saber se vocês aprovam essa ideia.
Se não, o primeiro final vai ser o definitivo.
Acho que fic terá uns 15 capitulos no total, ainda nada certo.
Também queriam que me dissessem seu casal preferido, só pra eu saber qual a preferencia aqui!
Espero que estejam gostando!
Chuuu~