I Miss You

1 When Youre Gone...


Notas iniciais
Aqui está meu primeiro yaoi/fluffy. Divirtam-se.

‘’Querido Milo’’ – O ruivo começara a escrever com sua letra perfeitamente inclinada e graciosa, porém maneara negativamente sua cabeça enquanto amassava a pequena folha de papel.

Noutra folha, ele começava novamente.

‘’Estimado Milo’’ – Sorriu consigo mesmo. Estava perfeito.

Camus pensava no que escrever ao escorpiano, que há semanas havia deixado o mundo dos vivos. Falaria sobre o que, se nada havia acontecido consigo durante estes dias? Dizer que esteve recluso em sua casa Zodiacal chorando compulsivamente por sentir até o âmago a amarga falta que o loiro lhe fazia? Contar que Afrodite até tentara se aproximar, mas fora despachado friamente? Contar que também não sabia, há três semanas atrás, que nunca precisaria dele, ou que nunca iria chorar? Que nunca necessitaria do amparo do Escorpiano quando chorasse?

Camus sempre soube que só se sentiria bem tendo seus momentos á sós, mas nunca pensou que sentiria tanto a falta daquele ser falante e encantador ao seu lado todas as manhãs, falando pelos cotovelos e fazendo-o rir, como nenhum outro era capaz? Dizer que os dias se passavam arrastados como horas, e dias? Que as duas semanas pareciam anos? E deveria contar-lhe que o lado em que Milo dormia na cama ainda estava imaculadamente arrumado? Será que o Escorpiano percebia a falta que fazia ao Aquariano? Exatamente. Camus sentia sua falta.

Ele – com toda a certeza do Universo – nunca havia se sentido assim anteriormente, isso era um fato incontestável. Tudo, absurdamente tudo que o ruivo fazia, se relembrava de Milo. Sua rotina impecável e fria se tornara algo tedioso, irritante e completamente afogado em lágrimas contidas, soluços não liberados e dores não pronunciadas e nunca sentidas antes.

As palavras que sempre acordavam Camus lhe faziam falta como o céu faz á uma ave com a asa fraturada. Aquela voz rouca e doce lhe sussurrando ao pé do ouvido ‘’Acorde, geladinho... Vamos, MonChérie...’’ lhe dava reviravoltas ao estômago, por conta da saudade contida naquele coração antes congelado pela solidão.

As roupas que Milo havia deixado jogadas pelo chão do quarto principal da casa Aquariana expeliam o cheiro característico do loiro, piorando drasticamente a dor de Camus. Ele sentia o cheiro de Milo por todos os cômodos daquela casa, sentia a presença imaculada e perfeitamente alegre do Escorpiano por todos os lados que Camus se virava.

O ruivo precisava urgentemente escutar aquela voz tão apreciada, porém sabia ser impossível. Sabia também que Milo nunca chegaria a ler aquela carta, mas a saudade era tanta que nem o próprio Aquariano se aguentara mais.

Camus sabia que tudo iria ficar bem, mas mesmo assim...

Ele sentia a falta de Milo como jamais sentira nada em sua vida.

Ele sentia... Saudades.

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