Notas iniciais
E depois de dois anos de hiato, a fic voltou com capítulos novos! Nunca foi intencional, mas acontece. Voltei recentemente a acessar o Nyah! e a criação do +Fiction me animou um pouco, por isso, inclusive, estamos de capa nova. Espero não decepcionar com esse capítulo levemente atrasado. Tentarei postar o próximo o mais breve possível. Capítulo revisado e atualizado em 08/07/2021

Chamber — Capítulo XII

O clima não estava agradável naquele dia. O céu estava nublado e escuro e o solo estava coberto de neblina. A escola também estava deserta, o que trazia um sentimento de melancolia. As vozes de Emma e Ilka ecoavam no corredor por ali ter somente a presença das duas.

— É estranho ver a escola vazia. Não estamos em feriado. Onde está todo mundo? – questionou Ilka.

— Nas arquibancadas, garantindo seu lugar. Se eu não me engano daqui uma hora começa a temporada de jogos desse ano. Hoje vai ter Sonserina contra Lufa-lufa — explicou Emma – Tem planos para hoje? Não sou muito fã de quadribol, acho que vou voltar para o dormitório e estudar se não tiver nada planejado.

— Vai estudar para o que? Não temos prova nem nada do tipo programado. Não vou assistir o jogo também, acho que vou procurar o Riddle. Preciso conversar com ele.

— Transfiguração. Acho que não sou tão boa na matéria, e o professor Dumbledore é bem exigente.

— Quer companhia ou precisa de ajuda? Ou eu posso ir procurar Tom? – perguntou Ilka, finalmente se virando de frente para Emma, já que estavam andando lado a lado pelo corredor.

— Pode ir, eu acho que me concentro melhor sozinha. Te encontro a tempo do jantar – despediu-se Emma, e se virou de costas, partindo na direção oposta a que estavam caminhando.

Ilka observou o corredor vazio, organizando seus pensamentos e refletindo sobre os possíveis lugares onde poderia encontrar Tom. Não acreditava na possibilidade de ele ter ido assistir o jogo, e chegou à conclusão que a biblioteca provavelmente seria o lugar com mais chances de achá-lo.

Depois de uma boa caminhada, pelos corredores desertos e escadas que se movem, Ilka finalmente alcançou a biblioteca, que não surpreendentemente estava vazia, igualmente ao resto do castelo. Apenas uma garota da Corvinal ocupava uma cadeira em uma das muitas mesas do local. A menina Bagshot se aproxima do balcão, onde uma mulher mais velha estava sentada, organizando alguns livros.

Madame Cherly não era tão velha quanto a bibliotecária de Durmstrang que Ilka conhecia. Seus cabelos eram castanhos escuros, e estavam sempre presos em um coque alto e desarrumado, algumas mechas grisalhas eram visíveis, mas Ilka acreditava que elas estavam ali por estresse, não idade.

A bibliotecária também possuía belos olhos azuis, que pareciam levemente apagados pelos grandes óculos arredondados. Rose Cherly era bem baixa e levemente acima do peso, mas suas bochechas rosadas e sorriso sempre presente davam-lhe um charme inegável.

— Boa tarde Rose! – cumprimentou Ilka, escorando-se no balcão em que a mulher trabalhava.

— Boa tarde Ilka, em que posso ajudá-la hoje? – respondeu educadamente, com seu típico sorriso caloroso – Não curte quadribol? Pensei que toda a escola estaria mobilizada hoje para assistir ao jogo.

— Não sou muito atraída por esportes. Estou procurando por um colega de casa. Por acaso Tom Riddle passou por aqui hoje?

— Riddle? – repetiu madame Cherly, e levantou-se, olhando por cima dos óculos para a biblioteca, como se procurasse algo – Pensei que ele estaria em uma das mesas. Ele acabou de me perguntar sobre um livro, provavelmente ainda não o encontrou. Tente dar uma olhada na sessão de história.

— Muito obrigada Rose! – agradeceu Ilka.

Ilka caminhou pelo ambiente, observando cada corredor de livros, procurando por seu companheiro. O corredor de história ficava mais ao fundo e lá ela o encontrou. Tom estava de pé, entre duas prateleiras com um livro aberto em mãos. Como sempre, estava trajando preto dos pés a cabeça e a garota nota que ele mexe em algo em sua mão.

Riddle estava girando um anel, que está em seu dedo indicador, com o dedão. A garota não sabe o porquê, mas de alguma forma a presença daquele anel a incomoda.

— O que está lendo? – questionou, chamando a atenção do garoto, que ainda não a havia notado.

— Nada importante, só estava dando mais uma analisada nos possíveis locais onde a câmara de Slytherin pode estar escondida – respondeu, fechando o livro e devolvendo-o ao seu devido lugar na estante logo em seguida.

— Ainda acho que é no banheiro que comentei contigo. Se quiser podemos aproveitar que todo mundo está no jogo e irmos lá, ninguém vai saber ou suspeitar caso algo inesperado aconteça – sugeriu, enquanto caminhava para mais próximo de Riddle.

— O que poderia acontecer de inesperado? – questionou Tom, arqueando a sobrancelha.

— Bem, existem lendas sobre o que pode existir na câmara. Ela existe por um motivo, e já ouvi boatos que serve para abrigar uma criatura que somente um verdadeiro herdeiro de Salazar Slytherin conseguiria controlar – explicou a loira, cruzando seus braços sobre o peito – Você acha que se garante nesse caso, Riddle? – questionou, dando ênfase no sobrenome trouxa do garoto.

— Veremos – respondeu, levemente incomodado com o comentário de sua colega.

Ilka e Tom saíram da biblioteca e subiram um andar, onde estaria o suposto banheiro com passagem para a câmara. Como o previsto, este estava vazio. Enquanto o garoto analisava o ambiente, parado no meio do local, Ilka tomou a frente e saiu abrindo todas as portas dos sanitários, para ter a certeza de que ninguém estaria os escutando.

Logo, Tom reparou que a pia, no centro do banheiro, era esculpida com algumas serpentes. Ele se aproximou e passou o dedo sobre os detalhamentos.

— Você se lembra de ter algo parecido com isso nos outros banheiros? – perguntou ele, se referindo as serpentes.

Ilka se aproximou de Tom, observando os desenhos. Era bem óbvio em sua cabeça que não havia nada como aquilo nos outros banheiros. Nem mesmo os de dentro do dormitório, que eram mais temáticos da casa. Mas a garota não acreditava que seria tão fácil assim encontrar a tal câmara.

— Eu não sei, não fico reparando muito nos desenhos das louças do banheiro. Acha que isso significa algo? – ela desviou do assunto.

— Talvez seja um sinal que isso aqui é a entrada. Mas como abriríamos? Será que é uma espécie de mecanismo e temos de acionar algo?

— Acho que não... Assim ficaria fácil para qualquer um abrir. A câmara só abre para um verdadeiro herdeiro de Slytherin, mas o que provaria que a pessoa é herdeira? – ponderou Ilka – Sangue, talvez? – sugeriu, ainda reflexiva.

O comentário da Grindelwald pareceu esclarecer algo para Tom, que mudou sua expressão repentinamente, parecendo decidido e certo sobre o que abriria a passagem.

Tom, que antes estava ajoelhado observando os detalhamentos da pia, se levantou e deu uma afastada. Seu olhar se fixou na serpente que ele antes estava contornando com o dedo e seus lábios se entreabriram.

Ilka percebeu que ele estava sussurrando algo que ela não compreendia, e logo reconheceu como sendo a mesma língua que ele usou para conversar com Morfino Gaunt na noite em que assassinou todos os Riddle.

Assim que Tom finalizou, ele ficou estático por alguns segundos, esperando que algo acontecesse. E aconteceu. Alguns sons começaram a ser ouvidos e a pia se abriu, revelando um cano, largo o suficiente para passar uma pessoa por vez.

— Você vai primeiro ou quer que eu vá? – perguntou o garoto, com um sorriso empolgado e os olhos brilhando de entusiasmo.

— Por favor, faça você as honras – respondeu Ilka, dando espaço para que ele passasse primeiro.

Tom passou na frente e sentou-se na beirada, escorregando cano abaixo logo em seguida. Ilka deu uma olhada no buraco antes de ir, e pareceu repensar sua decisão. Agradeceu a Merlin por naquele dia ter optado por usar o uniforme da escola, não suas roupas tradicionais, pois o cano parecia bem antigo e sujo, e provavelmente mancharia o tecido de sua saia.

Ela respirou fundo mais uma vez e imitou o movimento de Tom ao descer pelo cano.

Quando Ilka caiu em uma espécie de caverna, Tom já estava de pé e esticou a mão para ajudá-la a se levantar. Ela logo notou que caiu em cima de um monte de terra, sujeira e carcaças animais.

— Obrigada – agradeceu, aceitando a ajuda de Tom para levantar-se.

Como de hábito, a loira correu as mãos por sua saia, em uma tentativa falha de se limpar e desamassá-la. Com isso ela se pegou analisando melhor o lugar em que caiu em cima. Ossos de animais tomavam conta da maior parte ali, mas era possível notar também alguns que pareciam pertencer a humanos também.

— Que nojo – comentou – Acho que eu prefiro nem pensar muito sobre o que aconteceu aqui.

— É melhor não pensar muito mesmo, vamos, estou curioso para ver o que tem ali – respondeu Tom, segurando na mão de Ilka, puxando-a para caminhar junto a ele.

Seguiram então por um longo cano, que era muito maior e mais largo do que pelo qual desceram. No fim deste, havia um ambiente bem mais amplo, que aparecia alagado.

A água do chão quase cobria os seus pés e o local parecia se manter de pé devido a altos pilares de madeira. As paredes eram de pedra, o que fazia com que o ambiente fosse escuro e lembrasse uma caverna.

Ao fundo da câmara uma estátua se destacava, era enorme, e parecia ser a figura de um homem familiar aos dois ali presentes. O lugar fedia devido a umidade e ao estado de putrefação dos diversos corpos de animais que ali havia, era notável que grande parte deles pareciam pertencer a ratos.

— Aquele é...? – sussurrou Ilka, já sabendo a resposta, perguntando somente para confirmar a sua suspeita.

— Salazar Slytherin – respondeu Tom, com certeza.

— E cadê a enorme criatura que somente o herdeiro pode controlar que todos comentavam sobre? – questionou a garota, ainda tensa por toda a descoberta do lugar.

Tom não respondeu, apenas caminhou para mais perto da estátua, ainda de mãos dadas com Ilka. Ele parou no centro do lugar, observando os traços do homem fixamente. Enquanto observava, um barulho baixo começou e chamou a atenção da loira.

— Você está ouvindo isso? – perguntou, receosa.

— Ouvindo o que? – respondeu ele, mas algo lhe chamou atenção, algo que provavelmente era de onde Ilka estava ouvindo o barulho.

O rosto da estátua começou a se mexer. A boca, mais especificamente, que estava a se abrir lentamente, e logo o barulho que antes Ilka ouviu bem baixo, começou a se tornar mais alto e tomou conta do lugar. Parecia que algo rastejava e sussurrava.

O som saía de dentro da boca de Salazar.

Ilka notou e começou a observar fixamente o rosto da estátua, ansiosa por toda a situação e curiosa pelo que sairia dali. Logo que ela notou algo se mexendo dentro da boca de Slytherin, Tom a puxou para mais perto, para um abraço, onde ele escondia o rosto da garota em seu peito.

— Não olhe – disse ele, baixando o seu olhar daquela cena para a loira.

— O que? – Ilka questionou, confusa pela ação do garoto e preocupada com o quão tenso ele parecia naquele momento.

Tom ignorou a Grindelwald e voltou a subir seu olhar para a estátua. Ele travou por alguns segundos, mas logo em seguida começou a falar em voz alta aquela mesma língua esquisita que havia usado anteriormente para abrir a passagem para a câmara.

Riddle pareceu conversar com o que quer que tenha saído da estátua por alguns minutos, e logo o silêncio voltou a invadir o ambiente, sendo possível ouvir somente um leve rastejar sobre a água.

O som da estátua se mexendo voltou a ser ouvido e repentinamente tudo cessou. Tom pareceu relaxar e finalmente soltou Ilka, que se afastou de seu abraço e subiu o seu olhar, para analisar o rosto do garoto, que estava inexpressivo. A garota se virou, vendo que o lugar permanecia exatamente do jeito que estava quando eles entraram, a estátua parecia nunca nem ter se mexido.

— O que aconteceu? Tinha algo aqui conversando com você... O que era? Por que não me deixou olhar? – questionou, encarando-o, esperando que suas expressões denunciassem algo.

— É melhor sairmos daqui. É muito perigoso para você, Ilka. Lá em cima eu te digo – respondeu ele, ainda sem emoção alguma.

Apesar de frustrada pela resposta, Ilka apenas acenou com a cabeça, como se entendesse, e os dois se dirigiram para a saída.

A saída foi um pouco mais difícil do que a entrada na câmara, já que tiveram de escalar, e não simplesmente escorregar. Assim que chegaram ao banheiro novamente, Tom sussurrou um comando para fechar a entrada e a pia voltou ao lugar.

— Vai me dizer o que tinha lá embaixo? – perguntou Ilka, com os braços cruzados sobre o peito, em uma clara expressão de frustração.

— Algo que somente o herdeiro de Slytherin conseguiria controlar... – respondeu Tom, calmamente, encaixando suas mãos nos bolsos na calça enquanto encarava Ilka – Uma cobra. Um basilisco, na verdade, por isso era tão perigoso para você.

— Oh... – ela deixou escapar, surpresa.

Não conseguia imaginar como alguém colocaria uma criatura tão grande em uma sala escondida em uma escola.

— Eu vou voltar lá, mas não posso arriscar te levar comigo. Existe algo que eu quero tentar, mas vou fazer sozinho.

Notas finais
Por favor não desistam de mim e lembrem-se de deixar um feedback! Me ajuda muito e me inspira a continuar a história. Até o próximo!