I Loved And I Loved And I Lost You
15 Capítulo 14
Notas iniciais
POV’s Lydia
Naquele dia chovia forte, e o céu parecia que ia se partir ao meio, os clarões apareciam repetidamente de minuto a minuto. Eu tinha medo do barulho dos trovões – na verdade, com 7 anos eu tinha medo de praticamente tudo – e eu não conseguia dormir.
Mas naquela noite em especial, os trovões pareciam mais fortes, os clarões pareciam mais assustadores e o barulho ainda mais alto. Geralmente, quando eu fico assustada, eu corro em direção a cama dos meus pais, mas hoje não era um bom dia; hoje eles estavam gritando mais alto que os trovões.
Eu não queria sair do meu quarto, eu só queria que eles parassem de brigar, e gritar um com o outro, eu só queria que parasse de chover, tanto lá fora quanto aqui dentro de casa. Depois de um tempo, a briga cessou, eu vi as vozes se acalmarem, eu pensei que estava tudo bem de novo, pena que não era isso.
O meu pai saiu de casa naquela noite, e deixou minha mãe e eu; sozinhas. Ele saiu em baixo daquela chuva forte, entrou no carro com uma mala na mão, fechou a porta sem nem olhar para trás, e foi embora.
Eu lembro de ter descido as escadas com um cobertor entre os ombros, e lembro de ter visto a minha mãe ajoelhada no chão, chorando baixinho; lembro também de tê-la abraçado e de ela ter me dito que ficaria tudo bem, que ele ia voltar. Mas ele não voltou.
Eu também tenho os meus fantasmas.
Acordei assustada com o barulho da tempestade, chovia tão forte que as gotas grossas de chuva caiam no chão com um baque forte. Eu chamei por minha mãe, mas ela não me respondeu, verifiquei meu celular e em uma mensagem dela dizia: “Desculpa, little girl, mas não vou poder voltar para casa hoje, te vejo amanhã”; eu estava sozinha.
A cada minuto passado, a chuva parecia ganhar mais força, eu levava um susto a cada barulho de trovões. Eu não ia consegui dormir, pelo menos não sozinha. Então liguei para Allison – a casa dela era a menos de um quarteirão daqui, e ela tinha carro, poderia vim aqui ficar comigo – Mas ela não atendeu, então tentei outra pessoa.
Ele atendeu no terceiro toque, sua voz estava rouca e sonolenta.
“Alô?” perguntou confuso “Lydia?”
“Stiles vem ficar comigo, por favor!”
“Ah? Ficar com você? Aonde você tá?” Pareceu despertar.
“Em casa, é que eu tô sozinha, e tá chovendo muito...”
“Lydia, são 3:30hs da manhã”
“Eu sei! Mas, por favor Stiles!” falei com uma voz fininha. “Eu faço chocolate quente!”
“Tudo bem...” rendeu-se “Eu estou indo.”
“Eu te amo!” falei sem pensar e ele ficou mudo de repente “Você é o melhor amigo do mundo” falei rápido tentando contornar as coisas.
“Eu tô chegando” Falou antes de desligar.
POV’s Stiles
As coisas sempre ficavam daquele jeito depois de uma crise. Ela parava aos poucos de gritar e chorar, devagar a sua respiração vai voltando ao normal, e ela se torna a mesma Malia de sempre. Às vezes ela se aproximava de mim e me dava um abraço, pedindo desculpas pelas coisas que ela fez; em outras vezes ela apenas se levantava e ia embora para qualquer outro lugar.
Naquele dia – meu aniversário de 16 anos – nós olhávamos para as luzes, elas estavam mais fortes e brilhantes naquele horário; Malia estava sentada ao meu lado abraçando os joelhos, ela parecia estar hipnotizada – todas as vezes eram assim – ela olhava fixamente as luzes acessas há milhares de quilômetros dali.
“Por que você ainda fica comigo?” perguntou quando notou que eu a encarava.
“Por que eu gosto da sua companhia.” Ela me olhou e deu um sorriso de canto de boca.
“Isso não é verdade; quem gostaria de ficar na minha companhia?”
“Eu. Eu gosto.” Falei e ela deitou a cabeça nos joelhos.
“Ou você é maluco, ou é idiota.”
“Um pouco dos dois, talvez.” Disse abraçando ela.
“Eu não gosto de ser assim, Stiles. Eu queria ser diferente, normal.”
“Eu não queria que você fosse normal. Ser normal é um droga! Eu acho você incrível!”
“Antes de me definir, você deve avisar sobre qual “eu” você está se referindo.”
“Estou me referindo a você, só você.” Falei e ela encostou a cabeça no meu ombro.
“Obrigado.” Falou fechando os olhos.
“Eu te amo do jeito que você é, com todos os adicionais.”
“Eu também te amo”
Acordei com o celular tocando. Era Lydia, ela estava sozinha em casa e queria que eu ficasse com ela, eu não tinha certeza, mas acho que é por conta da tempestade.
Cheguei em sua casa e ela estava com um cobertor rosa entre os ombros, ela me olhou com um sorriso aliviado, e se sentou no sofá; eu tirei o casaco e pus em uma mesa.
“Vai ficar aí em pé?” perguntou “Eu fiz chocolate quente” falou e eu me sentei ao seu lado no sofá amarelo da sua casa, enquanto ela me oferecia uma xicara.
“Agora, você pode me dizer o porquê de me ligar a essa hora da madrugada e me fazer vir até a sua casa?”
“Eu gosto da sua companhia”
“Conta outra Lydia” debochei “Você está com medo da tempestade, não está?”
“Não! Eu não tenho medo de tempestades, quantos anos você acha que eu tenho?”
“A idade certa para ter medo de tempestades”
“Pois saiba que eu não tenho medo de nada” falou enquanto encostava-se no braço do sofá e colocava os pés no meu colo sem pedir “nem de tempestades”.
“Eu conheci alguém, que poderia ter quantos anos fosse, ela sempre ia ter medo de tempestades” deixei escapar e vi o olhar da Lydia mudar.
“Pois eu sou diferente desse alguém, por que eu não tenho medo de tempestades” falou e eu sorri.
Ela sabia que eu estava falando de Malia, mas pelo visto não quis falar, o que era ótimo. Eu não sei se poderia contar a ela tudo o que aconteceu entre Malia e eu.
“Você fica bem mais bonito calado” falou de repente.
“Você acha que eu sou bonito?” falei e ela ruborizou, eu sorri.
“Eu disse que você fica, do verbo ficar, eu não disse que você é, do verbo ser.” Falou e eu ri fraco. “Você para...”
Ela ia falar algo, mas o seu pé acabou batendo na xicara que estava na minha mão e derramando o liquido quente em mim.
“AI MEU DEUS, STILES!” falou enquanto se levantava rapidamente do sofá e ia em minha direção. “TIRA A CAMISA!” falou e eu obedeci, aquele chocolate quente, estava quente de verdade.
Vi que o local onde foi derramado, estava avermelhado, sem perceber Lydia colocou a mão no lugar ferido, e ficou parada. Ela pareceu paralisar, ali, com os dedos finos sobre a minha barriga, olhei para o seu rosto, e os seus olhos estavam em sua própria mão.
Quando eu levantei os olhos, percebi que ela estava com uma camisola de renda preta, que até aquele momento estava coberta por conta do cobertor que estava sobre seus ombros; porém agora ela só vestia aquela camisola, e boa parte do seu corpo estava exposto.
Quando finalmente Lydia olhou nos meus olhos, eu não consegui me mexer, aqueles olhos esverdeados pareciam me prender, eu não conseguia parar de olha-la.
“E-eu, e-eu vou pegar gelo para colocar...” falou, ou tentou, enquanto tirava a mão que repousava sobre mim.
Ela se virou, mas eu fiz uma coisa louca. Segurei o seu braço, fazendo ela se sentar novamente, e sem pensar direito, pus as minhas mãos em seu rosto e colei os meus lábios com os dela.
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