I Love You Like I Didnt Yesterday
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Aqui a segunda parte da conversa. ;)
— Como assim? — perguntei, completamente chocado. — Por que você nunca disse?
Ela deu de ombros.
— Porque não. É só a sexualidade, tão importante quanto a cor do meu cabelo. Você também sempre pensou assim. Não achei que você ficaria tão surpreso.
Ela tinha razão, eu via esse assunto da mesma forma.
— Bem, eu também ficaria surpreso se você me dissesse que na verdade é loira — falei, o que a fez rir um pouco. Ouvir sua risada era ótimo, saber que eu ainda conseguia fazer isso.
Ela suspirou. Quantos suspiros eu ouvi naquele dia?
— Sabe, geralmente existem duas formas de uma pessoa descobrir que é bissexual — ela disse, fitando-me com um olhar firme, como uma professora explicando algo importante. — Quando ela nota desde cedo que ambos os sexos lhe atraem, ou quando ela se apaixona por alguém do mesmo sexo. No meu caso, eu nunca fui muito ligada a aparências. Sempre reconheci a beleza de homens e mulheres, mas não me imaginava transando com todo mundo que eu via.
— Fico feliz em saber disso.
Ela sorriu um pouco. A tristeza ainda estava em todo o seu rosto, mas parecia uma tristeza cansada, que permitia um ou outro sorriso. Ela continuou:
— E eu sei que você também não. Para pessoas como nós, só resta a segunda opção, e ela é mais complicada. O sentimento vem aparecendo escondido, e quando a gente nota, já era.
É, fora exatamente isso o que acontecera.
— Como você sabe disso?
— Nós nos conhecemos há muito tempo, Frankie, mas não somos namorados desde sempre. Eu já tive outros. E quando eu era mais nova, acabei me apaixonando por uma amiga enquanto estava namorando um cara.
Dessa eu também não sabia. Quantas coisas ela nunca me contou? Há, como se eu tivesse o direito de ficar com raiva por isso. Fiquei quieto e deixei que ela continuasse.
— Como eu não sabia, não percebi que a amizade estava se tornando algo mais forte, até que já não dava mais pra segurar. O cara que eu namorava era meio imbecil, pra ajudar, e ficava muito tempo longe de mim. Aí acabei me aproximando dela e... Enfim. Não consegui segurar porque era algo que eu desconhecia. E foi isso o que aconteceu com você, não foi? Ele é um amigo, né?
Assenti. Ela já devia saber quem era. Eu não conseguia acreditar que ela realmente entendia o que eu estava sentindo.
— Se fosse uma mulher, você teria se impedido — ela continuou. — Mas não foi.
Ela olhou para baixo e eu não soube o que dizer, a não ser...
— Obrigado. Por entender.
Ela piscou de leve.
— Mas não pense que isso resolve tudo — falou de repente, me assustando. — Isso não muda o fato de que... De que você me traiu. Nem de que eu estou sentindo um ciúmes desgraçado, e nem de que você continua apaixonado por outra pessoa.
— E... O que a gente faz? Eu ainda te amo.
— Eu sei.
Ela suspirou pela centésima vez e começou a pensar, a analisar. Deixei para ela esse esforço; não conseguia ver uma saída para essa situação.
— Acho que eu... Tenho que... Ah, merda — ela começou a chorar de novo, e eu finalmente fui até ela para abraçá-la. Ela aceitou.
Ficou chorando no meu ombro por um bom tempo, e eu, no seu cabelo. Não creio que isso está acontecendo. Não creio que Gerard está me fazendo passar por isso... E não creio que eu não estou resistindo! Continuei em silêncio, esperando que ela criasse coragem para falar seja lá o que for que estivesse entalado em sua garganta.
— Acho que eu tenho que aceitar — ela disse, finalmente.
Eu congelei por um momento. A segurei pelos ombros e a afastei, para conseguir olhar em seus olhos.
— Você tá falando sério?
— É... Nem eu acredito, mas estou.
Meu coração parecia querer sair do peito.
— Eu preciso de você, Frank — ela disse, enxugando as lágrimas. — E preciso de você feliz. E agora o estrago já tá feito. Ou eu espero que o sentimento passe, ou... Eu tenho que engolir.
Eu a abracei tão forte que quase a sufoquei.
— Ah, Jamia, eu não acredito, obrigado, obrigado — falei, beijando seu rosto desesperadamente, parecendo uma criança agradecendo por um doce. — Eu te amo, obriga...
— Espera, espera — ela se afastou. — Você tem que saber de algumas coisas antes.
Eu me afastei mais e juntei as mãos em cima do colo, esperando pacientemente que ela falasse, e parecendo mais ainda com uma criança.
— Primeiro — ela começou. — é que não vai ser fácil pra mim. Eu tenho ciúmes de você, ok? Você não pode esquecer disso. Segundo, é que eu quero saber de todo e qualquer progresso ou regresso que você fizer com ele. Está me entendendo?
Eu balancei a cabeça para cima e para baixo.
— Ótimo. Assim eu vou vencendo meu ciúmes aos poucos. Terceiro, é que você vai continuar agindo normalmente comigo, exceto...
Olhei para ela, ansioso. Eu estava disposto a aceitar qualquer coisa, e acho que ela percebeu isso.
— Não vou conseguir transar com você sabendo que você está pensando em outra pessoa.
Eu balancei a cabeça de novo, lentamente. Dava para se entender isso.
— E quarto, você também vai ter que engolir seu ciúmes.
PÁ. Tome na cabeça, Iero. Achou que seriam só maravilhas?
— C-como assim? — perguntei.
— Você não espera que eu passe não sei quanto tempo sem fazer nada com ninguém, né?
Claro que não. Como ela poderia? Eu não tinha o direito de exigir que ela fosse fiel a mim se eu não seria.
Engoli em seco, sentindo meu sentimento de posse descer arranhando pela garganta, pronto para voltar para cima. Fechei bem a boca para não falar merda e assenti para que ela continuasse. Ela sorriu um pouco ao ver meu esforço; gostou de saber que eu ainda sentia ciúmes dela.
Ela ficou quieta por mais alguns segundos.
— Não acredito que estou fazendo isso... — murmurou, e olhou para mim. — Você percebe que estamos, basicamente, terminando para ficarmos só amigos?
Eu senti uma revirada no estômago. Não tinha pensado dessa forma.
— Mas talvez isso não seja tão ruim — ela falou, hesitante, sem acreditar plenamente no que dizia. — Quer dizer, nós amamos quem somos por dentro, né? O amor vai continuar, firme e forte.
Eu sorri, triste, mas ainda assim era um sorriso.
— Sim, vai. Pra sempre — falei.
Eu me lembrei da nossa época de crianças. Sempre fomos unidos. Isso não poderia sumir agora. Nossa amizade era tão forte quanto sempre foi com Gerard, só que agora estava voltando a ser só isso: amizade.
Nos observamos em silêncio. Será que estávamos fazendo a escolha certa?
Ela enxugou de novo as lágrimas, que não tinham parado de sair. Aquilo não estava sendo fácil para ela, e eu tive ainda mais certeza de que ela era uma das pessoas mais fortes que eu já conheci. Eu me aproximei e lhe dei um selinho.
— Isso pode, né? — perguntei.
Ela riu rapidamente.
— Pode — e me beijou de novo, tímida, casta. Parecíamos crianças novamente. E seríamos crianças para sempre.
Ela se levantou e caminhou para a porta.
— Acho que precisamos ficar sozinhos — disse e eu concordei. — Tchau.
Eu me joguei na cama. Tudo aquilo era muito irreal. Minha namorada acabara de aceitar que eu tivesse um amante... Aliás, eu não tinha mais namorada, mas também não tinha terminado com ela. O que aconteceu com a minha vida?
Eu não me importava. Agora eu me sentia leve. Agora eu me sentia... Bem. Jamia não pesava mais tanto no meu coração, mesmo que eu soubesse que ela ainda sofreria por algum tempo. Mas eu estava livre, para amar, para beijar, para sonhar... para caçar.
Sorri, de olhos fechados. Agora o Gerard não me escapa.
Notas finais
O que acharam?
Ah, eu vi que essa fic tá com 13 leitores ♥ Amo vocês, até os dez que são leitores fantasmas (mas eu amaria mais se vocês deixassem reviews também e)
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