Notas iniciais
Eu devia ir mais devagar, mas como sei que não vou postar no fim de semana, acho que compensa. /ounão
Enfim, espero que gostem! :)

O dia estava passando rápido e melhor do que eu imaginei. A correria para pegar o avião, fãs nos interceptando no aeroporto — como eles sempre descobrem onde nós estamos e para onde vamos? —, as conversas e risadas, estava tudo normal. Eu estava sendo distraído na maior parte do tempo, graças a Deus.

Mas não o tempo todo. Quando estávamos nos preparando para entrar no avião, o assunto do beijo veio a tona, só que dessa vez entre todos nós. Não sei o que é pior, porque realmente, quando é para falar merda, esses caras não calam a boca.

— Foi tão lindo — disse Ray. — Não foi, gente?

— Ver meu irmão beijando um cara? Ahn, claro — Mikey falou, teatralmente perturbado. Ou talvez nem tão teatralmente.

Eles riram, e Gerard pareceu um pouco envergonhado. Pelo menos isso.

— Ah, calem a boca — falei, andando.

— O que vocês esperavam? — Bob falou. — É melhor irem se acostumando, nós não vamos ser os únicos a falar disso.

— É, não mesmo — Ray continuou. — Como você se sentiu, Frank? Vão perguntar se o Gerard beija bem, fala, ele beija?

Inesperadamente, eu sorri, perversamente, com uma fala surgindo na minha cabeça.

— Por que não testa você, se está tão curioso?

Ray fechou a cara e os outros explodiram em gargalhadas. Estávamos chamando a atenção, cada um indo para as suas poltronas sem parar de falar.

— É, Ray, experimenta — Bob incitou.

Ray olhou para nós irritado por um momento, depois voltou a sorrir.

— Tá. Gerard, vem aqui.

Nós ficamos quietos. Ele estava falando sério?

— Que foi? Vocês não falaram pra eu fazer? Vem aqui, infeliz.

Gerard estava sentado ao meu lado, e nós estávamos todos contorcidos nas poltronas para nos vermos. Ele olhou para mim, meio que pedindo para eu fazer alguma coisa.

Eu não tinha me tocado sobre a porcaria que eu tinha feito. Ray era orgulhoso, não ia deixar barato nós todos rindo da cara dele. Mikey estava meio assombrado, e Bob parecia estar se divertindo mais do que nunca.

— Beija, beija, beija — o baterista começou, e Mikey o acompanhou ao ver a cara de Gerard. Tudo para irritar o irmão.

O problema era que... Eu não queria. Seria uma brincadeira, claro, mas... Sei lá, faria o nosso beijo parecer uma brincadeira também, e eu não queria sentir isso. Era o mais certo a fazer, porém. Talvez se eu o visse com Ray eu caísse em mim e me tocasse que aquilo não significara nada. Ou talvez eu sentisse ciúmes. Se isso acontecesse, eu teria certeza de que não tinha mais volta, pelo menos não por um tempo.

Então, muito relutante, mas fingindo estar alegre, eu me juntei ao coro de Bob e Mikey, o que fez Gerard olhar para mim com raiva. Ah, ele não devia ter feito isso. Adoro vê-lo com raiva. Falei mais alto.

— Beija, beija!

Gerard estreitou os olhos para mim, e eu tentei entender sua expressão. Ele estava bravo ou... decepcionado? Minha voz falhou com essa dúvida, mas já era tarde demais. Ele levantou, foi até a poltrona onde Ray estava e se abaixou. Nós ficamos quietos e prendemos a respiração. Gerard fechou os olhos e aproximou o rosto do de Ray, e eu... Eu também fechei os olhos. Droga, que droga! Eu não queria ver. Eu sentiria ciúmes. Mas eu tinha que ver, não podia perder aquilo! Ah, por isso sentir algo por um amigo é tão complicado. Os sentimentos se cruzam e atrapalham mutuamente.

Mas, de repente, ouvi uma gargalhada. Abri os olhos e vi Ray quase rolando de rir.

— Eu não acredito que você ia mesmo me beijar, Ger!

— Ué, você pediu.

— Cara, eu tava zoando!

Eu soltei um suspiro alto, alto o bastante para que todos ouvissem. Gerard se virou para mim e me lançou um olhar divertido, como se meu suspiro tivesse sido de brincadeira. Acho que todos acharam isso, exceto Ray. Ele pareceu um tanto... curioso.

Gerard se sentou ao meu lado bem na hora que a aeromoça já vinha nos mandar ficar quietos, e nos preparamos para decolar. Enquanto estávamos no ar, conversamos, lembramos dos sustos de mais cedo — Bob não acreditava que tinha perdido eu caindo da cama, e resmungava quando ríamos dele batendo a cabeça; ele acordou tão assustado que ficou em pé na cama; é, foi hilário — e vez ou outra ficávamos silenciosos. Esses momentos eram péssimos. Eu ficava desconfortável ao lado do Gerard, e acho que ele pode ter me flagrado olhando para ele algumas vezes, mas preferi não pensar nessa possibilidade.

Assim que chegamos, fomos direto comer. Mais alguns fãs nos viram no restaurante do aeroporto, mas nada que nos atrapalhasse. Continuamos comendo e conversando — quando eu disse que não calavam a boca, era verdade; e eu estava incluído — e terminamos rápido. Tínhamos que nos encontrar com o cara com quem Gerard marcara o encontro. Parece que era o último dia dele em New Jersey, e foi muita sorte conseguirmos chegar a tempo.

Eu estava fervilhando. Não tanto quanto na primeira vez em que tocamos no Download Festival, mas mesmo assim. Quando eu decido me animar com alguma coisa, eu me animo de verdade. E Gerard sabia. Eu sei que não devia estar me sentindo tão bem com isso, mas adorava ver o sorriso dele quando falávamos do festival. Ele parecia ficar encantado com a minha animação. Era paranóia minha, claro, mas caramba, ele podia parar de sorrir tanto para mim, não podia? Ah, Deus, o que eu estou pensando... Ele sorri para todo mundo. Ele é assim.

Só que, enquanto esperávamos para sermos chamados, no saguão do hotel onde o cara estava hospedado, Gerard fez parecer que os sorrisos eram o que eu suspeitava.

Ele se sentou do meu lado, colocou um braço no encosto atrás de mim e me olhou.

— Você está feliz, Frankie?

Eu o observei. Seus olhos me atordoavam.

— Claro, por que não estaria?

— Não, eu quero dizer... De verdade — ele falou, ficando sério de repente. — No seu coração, você está feliz com tudo?

— S-sim... — por que eu estava gaguejando? Ele também pareceu não entender.

— Sim? Seja sincero, Frank.

Eu estava tentando, mas a resposta não era verbal. Seus olhos realmente me confundiam, e eu abaixei o olhar. Há, para quê? Vi sua boca, tão macia, tão convidativa. Sim, eu estava feliz... Ou quase. Estava bem perto da felicidade. Ela estava a poucos centímetros, me chamando, bem ali na minha frente. E eu não percebi que estava indo em direção a ela até ser interrompido.

— Senhores? — uma voz feminina falou, e eu me afastei de Gerard. Como nós tínhamos ficado tão próximos? Eu estava quase... Nós estávamos quase... — O sr. Carter já pode atendê-los.

A mulher se afastou. Tinha nos visto, mas se manteve completamente profissional. Eu e Gerard estávamos no sofá do fundo em uma sequência de lugares que formava um semi-círculo. Mikey, Ray e Bob estavam nas poltronas da frente, afastados, e não estavam olhando para trás. Pelo menos não quando eu vi.

Nós nos levantamos e eu não criei coragem para olhar diretamente para Gerard, e só consegui ver que ele também não olhava para mim.

Espero que nessa reunião ninguém me dirija a palavra, porque eu vou estar mentalmente enfiado num buraco.

Notas finais
E muito obrigado vocês que deixam reviews, suas lindas ♥