I Love You
1 I Love You one-Shoot
Notas iniciais
Era inverno, e da janela podia-se ver a neve, branquinha e gelada, caindo na grama. A luz da lua era intensa e podia fazer qualquer um sentir ternura ao olha-la, mas Lucy não podia sentir isso. O coração dela fora congelado por um inverno frio e gelado, um inverno sem fim, um gelo que nem o sol, mais quente e radiante, poderia derretê-lo.
Lucy estava deitada em sua cama, com os fones de ouvido, chorando. Lembrava-se que nem todos os dias da vida dela foram assim, lembrava-se de cada detalhe da época que ainda restava-lhe um pouco de felicidade, um pouco de amor.
Agora, talvez, ela jamais conseguirá amar de verdade novamente, seu coração havia se partido em milhões de pedacinhos, impossível de se curar... Ela havia perdido o amor de sua vida, e sabia que nada traria a sua garota de volta. Se arrependimento matasse, talvez ela já tivesse morrido. Dizem que errar é humano, e que as pessoas aprendem com os próprios erros, mas esqueceram de dizer que cada erro tem sua consequência, e que essa consequência talvez possa ser pior do que a pessoa possa imaginar.
A angústia podia ser vista nos olhos de Lucy, que nesse momento estavam cheios de lágrimas. Sentou-se em sua cama e abriu a gaveta da cômoda ao lado de sua cama, de lá tirou um estojo rosa, tão lindo e gracioso que ninguém poderia imaginar o monstro que se escondia dentro de tal, ela abriu-o com cuidado e logo em seguida tirou seu estilete de dentro. Seu olhar estava fixo e sua mão estava firme, mesmo que por dentro ela tremesse e pedisse para que tudo fosse diferente.
– Como você pôde Lucy? – A garota alta e morena gritava e chorava.
– Por favor, Amanda me perdoa... Foi um grande erro. – Lucy chorava ainda mais, sua cabeça rodava e ela não conseguia encarar a garota à sua frente nos olhos.
– Perdoar? Mano, você me traiu. Como você pode fazer isso comigo?
– Nunca mais vai acontecer novamente, eu prometo... Eu só quero uma nova chance para acertar.
– Realmente não vai mais acontecer, pois não terá próxima vez... Acabou tudo. – A raiva era nítida nos olhos de Amanda, ela sentou-se no chão e cada vez mais lágrimas caia, ela amava Lucy.
– Não faz isso comigo, por favor! Você é tudo que eu tenho, eu te amo.
– Eu apenas gostaria de nunca ter te conhecido. – A morena gritou e Lucy já não tinha o que dizer, virou as costas e saiu pela porta.
A lâmina deslizou em seu pulso, ela não sabia se estava se cortando por consolo ou punição, mas não podia mais controlar-se, tudo já estava acabado.
– Eu quero me lembrar dessa noite para sempre. – A morena sussurrou no ouvido de Lucy, fazendo-a sentir arrepios.
– Eu te amo Mandy. – Lucy disse, em seguida beijando os lábios de sua companheira. Um beijo doce e apaixonado.
– Eu também te amo
Quando mais ela se lembrava de cada momento que passara ao lado de sua garota, podia perceber o quão estupida fora de trai-la. Ela fechou os olhos e passou a lâmina em sua pele, dessa vez com mais força, o sangue escorria de seu pulso e pingava no chão, mesmo assim nada poderia ser o suficiente.
Ela já era uma mulher, mas continuava tendo atitudes de uma menina. Já havia se passado tanto tempo dês da ultima vez que havia se cortado, anos na verdade... Prometera à Amanda que jamais faria tal coisa novamente. Agora que tudo estava perdido, talvez nada mais importasse.
Seu telefone, que estava no mudo, acendia e vibrava, provavelmente alguém estava ligando para ela, mas nada importava... Não mais.
Entre soluços, ela passava a lamina em sua pele, não só no pulso, mas sim em todo o seu braço.
A companhia tocou uma, duas, três, quatro, cinco vezes, mas Lucy não se importava e continuava sem parar, até que ela já não conseguia ver ou ouvir nada, seu corpo tombou para o lado... Ela havia desmaiado. Logo em seguida Amanda entrou em disparada no quarto de Lucy.
O que ela viu, foi simplesmente horrível de ser descrito, ela deu um grito e começou a chorar. Saiu correndo até a cama, mas Lucy estava inconsciente.
– Eu te amo. – Ela soluçava e beijava o rosto da garota à sua frente, e então percebera que havia uma carta jogada na cama, esticou-se para pegar a carta... Era uma carta de suicídio. Ela ainda podia salva-la, ligou para a ambulância, que veio imediatamente.
Amanda andava de um lado para o outro na sala de espera, ela não havia recebido noticia alguma, não sabia se Lucy iria sobreviver. Ela segurava a pequena carta com força, mas estava com medo de ler. Mais alguns minutos se passaram, e então ela sentou-se no chão, seus olhos marejados e seu rímel preto totalmente escorrido pelos olhos... Talvez aquela carta fosse a ultima vez que se sentiria perto de sua pequena novamente, então ela abriu-a.
Querida Amanda
Eu apenas gostaria que você soubesse que eu te amo, amo mais do que qualquer coisa na minha vida. Tantos anos que foram passados juntas, tantas coisas que já havíamos mudado e superado... Foram os melhores anos da minha vida.
Agora eu gostaria de te pedir perdão, perdão pelas coisas que eu já fiz, pelas lágrimas que você derramou por minha causa. Eu não fui uma boa pessoa para você, sei que não, mas o meu amor sempre fora de uma imensidão surpreendente.
Você sempre foi o meu tudo, a minha fortaleza, você estivera comigo nos momentos mais difíceis de minha vida... Eu amo esse teu jeito teimoso e fofo que você tem, é algo que sempre me cativou... Uma mulher de atitude e de palavra, da qual posso confiar de olhos fechados.
Por favor, eu peço para que você não chore mais, peço para que sigas a tua vida e seja feliz, se você estiver bem pode ter certeza que eu também estarei.
Eu te amo, eu jamais me esquecerei de ti, então, por favor, peço-lhe para que jamais se esqueça de mim.
Com amor, Lucy.
O coração de Amanda estava a mil, isso não podia estar acontecendo. Cada vez mais lágrimas caiam no pequeno papel que ela segurava.
– Eu também te amo. – Ela sussurrou, dando um leve beijo no papel.
– Acompanhante de Lucy Campbell. – O som do médico ecoou na sala de espera, Amanda tentou recompor-se, levantou do chão e foi até o médio.
– Sou eu. – Disse ainda soluçando.
– Ela está bem, mas ainda será monitorada por algumas horas. – A garota começou a chorar mais ainda, mas desta vez era um choro de alegria e alívio. O médico sorriu.
– Quando poderei ver ela Doutor?
– Assim que ela acordar. – Ele disse sorrindo outra vez.
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