I Love Charlie
46 Porque eu o amava.
Notas iniciais
Narrado por Tommy.
Passei a tarde na pista de skate, era uma das poucas coisas que me traziam distração.
Confesso que não aguentava mais pensar na Charlie e em como eu a magoei. – talvez fosse realmente melhor ficar longe. – A culpa estava me consumindo.
Mas algo me chamou atenção – pensei ter vista ela de longe – na praça, ela estava de costas, parecia estar indo embora naquele momento.
Olhei mais uma vez e tive quase a certeza que era ela – fui caminhando naquela direção, mas uma garota me interrompeu.
— Oi Tommy, acho que você não se lembra de mim… Mas nós estudamos na mesma sala… – a garota continuou falando, e eu olhava para ter a certeza se era ou não a Charlie, mas a cada segundo ela se distância mais.
— Olha, me desculpa, eu estou com pressa! – falei interrompendo a garota que eu nem sabia o nome.
— Eu só queria saber se você já tem par para o baile… – falou sem graça.
— Eu não vou ao baile, desculpa. – falei tentando ser o mais gentil possível. – Agora, se você me der licença. – sai dali, mas já tinha perdido a garota (que eu achava ser a Charlie) de vista.
(…)
Não demorei até chegar em casa – mas ainda estava intrigado com o que tinha visto na praça.
Girei a maçaneta e abri a porta, entrei em casa – e dessa vez eu tive certeza de que não estava vendo coisas.
Charlie estava indo em direção a cozinha, ela estava de cabeça baixa – e só notou minha presença quando falei com ela.
— O que você está fazendo aqui? – perguntei não escondendo minha surpresa em vê-la na minha casa.
— Tommy… – ela olhou para mim ainda mais surpresa, seu rosto corou levemente. – eu não imaginei que você estaria aqui.. – falou sem graça.
— Eu moro aqui! – falei sarcástico, mas em tom de brincadeira.
Ela me olhava de forma estranha – notei que seu nariz estava vermelho, como se estivesse chorado a pouco tempo.
Também vi seus olhos brilharem, lágrimas pareciam querer se formar.
— Você está bem? – perguntei me aproximando mais dela.
— Eu…? Estou, estou bem! – ela falou e baixou a cabeça, vi suas mãos mexerem agitadas na barra da blusa, ela estava nervosa.
— Você não me parece bem… – falei desconfiado – ainda é sobre nós…? – perguntei com receio.
— Não. – ela balançou a cabeça negando.
Charlie não me olhava nos olhos – algo estava acontecendo.
— Então olha pra mim – falei, e ela não olhou – Charlie! – peguei em seu rosto e a fiz olhar pra mim. – O que houve?
— Nada! Eu estou bem. – eu sabia que ela estava mentindo.
— Mentira! – falei ficando irritado por ela está escondendo algo de mim – O que aconteceu?
— Tommy… – ela olhou em meus olhos, e de novo o olhar estranho.
O olhar que recebi quando contei a Katie que era adotado, o olhar que minha mãe me deu quando eu soube que não era filho dela, o jeito que meu pai me olhava depois das nossas brigas.
Não! Esse olhar não!
Ela estava me olhando com pena? Com dó?
— O que você veio fazer aqui, Charlie? – perguntei tirando minhas mãos de seu rosto.
— Eu só estava… – ela mordeu o lábio inferior nervosa.
— Estava o que? – falei um pouco alto, assustando-a.
— Eu… Eu… – ela continuava a me olhar daquela forma, procurava palavras pra encobrir sua mentira.
— Você o que? – perguntei nervoso – RESPONDE!
— Eu sinto muito, Tommy. – disse baixinho, seu olhar ainda estava sobre mim.
— O que você fez? – perguntei ainda não querendo acreditar naquilo.
— Sua mãe me contou… Eu sinto muito. – ela se aproximou de mim, tentou tocar meu rosto mais segurei sua mão.
— Porque fez isso? – perguntei com raiva – o que você queria com isso?
— Eu não…
— Queria me magoar? Era vingança?! – falei olhando em seus olhos.
— Não! Claro que não!
— Primeiro o beijo no Scott, e agora isso… Você queria me magoar também? Queria se vingar de mim? Queria que eu sofresse como fiz com você?
— Não! Tommy eu não queria isso… – ela tentou se aproximar de mim novamente, mas me afastei.
— Eu não preciso da sua pena! – falei impassível.
— Não é pena.. – falou triste, mas eu a interrompi.
— Você já conseguiu o que queria Charlie, agora vai embora – falei desviando meu olhar do seu.
— Tommy, eu só queria te entender – ela tentou se aproximar de mim mais uma vez, mas segurei em seu braço impedindo-a de tocar em mim.
— Eu mandei você ir embora! – falei cortante.
— O que está acontecendo aqui? – minha mãe descia as escadas vindo até nós.
Soltei o braço da Charlie e fui até ela.
— Você não tinha esse direito! – falei alto, ela olhou-me confusa por alguns segundos, até assimilar o que eu falava.
— Meu filho… – ela me lançou um olhar triste e cansado.
— Não era escolha sua contar! – gritei e sai dali batendo a porta sem olhar para trás.
Quando passei pela Charlie, ela olhava-me com lágrimas nos olhos, e por incrível que pareça, não me comoveram.
Ela não tinha esse direito! Não tinha o direito de se intrometer em um passado que era meu. – porque ela fez isso? Era pra me magoar?
Porque se a intenção dela era me magoar, pronto, ela havia conseguido! – Essa história era minha! Ela não podia ter feito isso.
Narrado por Charlie.
Eu não imaginei que ele reagiria tão mal – na verdade, não pensei em sua reação em relação a isso.
Ele estava magoado comigo, eu tinha magoado o Tommy.
— Querida, você está bem? – Molly perguntou logo depois que ele saiu.
— Sim. – menti – Eu preciso ir! – não dei tempo para que ela respondesse e sai porta a fora.
Deixei com que as lágrimas escorressem pelo meu rosto sem impedimentos enquanto caminhava calmamente até em casa.
Meu coração estava partido – e o dele também. – E foi nesse momento que pensei que a melhor saída para nós dois, era eu ir embora.
Porque eu o amava – mas esse amor estava nos levando a ruína.
E se amar-lo significasse aruina-lo, então eu abriria mão desse amor.
E agora, depois de saber toda verdade – eu realmente torcia para que ele superasse suas feridas.
Mas eu não poderia mais ficar, se eu ficasse, talvez seria muito pior.
— Mãe? Você comprou a passagem? – perguntei assim que entrei em casa, minha mãe estava no Notebook.
— Ainda não, você não confirmou… – falou olhando-me analítica.
— Pode comprar, mamãe – confirmei me sentando ao lado dela no sofá – eu vou para Nova York. – deitei minha cabeça em seu ombro, fechei os olhos e pensei que aquela era a melhor decisão.
Eu sabia que ele era o amor da minha vida, mas nem todos os amores podem ser vividos. E não importava quanto tempo passasse, eu sempre ia ama-lo, com todos os seus erros e feridas.
E nesse momento eu sabia que abrir mão dele, seria nossa salvação.
Tamanho ato de altruísmo, ou burrice.
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