I Love Charlie
18 Beijando o inimigo.
Notas iniciais
Eu tive que praticamente expulsar Katie ontem. Ela só foi embora depois de me fazer experimentar varias roupas diferentes. A maioria ela dizia “não”, “nem pensar”, “péssimo”, “porque você comprou isto?”. Mas depois de muito tempo ela escolheu o melhor look – na opinião dela.
Eu estava com um vestido preto de alcinha. Ele marcava bem minha cintura e era rodado na parte de baixo. Também tinha um decote em “v” mas nada muito exagerado. Eu havia ganhado ele da mãe do Tommy quando completei quinze anos. – Mas nunca havia usado-o antes. Ele me servia perfeitamente mesmo eu tendo ganhado-o a um ano atrás.
Coloquei meu all star, Katie queria que eu fosse de salto alto, mas expliquei para ela que é só um encontro na pracinha e eu também não tinha salto. – Ela queria me emprestar um dela, mas disse que não e ela ficou resmungando.
Soltei meus cabelos que até então estavam presos em um coque. – Meu cabelo estava bem comprido, era a coisa que eu mais gostava em mim. – Passei um gloss rosinha claro. – E estava pronta, respirei fundo e mandei uma mensagem para Scott.
“Já estou saindo, me encontra na pracinha. Beijos.”
Abri a porta do meu quarto e fui em direção as escadas. Comecei a descer os degraus, quando eu estava no último minha mãe saiu da cozinha.
— Minha filha, você está linda! – ela estava com um avental de cozinha. – Parece até uma princesa.
— Mãe não é pra tanto! – suas palavras atraíram a atenção de Cody que estava jogado no sofá.
— Ta linda pra caralho em maninha! – minha mãe repreendeu o palavrão de Cody só com um olhar.
— Obrigado. – sorri envergonhada. – tenho que ir...
— É um encontro? – minha mãe me perguntou.
— Sim... – falei envergonhada – É um garoto da escola, o nome dele é…
— Scott. – Cody falou rindo. – Não é?!
— Sim! Tenho que ir... se não vou me atrasar.
— Juízo, Charlie! – minha mãe gritou quando passei pela porta.
Ela fala como se eu fosse transar com ele.
Revirei os olhos com esse pensamento.
Caminhei apressada pelas ruas. – Não vou negar que eu estou ansiosa, mas para que?
Cheguei na pracinha que se localizava perto da escola e da tal pista de skate.
— Oi...? – falei sentando-me ao lado de Scott em um dos bancos da praça.
— Charlie! – ele abriu um sorriso tímido, mas tão fofo. – Você está linda! – fiquei vermelha com seu elogio. Scott tirou uma mexa que caia sobre o meu rosto.
— Obrigado. – sorri de lado. – Achei que não iria mais me ligar.
— Por causa daquele idiota? – ele se referia a Tommy.
Vi raiva em seu olhar e aquilo me causou um certo incômodo.
— É… – respondi sem animação.
— Eu disse que não ia desistir fácil! – falou tentando mudar de assunto.
— Estou vendo isso. – sorri tentando ser meiga, acho que consegui. – Mas então…
Eu e Scott ficamos conversando durante um bom tempo. Ele me fazia rir e eu adorava isso.
(…)
— Espero que hoje não tenha socos e tapas! – falei quando nós estávamos chegando na frente da minha casa.
— Eu também! – Scott riu da minha tentativa falha de fazer piada.
— Então… eu acho que… – fui interrompida por ele que colou seus lábios aos meus. Eu fiquei sem reação pois não esperava aquilo. Minha boca estava fechada e meus olhos abertos e eu tinha certeza que era pra ser ao contrário.
Percebi que Scott tentava abrir minha boca, então acordei pra vida e reagir abrindo-a. Sua língua estava dentro da minha boca e se mexia de um lado para o outro. Eu me mantinha estática enquanto ele me beijava, suas mãos estavam na minha cintura.
Ele foi parando de me beijar e quando acabou me deu um selinho.
— Eu tenho que entrar… – falei sem graça.
— Tudo bem. – Scott mantinha um sorriso de orelha a orelha. – Até amanhã?
— Até! – falei indo em direção a porta.
Entrei e fechei-a encostei na porta, respirando fundo.
A primeira coisa que fiz foi limpar minha boca que estava completamente babada.
E a segunda foi pensar que se beijar fosse ruim assim eu nunca mais o faria.
Subi as escadas em direção ao meu quarto. Quando cheguei na frente do mesmo vi Tommy encostado no batente da porta do “seu quarto” que era infelizmente de frente para o meu.
Ele tinha um sorrisinho debochado.
— Foi tão ruim assim? – olhei-o sem entender, até absorver a informação. Ele se referia ao beijo. – aposto que limpou a boca…
— O QUE? – ele sorria ainda mais largo. – Você.. você, estava me espiando? Seu… Seu, fofoqueiro!
— Não, eu não estava! – negou. – É que a janela é de frente para rua e vi o desastre que estava acontecendo. – Tommy começou a rir.
— Cale a boca!
— Foi engraçada a sua cara, Charlie... – ele começou a gargalhar. – Foi impagável! E o idiota achando que estava mandando bem… – ele parecia se divertir com a situação. Sua risada era natural, sem deboches, a risada que eu gostava de ouvi.
Bufei e não me contive, comecei a rir junto com ele.
— Foi péssimo. – falei entre risos.
— Eu vi! – nós dois riamos como duas crianças. – Mas a sua cara de “o que está acontecendo?” foi a melhor, sério!
— Ai meu Deus! – falei tentando controlar a risada. Puxei o ar e soltei.
Tommy parecia ter parado de rir também.
Até que olhamos um para a cara do outro e começamos tudo de novo.
— Para é sério. – ele falou olhando pra mim. – Eu não aguento mais! – e soltou outra gargalhada.
— Olha se beija for tão ruim assim... – falei rindo. – eu não quero mais, sério.
— Eu te garanto que não é! – Tommy disse entre risos.
Consegui me controlar e parar de rir. Nós ficamos nós olhando durante alguns segundos.
Me virei abrindo a porta do meu quarto e fechei-a, me joguei na minha cama fitando o teto.
(…)
Deveria ser umas duas horas da madrugada, levantei-me e sai do meu quarto. Eu ia até a cozinha beber um pouco d'água já que minha boca estava seca.
Eu tinha tido um sonho horrível em que Scott me beijava e sugava toda saliva da minha boca.
Eca!
Desci os degraus da escada na pontinha dos pés. Notei que a TV estava ligada, mas fui primeiro até a cozinha antes de ir desliga-lá.
Peguei um copo d'água e bebi. Lavei-o e guardei no armário. Me virei para sair da cozinha e dei de cara com Tommy com os braços cruzados. Ele estava usando apenas uma calça moletom cinza.
— Que susto! – coloquei a mão sobre o peito.
— Eu sei que não sou feio pra você se assustar!
— O que está fazendo aqui a essa hora? – indaguei ignorando seu ego.
— Eu estava assistindo.... – deu de ombros – Diferente de você que desceu a escada sorrateiramente.
— Cala boca! – ele me olhou feio
— Já é a segunda vez hoje que você me manda calar a boca… – ele parecia irritado.
Ficamos em silêncio nos encarando, durante um curto tempo, até ele começar a falar de novo.
— Charlie…
— O que?
— Posso te perguntar uma coisa? – fiz que sim com a cabeça. – Pela formar que você falou mais cedo… foi seu primeiro beijo?
Mordi o lábio inferior pensando em uma resposta… eu poderia mentir, certo?
Errado.
— Foi… – respondi sem graça. – eu… vou dormir! – passei por ele.
Mas Tommy segurou meu braço de leve, me virei para olha-lo. Seus olhos eram fixos em mim.
— Me deixa mostrar que não é ruim… – eu mordi os lábios. Meus olhos encontraram os seus…
Assim que fitei seus olhos escuros eu me perdi, sabia que não poderia negar e também eu não queria negar aquele beijo.
Sua mão que estava apertando levemente meu braço, desceu por ele. Fechei os olhos por alguns segundos sentindo o toque dos seus dedos em minha pele. Suas mãos foram parar na minha cintura e quando dei por mim ele havia me puxado pra mais para perto do seu corpo.
Eu voltei a encarar seus olhos. Eu sempre me perdia naquela escuridão.
Tommy passou a língua pelos lábios, molhando-os. Eu acompanhei o movimento com os olhos, que antes estavam fixos em nos seus e agora tinham parado em seus lábios…
Ele se aproximou mais de mim, sua respiração se confundia com a minha. Seus lábios quase enconstavam nos meus. Suas mãos apertavam mais minha cintura contra seu corpo.
Fechei os olhos sentindo seu sua boca mais perto da minha.
Tommy roçou de leve seus lábios contra os meus. Logo depois mordeu de leve meu lábio inferior, me fazendo arfar. – Entreabri minha boca e fui tomada por um beijo delicioso, era calmo mas intenso ao mesmo tempo. Sua língua explorava cada canto da minha boca. Levei minha mão até sua nuca e fazia carinho com as pontas dos meus dedos. Tommy se arrepiou com meu toque, me fazendo assim sorrir entre o beijo… O ar começava a faltar, então fomos parando devagar até estarmos com as testas encostadas uma na outra. Eu abri os olhos e encontrei os seus, ele me fitava intensamente.
Voltei a consciência e comecei a pensar “o que eu fiz? ”. – Eu não podia ter feito aquilo!
Me afastei bruscamente dele que me olhou sem entender nada.
— O que foi? – perguntou quando eu corri em direção as escadas.
Me virei para olha-lo.
— Nunca mais faça isso! Nunca! – subi os degraus correndo em direção ao meu quarto.
Me joguei na cama pensando em tudo o que havia acontecido, e tentando entender porque eu tinha gostado tanto do beijo daquele cafajeste! O que estava acontecendo comigo? Beijando o inimigo, e confraternizando com ele?
O pior era que eu não conseguia me arrepender. – Fechei os olhos e levei minha mão até meus lábios, toquei-os de leve com a ponta dos dedos pensando no que havia acabado de acontecer. – Tinha sido a melhor besteira da minha vida…
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