I Know

1 I Know


Notas iniciais
Olá, pessoas maravilhosas!!! ;D Tudo bem com vocês? Bom, resolvi participar de um amigo secreto e fiquei muito feliz ao descobrir que minha amiga também shipava Han/Leia, porque esse é um dos meus ships favoritos da vida. Ana, espero que você goste! ♥

I KNOW

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Partir nunca fora difícil. Ao menos, não para ele. Era algo com que há muito se acostumara e, talvez, aquela fosse a única constante em sua vida. Han Solo costumava apreciar disso. Era um pirata do espaço, vagando pela Galáxia com sua nave – visitando orlas inteiras, sem nunca se fixar a um único planeta – em uma busca constante por lucro fácil e, bom, um pouco de diversão.

A Millennium Falcon era sua casa e Chewbacca sua família. Embora jamais fosse realmente admitir a última parte, é verdade. De qualquer forma, as coisas estavam bem daquele modo e o piloto mais do que satisfeito com seu estilo de vida errante. Pelo menos, até o maldito garoto idealista aparecer em seu caminho, com aquele velho jedi e seus droides irritantes, lhe arrastando para toda aquela confusão.

Tudo o que Han queria era dinheiro suficiente para se livrar da enrascada em que se metera com Jabba. Deveria, então, apenas levar o moleque idiota e o velho maluco para Alderaan e receber o que lhe fora prometido. Era isso. Pronto. Nada mais. Entretanto, quando se dera conta já estava envolvido em um resgate de uma princesa mal-agradecida e se afundando nas confusões dos rebeldes.

Han Solo não se importava com nada daquilo. Não se importava com o garoto. Não se importava com a maldita rebelião. E definitivamente não se importava com aquela princesa teimosa e intransigente. Desde o princípio estivera ali apenas por questões monetárias e isso não mudaria agora.

Então, ele pegou sua recompensa, sua nave e Chewie e saiu daquela base rebelde o mais rápido que conseguiu, antes que aqueles idealistas imbecis acabassem o matando. Porque, Han não tinha dúvidas, todos aqueles tolos estariam mortos em poucas horas. Não era algo com o que deveria se preocupar, o contrabandista tinha tudo o que precisava e poderia conviver com os comentários de censura de Chewbacca. Bom, ao menos ele tentou se convencer disso, até se dar conta de que era inútil fingir não se importar.

Talvez não se importasse mesmo com aquela rebelião fadada ao fracasso, no entanto, algumas experiências marcam vidas e criam conexões, tornando impossível seguir incólume. Quase ser esmagado por um compactador de lixo e fugir de uma estação espacial do Império provavelmente se encaixava nessa lista. Então, sim, Han Solo se importava com o garoto. E – por todos os malditos deuses da Galáxia! – se importava com a princesa.

Voltar para ajuda-los era sua única opção.

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Havia momentos em que Han Solo acreditava fielmente que estava perdendo a razão. Não existia outra explicação para aquilo. Lá estava ele, escondido em uma estúpida base rebelde e sentindo-se péssimo por estar prestes a partir. Pela primeira vez desejava ficar. Desejava fincar raízes e, nem mesmo ele acreditava no que estava pensando, fazer o que era certo simplesmente porque era certo.

A rebelião era importante e contrabandista sabia disso, ainda assim, tinha seus próprios problemas a resolver. Problemas que poderiam custar sua vida. Não havia mais como adiar, precisava partir e se acertar de vez com Jabba. Solo sabia que aquilo era o que deveria ser feito, no entanto, a ideia de ir o machucava e, boa parte disso, era culpa dela. Leia Organa. Aquela princesinha irritante! O maior dos problemas que Luke Skywalker fizera surgir em sua vida.

Ele gostava dela. Aquilo era vergonhoso, mas o homem sabia que não adiantava negar seus sentimentos. Se apaixonar era a última coisa que queria, ainda mais por uma criatura tão insuportável, mandona e cheia de si, mas talvez fosse justamente tudo aquilo que fizera seu coração se aquecer pela garota. Havia momentos em que ele poderia jurar que ela sentia o mesmo. Entendia que não fazia sentido, afinal, ela era uma princesa, liderando uma revolução e ele um contrabandista que só pensava em si mesmo. Os dois não poderiam ser mais diferentes e Han sentia que jamais seria bom o suficiente para a moça.

Ainda assim, algo dentro dele lhe dizia que ela se sentia do mesmo modo. Desejava que fosse verdade, desejava, como nunca havia desejado algo antes, que a princesa correspondesse seus sentimentos. Por isso a provocava constantemente, não lhe dando um único segundo de paz, queria que ela admitisse o que sentia. Queria que lhe pedisse para ficar. Não pelos rebeldes, não pela rebelião, mas por ela, porque estava apaixonada e já não conseguia se imaginar sem ele.

Soltou um suspiro, enquanto revirava os olhos diante aos próprios pensamentos. Quando havia se tornado tão pateticamente piegas? Deveria odiar Leia por ter feito aquilo com ele. Deveria odiar aquela princesa insuportável por um milhão de razões. Aquilo nunca fizera parte de seus planos. Ela nunca fizera parte de seus planos. E amá-la estava acabando com ele, o enlouquecendo lentamente e o destruindo por dentro. E apesar de tudo isso, Han não conseguia imaginar alguma forma das coisas serem diferentes. No momento em que a conhecera soube que ou a odiaria, a ponto de desejar matá-la, ou se apaixonaria perdidamente. Não era possível haver meios termos quando se tratava de Leia Organa.

Talvez ele devesse apenas lhe contar a verdade. Talvez devesse abrir seu coração e admitir o que sentia, admitir o que queria que ela admitisse. Provavelmente era a coisa certa a se fazer, contudo, Han Solo nunca fora exatamente conhecido por fazer o certo. Ele era egoísta e sempre se colocava em primeiro lugar, fazendo o que era melhor para si mesmo. Naquele momento, não conseguia imaginar que bem traria confessar seus sentimentos. Além disso, era orgulhoso demais para aquilo e mal conseguia lidar com suas novas emoções, verbaliza-las, portanto, estava fora de cogitação. O silêncio era, sem dúvidas, a escolha certa.

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Talvez ela estivesse enlouquecendo. Aquela seria uma explicação completamente plausível e racional. Especialmente após tudo o que havia passado na Estrela da Morte. Não seria difícil acreditar que havia desenvolvido algum problema mental após ser torturada pelo próprio Darth Vader e ter presenciado a destruição de seu planeta natal.

O simples fato de torcer para estar perdendo a razão, definitivamente, não era um sinal de sanidade. Era claro que quando a outra opção era nutrir sentimentos suspeitos por um patife como Han Solo, a insanidade parecia realmente tentadora.

Leia suspirou exasperada, enquanto terminava de trançar os longos cabelos castanhos. Estava sendo ridícula! Além disso, não tinha tempo para aqueles disparates. A revolução não iria se travar sozinha, enquanto uma de suas líderes tinha crises existenciais. Ela não era uma garotinha deslumbrada de 15 anos, era uma princesa e poderia já não ter um planeta no qual reinar, mas tinha um dever para com aquela galáxia e iria cumpri-lo. A destruição de Alderaan e todas as vidas perdidas não iriam ficar impunes, o Império iria cair e pagar por cada uma delas. Era nisso que precisava se concentrar e não no canalha do Solo.

Respirou fundo, saindo de seus aposentos. Não sabia por que se dava ao trabalho de se importar. Ele estava indo embora, deixando a rebelião para tratar de seus problemas de contrabandista. Um contrabandista, Leia! Um contrabandista canalha e insuportavelmente irritante. Sua voz interior a recordou e, se suas faculdades mentais estivessem em seu completo funcionamento, seria o suficiente para encerrar definitivamente aquele assunto inconveniente.

Inconveniente. Essa simples palavra definia perfeitamente o que aquela suposta atração – além das emoções conflituosas – por Han Solo significava. Primeiro, ela não tinha tempo para romances. Segundo, se (ou quando) o tivesse deveria gastá-lo com alguém confiável, um homem de bom caráter, capaz de corresponder seus possíveis sentimentos – um canalha, egocêntrico e presunçosos como Solo jamais o seria – e de construir com ela um futuro estável. Alguém como Luke. O Skywalker sim, seria um bom partido. Se ela ao menos fosse capaz de sentir algo além de amizade e um profundo carinho por ele...

A princesa balançou a cabeça, suspirando pela enésima vez naquela manhã. Quantas vezes precisaria dizer a si mesma para deixar de ser estúpida e se preocupar com um futuro que talvez sequer chegasse? Prioridades, Leia! Lembrou a si mesma. Foque em suas prioridades. Contrabandistas egoístas, definitivamente, não eram uma delas. Pelo menos, não deveriam ser.

A verdade, contudo, era que ela queria que ele ficasse. Queria que ficasse pela revolução, mas, acima de tudo, por ela. Han Solo era todo errado. Errado de um milhão de formas diferentes e ela conhecia muito bem cada uma delas. Tudo isso, fazia com que a moça se odiasse por se sentir da forma como sentia. Ainda assim, não conseguia evitar. Estava apaixonada por Han, mas aquilo era algo que não queria admitir nem para si mesma.

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Leia era orgulhosa. Aquilo podia ser tanto uma qualidade quanto um defeito, mas também era um fato. Sendo assim, resolvera que se calar e engolir qualquer sentimento suspeito que pudesse nutrir por Han era o melhor a ser feito. Se ele não queria ficar, que partisse, fosse embora e nunca mais voltasse. Aquilo provavelmente a mataria por dentro, mas desde que mantivesse para si mesma, e nunca admitisse em voz alta, ficaria bem.

Ela havia sobrevivido à morte de seus pais biológicos, à morte de seus pais adotivos, à destruição de todo seu planeta e da única casa que um dia conheceu. Poderia sobreviver àquilo. Poderia viver sem Han Solo. O que descobrira recentemente era que não queria viver sem ele. E aquilo tornava tudo ainda pior!

Apesar de tudo isso, a princesa resolvera seguir seu seu plano e permanecer em silêncio. Tudo aquilo, entretanto, fracassou miseravelmente, à medida que seu dia se transformava em uma grande confusão. De repente, se vira correndo para aquela banheira que Han chamava de nave, tendo como única opção fugir, uma vez que o Império descobrira sua localização.

Foram perseguidos por meia Galáxia, enquanto a Millenium Falcon parecia prestes a cair aos pedaços – mais do que de costume! – e, em meio a tudo isso, Solo ainda havia arrumado tempo para roubar-lhe um beijo. Aquela deveria ter sido a parte mais insignificante de toda a aventura. Ainda assim, enquanto era escoltada pelos corredores da fortaleza de Lando, aquela era a única coisa em que conseguia se concentrar.

Han havia sido traído por aquele seu suposto amigo – não que se pudesse esperar muita coisa do ciclo de amizades de um contrabandista – e estava prestes a ser congelado em carbonita. O coração de Leia saltava em seu peito, enquanto o pânico corria por suas veias. O desespero a dominando.

E então ela estava lá, parada diante a ele, prestes a perder o homem que amava e completamente impotente diante a isso. Naquele momento, nada mais importava. Não importava o fato de ele ser totalmente errado para ela, não importava a habilidade única que ele tinha de enlouquecê-la e seu orgulho já não significava nada. Reunindo todas as forças que lhe restavam, ela correu até ele. Era sua vez de roubar um beijo. Um último beijo. Um beijo de despedida. O beijo que ela implorou a todos os deuses da Galáxia para que tivesse a chance de se repetir. E quando foram forçados a se separar, seus lábios, tomados por vida própria, confessaram o que explodia há muito tempo em seu peito:

— Eu te amo!

E admitir aquilo, que por tanto tempo temera, se mostrou a coisa mais simples do universo.

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Às vezes chegava a ser cômico o modo como a vida conseguia mudar bruscamente em um único instante. Han Solo estava prestes a ir embora, a partir em busca de Jabba para finalmente pagar sua dívida e virar definitivamente aquela página de sua vida, e então – como se houvesse apenas piscado – se via face-a-face com a morte. Ele não sabia o que iria acontecer, mas entendia que ser congelado em carbonita não podia ser possivelmente bom. Han estava assustado, não negaria isso, mas compreendia que não podia deixar que esse sentimento transparecesse. Por ele. Por seu orgulho. Por Chewi. E por Leia.

E – oh, Leia! – lá estava a princesa despida de todo receio ou arrogância, dizendo as três palavras que ele desejava ouvir há tanto tempo.

— Eu te amo.

Seu coração explodia em chamas. Havia finalmente conseguido o que tanto desejara. Leia admitira o que já deveria ser óbvio e talvez ele devesse lhe responder da mesma forma. A chance de não sobreviver era grande e Han sabia muito bem o que sentia pela princesa. Ainda assim, a única coisa que saiu de seus lábios, que naquele instante se contraíam em um sorriso presunçoso, foi:

— Eu sei.

Porque, no fim, quem eles estavam tentando enganar? Era óbvio que se amavam e, por mais que tentassem negar ou se perdessem em medos e inseguranças, sabiam disso há bastante tempo. Apesar disso, Han não podia dizer “eu te amo”. Não naquele momento, não quando enfrentava um destino incerto, a morte eminente. Aquelas três palavras deveriam ser o início de algo e não o fim.

Então, ele disse “eu sei”. Aquela era sua maneira torta, estranha e errada de dizer que a amava e, se ela o conhecesse tão bem quanto ele imaginava, sabia que entenderia a mensagem. A mensagem que estivera por meses em cada um de seus atos, palavras e olhares. A mensagem expressa em seu último sorriso. Afinal, algumas confissões sempre funcionariam melhor em silêncio. E, por mais que fingissem não perceber, palavras nunca foram necessárias entre Han e Leia.

Notas finais
Espero que tenham gostado! ♥ Beijinhos... Thaís
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!